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Caminhos do Romance em Portugal: Camilo, Eça e o Folhetim Francês

caminhos-do-romanceObra propõe uma aproximação de dois escritores portugueses praticamente contemporâneos, Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós, porém pouco estudados em perspectiva comparada. Além disso, apresenta uma análise nova e instigante, ao tratar de dois livros pouco estudados: Os Mistérios de Lisboa de Camilo, e O Mistério da Estrada de Sintra, de Eça e de seu amigo Ramalho Ortigão, ambos adaptados para o cinema, em Filmes dirigidos respectivamente por Raúl Ruiz (2007) e Jorge Paixão da Costa (2010).

Caminhos do Romance em Portugal: Camilo, Eça e o Folhetim Francês, escrito por Andréa Trench de Castro, outro lançamento da coleção Estudos Literários, da Ateliê Editorial, apresenta os dois principais escritores portugueses do século  em uma situação específica: no momento em que tentam se firmar num mercado literário pequeno, com um público mais habituado a ler traduções do que romances nacionais. Incorporando e transmutando em seus romances muito daquilo que fazia parte dos hábitos de leitura de seu público, conseguiram criar obras peculiares e ainda hoje interessantes.

Com base nos pressupostos teóricos do comparatismo histórico-literário e das transferências culturais, a autora relativiza a visão de que a literatura e a cultura francesas teriam representado para Portugal e seus escritores uma influência hegemônica e centralizadora, lançando um novo olhar sobre a produção inicial de Camilo e Eça e repensando alguns aspectos do romance-folhetim oitocentista produzido em Portugal.

“Com evolução bastante distinta, os estudos camilianos e queirosianos beneficiam enormemente de abordagens cruzadas como esta de Andréa Trench de Castro, cuja metodologia hermenêutica, ao deter-se diacrônica e criticamente sobre especificidades de duas obras do percurso inicial dos dois escritores centrais da literatura portuguesa oitocentista, apresenta um assinalável contributo para a renovação da crítica e da história literárias.” (José Cândido de Oliveira Martins – Universidade Católica Portuguesa – Braga / Portugal).

Conheça aqui todos os detalhes da obra Caminhos do Romance em Portugal.

Interpretações entre a Literatura e a Psicanálise

Renato Tardivo

12'5x20 - 20mm lombadaInterpretações – Crítica Literária e Psicanálise reúne ensaios instigantes sobre o complexo parentesco entre essas duas áreas. Com efeito, as reflexões deste livro não incorrem nos dois problemas mais frequentes quando psicanálise e literatura são relacionadas: 1) a recusa prévia da possibilidade de diálogo, sobretudo por parte dos literatos, que podem ver na psicanálise apenas uma terapêutica ou um fazer normativo; 2) a aplicação direta de conceitos da psicanálise à literatura, de modo que o analista encontre no texto aquilo que ele próprio escondeu. Ao contrário, abordando diversas perspectivas dessa relação, os ensaios são divididos em duas seções: “O Ato Interpretativo”, que inclui reflexões sobre os dois fazeres, tendo a interpretação como mediadora, e “Faces da Interpretação”, que apresenta análises cuidadosas de obras literárias. Não sendo possível falar de todos, a seguir comentarei alguns desses textos.

Abre o conjunto o ensaio de Alfredo Bosi: “Psicanálise e Crítica Literária – Proximidade e Distância”. Recorrendo a clássicos da literatura e importantes pensadores da cultura, Bosi coteja possibilidades e limites implicados na relação entre as duas áreas. Entre os limites, talvez o mais significativo apontado pelo crítico seja o seguinte: “A Psicanálise conhece para curar, é uma ciência com vistas a uma terapêutica; a crítica literária, ao contrário, ao que eu saiba, nunca curou ninguém do vício de escrever, que continua compulsivo e impune”.

