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Ainda há muito a ser feito em termos de economia da cultura

“Política Cultural e Economia da Cultura” reúne textos do sociólogo José Carlos Durand, escritos entre 1995 e 2010. Na obra, o autor discute a presença do Estado no domínio cultural, o profissionalismo na gestão, o patrocínio privado no financiamento de projetos, a crítica de arte e o papel estratégico das premiações, a necessidade de estatísticas e a importância da economia da cultura como disciplina que custa a se implantar no país. A seguir, ele fala ao Blog Ateliê sobre o tema da política cultural:

Seu livro traz textos entre 1995 e 2010. Nesses 15 anos, o que mudou na política cultural do Brasil, em sua avaliação?

José Carlos Durand: Cultura foi elevada ao nível de ministério, por Sarney, e logo em seguida dissolvida por Collor, com ódio dos intelectuais e artistas que o detestavam.  Sob o governo FHC, em 1995, aperfeiçoa-se e implanta-se um programa de incentivos fiscais logo alardeado como salvação da lavoura para um um setor tradicionalmente insignificante em orçamento.  A exaltação do neoliberalismo garante o clima de época necessário a abençoar a parceria público-privada implícita nos incentivos. A partir de 2002, com Lula, o setor é atingido por outra inflexão, agora com prioridade às culturas populares e ao revigoramento do ministério: concursos para recrutamento de quadros, transferência de unidades para Brasília, formação de colegiados para ajudar a gerir o MinC, etc. A verba total aumenta bastante, em valor absoluto e relativo.  Em estados e municípios importantes (ou nem tanto) começam a aparecer secretarias de cultura, apartadas da gestão da educação ou do turismo. Política cultural emerge, e se mantém por um tempo, como assunto de imprensa, tema de livros e revistas, cursos e conferências.  Aliás, há um cuidado conceitual no estudo de políticas públicas, não importa o setor. Cabe sempre distinguir, do micro ao macro, entre projetos, programas e, por fim, políticas culturais.  Na verdade, não distinguir apropriadamente os três níveis já postular, como início de conversa, que tal governo “não tem” política cultural é, em si, sinal de superficialidade e da pouca disposição em conhecer o que acontece por dentro da burocracia, no jogo entre política e administração.  Tão simplório quanto querer entender uma obra ignorando as relações entre o artista e o conjunto dos intermediários que ajudam a tornar seu trabalho socialmente visível e valorizado.

Vivenciei essa fase inteira como sociólogo de uma escola de administração pública e de empresas, a EAESP/FGV. Felizmente, esta sempre foi muito liberal em acolher propostas de pesquisa e de cursos em temas novos, desde que avaliadas e aprovadas por órgãos internos.  Assim foi com meus estudos em sociologia cultural, em toda liberdade e atrevimento de autodidata, acerca de artes visuais, arquitetura, moda, entre outros.  A FGV inclusive facilitou-me um pós-doutorado em Paris, onde pude conhecer de perto o trabalho de Pierre Bourdieu e sua equipe. Para quem não sabe, ele foi quem mais se destacou no último meio século, como analista das três lógicas a que a dinâmica cultural obedece, na moderna sociedade capitalista: a cultura de elite, a cultura industrial (ou de massa) e a cultura popular. Acontece que em cada lógica o dinheiro muda de sentido, e com ele, as práticas e a consciência dos agentes: ele é ritualmente negado como fundamento da prática artística na primeira, afirmado sem problema na segunda e ignorado na terceira por razões ancestrais que precedem o mercado e formação das elites.

Pierre Bourdieu

A moral da história é que, diante de tanta contradição, não pode haver política cultural ao mesmo tempo democrática e una, harmonicamente centrada em princípios efetivamente partilhados de valor estético, eficiência e justiça distributiva. Uma retórica ingênua e conciliadora poderia afirmar que o interesse comum e as responsabilidades do estado estão acima disso, e aí se fecha o discurso oficial. Mas o papel aceita tudo, embora a verdade muita vez passe ao largo. A experiência internacional em política de cultura aponta que ela surge para apoiar e consolidar a cultura de elite, construindo teatros, salas de concerto e museus, dotando verbas para mostras e apresentações e ampliação de acervos.  Lembra também que a modernidade, o desenvolvimento industrial e tecnológico e a disseminação do ensino ao longo do séc. XIX vão formando novos públicos, alimentando a reprodução de obras, até chegar às indústrias culturais globalizadas que temos hoje em dia. Acrescento que jamais ocupei qualquer posição formal em administração de cultura; nunca precisei falar ou escrever como ministro, secretário ou assessor disso ou aquilo; nem jamais procurei me esconder atrás de qualquer jargão científico. O resultado é que agora continuo tão à vontade como quando escrevi os artigos.

