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Historiador discute relações entre Adoniran e sua grande musa, São Paulo

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O centenário de Adoniran Barbosa – que se comemora em 6 de agosto – é uma excelente ocasião para conhecer Adoniran Barbosa – O Poeta da Cidade, estudo inovador do historiador Francisco Rocha sobre as relações entre o compositor e radialista e sua grande musa, a capital paulista.

Nas palavras do crítico Antonio Candido, Adoniran “inventou um certo jeito de ser paulistano”. Afirmou-se como intérprete, expressão e extensão de uma metrópole no momento em que ela passava por radicais transformações que acentuaram a desigualdade social. Com uma visada crítica, Adoniran modelou a sua visão de São Paulo com uma poética da denúncia e da rebeldia, cheia de cômica ironia e peculiar dicção.

Tatit e Lopes analisam canções de quatro compositores da MPB

(por Alexandre Marcelo Bueno – Revista do GEL)

A teoria semiótica de linha francesa, criada por Algirdas Julien Greimas, em meados da década de 1960, tem a significação como seu objeto de estudo. Durante boa parte de seu desenvolvimento inicial, a semiótica prescindiu, de modo consciente, da análise do plano da expressão para focalizar o modo como o plano do conteúdo se organizava. Para isso, Greimas e colaboradores elaboraram um arcabouço conceitual que correspondeu, por um lado, a uma afamada economia conceitual, e, por outro, a algumas limitações que não se referiam apenas à organização do plano da expressão.

Sendo uma das poucas herdeiras declaradas do patrimônio conceitual saussuriano e, principalmente, de seu refinamento, promovido por Louis Hjelmslev, a semiótica esbarrou nos limites impostos pelo edifício teórico que ela própria erigiu. Na década de 1980, alguns semioticistas já procuravam ampliar o escopo da teoria, retomando questões centrais anteriormente deixadas de lado, como os estados passionais dos sujeitos narrativos e o próprio plano de expressão. Não por acaso, após a morte de seu fundador, a semiótica passou a conviver com diversas propostas conceituais e analíticas, cuja co-existência nem sempre é pacífica. Dentre essas propostas, a semiótica tensiva, que tem em Claude Zilberberg seu mais destacado proponente, surgiu como o intuito de integrar a dimensão sensível, colocando assim o plano de expressão no centro dos interesses da teoria. Dessa feita, atualmente, diversos semioticistas buscam investigar a organização do plano da expressão, enquanto instância produtora de significação; buscam, também, compreender como se define sua relação com o plano do conteúdo.

O livro Elos de Melodia e Letra – Análise semiótica de seis canções, lançado em 2008, é o resultado do trabalho dos semioticistas brasileiros Luiz Tatit e Ivã Carlos Lopes, que apresentam recursos teóricos para se compreender melhor a relação entre os planos do conteúdo e da expressão a partir de um objeto privilegiado para isso: a canção. Na introdução do livro, os autores apresentam seus objetivos iniciais: não apenas examinar a letra e os elementos melódicos e rítmicos da música como componentes dotados de significação, mas compreender o elo que une esses dois planos constitutivos de seu objeto de análise.

Interior Via Satélite

apollinaire viu paris de avião

memorfoseado em cristo cavalo alado da transcendência moderna.

apollo 13 reconheceu a muralha da china

fotografou o mundo inseriu cicatrizes com tinta forte.

hobsbawn do espaço vê nos pontos de luz as trevas da riqueza global.

vim vê-lo interior por inteiro.

a discordância de luzes refletida nos olhos

sozinha não explica nossa intimidade

nossas esperanças

nossas hipóteses de confins.

a cruel necessidade desta outra sombra

onde nada se vê.

a discordância são meus olhos.

Novo livro de Fernando Paixão extrai e injeta poesia nas frestas do dia-a-dia

(Por Marcos Pasche – Jornal Rascunho)


Era um convicto catador de poemas. Entregava-se aos acasos para poder colecionar detalhes ou cenas quaisquer, donde se depreendesse o sinal possível, espiralado, que permitia o estirar de uma frase natural. Ele, sempre atento na ponta dos olhos, recusava-se a emendar palavra com palavra em meio à limpeza higiênica das mesas poéticas; não queria a poesia remediada, de tato virtual, nem a fria plumagem da língua.

