Poesia

Nasce um poeta

Cida Sepulveda

“Uma brisa folheia o jardim…”

Imagem inusitada e simples. Qual criança não saberia arriscar-se a uma interpretação? Trabalhando com jovens de 11 a 15 anos, tenho percebido o valor da poesia no estímulo à prática da leitura e escrita. A poesia, no sentido estrito, tem a vantagem de ser “não formal”, permite maior flexibilidade no tocante à compreensão e à própria produção textual de aprendizes da escrita. Então, quando leio um poema, meu primeiro pensamento é para o jovem leitor: ele conseguirá dialogar com estes versos? Essa prática me faz refletir sobre o sentido da escrita, ou seja, para quem é dirigida?

As respostas ficam em aberto.

Livro "Clusters",  Pedro MarquesToda essa introdução para falar do livro de poemas Clusters, de Pedro Marques, Ateliê Editorial, 2010. Livro composto por partes com subtítulos – partes temáticas. Não temas de conteúdo, mas de formas. O autor tenta montar um conjunto de diferentes vozes. O título do livro: Clusters, que significa ramalhetes, agrupamentos, grupo de ilhas, crescer em cachos, é uma escolha muito feliz. Que livro de poema não é um cluster? As ilhas são: “Olfativas”, “Tragédias”, “Alguma Canção”, “Variação Meninas”, “Títulos Estrangeiros”, “Em Cena com o Absurdo”, “Originalidades”, “Quebradeira”, “O Jogo das Definições” e “Droga Moderna”. São títulos instigantes porque incomuns, nada clichês.

Com bela apresentação de Lêdo Ivo, Clusters é praticamente o 1º livro de Pedro Marques. A inovação formal se dá através de uma linguagem que se alimenta de clássicos como Manuel Bandeira e Drummond, sem ignorar Manoel de Barros e Gonçalo Tavares.

Em Clusters, há preciosidades, tais como: “À espera real dos bárbaros” que, delicadamente, desvela ambientes de terror, desde os mesopotâmios, passando pelas guerras modernas e pelo capitalismo predatório – tudo em linguagem básica, sem pirotecnias. É como se o poeta pincelasse o que vê, acrescentando ao seu esboço uma falsa indiferença que o salva do melodrama.

No poema “Primeiro gol”, o artista segue a mesma linha de construção: esboça, com a ponta afiadíssima de um pincel imaginário, o movimento de um jogo de futebol, o barulho das comemorações de um gol e encaixa nesse cenário Soledade, uma moça que trabalha em sua velha máquina de costura manual. A narração do movimento do jogo é, na verdade, moldura para iluminar Soledade.

“Avenida da Saudade” é um poema claro, ritmado. Traduz melancolia e paisagem. Balada para Manuel Bandeira e Drummond? É o espelho em que o cotidiano do passado se reflete.

No poema “Bandolim” o poeta evoca a infância, tempo imaginário, poesia latente. Jogos de imagens, impressões e tempos, criam atmosfera idílica e envolvem o leitor em doce melancolia.

“Iniciação” retrata a relação de duas crianças. O retrato vai se compondo até a menina se tornar mocinha. A sequência linear dos acontecimentos é interrompida pela revelação da moça:

– Estou triste
– Por quê?
– Não tenho motivo, só frio!

A frase, colocada com tanta placidez, apavora. O poeta deseja é isto mesmo: apavorar, tirar-nos do limbo cotidiano que nos enterra vivos.

O poema “No way” é um texto de vanguarda que critica o intelecto enquanto valor em si mesmo. Provocativo e irônico, ataca o pedantismo que abunda nas academias e seus arredores.

Menina, de fato és bela!

Mas não te quero

Seria preciso namorar,
conhecer passado
                  família
      teu gato

Quero aventura de puta!

Contigo há trabalho filosófico

E como sou preguiçoso
pra voar com Camões:

Não te quero não

“Em cena com o absurdo”, outra parte de Clusters, temos pétalas de prata como estas:

Se Édipo aparecesse
lá nos Estados Unidos
pegava uma cana

Ou ainda:

Ela detesta a série Máquina Mortífera,
adora novela das oito,
contesta a revista Carícia
e acha o Latino muito louco

Moça de família,
inteligente e bem educada,
sem nenhuma patente anomalia

Pergunta-se à patrícia:

Você é a favor da pena de morte?
Pelo fim da violência, of course!

E a legalização do aborto?
Que absurdo! Tem culpa a criança?

Crítica social através de poesia que fala direto ao homem comum, sem perder a elegância, a profundidade, enfim, a beleza que é o objetivo maior do artista. Mas por que pétalas de prata e não de ouro? Não tem aí nenhuma alusão ao valor literário da obra. Pétala de prata soa mais delicado, menos brilhoso, mais sutil. Definitivamente, nasce um poeta em Clusters.

Pedro Marques é doutor em Teoria e História Literária pela Unicamp. Editor e colaborador da Revista de Poe­sia Lagartixa e do site Crítica & Companhia. Pela Ateliê, publicou também o livro Manuel Bandeira e a Música – com Três Poemas Visitados.