Quase uma década depois do texto mais recente compilado no livro, que aprendizado aquele período trouxe, em termos de política cultural? 

JCD: Essa questão, por excelência, deveria ser dirigida a pessoas que leram o livro com algum interesse e conheceram o meio cultural paulistano e carioca a ponto de lembrar as questões que nele se discutiam com mais frequência.   Não eram muitas, nem atraentes, em geral eram a respeito de leis de incentivo, como operá-las, como justificar sua razão de ser, como criticar suas restrições. Como autor, sou obrigado a confessar que muitas vezes agi com deliberado “espírito de porco”, como se as coisas que meus textos propunham estivessem de fato ao alcance do entendimento e da vontade do público ao qual implícita ou explicitamente eles se destinavam: gestores de cultura, mercadólogos, economistas, empresários patrocinadores, professores, artistas, etc. Foi minha forma de ser instigante, apontando tópicos que eram e que ainda continuam impensáveis para muita gente.

Por exemplo: incentivos fiscais. As quantias que eles mobilizaram para a cultura eram uma gota d’agua perto do oceano das cifras que, há mais tempo, no Brasil, vinham sendo atraídas para desenvolvimento regional, reflorestamento e outras tantas. O sucesso dos incentivos media-se pela habituação do contribuinte com a atividade incentivada de modo que ele continuasse aplicando nela mesmo depois de suprimida a vantagem fiscal que o governo oferecia. Ao comentar a questão entre gestores de cultura, a repercussão era quase nula, pois os obrigaria a pensar muito além do que estavam acostumados.

Quando se discutia a sequência da tramitação de um projeto aceito na área do mecenato, eram comuns queixas ou insinuações de favoritismos, reais ou presumidos, incompetência de avaliadores em linguagens estéticas em que deviam decidir, etc.

Nesses casos eu comentava: na mesma Esplanada dos Ministérios em que alguns comitês minúsculos e pouco experientes do MinC tentam discutir uma distribuição justa e merecida das pequenas verbas captadas pela Lei Rouanet há um outro setor em que o governo federal brasileiro gasta quantias muitas vezes maiores, financiando cultura com mais segurança e melhores resultados. E aí eu concluía, diante da hesitação e dos olhos em geral arregalados da maioria:  é na CAPES, entidade ligada ao MEC que avalia, aos milhares, projetos científicos encaminhados pelas universidades. Nunca houve, ao que me lembre, ninguém que levasse adiante o interesse em comparar o financiamento às artes e o financiamento à ciência, como se fossem dois mundos irreversivelmente distantes e incomunicáveis, e não simples alternativas de avaliar iniciativas de pessoas e grupos, a ser avaliadas em sua clareza, sua criatividade, sua viabilidade, com muita coisa em comum.

Outro ponto em que sempre insisti foi na necessidade de se dar boa formação a jovens economistas brasileiros que se interessem por economia da cultura. Na vastidão de nosso sistema de pós-graduação, em que anualmente se formam várias centenas de mestres e doutores em economia, não há um único programa ou curso ancorado em economia da cultura.

Por outro lado, na Europa Ocidental, em particular, essa especialização existe com tudo a que tem direito: revistas especializadas, reuniões periódicas, nacionais ou internacionais, cursos com professores economistas com bom currículo em pesquisa, ensino e assessoria, publicação de antologias e dicionários cobrindo grande variedade de tópicos, etc.

O assunto continua merecendo a atenção do Ministério da Cultura, ou de qualquer entidade com vocação e recursos para trazer ao Brasil, em forma de curso para um pequeno público, um pouco da boa economia da cultura lá disponível. Fiz minha parte editando pela Ateliê o livro introdutório de boa qualidade que é A Economia da Cultura, de Françoise Benhamou, em 2007.

 

O que foi abandonado em termos de política cultural que deveria ser retomado, em sua opinião?

