Vidas de Dante – Escritos Biográficos dos Séculos XIV e XV

Lançamento da Ateliê Editorial recupera escritos sobre Dante Alighieri dos séculos XIV e XV que permitem situar e comparar informações das biografias modernas do poeta

Dante Alighieri foi objeto de várias biografias ao longo das décadas seguintes à sua morte. São elas que em boa parte fundamentam suas biografias posteriores até hoje. Mas tal material acabou sendo diluído nessas sínteses e ficando à sombra da figura luminosa que ele próprio ajudou a criar. Neste livro Eduardo Henrik Aubert reúne e traduz pela primeira vez em português alguns desses testemunhos dos séculos XIV e XV sobre Dante. O contato direto com esses relatos permite ao leitor situar, cruzar e comparar informações que em muitas biografias modernas do poeta nem sempre foram bem aproveitadas.

Entendendo que a obra de Dante Alighieri (1265–1321) está intimamente articulada às condições concretas da vida do autor, este livro propõe a tradução anotada de todas as biografias de Dante escritas até a década de 1430. A leitura desses textos mostra que a vida de Dante e as Vidas de Dante – suas biografias – não pertencem a planos autônomos da realidade, mas se imbricam como atos e processos responsáveis pela estruturação do mundo social. Assim, esta coletânea instiga o leitor a correlacionar história literária, biografia histórica e história social, e, por fim, possibilita que se faça sua arqueologia, oferecendo a oportunidade de examinar tanto a obra do poeta como fonte do indivíduo quanto o indivíduo como fonte da sua obra.

Eduardo Henrik Aubert é Mestre em História Social pela USP e doutorando em Histoire et Civilisations na École des Hautes Études en Sciences Sociales – Paris. Publicou diversos artigos e capítulos de livros sobre história medieval e historiografia no Brasil e no exterior.

Livro Trajetória em Noite Escura, de Naoya ShigaA Ateliê Editorial lançou recentemente o romance Trajetória em Noite Escura. Escrito por Naoya Shiga, o livro conta a história de Tokito Kensaku, personagem principal e uma espécie de alter-ego do autor, e tem como pano de fundo o processo de modernização e ocidentalização da sociedade japonesa. Kensaku vive em conflito consigo mesmo e com o mundo que o rodeia: ou pertence à velha guarda e não aceita os novos costumes que se impõem, ou tem espírito inovador. Ele sente dificuldade de encontrar-se no limiar entre o velho e o novo e para recompor sua identidade faz três viagens, que irão revelar para o leitor o eu profundo do protagonista.

No começo do século XX, o Japão, um país de tradições milenares, inicia um processo de abertura para o Ocidente e recebe uma série de influências culturais. Uma delas, no âmbito da literatura, será o naturalismo. Assimilado e desenvolvido pelos grandes escritores japoneses do século, a partir da leitura de Zola, Maupassant, Turgueniev, Dostoievski, o movimento representará artisticamente essa época de profundas transformações e muitas incertezas. Naoya Shiga representa esse período, é um dos principais expoentes da literatura japonesa do século XX e levou cerca de vinte e cinco anos para escrever este romance, sua obra de maior fôlego.

Traduzido por Neide Hissae Nagae, esse trabalho faz parte da sua dissertação “Ficção e Realidade em Trajetória em Noite Escura (An’ya Kôro), de Naoya Shiga” apresentada em 1999, à área de Língua, Literatura e Cultura Japonesa da Universidade de São Paulo. Nagae foi incentivada por sua banca examinadora à publicação dessa tradução, graças ao valor literário da obra e ao ineditismo dos trabalhos do escritor em português. Este livro é estruturado em duas partes e cada parte é subdividida em dois tomos, relativamente longos, com doze a vinte capítulos, totalizando 65 capítulos. Além das duas partes, há uma abertura com o prefácio, que traz os informes sobre o relacionamento de Kensaku, seus pais e o avô paterno, através das memórias da infância do personagem.

Naoya Shiga (1883-1971), escritor bastante prestigiado no Japão, se destacou por seu estilo singelo, sucinto e preciso nas explanações dos detalhes das realidades objetivas que nos cercam – análises detalhadas dos melindres psicológicos do ser humano. Shiga fez parte do grupo Shirakaba, que reunia escritores e pintores apreciadores das literaturas e artes plásticas do Ocidente e Oriente. Apesar de discorrer sobre temas variados em suas obras, sua tônica sempre foi a captação das inconstâncias psicológicas que se processa no protótipo japonês culto, em seu viver do dia a dia, cujo exemplo máximo é sua obra Trajetória em Noite Escura.