João Luiz Marques entrevista o poeta Felipe Lion

Felipe Lion em show do Merlim

Felipe Lion (ao centro) em show do Merlim com participação de Kiko Zambianchi – Na Mata Café (SP) – Foto de Rogério de Lucca

Felipe Lion acabou de lançar pela Ateliê Editorial seu livro de poemas A Arte da Automutilação. Carioca, apaixonado por São Paulo, Lion é poeta, escritor, vocalista, além de autor das letras da banda Merlim, e ex-bailarino clássico. Nesta entrevista, o artista multidisciplinar fala de arte, de seu trabalho, dos livros de poesia e prosa que está preparando, do novo CD da banda e de um disco solo, e explica como consegue fazer tantas coisas ao mesmo tempo: “Tudo isso é um movimento, é um momento. Sou eu me movendo em minha vida, em minha música, em minha arte.”

Ateliê Editorial – Heitor Ferraz Mello na apresentação que faz de A Arte da Automutilação diz que em sua poesia há sempre o “jogo entre a dissolução e a reunião”. Transportando essa característica para as suas diversas atividades criativas, como você lida com essa sua pluralidade artística?

Felipe Lion – Primeiramente, devo dizer que o Heitor foi muito generoso comigo. Generoso ao fazer um prefácio pessoal, mas, ao mesmo tempo, muito analítico. Ele percebeu uma ligação entre os vários poemas do livro que é o tema da desagregação paulatina de tudo, inclusive do poeta. Hoje parece óbvio que isso é algo recorrente nesses poemas, mas eu juro não havia notado…  Sobre o meu trabalho e a maneira como uso diversas técnicas… Bom, eu não colocaria isso como uma “pluralidade”. Para mim, tudo está ligado, tudo está conectado. Desde o Renascimento tudo pode e deve se misturar, pois na essência é uma coisa só: arte.

Ateliê – Em outra parte dessa mesma apresentação, Heitor Ferraz Mello conta lembranças da adolescência que vocês viveram no bairro da Vila Mariana, em São Paulo, e diz que, elas poderiam fazer parte de outro livro seu. Você já pensou nessa “provocação” do seu amigo?

Lion – Penso sim.  Na verdade já faço isso. Em pequenas doses. Dentro de um poema, de um trecho de romance ou conto. Essas lembranças para mim são coisas muito distantes, meio mágicas. Mas eu tento dialogar com esse moleque de vez em quando. Saber o que ele espera de mim. Ele é citado diretamente em pelo menos um dos poemas do livro, Kung Fu Ballantines.

Ateliê – A Arte da Automutilação reúne poemas finalizados entre 2008 e 2012. Você tem mais trabalhos na gaveta para outro livro de poesia? Pretende publicar?

Lion – Engraçado me perguntar isso. Acabo de ser convidado para uma coletânea de poemas e, a grande questão, é se terei material para colaborar. Explico melhor: tenho muitos poemas antigos que não sinto vontade de publicar – ao menos agora – e tenho outro material, mais recente, que faz parte de um próximo livro de poemas (erótico) e ainda está sendo trabalhado. Trabalho como um pintor de paredes que passa várias mãos de tinta numa parede, até ficar satisfeito com o resultado… Isso demora.

Ateliê – E em prosa, você tem projeto novo? Está preparando algum livro?

Lion – Sim, preparo dois livros. O primeiro é um ensaio filosófico, O Estado e a Morte – reflexões sobre o direito de matar e morrer. E há, ainda, um outro livro que conta os últimos dias do nosso Segundo Império, num misto de romance histórico com realismo mágico. Pretendo lançar o ensaio no começo do próximo ano. O romance, leva algum tempinho mais, pois está em fase de pesquisa. Apesar de já ter escrito alguns trechos e de possuir toda a estrutura ficcional montada preciso de mais tempo para a pesquisa de campo. Os detalhes são muito importantes nesse tipo de obra.

Ateliê – Você tem alguma novidade pra contar da banda Merlim? CD novo, Show? Pode adiantar algum detalhe sobre novos trabalhos?

Lion – O Merlim começa a gravar um novo álbum ainda este mês. Será um processo longo e doloroso… Esperava conseguir viabilizar a assinatura do Luiz Carlos Maluly para esse projeto. Já há algum tempo ele é o melhor produtor de discos do Brasil. Todo mundo na indústria fonográfica sabe disso. Mas não conseguimos fechar com um investidor. Pensei em esperar um pouco mais para tentar acertar isso, mas meus colegas de banda me convenceram que já não podemos mais esperar… É como num parto: talvez dê para esperar pelo 10º mês, mas pedir para esperar mais do que isso pode causar mais danos que benefícios.

O Merlim é uma banda que trabalha exclusivamente porque acredita na qualidade de sua música. Não importa que tenham destruído o mercado do rock no Brasil. Não somos mais crianças. Não fazemos mais música pensando em dinheiro, mulheres e fama. Não me entenda mal… Adoramos tudo isso! Mas fazemos música porque nos divertimos muito compondo, convivendo, fazendo shows.