À maneira de T. S. Eliot, para quem o fim engendrava o início, o fragmento acima – extraído de O farejador, último texto de Palavra e rosto, de Fernando Paixão – funciona perfeitamente como preâmbulo do livro, visto concentrar o que se verifica ao longo de suas páginas: o exercício do olhar, o qual, nivelado ao dos pintores impressionistas, colhe e lança seiva poética aos buracos das coisas em geral, sejam elas cotidianas, nas quais se topam corriqueiramente, sejam elas insólitas, as quais topam em nosso pensamento nos raros momentos em que a ele cedemos espaço.

Da mesma forma como ocorre em muitas exposições de pintura atuais – em que se exibem não necessariamente as obras acabadas, e sim os estudos que dão gênese a elas – Palavra e rosto é um livro-ensaio, pois os textos que o constituem são comentários a respeito de situações que geraram poemas, ou a respeito dos próprios poemas gerados, como se o autor estivesse inclinado a vasculhar, com todas as suas sensações, o misterioso sopro que gera a bolha de sabão e que a mantém suspensa no ar. No entanto, apesar da intenção registradora, a ação, por ser poética, é sempre criadora, como o autor esclarece em Álbum, nota explicativa que abre o volume:

As páginas aqui reunidas foram escritas ao sabor das ocasiões, sem plano de vôo. Inicialmente, o intuito era fixar impressões em torno de algumas situações vividas ou flagrantes percebidos. Mas logo a criação seguiu atalhos próprios, aproximando-se do tom poético e sucumbindo ao desejo de registrar momentos e comentários ligados ao campo da poesia.

Escritor Rosário Fusco ainda não é compreendido apesar de seu centenário

O centenário do nascimento de Rosário Fusco se aproxima e os brasileiros ainda não o assimilaram. O absurdo do mundo, caos, personagens extravagantes e desajustados, contradições, marginalidade e surrealismo são marcas deste grande ficcionista do Modernismo, camuflado pelo realismo de sua época. Em entrevista à Folha, seu filho François revela que Rosário Fusco já dizia que seria entendido apenas décadas depois de morrer.

Aos 17 anos Rosário Fusco iniciou um trabalho influenciado pelo movimento modernista de 22, a Revista Verde. A revista foi editada em Cataguases de 1927 a 1929 e teve colaboração de Mário de Andrade, Murilo Mendes e Carlos Drummond de Andrade. Nesta época, Fusco trabalhou ao lado de Ascânio Lopes, Camilo Soares, Christophoro Fonte-Boa, Francisco Inácio Peixoto, Guilhermino César, Martins Mendes, Oswaldo Abritta e Enrique de Resende.

Na década de 40, O Agressor, um de seus principais romances, foi publicado e teve mais tarde os direitos de filmagem adquiridos pelo cineasta Orson Welles, que os adquiriu após ler a obra traduzida no italiano. Apesar do cineasta ter cogitado levar o personagem paranoico de O Agressor às telas do cinema, a ideia nunca foi concretizada. O romance foi reeditado recentemente pelo selo Bluhm.

Em 2003 a Ateliê Editorial publicou uma obra inédita deixada por Rosário Fusco: a.s.a. ? associação dos solitários anônimos. O crítico Fábio Lucas a descreve como “uma narrativa de veloz andamento, polifacetada, palmilhada de contradições, a explorar um recanto especial do cenário brasileiro: a marginalidade acumulada ao longo do cais. Um poliedro de inspiração suprarreal”.

Fusco nasceu em São Geraldo, mas se mudou com sua família para Cataguases ainda bebê. Em 1932 ele se mudou para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como jornalista e permaneceu até os anos 60. Depois dos seus 50 anos de idade, retornou para Cataguases, onde viveu seus últimos anos, falecendo no dia 17 de agosto de 1977.

O crítico Sábato Magaldi considera Fusco como um dos maiores escritores do século vinte. O escritor Antonio Olindo o chama de “nosso Kafka” e lamenta que Fusco não tenha ganho ainda um reconhecimento entre os mestres da literatura brasileira.