JCD: Vou dizer pelo que nunca foi feito:

  1. uma observação correta e sistemática a ser feita pela política cultural pública do fluxo de premiações artísticas no Brasil: exemplo: quantos concursos literários, onde, de que âmbito e com quais modalidades, meios de divulgação e número de concorrentes. O que a imprensa comenta a respeito de seus veredictos, qual o impacto na carreira do escritor. Justificação: prêmios são importantes meios de reconhecimento/atribuição de valor. Embora o órgão que promove cada um tenha autonomia a ser respeitada, o conhecimento dessa rede é fundamental na possibilidade de uma radiografia da cultura erudita (no exemplo, a ficção literária).
  2. As análises econômicas de setores culturais com potencial de fortalecimento via apoio estatal, como foi feito pelo BNDES em relação ao cinema, ao livro, ao disco etc. Foram estudos de qualidade, úteis e que merecem atualização. Idem a construção da Conta-Satélite da cultura, metodologia que permitirá aferir o valor econômico gerado pelo setor e compará-lo ao de outros países. A produção discreta de bons indicadores é pré-condição para o desenvolvimento de uma verdadeira economia da cultura, deixando de lado a ideia de que uma “economia criativa”, vazia de conteúdo, mas impregnada de charme, será instrumento algum dia um terreno útil para ajudar na tomada de decisão.
  3. Outra abordagem econômica que não se sabe se está sendo desenvolvida, é a de localizar cadeias e arranjos produtivos culturais locais, técnica para mapeamento de complementaridades produtivas e comerciais capaz de ajudar, entre outros usos, no desenho de circuitos turísticos mais ricos.

Conheça o livro “Política Cultural e Economia da Cultura”

Conheça o livro “Economia da Cultura”

 

Leia um trecho da “Gramática Integral da Língua Portuguesa”

Esta gramática de Antônio Suárez Abreu se destina a todos aqueles que gostariam de conhecer melhor a maneira como funciona a língua portuguesa e resolver dúvidas sobre concordância, regência, ortografia, colocação etc., por meio de respostas simples, escritas em linguagem clara, despidas de complicações ou erudições. Por isso, esta gramática é útil tanto para alunos do ensino fundamental e médio quanto para quem cursa ou já cursou universidade e quer ter segurança ao escrever um e-mail, um relatório, uma apresentação, uma tese acadêmica, uma petição ou até mesmo um livro de ficção.

 

Amostra Gramática Integral

Carlos Cardoso

O poeta Carlos Cardoso é apontado como destaque entre os escritores da sua geração. Seu último livro, “Na Pureza do Sacrilégio” (2017), recebeu elogios de grandes críticos literários, como Silviano Santiago, que assinou o prefácio e o aproximou a Fernando Pessoa e Octavio Paz, e o acadêmico Antonio Cicero, que escreveu na orelha da obra.
“O poema perambula, mas tudo permanece intacto — eis a lição de poesia”, ressaltou Silviano Santiago ao citar o trecho de um poema de Carlos Cardoso.

Claufe Rodrigues, Carlos Cardoso e Antonio Cicero

“É um grande prazer ler poesia como a de Carlos Cardoso que, fundindo o entendimento e a imaginação, e nos levando a percorrer caminhos originais, inesperados e abertos, enriquece nossa vida. Por isso, brado: viva Na Pureza do Sacrilégio”, escreveu Antonio Cicero.

O poeta chama atenção pela sua forma singular de escrever, conforme ressalta o jornalista especializado em livros Paulo Werneck, da revista 451, ao dizer que os poemas de Carlos Cardoso representam o “surgimento de uma nova paisagem poética no país”.
— Ele tem uma poesia singular, uma poesia que se destaca daquela que está sendo produzida no Brasil hoje.

Manuel da Costa Pinto, Carlos Cardoso e Paulo Werneck

O crítico Manuel da Costa Pinto endossa a aproximação feita por Silviano Santiago, que colocou Carlos Cardoso no mesmo patamar que Fernando Pessoa, e ressalta:

— Você pode encontrar aqui e ali intersecções, pontos de contato, mas a obra de um poeta quando ele já criou uma dicção própria é independente.

O professor livre-docente da Unesp Aguinaldo José Gonçalves aponta a escrita de Carlos Cardoso atinge a “excelência poética”, além de trazer a integração entre a tradição e a modernidade.