Dentre as inúmeras programações da Balada Literária, Adrienne Myrtes lançará seu novo romance Eis o Mundo de Fora, no último dia da festa literária, domingo, às 18h, no Centro Cultural b_arco, em São Paulo. O evento será seguido pelo festa de encerramento da Balada, às 20h.

Este é o sexto ano da Balada Literária, que tem Marcelino Freire como curador e Augusto de Campos como homenageado.

Acesse a programação completa da Balada Literária 2011

Eis o Mundo de Fora, romance de Adrienne Myrtes

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50 Livrarias de Buenos AiresO guia 50 Livrarias de Buenos Aires será apresentado na próxima sexta-feira, 18 de novembro, às 19 horas, na Fundação Centro de Estudos Brasileiros (Funceb), na capital argentina. A apresentação acontece dento do seminário organizado pela Funceb para debater as políticas de apoio ao livro no Brasil e na Argentina, com a participação de representantes dos dois países, Bernardo Gurbanov, vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro e o presidente da Biblioteca Nacional da Argentina.
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Endereço da Funceb:
Calle Esmeralda 969, Buenos Aires
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Guia inédito rende homenagem à Buenos Aires, que está ainda mais livreira este ano
Buenos Aires é conhecida pela sua tradição livreira. A cidade tem uma livraria para cada 6 mil habitantes – no Brasil, a média é de 64 mil habitantes por livraria. Um dos motivos deste sucesso livreiro foi a emigração de vários editores espanhóis para a Argentina, durante a guerra civil na Espanha (1936 – 1939). Este ano, Buenos Aires foi a décima primeira cidade designada Capital Mundial do Livro pela UNESCO. Até abril de 2012 a cidade estará recheada de programações para todos os gostos, como obras de teatro gratuitas nas ruas, passeios com temática literária e a Feira do Livro de Buenos Aires, que se encerra no dia 7 de maio.
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A Ateliê preparou um guia especial para quem deseja explorar o mundo literário da cidade. De autoria da jornalista Adriana Marcolini, com fotos de Alejandro Lipszyc, o guia contém informações básicas e histórias saborosas sobre as 50 livrarias portenhas selecionadas pela autora. Inclui desde as enormes, que lembram um supermercado, até as pequenas, super-acolhedoras. A obra é inédita no Brasil e traz mapas de localização das livrarias e muitas dicas. Clique para ampliar o mapa de livrarias do centro de Buenos Aires:
Livrarias no centro de Buenos Aires

Fonte: ICnews | Isabel Furini

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Lição Aproveitada - Modernismo e Cinema em Mário de AndradeQuem gosta de cinema não só de assistir a filmes, mas de entender o fascínio que ele exerce sobre algumas cabeças brilhantes, como no caso de Mário de Andrade, vai deleitar-se com a leitura de A Lição Aproveitada, (Ateliê, 352 p., 2011), especialmente estudantes e profissionais das áreas de Letras, Cinema e Artes em geral, que desejem entender o início do cinema no Brasil e a influência que exerceu sobre a literatura. João Manuel dos Santos Cunha, professor na Faculdade de Letras e no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pelotas, doutor em Literatura Comparada (UFRGS), pós-doutorado em Literatura e Cinema (Sorbonne-Nouvelle, Paris III), realizou uma longa pesquisa que revela o impacto que a narratologia cinematográfica exerceu sobre Mario de Andrade e seus contemporâneos. Mário de Andrade escreveu na revista Klaxon (N. 1, p. 2, maio de 1922): “A cinematografia é a criação artística mais representativa de nossa época. É preciso observar-lhe a lição.”

João Manuel dos Santos Cunha fez uma densa pesquisa e conseguiu organizá-la de maneira que a linguagem e a didática ficaram muito claras e agradáveis para o leitor. Ele segue os passos de Mário de Andrade e mostra também o caminho do cinema desde o seu início. É interessante conhecer a visão que Mário de Andrade foi desenvolvendo numa época em que o cinema era só visual, sem som e arte muda.