Já vi critico musical nos colocando no pedestal dos injustiçados! Dizendo que somos melhores do que “99% do que se ouve por ai”. Admito que até concorde com isso, mas não tenho ânimo pra vestir esse manto. Posso dizer que “apertamos o botão f…-se”!

Quanto a shows, creio que agora só no segundo semestre. Só quando acabarmos o disco. De toda a forma, quem tiver vontade pode conhecer um pouco do Merlim em seu site: www.merlim.com. O site permite cadastramento para receber a agenda de shows da banda e outras promoções, como descontos, CDs promocionais, etc.

Temos um álbum, “A Tempestade”, à venda, por download, em diversas lojas virtuais: iTunes, Amazon, etc. É só fazer a busca pelo nome da banda que você achará a página da banda e poderá baixar todo o álbum ou suas músicas preferidas.

Ateliê – Você vai lançar um disco solo, sem o Merlim? Vai partir para carreira solo? Como será esse seu novo trabalho?

Lion – Novamente, não vejo nenhuma distinção nisso… solo… Merlim… outra banda… Tudo isso é um movimento, é um momento. Sou eu me movendo em minha vida, em minha música, em minha arte. No Merlim não temos nenhum problema com isso. Até gostamos de ver os outros no palco sem a gente ao lado, só pra variar um pouco! Outro dia fui ver os dois guitarristas do Merlim – Kike Damaceno e Guto Domingues – tocando num pub. Pois bem, de repente percebi que eles também estavam cantando! E bem! Mas cantando mesmo! Músicas inteiras! No Merlim eles nunca cantam. Nunca querem cantar… no máximo fazer backing vocal. Mas eles estavam mandando ver, cheios de estilo… Foi muito divertido! Já fui ver o batera da banda, Júnior Gaspari, em outros projetos também.

Então vou lançar, sim, um disco solo que, aliás, também começa a ser gravado este mês. A produção está a cargo de um outro grande produtor, o Alexandre Fontanetti. Disco de Ouro com o álbum Bossa’n’Roll da Rita Lee. Ele é um cara que trabalha muito bem com cantores e foi atrás disso que eu fui quando bati em sua porta.

Esse vai ser um trabalho mais intimista, meio jazz, meio bossa. Não esperem, porém, uma emulação de João Gilberto. Quero levar a minha forma de falar as coisas para esse estilo. O álbum deve ficar pronto só no segundo semestre, mas em breve devo lançar o primeiro single, uma música chamada Bossa dos Jardins que é uma declaração de amor por São Paulo, feita por um carioca que, realmente, adora essa cidade.

Acesse o livro A Arte da Automutilação na loja virtual da Ateliê

Veja as fotos de Bruna Goldberger do lançamento de A Arte da Automutilação, em São Paulo:

A advogada Tais Salome com o pintor Tom Gomide

A advogada Tais Salome com o pintor Tom Gomide. Ao fundo uma de suas telas.

A atriz Giovanna Assumpção, declamando um poema

A atriz Giovanna Assumpção, declamando um poema

A jornalista Giovanna Scrimini, com Felipe Lion, o empresário Gabriel Scrimini e a RP Alessandra Vilhena

A jornalista Giovanna Scrimini, com Felipe Lion, o empresário Gabriel Scrimini e a RP Alessandra Vilhena

Casal de empresários Moscofian, donos da marca de  Parresh, com a apresentadora de TV  Laura Wie e os  fotógrafos Rogério de Lucca e Morgade

Casal de empresários Moscofian, donos da marca de Parresh, com a apresentadora de TV Laura Wie e os fotógrafos Rogério de Lucca e Morgade

Felipe Lion com o produtor musical Luiz Carlos Maluly

Felipe Lion com o produtor musical Luiz Carlos Maluly

 

Lançamento de A Arte da Automutilação

O artista plástico Thiago Cóstackz – autor da body art que se vê na capa do livro – com a apresentadora de TV Laura Wie e o autor Felipe Lion

O editor Plinio Martins declama um dos poemas do Livro

O editor Plinio Martins declama um dos poemas do Livro

Lançamento de A Arte da Automutilação

O publicitário baiano Joca Guanaes, entre a apresentadora de TV Laura Wie e a atriz e locutora Jackie Dalabona

 

A vida que segue

Vilma Costa | Gazeta do Povo | Junho 2013

O Rio na Parede, de Gil FelippeO Rio na Parede, de Gil Felippe, reúne vinte e cinco textos curtos, reeditados, a maioria, depois de cinco décadas. Chama atenção como a forma e o conteúdo se relacionam, negociando sentidos e instalando-se no tempo presente, mesmo que a narrativa prime pela retomada de fragmentos da memória.

Uma multiplicidade de questões é levantada, nas quais o cotidiano, aparentemente banal, dos personagens ganha peso. As frases são coordenadas por uma adição sumária de fragmentos, numa sintaxe peculiar, cujas ideias são sugeridas por imagens, sons, cores, além de traços de uma linguagem oral quase descomprometida. Quase, na medida em que há uma intencionalidade de construção de sentidos, mesmo quando o texto parece oferecer leituras herméticas.