O leitor é convidado a mergulhar no universo poético criado pelo escritor, em Na Pureza do Sacrilégio, conduzido pelas linhas de seus versos e as ilustrações gráficas da artista Lena Bergstein. O livro foi publicado com uma edição luxuosa que o torna, por si só, uma obra de arte.
Sucesso entre os críticos do Brasil, seus poemas já foram traduzidos e publicados em revistas de países da América Latina, Europa e nos EUA, além de circular na mídia nacional em veículos como Canal Curta e outros.

Conheça mais sobre Carlos Cardoso

Manual do Estilo Desconfiado é exercício lúdico para quem quer e também quem não quer ser escritor

Se prestarmos atenção à trajetória profissional de Fernando Paixão, as razões pelas quais ele acaba de publicar Manual do Estilo Desconfiado ficam claras. Poeta, professor universitário e ex-diretor editorial da Ática, seu trabalho está profundamente ligado ao texto, de maneira provocadora e criativa. Para isso, questionar o próprio estilo e ter um olhar crítico sobre o texto é  fundamental. É isto o que ele enfoca neste Manual, que não serve apenas a jovens escritores ou a quem deseja tornar-se escritor. A seguir, ele fala ao Blog Ateliê:

 

Fernando Paixão, em foto de Maira Moraes Mesquita

Por que o título “Manual do Estilo Desconfiado”?

Fernando Paixão: Tem a ver com a origem do livro. Surgiu a partir de um curso de escrita, que dei na Universidade de São Paulo, e envolvia atividades práticas. Ali, no diálogo com os alunos e na leitura dos trabalhos, fui percebendo certos tiques que aparecem com frequência na redação dos textos. Por exemplo, o uso da palavra gorda, aquela que tem ansiedade de resumir tudo, abstrata quase sempre, mas que deixa a frase obesa, retórica demais. Também é preciso desconfiar da frase longa, que pode dar volteios e intercalações, mas sem perder o rumo do raciocínio.

E para cada item desse você criou um capítulo?

FP: Isso mesmo. Ao longo dos cursos, fui criando um repertório que acabou resultando nesse livrinho e preferi dar a ele um título que fosse sério e brincalhão ao mesmo tempo. Para dar unidade ao conjunto,  cada “lição” traz seis frases ou parágrafos, que alertam para os perigos da escrita viciada e repetidora de modelos. Algumas dessas frases sugerem também reflexões sobre o ato de escrever, como esta: “existem as vírgulas da gramática e as do afeto”.

É diferente de um manual redação e de estilo, então?

FP: Exatamente. Seria pretensioso querer ensinar a escrever ou coisa assim com um livro tão sucinto. Na verdade, é uma proposta mais lúdica, que visa fazer o leitor pensar, ganhar certa distância crítica com o ato da escrita. Daí o convite para manter o espírito desconfiado. Em síntese, o que este livrinho propõe são algumas dicas para o leitor desconfiar do próprio estilo.

O estilo dele, aliás, apresenta frases bem curtas e diretas.

FP: Como não sou especialista no assunto e sim um curioso, que aprendeu com a experiência prática, preferi um caminho pessoal e adotei a máxima como gênero de inspiração. Sou atraído pelo poder de síntese que ela carrega, ao mesmo tempo em que propõe o desafio de produzir frases marcadas por uma espécie de “curto-circuito cognitivo”. É por isso que elas permanecem em nossa memória com facilidade, porque oferecem uma chave de entendimento mais amplo.

Algumas frases têm sabor poético, inclusive. O que leva a perguntar se a sua atividade de poeta influenciou o “Manual”?

FP: Embora seja uma proposta diferente, mais racional, é possível que as máximas deste livro dialoguem com o meu trabalho em versos. Não sei explicar ao certo… Em ambos os casos, gosto da concisão e da imagem exata. E posso dizer que é tão difícil escrever uma boa assertiva quando criar um verso que valha a pena ao fim da tarde.

Você teve uma longa (e consagrada) carreira no mercado editorial. De que maneira essa experiência contribuiu para o Manual?