No ensaio seguinte, Adélia Bezerra de Menezes empreende um mergulho na “práxis da interpretação” presente nos dois campos e, como se continuasse o texto de Bosi, encaminha a reflexão do primeiro capítulo. Escreve a autora: “No paralelo que vim montando entre Interpretação literária e Interpretação psicanalítica, sempre ressaltando as semelhanças, há que se fazer uma distinção; uma diferença entre a práxis do crítico literário e a do psicanalista. É que, no caso específico da Psicanálise, há uma intenção terapêutica no uso da palavra”. E logo depois: “Essa eficácia terapêutica, no entanto, no encontro analítico, talvez se deva menos a uma ‘vontade interpretativa’ do que a um movimento de verbalizar, a um nomear, a uma passagem à palavra […] Assim, nem seria propriamente a interpretação que conta, mas mais propriamente a possibilidade que se oferece da presença de um outro atento, e que – para usarmos os termos de Riobaldo, em Grande Sertão: Veredas – ‘ouve com devoção’”. Ou seja, vislumbra-se aqui uma psicanálise cujo fim não é a cura pelo conhecimento, mas a vivência de um método que, em seu fazer específico, guarda semelhanças com a literatura.

Em “Uma Visita aos Sonhos na Arte: Grete Stern e Henri Matisse”, João Frayze-Pereira propõe no âmbito da “psicanálise implicada”, aquela que “respeita a singularidade da obra e constrói interpretação para ela, derivando-a dela, na justa medida dela”, duas aproximações: primeiro com uma série de fotomontagens da fotógrafa alemã Grete Stern, depois com uma mostra de obras de Matisse. Com efeito, as interpretações propostas pelo autor são precisas em sua poeticidade, e os sonhos visitados, na arte, comunicam-se com os sonhos para a psicanálise.

Talvez o ensaio mais denso do livro seja “Escrita e Ficção em Psicanálise”, de Joel Birman. Nele, o psicanalista empreende um resgate da história da psicanálise, retoma aspectos importantes do pensamento de Freud, pontua as obras em que as questões aparecem e, em um texto esclarecedor, fundamenta a tese da “presença inequívoca da dimensão ficcional do psiquismo”. Com efeito, o deslocamento da teoria da sedução para a teoria do fantasma empreendido pela psicanálise, quer dizer, a distinção proposta por Freud entre realidade psíquica e realidade material, traz como decorrência a dimensão ficcional do psiquismo: cuja ordem é sexual, é atravessado pelo desejo e contém os fantasmas – mediadores entre o sujeito e o acontecimento real. Dessa perspectiva, problematizam-se todas as modalidades de registro, não apenas em psicanálise ou literatura, mas na história, que seria, portanto, também ela atravessada pela ficção.

A seção dedicada às análises apresenta ensaios saborosos que acrescentam sentidos ao leitor que já tomou contato com as obras e funcionam como convite à leitura daquelas que o leitor ainda não conhece. A temática do espelho, cara tanto à literatura quanto à psicanálise, o Unheimlich, definido por Freud como “o estranho que é familiar”, o Édipo, enfim, esses e outros temas relevantes comparecem nas interpretações lançadas às obras de, entre outros, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Chico Buarque.

Por fim, vale dizer que o livro – organizado pelas também autoras Cleusa Rios P. Passos e Yudith Rosembaum – resulta interessante para o estudioso da área, mas, conquanto os ensaios não sejam herméticos, servirá ao leitor que, no mínimo, viva a literatura e se inquiete com a complexidade da mente humana.

Conheça mais sobre a obra Interpretações – Crítica Literária e Psicanálise

 

Coluna Resenhas - Renato Tardivo

Renato Tardivo é escritor e psicanalista. Mestre e doutorando em Psicologia Social (USP) e professor universitário, escreveu os livros de contos Do Avesso (Com-Arte) e Silente (7 Letras), e o ensaio Porvir que Vem Antes de Tudo – Literatura e Cinema em Lavoura Arcaica (Ateliê).

 

UM LANCE DE DADOS

A Ateliê Editorial lança, em edição bilíngue, Um Lance de Dados, de Stéphane Mallarmé. Traduzido por Álvaro Faleiros, esse livro propõe diferentes interpretações, resumos, excertos, críticas, que culminam com uma nova tradução desse poema.

lance de dadosEssa edição traz leitura crítica do poema mallarmaico, seguida por uma apresentação de proposta tradutória, na qual se discutem aspectos da tradução de Haroldo de Campos. O percurso proposto nesse livro concentra-se no aspecto tipográfico do poema, o que desconsidera, em parte, áreas das subdivisões prismáticas que permeiam o texto.