Espaço cênico

Luz Azul inicia-se: “Do fundo da panela de ferro a luz azul jogava as sombras das plantas secas no fundo branco”. Trata-se de uma descrição que envolve elementos concretos para criar a imagem poética. O desdobramento é uma sequência de frases curtas que, como uma enumeração aleatória, precipita-se a compor a cena. “Paredes forradas de pinturas. Cada qual, sua história. Uma lembrança. Agradável… (…) Barulho forte do movimento da rua. Lá embaixo. Livros, papéis na mesa.” Por esses elementos transitam as reflexões do narrador. Um eu lírico que fala do mundo que o circunda como se só assim pudesse encontrar um lugar na solidão do seu dia ou, quem sabe, da própria vida.

A luz azul, como uma câmera, ilumina utensílios e silêncios. Acende-se e apaga-se, numa manifestação de presenças e ausências, lembranças e esquecimentos. “Sapatos, chinelos debaixo da cama espiam. Nenhum outro para companhia. Chegavam, e logo iam. Nunca, ficavam… Luzes acesas? Tirou a bermuda. Deitou na cama azul. As sombras das plantas secas no forro branco não mais. Luz azul, só amanhã. E sempre.”

Luzes e sombras desenham um espaço cênico que ajuda a construir esses sujeitos. Eles sofrem todos os percalços do viver. O medo como assombração assusta o protagonista de A Claridade, Agora:

Encontrou só a escuridão da sala. Só o escuro. Nada mais. Atravessar a sala. Acender a luz. Coração rápido. Sim, de repente ouvira. Passos. Passos fortes. Descendo as escadas… O ranger das escadas. Frio na espinha, pelo corpo… A mão na boca, apertando, apertando. Apavorado, consegui gritar. As mãos sumiram. 

Depois de uma noite escura e assustadora, a paz só pode ser restaurada com a claridade do dia. As imagens cromatizadas facilitam a narrativa difusa do encontro do mundo interno com o externo. A cidade, como alegoria deste último, traz elementos internos dos seus habitantes como quadros na parede de uma casa. “Lá em cima a cidade. E mais gente começava a viver por entre o cinza. O cinza da cidade cinza. Edinburgh cinza, sempre cinza. Gente cinza.”

Em Ponto Negro, Negro, o medo fala alto ainda: “Angústia profunda doendo a mesma dor. O medo. O meu medo? O medo de ficar só. O medo da morte. A morte concreta, não mais abstrata. A morte sem simbologia”. Este ponto negro, “naquela noite de solidão imensa” aponta uma perspectiva de travessia: “E o medo acabou. De atravessar o espelho”. A narrativa neste conto movimenta-se mais como um fluxo de consciência do que como sequência de fatos concretos. O medo da morte sem simbologias é também o medo de amar, o medo do encontro consigo mesmo do outro lado do espelho, o medo de viver, de atravessar as próprias fronteiras.

Fantasmas da vida

Se por um lado alguns contos assumem uma feição lírica da expressão dramática dos personagens, por outro, algumas surpresas interrompem a gravidade de situações desconcertantes, introduzindo uma bem-humorada solução para certos impasses. É quando o riso pede licença ao trágico e domina a cena. Luz Difusa é um bom exemplo: “Entrou, contornou de móvel fugidio, na luz difusa da sala. Estendidos no sofá. Amor interrompido. A mulher dele e um homem. Desconhecido. Fazer alguma coisa. Tudo. Matar, estrangular”. Depois de toda a tensão que o fato poderia provocar, à moda de Nelson Rodrigues, um desfecho surpreendente nos aguarda. Mais que o desespero da flagrante traição, respira-se aqui o gostinho doce da vingança. Como isso é possível? Só lendo o conto para saber.

Terno Vermelho reacende lembranças da infância do protagonista. O menino precisava pagar uma promessa. Regras e burocracias da Igreja o impediam. As artimanhas engendradas para realizar o feito contavam com a cumplicidade da avó. “Ninguém desconfiava. Nem o padre. Ele era anjo. Baixinho falou com a avó. Vontade de fazer xixi. Levantou o vestido, ali mesmo fez. Sorrisos das Filhas de Maria. Descoberta do sexo do anjo. O padre viu. Não gostou. A avó sorria. Vencera.”

Há na maioria dos textos uma semelhança de construção, apesar da variedade temática e de estilos (dramático, irônico, poético, onírico). Escritos na década de 1960, mantêm o frescor da atualidade. Talvez porque o tempo e o espaço não têm marcas definidas: quando a matéria trata da condição humana e a linguagem assume suas nuanças poéticas, as datas perdem importância e os lugares, sua concretude. São textos que tanto podem ser lidos como um só conjunto, quanto cada individualmente. Com exceção dos dois últimos, que ganham ares de crônica: E o Ano Novo Então Começou fixa-se em uma data representativa de mudança, retomada, recomeço; A Melhor Idade insinua um olhar contemporâneo, irônico, distraído sobre a passagem do tempo.