Fernando Paixão em foto de Maira Moraes Mesquita

FP: Sempre fui um profissional mais ligado ao texto do que ao visual, tenho clareza disso. Tive a sorte de ser um leitor voraz desde a  juventude. E no trabalho da Editora Ática, onde passei muitos e muitos anos como editor, pude conviver com diversos escritores e projetos. Creio que isso me deu alguma tarimba para perceber o estilo alheio, olhar de fora o fluxo produzido pela escrita. Foi por essa razão que, ao começar minhas atividades de professor na universidade, criei uma disciplina chamada “Escrita e estilo em estudos literários”, da qual resultou este livro.

No texto de contracapa, Luis Fernando Veríssimo enfatiza o ineditismo do seu trabalho. E o recomenda, tanto para aspirantes quanto para praticantes da arte da escrita…

FP: Generosidade dele, que é um dos nossos melhores escritores vivos, na minha opinião. Acho que ele gostou de verdade do espírito desconfiado proposto pelo livro e que faz bem a qualquer pessoa que gosta de escrever. É importante dizer que os tópicos do livro não se restringem aos itens da gramática ou da redação. Também devemos desconfiar da abstração, das citações e do próprio estilo. É bem conhecida aquela frase do Conde de Buffon afirmando que “ o estilo é o próprio homem”, mas eu acrescentei uma condição ao ditado do século XVIII: “ … desde que tenha caráter”. Por isso, digo que essas máximas misturam o lado sério com certa ironia.

E acredita que pode ser uma leitura interessante para quem não deseja se tornar escritor?

FP: Creio que sim, desde que esse leitor também seja interessado pelas artimanhas da escrita. E esse assunto pode interessar a advogados, filósofos, sociólogos… e muitas outras profissões.  Ao final das contas, é por via desse ímpeto desconfiado que se pode chegar ao melhor argumento, seja numa crítica literária ou num tratado semiótico. Estamos tratando de ideias com uma linguagem comum a todos – o desafio começa aí. Mas, sei que não se pode ter uma desconfiança exagerada, inibidora. O importante é o equilíbrio, pois “quem (des)confia demasiado termina no fiado”.

Conheça outras obras do autor

Notícia de Publicação: Manual de Editoração E Estilo

Lênia Márcia Mongelli*

Há livros cuja divulgação é obrigatória, é quase um serviço de “utilidade pública” para o meio acadêmico em geral, de medievalistas – daí o excelente veículo do Jornal da ABREM – ou não.

Estou falando do Manual de Editoração e Estilo, de Plinio Martins Filho, considerado por seus pares o “maior editor brasileiro em atividade” (diz Marisa Midori Deaecto no Prefácio) e merecidamente recém-premiado com o “Jabuti” em sua área de especialização. Afinal, são quase 50 anos de prática, quer como professor de editoração da ECA/USP, quer à frente da Edusp ou da Ateliê, esta de sua propriedade.

Se o Manual é uma defesa apaixonada da beleza do livro enquanto objeto, bem como a apresentação de caminhos/instrumentos para sua melhor e mais refinada realização, ele é, antes de tudo, um modelo possível para padronização de originais – inclusive dissertações e teses universitárias, evitando tantos descompassos entre autores, orientadores, departamentos e casas editoras. Normas relacionadas a ortografia, pontuação, citação de textos em língua estrangeira, notas de rodapé, bibliografia etc. – estão todas ali, ordenadamente tratadas.

 

É obra que, indiscutivelmente, facilita – e muito! – a vida do pesquisador!

 

 Professora Titular de Literatura Portuguesa na Universidade de São Paulo, filiada ao Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Formada em Letras Anglo-Germânicas pela Universidade Mackenzie (1969), fez todas as demais etapas de sua carreira acadêmica na USP: Mestrado (1978), Doutorado (1982), Livre-Docência (1988) e Titularidade (1996). Na mesma USP, atua hoje como professora-sênior. Especializada em Literatura Medieval, foi sócia-fundadora da Abrem – Associação Brasileira de Estudos Medievais (1995) e secretária de sua revista impressa Signum, sendo responsável pela edição e distribuição dos dez números dela, até 2008. Orientou cerca de 30 trabalhos, entre mestrados e doutorados; participou de aproximadamente 55 bancas examinadoras de trabalhos acadêmicos; organizou em torno de 80 eventos, atuando inclusive como palestrante; publicou cerca de 85 artigos e 40 capítulos de livros, além de vários “roteiros de leitura”. Livros publicados nos últimos anos, pela Ateliê Editorial: E Fizerom taes Maravilhas… Histórias de Cavaleiros e Cavalarias (org.) [2012], A Idade Média no Cinema (org. com José Rivair Macedo) [2009], Palmeirim de Inglaterra (org.) [2016] e As Pastorinhas de Pirenópolis – GO.