No começo dos anos trinta, iniciou-se o cinema falado. A genialidade de Mário de Andrade permitiu-lhe ver a potencialidade da voz narrativa cinematográfica, considerou-a “arte infante”, pois ele entendeu que essa arte se desenvolveria com o tempo.

Em 1915, O Nascimento de uma Nação, (The Birth of a Nation, Griffith, USA, 1915), coloca em cena um personagem que se converteria em símbolo do cinema. Esse personagem é Carlitos, de Charles Chaplin. Esse personagem foi considerado peça chave para a cinematografia avançar como arte narrativa.

Após o impacto da Semana da Arte de 1922, é lançada a revista Klaxon, para refletir sobre arte. Andrade tinha a capacidade de refletir sobre as manifestações culturais de sua época. Entre os modernistas, ele se destaca na produção de crítica cinematográfica, numa época em que essa crítica estava nascendo.

“Como intelectual lúcido que busca refletir sobre as manifestações da cultura de seu tempo, Mário vai abordar o cinema como crítico, a partir de sua experiência como espectador constante nas salas de cinema e como teórico da arte moderna, utilizando o cinema como um referencial, ‘a criação mais representativa’ de sua época.”

O professor João Manuel dos Santos Cunha afirma que aprender uma lição não é repeti-la, mas recriá-la. Carlitos foi um mestre do cinema, e aqueles que o admiravam, como Mário de Andrade, entenderam e recriaram a visão narratologica desse personagem. Mário não era favorável à copia, aos artifícios, mas procurava a vida, o ser do personagem. Para ele, romance e cinema tinham suas próprias vozes.

O autor revela-nos um Mário de Andrade muito humano, um homem com visão de futuro, que entendeu a capacidade do cinema de contar histórias. E esse é também o objetivo do romance, contar uma história, mas romance e cinema têm linguagens, técnicas e meios diferentes.

Mario de Andrade argumentou contra o fato de forçar a “intenção da modernidade em detrimento da observação da realidade”. E a literatura, o cinema, a pintura e a escultura exigem observação do mundo, pois falam da realidade humana.

O livro A Lição Aproveitada leva-nos pelo mundo da literatura e do cinema e ajuda-nos a conhecer melhor a visão de Mário de Andrade. Vale a pena conferir.

Uma Arqueologia da Memória Social, de José de Souza MartinsIncomum entre os profissionais das ciências humanas, autor aventura-se em autobiografia interpretativa, em uma história marcada por episódios com momentos de ruptura no destino e estranhamentos propícios à descrição e à interpretação sociológica

“A busca parecia ter chegado ao fim naquela manhã de 1976. Ao morrer, meu pai, um homem do século XIX, deixara aos filhos pequenos um legado de enigmas e silêncios, o desencontro de sobrenomes, distanciamentos entre os membros da família, ainda que próximos pela vizinhança e pelos ritos para fingir proximidade, como o compadrio, onde a proximidade estava comprometida desde o começo pelas adversidades que o tornaram necessário. Coisas que crianças estranham e que se tornam os mistérios a desvendar, as perguntas a responder, as impertinências a incomodar. Naquela manhã tudo parecia, finalmente, claro. Parecia, mas não era. Aqueles enigmas eram apenas os componentes de incertezas que constituíam o extenso terreno em que nascem e crescem os sem história, os que nascem para servir e trabalhar. Aqueles cujo destino ganha sentido na trama de acasos que só se articulam num todo no fim da trajetória, no fim da vida, na história que faz dos simples mais objeto do que sujeitos.” Assim, José de Souza Martins inicia o “prólogo breve” de Uma Arqueologia da Memória Social, apresenta o seu livro, cria grande curiosidade pela história e anuncia como será sua autobiografia interpretativa.
Uma Arqueologia da Memória Social mostra uma trajetória pessoal de adversidades e superações, expondo o Brasil pela margem de dentro de seus dilemas, dias de blecaute e racionamento da Segunda Guerra Mundial, a morte de Getúlio Vargas, a greve dos 400 mil, em 1957, a violência doméstica resultante do embate entre a ordem rústica que se desagregava e o urbano anômico que se impunha. Com seu olhar microscópico e cotidiano, José de Souza Martins conta sua infância e adolescência, na roça e na fábrica, traçando o retrato de uma era decisiva no advento da modernidade no Brasil: a era Vargas. Sua história é um convite à iniciação nas ciências humanas. Um jeito diferente de conhecer o que elas têm a dizer sobre o homem comum sem desconhecer-lhe o imaginário que dá sentido às incertezas do viver sem rumo.
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José de Souza Martins é sociólogo e Professor Titular de Sociologia da Faculdade de Filosofia da USP, onde se tornou Professor Emérito em 2088. Foi professor visitante da Universidade da Flórida (EUA) e da Universidade de Lisboa. Foi o terceiro brasileiro eleito para a Cátedra Simón Bolivar da Universidade de Cambridge (Inglaterra), em 1993/94, e Fellow de Trinity Hall. Foi membro da Junta de Curadores do Fundo Voluntário da ONU contra as Formas Contemporâneas de Escravidão (1996-2007). Prêmio “Érico Vanucchi Mendes” – 1993, do CNPq, pelo conjunto de sua obra. Prêmio “Florestan Fernandes” – 2007, da Sociedade Brasileira de Sociologia.
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Ficha Técnica
Título: Uma Arqueologia da Memória Social – Autobiografia de um Moleque de Fábrica
Autor: José de Souza Martins
ISBN: 978-85-7480-555-9
Formato: 15,5 x 22,5 cm
Páginas: 464
Preço: R$60,00