O poema Um Lance de Dados foi, desde sua primeira edição, acompanhado de um prefácio paradoxalmente introduzido por Mallarmé com um pedido para que fosse, logo após sua “inútil leitura”, esquecido. Nesse prefácio, Mallarmé atenta para o fato de que a: “Diferença de caracteres de impressão entre o motivo preponderante, um secundário e outros adjacentes, dita a importância de sua emissão oral”.

Mallarmé não é apenas um poeta hermético, no sentido do ocultamento ou do ciframento de significados (como queriam as vanguardas do início do século xx), nem exatamente um poeta experimental (ao gosto das vanguardas de meados do século). Historicamente, sua recepção agenciou essas leituras. […] A dificuldade e a estranheza de Mallarmé nos interessariam, hoje, por motivos diferentes daqueles que a destacaram no século passado. [Marcos Siscar]

Além do poema Um Lance de Dados, essa edição da Ateliê traz o prefácio de Mallarmé, análises introdutórias da obra do poeta, feita pelo tradutor, Álvaro Faleiros, além de apresentação escrita por Marcos Siscar.

Stéphane Mallarmé (1842-1898) começou a publicar seus poemas na revista O Parnaso Contemporâneo (Le Parnasse contemporain), editada na capital francesa na década de 1860, quando se mudou para o interior da França com o objetivo de ensinar inglês nas escolas da região. Dos 21 aos 28 anos o poeta viveu com a família em três cidades: Tournon, Besançon e Avignon. Autor de uma obra poética ambiciosa e difícil, Mallarmé promoveu uma renovação da poesia na segunda metade do século xix, e sua influência ainda é sentida nos poetas contemporâneos. Mallarmé desempenhou um papel fundamental na evolução da literatura no século xx, especialmente nas tendências futuristas e dadaístas, e está entre os precursores da poesia concreta. Sua poesia e sua prosa se caracterizam pela musicalidade e experimentação gramatical, Um Lance de Dados é um longo poema de versos livres e tipografia revolucionária.

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Matrizes Impressas do Oral – Conto Russo no Sertão

Resultado de muitos anos de pesquisa da autora, livro traz estudos sobre o conto tradicional, culturas populares mitopoéticas, histórias para crianças, culturas comparadas, comunicação oral e performance

15'5x22'5 - 15mm lombada

Em seu novo livro Matrizes Impressas do Oral – Conto Russo no Sertão, Jerusa Pires Ferreira cruza observações teóricas acerca de oralidade, escrita, memória impressa e do conto popular ancestral, que se recria, atualiza e reinventa no nordeste brasileiro, em textos e imagens. A autora apresenta experiências vivas, e propõe a partir daí um modo de lidar com esses materiais mitopoéticos, em várias de suas possibilidades.

Nesta obra agregam-se observações diversas, em que a própria teoria se oferece como um trajeto e o material se mostra em suas mediações e circulação sem fim. A presença do lendário “Pássaro de Fogo” em nossa cultura também é destacada, e em outro capítulo, o intrigante conto do Czar Saltan de Puchkin, que encontra no folheto de cordel a sua extensão. O filme O Trovador Kerib, de Sergei Paradjánov, é apresentado numa perspectiva de comparações e achados críticos e “A Princesa que Não Ria” nos situa diante da ritualidade do riso e suas condições, em muitas partes, na Rússia como na Bahia. O livro traz ainda traduções de Boris Schnaiderman, como em Puchkin e Lérmontov.

“Jerusa Pires Ferreira demonstra neste seu livro, que é o mais corajoso e maduro, não só que a linguagem dos contos maravilhosos é universal (isso é algo que já nos tinham dito muitas vezes), além disso nos desvela, com minúcia e erudição, os mecanismos literários e culturais dessa universalidade, coisa rara de fazer. Consegue assim aproximar a magia dos contos a uma geografia da razão, na medida em que alcança o prodígio de comunicar esses polos. Sem que se quebre o encan- tamento, aumentando o espanto.” (José Manuel Pedrosa, Universidade Alcalá de Henares / Madri)

Jerusa Pires Ferreira é doutora e livre-docente pela Universidade de São Paulo, autora de inúmeros livros e artigos sobre comunicação e linguagem, além de profes- sora de pós-graduação em comunicação e semiótica da PUC-SP. Criou e dirige o CEO (Centro de Estudos da Oralidade) da COSPUC – SP. Além do livro Matrizes Impres- sas do Oral – Conto Russo no Sertão, já publicou pela Ateliê Editorial, Armadilhas da Memória e Outros Ensaios; Livros, Editoras & Projetos e Cultura das Bordas – Edição, Comunicação, Leitura.