Conheça outras obras de Lênia Márcia Mongelli

4 Ensaios sobre Oscar Niemeyer: uma resenha

Carina Pedro*

O livro Quatro Ensaios sobre Oscar Niemeyer, publicado pela Ateliê Editorial, é uma ótima oportunidade de conhecer mais a fundo o trabalho do arquiteto brasileiro e os detalhes de seus projetos que viraram ícones do modernismo no Brasil e no mundo, assim como daqueles que nunca saíram do papel. A leitura dos ensaios também nos permite transitar pelas críticas que Niemeyer recebeu no decorrer de sua longa carreira, como isso influenciou seu desenho e o de outros profissionais contemporâneos. E, ainda, por meio de suas próprias reflexões, é possível sabermos o que pensava sobre a arquitetura e seu papel social.

O primeiro ensaio, “A Obra de Oscar Niemeyer em São Paulo”, de Paulo Bruna, trata dos projetos do arquiteto na capital paulista e no interior do estado, especialmente, aqueles realizados no início dos anos 50, pela filial do seu escritório em São Paulo, administrado pelo arquiteto Carlos Lemos. Essa fase de produção foi marcada quase que exclusivamente por um único cliente, o Banco Nacional Imobiliário (BNI), cujos acionistas principais eram Orozimbo Rouxo Loureiro e Otávio Frias. Entre os primeiros projetos na capital, o autor destaca o Edifício e Galeria Califórnia, com seu criticado pilar em V na fachada, e o Edifício Montreal, cuja planta de “sala e kitchenette” reflete as mudanças no estilo de vida dos moradores das grandes cidades.

No mesmo período, nasce o projeto do Conjunto Copan, que recebeu diversas alterações e foi concluído apenas nos anos 70. A ideia inicial de ser um misto de hotel e residência não se concretizou, o que não impediu que o edifício se tornasse uma referência de obra urbana, com suas galerias públicas e os seus 1120 apartamentos de diferentes metragens. Na sequência, Paulo Bruna comenta detalhes sobre outra obra de vulto, os edifícios construídos no Parque Ibirapuera, para a exposição do IV Centenário de São Paulo. A simplificação do projeto, por custo e prazo, foi considerada uma “mutilação” na época. Após diferentes propostas e reformas, os edifícios adquiriram diferentes usos e o conjunto foi tombado pelo Iphan.

Edifício Itatiaia em Campinas (1952), fachada posterior. Fonte: Hugo Segawa.

No segundo ensaio, “Entre dois pavilhões: a repercussão internacional de Oscar Niemeyer”, Hugo Segawa nos apresenta a visão dos estrangeiros sobre o trabalho do arquiteto. O projeto do pavilhão do Brasil na Feira Internacional de Nova York, em 1939, foi o início do seu reconhecimento crescente, levando-o a participar do grandioso projeto das Nações Unidas, na mesma cidade, iniciado no período pós-guerra. Os bastidores dessa obra foram marcados por discordâncias entre o representante francês Le Corbusier e o diretor de planejamento norte-americano Wallace Harrison. Do projeto conciliatório, do qual Niemeyer e Le Corbusier participaram, pouco foi aproveitado no projeto final da ONU.

Entre as críticas positivas ao jovem arquiteto, o autor destaca as de Pierre Guegen, que apontam o uso da curva como uma marca de sua originalidade, sendo a igreja da Pampulha um belo exemplo de ousadia. Já as de Nikolaus Pevsner, nos anos 60, colocavam os projetos de Niemeyer, com os de outros arquitetos contemporâneos, entre os exemplos de obras antirracionais. Segundo Segawa, essa crítica pós-moderna, mesmo na intenção de ser negativa, deu sentido à preferência do arquiteto brasileiro pela forma e beleza, já que o tempo comprova que as funções inevitavelmente se modificam, enquanto a forma se preserva.