O Rio na Parede, conto que dá título ao livro, cai como um raio, abrindo um buraco por onde um rio lá fora se desenha na parede. “A cozinha era cozinha (…) A solidão, ficou solidão mesmo.” Duas afirmações tão assertivas podem nos levar a questionar: “Será? E a cozinha que era cozinha, o que é agora?”. A cada frase, sentidos se multiplicam produzindo um aparente nonsense. Sonho, representação, pintura na parede, reminiscências de um tempo povoado de lembranças, uma estrada vazia como um rio que caminha sem olhar para trás. É a vida ameaçada que continua ali através de vozes que resistem com seus fantasmas, seus sonhos, suas histórias.

Acesse o livro na loja virtual da Ateliê

Gil Martins Felippe nasceu em São Carlos (SP). É Ph.D. em Botânica (fisiologia vegetal) pela Universidade de Edimburgo, na Escócia, e autor de vários livros sobre o tema. Tem cerca de 160 artigos publicados em revistas científicas brasileiras e estrangeiras, além de artigos de divulgação científica e vários livros didáticos. É membro titular da Academia de Ciências do Estado de São Paulo. Pela Ateliê, publicou também os livros No Rastro de Afrodite – Plantas Afrodisíacas e CulináriaAmaro Macedo – O Solitário do Cerrado.

A Transmutação Metalinguística na Poética de Edgard Braga, de Beatriz Helena Ramos Amaral

Reynaldo Damazio | Guia da Folha | 25.5.2013

A Transmutação Metalinguística na Poética de Edgard BragaA trajetória do poeta Edgard Braga (1897-1985) é curiosa. Iniciou na poesia como simbolista, sofreu influência do estilo parnasiano, passou pelo modernismo (era médico e fez o parto dos filhos de Oswald de Andrade) e acabou se relevando como autor inovador a partir do contato com o movimento concretista, no final dos anos 1950.

Ao fazer um balanço das ousadias poéticas e gráficas de Braga, Augusto de Campos destacou o espanto com “a liberdade total da criação, (…) livre das convenções livrescas”.

O livro de Beatriz Ramos Amaral, também poeta e musicista, analisa a obra de Braga sob a perspectiva da operação metalinguística, tentando captar os momentos de transição criativa, do verso tradicional à mistura de desenhos, grafismos, colagens e a reconfiguração do próprio suporte do livro. Acesse o livro na loja virtual da Ateliê

Queixa-se o poeta de sua cidade no seu aniversário e recebe ajuda dos seus poetas mortos

Frederico Barbosa

O Estado de S. Paulo | 25.01.2013

Somos todos vítimas

da última chacina.

Somos todos cúmplices

do próximo disparo.

Anchieta, do alto do

pátio:

“Ah terrível bombardada

Da morte espantosa!

Como vem guerreira

E temerosa!”

Uns, acordam para a

notícia:

a noite em dados

urgentes.

Números frios, outrora

vida,

agora, nus, indiferentes

Maneco grita do largo:

Cavaleiro das armas

escuras,

Onde vais pelas trevas

impuras

Com a espada sanguenta

na mão?

E a noite segue calma

Para quem se esconde,

segue jorrando sangue

para quem não há onde.

Mário prevê noite e dia:

dentro de muros sem

pulos

Mais uma volta

na fechadura

blinda a vida

contra revoltas

ou idas.

Oswald anuncia a

solidão:

Anoitece sobre os jardins

Jardim da Luz

Jardim da Praça da

República

Jardins das

platibandas

Noite

Noite de hotel

Chove chuva

choverando

Nada é mais noite (e

chuva)

do que noias sob o teto

do absurdo viaduto

triste projeto infecto.

Nada é mais chuva (e

noite)

do que choro de viúva

sobre o corpo rígido

podridão indiferente.

Haroldo entrevê nas

ruas:

enquanto

de lugares absolutos

debaixo dos viadutos

transeuntes exsurtos das

cor de urina

vesperais latrinas

das sentinas dissolutas

caminham

Hoje nada não

nem se comemora,

nem poesia,

nem memória.

Hoje a cidade

(seus mortos)

chora.

Décio cria a palavra

chave:

cadaverdade

.

Frederico Barbosa é poeta, autor de Rarefato (Iluminuras, 1990), Louco no Oco Sem Beiras – Anatomia da Depressão (Ateliê Editorial, 2001) e A Consciência do Zero (Lamparina, 2004), entre outros.

.

Ecos de Eros: elos

Décio Pignatari

A erótica poesia organismo de Décio Pignatari

Frederico Barbosa | Cult | 1.2.2013

A recente morte de Décio Pignatari, aos 85 anos, faz ecoar estas palavras do poeta e crítico mexicano Octavio Paz: “Os poetas não têm biografia. Sua biografia é sua obra”. A multiplicidade da atuação de Pignatari, como criador da poesia concreta, crítico, teórico da literatura e da arte, semioticista, romancista, tradutor, dramaturgo, professor e principalmente, como provocador e polemista, ou seja, sua biografia intelectual tem sido lembrada e é incensada em necrológicos muito bem intencionados e esclarecedores do impulso criativo e da inquietação que, de fato, sempre marcaram a atuação de Pignatari. No entanto, reforçar estas características de seu comportamento intelectual pode muito bem levar a uma visão empobrecedora de sua obra, principalmente do seu legado poético.