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Lançamento do livro Matrizes Impressas do Oral – Conto Russo no Sertão

Ateliê Editorial | Assessoria de Imprensa

15'5x22'5 - 15mm lombada

 

No último dia 31 de maio, a professora e escritora Jerusa Pires Ferreira lançou seu novo livro Matrizes Impressas do Oral – Conto Russo no Sertão. Nesta obra a autora cruza observações teóricas acerca de oralidade, escrita, memória impressa e do conto popular ancestral, que se recria, atualiza e reinventa no nordeste brasileiro, em textos e imagens. A autora ainda apresenta experiências vivas, e propõe a partir daí um modo de lidar com esses materiais mitopoéticos, em várias de suas possibilidades.

 

 

 

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Leia o release

Confira abaixo algumas fotos do lançamento

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Vocabulário Português-Nheengatu – Nheengatu-Português, de Ermanno Stradelli

Ateliê Editorial | Assessoria de Imprensa

Vocabulário Português-Nheengatu – Nheengatu-PortuguêsO livro preenche lacuna no conhecimento da língua que falamos hoje no Brasil, palavras como pipoca, paçoca, cuia, carioca, caipira, entre outras; e pronúncias como oreia, cuié, muié, e outras tantas, tem origem no nheengatu, a língua geral das populações da bacia amazônica e, ainda, oficial em região do Alto Rio Negro

Quando morreu em 1926, Ermanno Stradelli deixou sua obra, o Vocabulário Português-Nheengatu – Nheengatu-Português, inédita, e só foi publicada postumamente, em formato de revista, pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1929. Para o leitor de hoje esta edição da Ateliê Editorial ajuda a desmascarar um dos mais persistentes mitos da história brasileira: o do monolinguismo. Quem quer que tenha estudado em escola brasileira sabe que o atual caráter hegemônico e oficial da língua portuguesa é comumente projetado para trás, como se, a partir da catequização de Anchieta todos os habitantes das mais variadas regiões do país não falassem senão uma língua, o português. Tais versões da história se esquecem não apenas das várias línguas nativas usadas, ainda hoje, por grupos indígenas em várias partes do país, mas sobretudo que, durante três séculos de colonização, o português teve que disputar o lugar de língua mais falada com o nheengatu, que era utilizado não só por jesuítas e indígenas, mas também por mulheres, crianças, escravos, e muitos daqueles que não pertenciam às classes dominantes. Na verdade, em certas áreas da Amazônia, o nheengatu ainda hoje é falado como língua franca, embora em menor escala do que há um século.

Longe de sermos um país monolíngue, no que respeita a fala cotidiana generalizada em todo o território nacional, somos um país bilíngue. No português que herdamos de Portugal, os brasileiros infiltraram uma segunda língua, popular, o nheengatu, que se falava aqui, duas vezes proibida por Portugal aos brasileiros, em 1727 e em 1757. Não obstante, impregnou com sons e palavras a língua oficial e dominante, até então língua de repartição pública. O nheengatu (língua boa) ainda é falado em várias regiões e é, até mesmo, língua oficial em São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro (José de Souza Martins).

Ermanno Stradelli nasceu em 1852, herdeiro de uma antiga família nobre da cidade de Borgotaro – atualmente na província de Parma, Itália –, seu pai recebeu o título de conde pouco antes de seu nascimento e Ermanno, como filho primogênito, herdou o título. Deixou sua confortável e abastada vida na Itália, interrompeu seus estudos em Direito e veio para o Brasil. Depois de uma temporada por aqui, voltou à terra natal para concluir seus estudos e, em 1888, estabeleceu-se definitivamente no Estado do Amazonas. Inicialmente, trabalhou como fotógrafo, virou comerciante em Manaus e passou a conviver com os missionários franciscanos italianos, percorrendo com eles o rio Purus e seus afluentes, foi quando conheceu o nheengatu cujo estudo e pesquisa o acompanhou pelo resto de vida. Naturalizou-se brasileiro em 1893 e tornou-se promotor público em Lábrea e Tefé, no Amazonas. Na elaboração desta obra, valeu-se do auxílio de um qualificado informante indígena, nheengatu falante, mas ele próprio era fluente nessa língua, cujas culturas regional e indígena de referência conhecia extensamente. Viveu por 43 anos no Brasil e faleceu em 1926, solitário, confinado num rancho do leprosário de Umirizal, em Manaus.