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Lincoln Secco descreve as forças em confronto no PT e analisa sua trajetória

Fonte: Carta Capital

Carta Capital resenha livro História do PT, de Lincoln Secco

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Primeiro livro sobre a história do PT, o autor, que é professor da Universidade de São Paulo, se lança, neste volume, em um projeto corajoso
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Livro História do PT, de Lincoln SeccoA Ateliê Editorial lança no próximo dia 17 de agosto, quarta-feira, das 18 às 21h, História do PT. Escrito por Lincoln Secco, livro é produto da convergência num só autor, do professor da USP, do pesquisador, do escritor, do bibliófilo, e finalmente da testemunha ocular da história. A Livraria João Alexandre Barbosa fica à avenida Prof. Luciano Gualberto, travessa J, 374, no prédio da antiga reitoria, na Cidade Universitária, em São Paulo.
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Até hoje não existia uma história do PT. Nem mesmo oficial feita pelo próprio partido. É uma tarefa difícil para um historiador se manter equidistante das correntes internas do PT e do próprio ambiente político em que o partido agiu. É isto o que o historiador Lincoln Secco, professor da USP, conseguiu. Sem negar a vinculação que ele (e boa parte de sua geração) teve com o PT, sem exaltá-lo ou atacá-lo gratuitamente, o autor superou os inúmeros estudos de caso e teses acadêmicas sobre o período de formação do partido e ofereceu uma visão de conjunto da trajetória petista. Em vez de escrever um livro acadêmico ele preferiu uma história ensaística voltada aos que “trabalham” com o PT: jornalistas, cientistas políticos, pesquisadores estrangeiros e militantes políticos.
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A obra visa também os jovens. Por isso, traz um mapa das tendências petistas ao longo de sua história, glossário do jargão interno e cronologia. O autor acompanha a trajetória petista desde a greve da Scania em 1978 até a vitória de Dilma. Mostra como o PT passou de um ator social radical a um integrante da ordem política estabelecida, cresceu eleitoralmente, perdeu seu ímpeto militante e se tornou uma
máquina de governo, atravessando escândalos de corrupção, perseguições de seus adversários e chegando a uma surpreendente hegemonia política no Brasil.
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Lincoln Secco é paulistano, casado, tem 42 anos. Foi militante de base na periferia de São Paulo no PCB e no próprio PT nos anos 1980-1990. Ingressou na USP em 1987 como estudante de Letras e, depois, fez História (graduação, mestrado e doutorado). Desde 2003 é professor de História Contemporânea na USP. Foi finalista do prêmio Jabuti com o livro Caio Prado Junior: o sentido da Revolução (Boitempo). Agora se lança como autor da primeira história do PT pela editora Ateliê.

Lançamento "Ensaiando a Canção", dia 28/7 em Salvador

Se estiver em Salvador, não deixe de ir ao lançamento do último livro de Eliete Negreiros: Ensaiando a Canção: Paulinho da Viola e Outros Escritos. Além da autora, o evento contará com apresentações de Verônica Ribeiro, interpretando canções de Paulinho da Viola, e do grande José Carlos Capinam.