Vamos, aqui, apenas apontar uma característica marcante da poesia de Décio Pignatari, reunida no seu “quase-testamento poético”, como grafou em dedicatória no meu exemplar de Poesia Pois É Poesia (1950-2000), a sexualidade como leitmotiv da sua obra, como questão recorrente e explícita que conduz toda obra poética de Pignatari, desde O Carrossel (1950) até os seus últimos poemas. Ou seja, ir contra a corrente e insistir que a poesia de Pignatari apresenta uma coerência interna impressionante, que sua poética é tão obsessiva quanto a de João Cabral, que ele sempre manteve o “arco teso” da poesia, para usar sua própria metáfora, cujo teor sexual é evidente. E, acima de tudo, mostrar que a poesia de Décio é erótica, nada “fria e calculista” como acusavam os inimigos dos concretistas, como o descreve Augusto de Campos no seu poema Soneterapia: “O Concretismo é frio e desumano/ dizem todos (tirando uma fatia)/ e enquanto nós entramos pelo cano/ os humanos entregam a poesia”.

No entanto, é impossível abordar a obra de Décio sem lembrar que, em 1955, em troca de cartas entre Pignatari, então na Europa, e Augusto de Campos, os jovens criam o conceito e o nome “poesia concreta”, que assim iria ser conhecido em todo o mundo. No Plano-piloto para a Poesia Concreta, Pignatari e os irmãos Campos apresentam a seguinte proposta: “poesia concreta: produto de uma evolução crítica de formas, dando por encerrado o ciclo histórico do verso”. Esta frase muitas vezes foi lida como intransigente e redutora, pois estariam afirmando que não se poderia mais escrever poesia em versos. Mas Pignatari, num texto anterior, já afirmara: “Finalmente, cumpre assinalar que o concretismo não pretende alijar da circulação aquelas tendências que, por sua simples existência, provam sua necessidade na dialética da formação da cultura. Ao contrário, a atitude crítica do concretismo o leva a absorver as preocupações das demais correntes artísticas, buscando superá-las pela empostação coerente, objetiva, dos problemas”.

Multiplicidade programática

A leitura atenta de Poesia Pois É Poesia (1950-2000) ressalta a “evolução crítica de formas” que leva o poeta a “absorver as preocupações” não só “das demais correntes artísticas” mas também de outras artes, meios e recursos diversos que possam contribuir para tal evolução. Em outras palavras, a multiplicidade de sua poesia já estava prevista por ele mesmo ao iniciar o seu percurso de 50 anos. Podemos mesmo considerá-la programática.

Poesia Pois É Poesia (1950-2000) se divide em três partes bem distintas. A primeira, “Poesia Pois É”, apresenta os poemas anteriores à criação da Poesia Concreta. Textos como “O Lobisomem”, “Hidrofobia em Canárias” ou “Fadas para Eni” apresentam imagens contundentes de uma sexualidade quase animal. Mas é em “O Jogral e a Prostituta Negra” que lemos os versos mais impactantes desta fase: “Onde eras a mulher deitada, depois/ dos ofícios da penumbra, agora/ És um poema: / Cansada cornucópia entre festões de/ rosas murchas / É à hora carbôni-/ ca e o sol em mormaço/ entre sonhando e insone/ A legião dos ofendidos demanda/ tuas pernas em M/ silêncios moenda do crepúsculo.”

Aqui já se apresenta, “entre sonhando e insone”, em 1950, o leitor e futuro tradutor (ou tridutor, pois se trata de inovadora tradução tríplice) do poema “A Tarde de um Fauno”, de Mallarmé, lá se revelam também as suas reflexões sobre o encerramento do “ciclo histórico do verso”, quando a palavra “carbônica” é separada em dois versos e o futuro poeta concreto visualizando as pernas da prostituta “em M”. Mas o que nos interessa aqui, é que o eu lírico transforma a mulher, e o próprio ato sexual, em poema, o que seria retomado diversas vezes em sua poesia.

Na segunda parte do livro, “Pois É Poesia”, a sexualidade terá um papel ainda mais crucial, seja nos dois primeiros “Stèle Pour Vivre”, que termina com “buce-fálica”, imagem hermafrodita que ecoa nas figuras do “Stèle Pour Vivre No. 4 –  Mallarmé Vietcong”, no poema “Zenpriapolo” e nos “Ideogramas Verbais” “homem/women”, seja no “abrir as portas/ abrir as pernas/ abrir os corpos”, seja no aspecto fálico da letra I inicial de LIFE, seja no priapismo implícito das torres no “Torre de Babel”. Mas é no magnífico “Organismo”, poema que reproduz, em zoom, a penetração sexual que Pignatari consegue o que já perseguia em “O Jogral e a Prostituta Negra”, transformar o ato sexual em poema.