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ISBN: 978-85-7480-638-9
Medidas: 16 x 23 cm
Páginas: 536
Edição: 1ª
Ano: 2014
Assunto: Linguística, Dicionário
Encadernação: Brochura
Preço: R$ 72,00

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Escritores, Gatos e Teologia – Waldecy Tenório

Escritores, Gatos e Teologia – Waldecy TenórioLivro reúne ensaios de Waldecy Tenório, que “estavam espalhados por aí” e investiga a literatura, “testemunha da raiz teológica dos problemas humanos”

Ateliê Editorial | Assessoria de Imprensa

A Ateliê Editorial lança Escritores, Gatos e Teologia. Livro traz ensaios escritos por Waldecy Tenório, quase todos nascidos no ambiente universitário, frutos de cursos ministrados na pós-graduação em Ciências da Religião da PUC-SP, na pós-graduação em Letras, na USP, ou na forma de artigos publicados em livros coletivos e em revistas acadêmicas de diferentes universidades. Esses ensaios misturam ficção e não ficção, são variações de um mesmo tema – a literatura –, trazem uma “certa versão dos fatos”, e apresentam um viés interrogativo, próprio de uma investigação que não termina, como se cada ensaio fosse o mesmo ensaio que recomeça ad infinitum. Os ensaios recomeçam, porque, segundo o autor, a escrita é uma das formas de resistir ao sentimento de abandono que nos atormenta.

“Quem passar pelas páginas (deste livro) poderá aprofundar suas perguntas e ampliar suas dúvidas na companhia de autores e personagens como Virgilio e Dante, Dostoiévski e o Grande Inquisidor, Madame Bovary e Thérèse de Lisieux, Proust e Manuel Bandeira, Joyce e Santo Agostinho, Adélia Prado e Hilda Hilst, Riobaldo e o interlocutor cruel que o atormenta, Teilhard de Chardin e Saint-Exupéry, Drummond e Guimarães Rosa, os vagabundos de Beckett e aquela mulher de Sevilha dos poemas de João Cabral. Cada um ao seu modo, todos nos lembrarão o fragmento de Heráclito: “Se não se espera não se encontra o inesperado” e esta frase, vinda da noite dos tempos, é uma chave de leitura deste livro. Isto posto e uma vez que a crítica literária nasce de uma dívida de amor, eu o deposito primeiro em suas mãos, cara leitora, e depois nas suas, hipócrita leitor, meu semelhante, meu irmão…” (Waldecy Tenório)

Waldecy Tenório nasceu em Palmares (PE), estudou Humanidades no Seminário de Olinda, graduou-se em Letras Clássicas e fez o doutorado em Filosofia na Universidade de São Paulo. Professor do Colégio Equipe e do Colégio Santa Cruz, professor na graduação e na pós-graduação da PUC-SP (respectivamente Introdução ao Pensamento Teológico e Literatura e Teologia), assessor de Paulo Freire na Secretaria de Educação de São Paulo, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP. É autor de A Bailadora Andaluza: a Explosão do Sagrado na Poesia de João Cabral (Ateliê Editorial / Fapesp), e de O Amor do Herege: Resposta às Confissões de Santo Agostinho (Edições Paulinas), entre outros. Com Plinio Martins Filho organizou O Leitor Insone, uma homenagem ao crítico João Alexandre Barbosa publicado pela Edusp em 2007. Como jornalista, foi editor do caderno Cultura do jornal O Estado de S. Paulo. Apesar de aposentado, continua pesquisando, publicando artigos e resenhas em revistas acadêmicas e na grande imprensa, participando de seminários e ministrando cursos. 