O terceiro ensaio, “A revisão crítica de Niemeyer”, escrito por Rodrigo Queiroz, apresenta as principais mudanças ocorridas nos projetos realizados pelo arquiteto entre 1940 e 1960, do conjunto da Pampulha à construção de Brasília. O autor destaca as críticas de Luís Saia e Max Bill, no ano de 1954, às soluções formais utilizadas na Pampulha e adotadas de maneira exaustiva em outros projetos. Na sequência, em uma revisão do próprio trabalho, Niemeyer demonstra seu interesse por uma nova estratégia de projeto, em busca de maior clareza e objetividade formal.

No “Depoimento” de 1958, Niemeyer afirma que Brasília e o projeto para o Museu de Caracas marcam o início de uma nova etapa profissional. Sua justificativa para as mudanças foi a viagem à Europa e o encontro com Le Corbusier. Ao reconhecer o desgaste de sua obra, o arquiteto busca um novo repertório formal no ateliê do seu mestre em Paris. Como consequência desse diálogo, Queiroz levanta a hipótese de que os estudos realizados por Le Corbusier para o Capitólio de Chandigarh influenciaram fortemente o projeto de Oscar Niemeyer para Brasília, sendo possível identificar nos palácios da capital federal as semelhanças e diferenças entre os dois projetos.

Ingrid Guerrero

O quarto e último ensaio, “O Espaço Sagrado em Oscar Niemeyer e alguns dos seus desdobramentos na América Latina”, de Ingrid Guerrero, trata primeiramente das poucas obras religiosas projetadas pelo arquiteto. Entre elas, a Igreja de São Francisco de Assis, que, embora rejeitada pelas autoridades religiosas de Minas Gerais, segue o simbolismo da arquitetura católica e a Catedral de Nossa Senhora Aparecida em Brasília, que se aproxima da arquitetura gótica. Na sequência, a autora discute os projetos realizados em países latinos, influenciados pelo desenho de Niemeyer, como o conjunto de igrejas projetado pelo colombiano Juvenal Moya, as releituras do espanhol Félix Candela no México e de Carlos Raúl Villanueva na Venezuela.

 

* Historiadora, designer de interiores e mestre em História Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. É autora do livro Casas Importadoras de Santos e seus Agentes, publicado pela Ateliê Editorial, em 2015.

Ateliê na 19ª Festa do Livro da USP

A Ateliê marca presença, mais uma vez, na Festa do Livro da USP. Esta já é a 19ª edição da festa, que oferece livros com descontos de, no mínimo, 50%.

A Ateliê Editorial está na Tenda Azul, com uma grande lista de livros em promoção. Veja no mapa:

Veja a seguir alguns dos livros que estarão à venda no evento:

Almanaque Tipográfico Brasileiro

O Almanaque Tipográfico Brasileiro apresenta, de maneira divertida, a arte de transformar letras em objetos visuais. Conta com a colaboração de diversos especialistas, como o escritor Fernando Morais, o tipógrafo Cláudio Rocha e a bibliotecária Ana Virgínia Pinheiro. Juntos, eles compuseram este mix de artigos, brincadeiras, curiosidades e ilustrações, no típico estilo almanaque. O resultado é um registro irreverente da história da tipografia, dos primeiros tipos aos grafites urbanos.

De R$ 61,00 por R$10,00

 

Sobrecapa do livro “Capas de Santa Rosa”

Livro vencedor do Prêmio Jabuti 2016 (categoria Projeto Gráfico),  Capas de Santa Rosa mostra o trabalho de Tomás Santa Rosa, que se  dedicou a vários ofícios no campo das artes plásticas: executou pinturas e gravuras, criou capas, ilustrações e projetos gráficos para livros, revistas e jornais, elaborou cenários e figurinos para o teatro. Foi responsável pela cenografia da peça Vestido de Noiva, dirigida por Ziembinski em 1943, considerada um divisor de águas no processo de modernização do teatro brasileiro. A convivência com Portinari, com quem trabalhou e de quem se tornou amigo, permitiu que aperfeiçoasse o seu apurado senso estético. Com esse conhecimento, Santa Rosa passou a assinar a coluna de crítica de arte no Diário de Notícias em 1945, herdando o posto do aclamado Di Cavalcante. Luís Bueno destaca neste livro o que considera fundamental para o conhecimento da história da editoração e do design gráfico no Brasil: as capas criadas por Santa Rosa. De R$ 118,00 por R$ 50,00.