A mesma tendência se percebe na terceira parte do livro, que reúne os poemas pós-concretos de Pignatari. A imagem hermafrodita ressurge em “Bibelô”, a tensão sexual paira em quase todos os poemas para explodir na suruba multilinguística que é o último poema do livro, “Mais Dentro”: “caninos de saliva / denteiam / o dentro das coxas / ego femen” .

Um dos poemas derradeiros do livro, “Ideros: Stèle Pour Vivre No. 6”, parece confirmar a hipótese que vimos seguindo. Em meio a um mar de “logos” (palavras, conceitos), flutuam blocos de montar com os termos “EROS, ECOS, EGOS, ELOS”,  recombinados em diferentes ordens. Seria eros o elo que liga todos os ecos dos eus em meio a um mar de discursividade? Ou seja, estaria o poeta deixando um recado no seu “quase-testamento” de que a sexualidade é um leitmotiv fundamental da sua obra, como afirmamos no início? Evocando Freud, ID EROS?

Estaria apenas reforçando o que explicita no belo “Valor do Poema”, em que afirma, para encerrar poema e assunto: “Valem meus poemas por haverem valido infinitas carnes ternas externas e internas das que amei amo amarei. Valem os vales”.

Saiba mais sobre os livros de Décio Pignatari publicados pela Ateliê Editorial

.

A Ateliê lamenta profundamente a perda de Décio Pignatari

Décio Pignatari

Deixamos registrados aqui nossos sentimentos e homenagens a este grande poeta e sua família. Foi um imenso prazer e honra ter realizado projetos junto com um dos maiores poetas brasileiros. Veja abaixo a notícia publicada pelo G1.

Morreu de insuficiência respiratória neste domingo (2) o poeta paulista Décio Pignatari, aos 85 anos. Ele estava internado desde sexta-feira (30), no Hospital Universitário de São Paulo, e faleceu por volta das 9h da manhã, segundo a assessoria do hospital. Ele também sofria de Mal de Alzheimer, informou o hospital.

Décio nasceu em Jundiaí, São Paulo, em 1927, e ficou conhecido, ao lado dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos, como um dos nomes do movimento concretista, que realizou experimentos formais nas artes brasileiras a partir da década de 50.

As primeiras poesias de Décio Pignatari foram publicadas na Revista Brasileira de Poesia, em 1949. O livro de estreia, Carrossel, saiu em 1950. Com os irmãos Campos publicou, em 1965, Teoria da Poesia Concreta.

“O Décio, numa carta que me escreveu, foi o primeiro poeta que usou para mim essa expressão [poesia concreta]. Ele caracterizava como concreta a poesia do [escritor americano E.E.] Cummings, distinguindo-a de outros poetas. E aquilo ficou na nossa correspondência”, conta Augusto ao programa Umas Palavras, sobre a adoção do rótulo pelo grupo.

“Além de poeta, Pignatari escreveu romance, peça de teatro e foi tradutor, professor e estudioso de semiótica, assunto de diversos de seus livros. Sua obra poética está reunida em Poesia Pois É Poesia (Ateliê Editorial, 1977)”, descreve em seu site a editora Cosac Naify, que lançou em 2009 seu livro Bili com Limão Verde na Mão.

Livros de Décio Pignatari pela Ateliê

Deste Lugar, de Paulo Franchetti

Novo livro de Paulo Franchetti busca o lirismo e se dirige ao leitor comum, fugindo de artifícios eruditos
.
.
Deste Lugar, de Paulo Franchetti
.
Num texto recentemente publicado, Paulo Franchetti escreveu: “O lirismo contemporâneo brasileiro, no quadro herdado da tradição cabralina, é um lirismo culpado e regrado por tabus. Em poucos poetas e poucos poemas o eu se oferece, frágil, como algo que se julga no direito de existir e buscar a palavra. De poucos poetas nos perguntamos: quem é a pessoa que escreveu isto, que vê o mundo assim? Por que ele prefere falar desta maneira? E em quantos poetas encontramos algo frente a que pensamos: isso precisava ser dito – e precisava ser dito assim, em poesia? / Travado pela vergonha, pelo medo de se dirigir ao leitor comum e pela necessidade de trazer à vista os andaimes da construção – isto é, as marcas do ‘trabalho duro’ e da especialidade – o exercício da lírica tende a desaparecer ou a ser combatido como inimigo do contemporâneo. Embora pertença a um texto referido aqui e ali, não parece ter calado muito fundo esta formulação de Adorno: ‘o autoesquecimento do sujeito, que se abandona à linguagem como algo objetivo, e a imediatez e involuntariedade da sua expressão são o mesmo’.”
Agora, com a publicação de Deste Lugar, essas mesmas questões retornam, em outro registro: o da prática poética. Dirigido ao leitor comum, fugindo à exibição de erudição ou técnica, bem como à ostensiva recusa ao lírico, este livro constitui um momento singular na poesia contemporânea brasileira. Acesse o livro na Loja Virtual
.
Paulo Franchetti é professor titular de literatura da Unicamp. Publicou, entre outros, pela Ateliê, Estudos de Literatura Brasileira e Portuguesa, a novela O Sangue dos Dias Transparentes e os livros de poemas Escarnho, Memória Futura, e Oeste, que representa uma das mais admiráveis experiências na recente poesia brasileira. Já organizou diversos títulos para a Coleção Clássicos Ateliê. Conheça os livros de Paulo Franchetti
.