Clichês Brasileiros recebe três prêmios internacionais

O livro Clichês Brasileiros, de Gustavo Piqueira, publicado pela Ateliê recebe três prêmios de Design

Clichês Brasileiros, de Gustavo Piqueira2014 iF Design Awards
Um dos maiores prêmios internacionais de design com base em Munique, Alemanha.

2013 Good Design Awards
O mais antigo prêmio de design, organizado pelo Chicago Athenaeum Museum of Architecture and Design e tendo como alguns de seus fundadores Charles e Ray Eames.

2013 LUSOS Prémios Lusófonos da Criatividade
Competição que premia o melhor de comunicação visual e design gráfico dos países de língua oficial portuguesa, sediada em Portugal.

 

Release

Utilizando-se apenas de imagens de um catálogo brasileiro de clichês tipográficos do início do século XX (Catálogo de clichés D. Salles Monteiro, publicado em edição fac-similar pela Ateliê Editorial, em 2003), Gustavo Piqueira compõe uma inusitada narrativa visual contemporânea em seu novo livro, Clichês Brasileiros. Os clichês tipográficos eram matrizes, gravadas em madeira ou metal, utilizadas como complemento figurativo ao conteúdo textual no processo tipográfico de impressão, método dominante na produção de impressos durante quase cinco séculos. Mas o título do livro não se deve exclusivamente às matrizes usadas para a confecção das ilustrações. A cada virada de página, topamos com outro tipo de clichês brasileiros: dos históricos, como a chegada dos portugueses, a catequização dos índios, a escravidão ou os ciclos do café e do ouro, até clichês do Brasil de hoje, cheio de engarrafamentos, dívidas, condomínios fechados e alienação. Todos retratados com sutil irreverência e grande riqueza gráfica. O livro possui capa em lâmina de madeira impressa em serigrafia, fixada com fita adesiva, e tem tiragem única de mil exemplares numerados.

Gustavo Piqueira – À frente da Casa Rex, casa de design com sedes em São Paulo e Londres, Gustavo Piqueira é um dos mais premiados designers gráficos do Brasil, com mais de 200 prêmios internacionais. Também ilustrou livros infantis e desenhou alfabetos. Como autor, publicou doze livros de ficção. Seus mais recentes projetos são a concepção e organização da coleção de filosofia clássica Ideias Vivas (WMF Martins Fontes/2011), a tradução do irreverente A História Verdadeira, escrito no século II por Luciano de Samósata (Ateliê Editorial/2012) e o misto de imagens reais e ensaios fictícios Iconografia Paulistana (WMF Martins Fontes/2012).

Conheça os livros de Gustavo Piqueira publicados pela Ateliê

 

Livro da Ateliê ganha Prêmio PEN Clube do Brasil

De Olho na Morte e Antes, de Fernando FortesO livro De Olho na Morte e Antes, de Fernando Fortes, publicado pela Ateliê Editorial é o grande vencedor do Prêmio Literário Nacional PEN Clube do Brasil 2013, na categoria Poesia. O Prêmio, um dos mais antigos e prestigiosos certames brasileiros, foi criado em 1938, e é oferecido anualmente a escritores que tenham publicado obra nas categorias Poesia, Ensaio e Narrativa.
Na categoria Ensaio o vencedor foi Vasco Mariz pelo livro Depois da Glória (Ensaios sobre personalidades e episódios controvertidos da história do Brasil e de Portugal), publicado pela Editora Civilização Brasileira, e na categoria Narrativa, Luiza Lobo pelo romance Terras Proibidas – A Saga do Café no Vale do Paraíba do Sul, publicado pela Editora Rocco.