Promoção Centenário de Rosário Fusco: 25% de desconto

Ilustrada conta breve história de Rosário Fusco

Letícia Moreira/Folhapress

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Vanguardismo moldou talento precoce de Rosário Fusco

(por Marco Rodrigo Almeida)

Quando tiver idade para ler este livro, eu já morri. Quando tiver experiência para entendê-lo, já estará na fila para morrer.

Assim escreveu o autor mineiro Rosário Fusco (1910-1977) ao filho François ao presenteá-lo com um exemplar de “O Dia do Juízo” (1961), último romance que publicou em vida.

Às vésperas de completar cem anos de nascimento (em 19 de julho), Fusco, se fosse vivo, teria ainda poucos motivos para se sentir mais compreendido.

Revelação precoce, o autor do surrealista “O Agressor” amargou no fim da vida um limbo literário do qual nem a morte ainda o libertou.

François ainda guarda um romance (“VACACHUVAAMOR”) e dezenas de poemas, cartas e diários inéditos de Fusco à espera de editoras.

Em 2003, ele conseguiu lançar “a.s.a”, outro dos livros póstumos, mas não ficou satisfeito com a edição. Segundo ele, o livro foi um fracasso de vendas.

“Ninguém quer saber de Rosário Fusco”, lamenta.

François vive em Cataguases, cidade onde o pai despontou na literatura no final dos anos 20 e onde viveria os últimos anos de vida.

Rosário Fusco nasceu em São Geraldo, mas sua família se mudou para Cataguases quando ainda era bebê.

Garoto prodígio, aos 17 anos foi o mais ativo participante da revista literária “Verde”, publicação de vanguarda editada em Cataguases entre 1927 e 1929.

Influenciada pela movimento modernista de 22, a “Verde” rompeu fronteiras e teve colaboradores de renome como Mário de Andrade, Murilo Mendes e Carlos Drummond de Andrade.

Em 1932, Fusco mudou-se para o Rio de Janeiro, onde atuou como jornalista.

O ponto alto de sua carreira, no entanto, foi também o início da discórdia que o acompanharia até o fim.

Em 1943, Rosário publicou o romance “O Agressor”. A história do contador David, personagem paranoico com mania de perseguição, trazia clara influência surrealista e foi comparada ao universo de Kafka e Dostoiévski.

Em um ensaio sobre o livro, o poeta e crítico Lêdo Ivo escreveu que o romance foi o primeiro, em língua portuguesa, a tratar do “absurdo do mundo e da vida”.

Mas pagou um preço por não se enquadrar nas correntes estéticas da época.

“O livro surge quando predominava o romance social nordestino, onde o homem é vítima da estrutura social. Já o Fusco fez um livro psicológico, marcado por forças do acaso. Não teve uma boa acolhida na época”, afirma Ivo.

Os livros posteriores de Fusco, todos de temática não realista, apenas reforçaram a marca de autor inclassificável. Apenas “O Agressor” teve mais de uma edição.

Leia trechos de obras inéditas do autor Rosário Fusco

a.s.a. – associação dos solitários anônimos

Livroclipes aproximam leitores dos livros

O site LivroClip tem um extenso acervo de videoclipes de livros de diversas editoras, organizados em ordem alfabética ou por número de acessos. Além de apresentar obras de diversas editoras, o LivroClip ainda presta um belo serviço com sua Cesta Básica. Nela, grandes clássicos da literatura, como Dom Casmurro, são apresentados em animação, com o objetivo de levar os livros à sala de aula.

As animações ajudam o leitor a ter uma melhor noção de cada obra, além de tornar esse contato com o livro ainda mais rico e divertido. Para aqueles que não costumam ler os textos de capa, a opção do clipe pode ser bem atraente, mas sempre servindo para agregar mais informações, não para substituí-los. Além das animações, os internautas também têm acesso à alguns trechos e biografias de autores. É mais uma alternativa para ajudar quem estiver em dúvida entre comprar (ou ler) determinado livro ou não.

Assista o clipe de Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século

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