Neruda brasileiro

Crônica de Madô Martins | A Tribuna
.
Deste Lugar, de Paulo FranchettiFoi com Pablo Neruda que conheci a capacidade masculina de escrever poesias de amor sem o ranço do machismo. Em seus versos existiam um homem, uma mulher e um sentimento partilhado numa mistura bem dosada de bem querer e paixão que marcaram toda uma geração de leitores e, como não admitir, também de escritores, a tal ponto de vários de nós batizarmos os filhos com seu nome.

Mas não é apenas com palavras que Pablo Neruda traduz emoções. Suas imagens são únicas, plenas pela latinidade, permeadas pelo cotidiano, imantadas nos cinco sentidos. “Para que tu me ouças / as minhas palavras adelgam-se por vezes com o as asas das gaivotas nas praias” ou “Era a sede e a fome, e tu foste a fruta. Era a dor e as ruínas e tu foste o milagre. Ah, mulher, não sei como me pudeste conter na terra da tua alma e na cruz dos teus braços!” E ainda: “Eu disse que no vento ias cantando como os pinheiros e como os mastros. Como eles tu és alta e taciturna. E ficas logo triste, como uma viagem.”

Recente leitura me fez saber que há entre nós um poeta tão candente quanto o chileno, a mover nosso imaginário em direções até então insuspeitas. Já tivera a sorte de o encontrar em eventos que celebravam a arte do haicai, no qual também se destaca, mas não imaginava quanto ficaria surpresa e grata com seus versos brancos, onde transborda uma sensualidade tão tácita quanto contemporânea.

Há outras obras do autor, mas em Deste Lugar, publicada este ano, Paulo Franchetti se revela um amante arrebatador, quando propõe: “Escrever sobre o seu com o meu corpo as sílabas mudas”. E, da mesma forma que Neruda, traz à cena as coisas comuns do dia a dia: “Desvio a atenção: um cachorro, o saco de lixo, quase invisível no escuro, um carro que passa e dobra a esquina: onde andará,  como um mantra, essa pergunta, alternando com o ruído dos meus passos”.
Igualmente ao antecessor, o poeta de hoje cita sabores — “damascos, nozes ,frutas secas, o coração endurecido, corpo virado do avesso.” E também passeia por fixações nerudianas, como a farinha branca por ele tantas vezes citada. Por tudo isso, sou fã declarada de ambos.

Mas como sei que a cada leitor toca uma certa obra, para que vocês avaliem por si o talento desse professor titular de Literatura da Unicamp, transcrevo o poema da página 20: “Eis que se move como o vento sobre a água. Quando a abracei, a carne firme sob a minha mão. Seus olhos abertos, os cabelos soltos. Eu lhe disse as verdadeiras palavras. O resto, no compasso, junto – uníssono e agitado coração. Agora a contemplo, enquanto caminha. Ou se debruça, em atenção. A boca, os pés, a linha da cintura: tudo ali renova o voto da destinação”.

Saiba mais sobre o livro Deste Lugar, de Paulo Franchetti

.

Paulo FranchettiPaulo Franchetti é professor titular no Departamento de Teoria Literária da Unicamp e presidente da editora da mesma universidade. Escreveu, entre outros, Estudos de Literatura Brasileira e Portuguesa. Seu livro de haicais, Oeste, representa uma das mais admiráveis experiências na recente poesia brasileira. Para a coleção Clássicos Ateliê organizou também O Primo Basílio, Dom Casmurro e Iracema, estes dois últimos em parceria com Leila Guenther.

.

Michel Sleiman está confirmado na Flip 2012

Michel Sleiman, professor de Literatura Árabe na USP, participará da Mesa 8 da Flip, sexta-feira, às 17h15, na Tenda dos Autores. O tema da mesa é “Literatura e liberdade” e tem participação do sírio Adonis e do libanês Amin Maalouf, com mediação de Alexandra Lucas Coelho.
.
Michel SleimanMichel Sleiman fez sua carreira estudando a literatura árabe-islâmica de Alandalus (a Península Ibérica medieval quando governada pelos muçulmanos), especialmente a poesia em dialeto árabe-andalusino utilizado no século XII, em meio a outras questões da poética medieval. Concernente a esse período, realizou ensaios e traduções de poemas do poeta cordovês Ibn-Quzman Alqurtubi, que publicou em revistas acadêmicas e magazines, bem como em livros: A Poesia Árabe-Andaluza; As Cidades no Tempo; e A Arte do Zajal. Atualmente leciona e orienta na pós-graduação na Universidade de São Paulo, na Área de Língua e Literatura Árabe. Estuda e traduz poesia árabe medieval e contemporânea e suras do Alcorão. Tem experiência na área de Letras em geral, atuando principalmente em estudos literários e poética. Recentemente publicou o livro de poemas Ínula Niúla. Concebeu a revista Tiraz de estudos árabes e das culturas do Oriente Médio, da qual é diretor desde 2004.