Leia abaixo o release do livro De Olho na Morte e Antes, de Fernando Fortes

Edição da Ateliê contém a poesia quase completa do poeta contista e romancista Fernando Fortes
Como sugere o título, o presente volume reúne livros publicados antes de De Olho na Morte, inédito até o momento. Em qualquer página desta obra, o leitor perceberá a força de um poeta tão vibrante quanto revelador. Quando jovem, Fernando Fortes foi convidado por Mário Faustino para colaborar no “Suplemento Dominical” do Jornal do Brasil. Depois, seria homenageado como poeta pela Universidade Gama Filho. Cada vez mais admirado por extenso espectro de leitores, recebeu prêmios no Brasil e publicou poemas no exterior. Sua poesia funda-se em amplo acervo técnico e em fina sensibilidade para os grandes temas da existência. Apegado à dinâmica das formas, domina com a mesma maestria o verso livre e o tradicional, acompanhando com singularidade os grandes momentos da poesia no século XX, tanto no Brasil quanto nas Américas e na Europa.
Para Ferreira Gullar que escreve a quarta capa desta edição, os poemas de Fernando Fortes “fala-nos de alguém que já viveu uma longa vida, que experimentou as alegrias e sofrimentos por que todos passamos, de uma maneira ou de outra. (…) De alguém que sofreu um duro golpe: a perda de um filho”. E acrescenta: “Alguns deles nos falam dolorosamente dessa perda, enquanto outros, ainda que versando temas diversos, trazem a marca dessa dor presente. Isso não impede, porém, que ele consiga nos comover também com os achados poéticos, nascidos do domínio do verso e da palavra, que foi sempre uma qualidade sua. Como poeta que é, realiza a alquimia que transforma a dor em alegria.”
Fernando Fortes nasceu em 1936 no Rio de Janeiro, médico, psicanalista, contista, poeta e romancista. Entre suas principais obras estão poesias: Tempos e Coisas (Livraria São José, 1958), Poesia Viva (Civilização Brasileira, 1968) e Arma Branca (Civilização Brasileira, 1979); Romances: Epílogo de Epaminondas (Civilização Brasileira, 1960), A Véspera do Medo (Paz e Terra, 1972) e O Estranho mais Próximo (Francisco Alves, 1988); Contos: Desamérica (José Álvaro Editor, 1969); Ensaios: Augusto dos Anjos: “Eu”, Tu, Ele, Nós, Vós, Eles (Mundo Livre, 1978); e tradução: Poesía Rebelde Latinoamericana (Paidós, Cidade do México, 1980), Latinamerika Spell, (Vindrose, Copenhagen, 1982) e The Gospel Before Saint Matthew (Vantage Press, New York, 1994).

Edição e Revolução – Leituras Comunistas no Brasil e na França, Marisa Midori Deaecto & Jean-Yves Mollier (orgs.)

Osvaldo Coggiola

Edição e RevoluçãoO mais importante, neste livro-coletânea, é erguer-se à altura da importância de seu tema. As edições revolucionárias (principalmente comunistas, em suas diversas variantes, ao longo do século XX), buscando constituir um pensamento e uma cultura própria das classes despossuídas, acabaram constituindo um aspecto essencial da cultura de cada país. Para fazê-lo, tiveram que nadar inicialmente contra a corrente e, depois, contra a repressão, inclusive em suas vertentes mais reacionárias e violentas (o nazismo ou o Estado Novo). A experiência da reação e da repressão não fez mais que dotá-la de novas forças e convicções. O paralelo e os vasos comunicantes entre essas trajetórias, na França e no Brasil, vão muito além da escolha, eventualmente arbitrária, de dois países a título de comparação. A experiência francesa é a de um exemplar centro irradiador de cultura de alcance mundial, desde os inícios da era moderna; a brasileira, a de uma exemplar cultura periférica e tardia que busca, e consegue (inclusive “pulando etapas”) situar-se ao nível das exigências e aspirações sociais da contemporaneidade. Os caminhos e cruzamentos da literatura revolucionária franco-brasileira ao longo do século passado iluminam, por isso, um arquétipo para se pensar a história intelectual e política da era contemporânea. Os trabalhos aqui apresentados, redigidos e organizados por pesquisadores de primeira linha de ambas as nacionalidades, delineiam um panorama que estende suas fronteiras para além da filologia bibliográfica (esta, no entanto, exposta com rigor acadêmico irretocável), para situar-se no nervo central da história das ideias e mentalidades. A literatura revolucionária deixa de ser marginal, a cultura brasileira deixa de ser periférica: a “cultura comunista” realiza o que o colonialismo cultural iluminista apenas sonhou (e de fato destruiu). Os nove jovens historiadores que aqui comparecem abrem, com os trabalhos reunidos neste volume, uma via de pesquisa e reflexão sem a qual é impossível sequer pensar numa história mundial da era na qual vivemos.

Participe do lançamento em São Paulo, sábado (26), no Centro Cultural Maria Antônia