Ensaiando a Canção – Paulinho da Viola e Outros EscritosEnsaiando a Canção – Paulinho da Viola e Outros Escritos é um recorte da obra de Paulinho da Viola e reflexão sobre a canção brasileira. Eliete Negreiros analisa poesia e canção e encontra as temáticas, os procedimentos artísticos e a poética no trabalho do sambista. A primeira parte do livro mostra alguns sambas e mergulha na obra do compositor. Há também breve história do samba carioca e entrevista inédita com o artista. Já a segunda se detém em questões gerais do universo da canção e destaca mais o aspecto literário, considerando letra de música como poesia. De R$ 36,00 por R$ 5,50.

 

 

Em A Moeda da Arte – A Dinâmica dos Campos Artístico e Econômico no PatrocínioEduardo Fragoaz examina as complexas relações entre o campo financeiro-econômico e o campo artístico. Sua tese geral é que mesmo que, em última instância, o marketing que obedece ao primeiro campo tenda a prevalecer, a lógica do campo artístico não é passiva e reativa, negociando possibilidades de ações e espaços com resultados significativos para vida cultural e para a experiência do público. De R$ 63,00 por R$ 15,00.

 

 

Por Minha Letra e Sinal é o fruto de sete anos de pesquisas do Projeto Filologia Bandeirante. A partir do exame de manuscritos, os estudiosos obtiveram informações sobre a época das bandeiras e sobre a língua portuguesa do período. Além disso, identificaram, por meio de entrevistas, traços linguísticos que permanecem até hoje nas cidades erguidas sobre os antigos caminhos do ouro. Ao revelar parte fundamental do passado brasileiro, a obra torna-se referência para historiadores e linguistas. De R$ 77,00 por R$ 16,00.

 

 

Hypnerotomachia Poliphili  é uma reprodução fac-similar do exemplar que pertenceu à Biblioteca Guita e José Mindlin. Em iniciativa conjunta da Imprensa Oficial, Oficina do Livro Rubens Borba de Moraes e Biblioteca Paulo M. Levy (com apoio da Engep e Biblioteca Vinária Reppucci) edita-se o notável incunábulo que saiu das prensas de Aldo Manuzio em 1499. Intitulado Hypnerotomachia Poliphili (Batalha de Amor em Sonho de Polifilo), é considerado obra-prima de composição tipográfica, em especial pela incrível harmonia alcançada no casamento do texto com as mais de 170 xilografias. Por R$ 120,00

Prepare-se para a Black Week da Ateliê Editorial

Seguindo o sucesso dos dois últimos anos, a Ateliê mantém a Black Week, que esse ano vai de 20 a 27 de Novembro.

Serão mais de 390 livros com descontos de 50% a 75%, inclusive em alguns lançamentos.

Veja alguns títulos que estarão em promoção:

Um Lance de Dados
Tradução Álvaro Faleiros
De: R$ 44,00
Por: R$ 22,00
Um Lance de Dados
História da Língua Portuguesa
Segismundo Spina
De: R$ 93,00
Por: R$ 46,50
História da Língua Portuguesa
Cancioneiro
Francesco Petrarca
De: R$ 160,00
Por: R$ 80,00
Cancioneiro de Petraca
Viva Vaia
Augusto de Campos
De: R$ 145,00
Por: R$ 65,25
Livro Viva Vaia
Olga Savary – Erotismo e Paixão
Marleine Paula Marcondes e Ferreira de Toledo
De: R$ 41,00
Por: R$ 12,30
Olga Savary - Erotismo e Paixão
Lugar, Tempo, Olhar – Arte Brasileira na França Românica
Tradução: Rita Faleiros
De: R$ 75,00
Por: R$ 18,75

 

Lugar, tempo, olhar

Cadernos 1 e 2
Pedro Nava
De: R$ 30,00
Por: R$ 9,00
Cadernos 1 e 2 Pedro Nava
Bucólicas
Virgílio
De: R$ 69,80
Por: R$ 31,41
Bucólicas
Palmeirim de Inglaterra
Francisco de Moraes e
Lênia Márcia Mongelli
De: R$ 182,00
Por: R$ 91,00
Poema, O: Leitores e Leituras
Andrea Saad Hossne, Cláudia Arruda Campos, Ivone Daré Rabello, Viviana Bosi
De: R$ 34,00
Por: R$ 8,50