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Lançamento de livro sobre Noel Rosa e entrevista com a autora

Fonte: Agenda Samba & Choro

Julia Engler

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Noel Rosa – O Humor na Canção, de Mayra PintoNoel Rosa compôs quase trezentas canções entre seus 20 e 26 anos. Apenas seis anos de produção foram suficientes para que o jovem sambista estabelecesse um novo paradigma na história da canção popular brasileira. Por isso, setenta e cinco anos depois de sua prematura morte, Noel continua sendo um fecundo objeto de estudo para pesquisadores interessados em compreender a música popular brasileira.

A pesquisadora e professora Mayra Pinto, lança Noel Rosa: O Humor na Canção (Ateliê Editorial/FAPESP) terça-feira, dia 8 de maio, das 18h30 às 21h30, na Livraria da Vila, Rua Fradique Coutinho, 915, em São Paulo.

No livro, Mayra Pinto investiga o uso do humor na construção de um olhar crítico sobre uma sociedade desigual que passava por um período de profundas transformações, principalmente no que se refere à identidade nacional.

Em entrevista dada à Agenda Samba & Choro, a autora conta um pouco de suas descobertas pelo universo do Poeta da Vila.

Em seu livro, você fala do estabelecimento de um novo paradigma na música popular brasileira a partir da obra de Noel Rosa. Que novo paradigma é esse?

Junto com compositores contemporâneos, Noel criou um formato de canção que permanece até hoje – um estribilho, várias estrofes, determinado tempo de duração, a estrutura musical do samba etc. Quanto à singularidade de sua obra, o paradigma propriamente dito foi criado pela voz que Noel imprimiu em suas composições. É basicamente a voz de um sujeito desprovido de força social, em todos os sentidos, porque é o sujeito do samba, o artista popular não valorizado que, com sua conduta boêmia, festiva, e, sobretudo, crítica no caso de Noel, confronta os valores dominantes ora de um modo debochado, satírico, ora de uma forma irônica, mais agressiva, com um tom menor de amargura. Essa voz não existia na canção antes de Noel.

Você observa que o humor funciona como disfarce nos sambas de Noel. Disfarce do quê?

A ironia está em muitas canções, e não só na poesia da letra. Há ironia na interpretação, nos arranjos, no próprio fato de Noel ter gravado muitos de seus sambas com sua voz “pequena”, que favorecia certos timbres mais sinuosos e ambíguos. Pra mim, na obra dele, a ironia tem a função de marcar essa ambiguidade, de possibilitá-la. O efeito é que em Noel o sujeito que se coloca em confronto – não só com os valores dominantes do trabalho, da moral, mas também do próprio universo do samba em várias canções – pode não ser alvo de sanções em consequência de sua atitude crítica, dado que seu tom é de “brincadeira”, é o humor aí “disfarçando” a agressividade da crítica – entramos aqui na sua próxima pergunta. O humor funciona como disfarce porque historicamente é visto como um discurso “desvalorizado” – o exemplo dos bobos da corte, que podiam criticar inclusive o rei, é ótimo para ilustrar esse lugar secundário do discurso de humor na história; ao bobo era permitido dizer qualquer coisa, até mesmo a verdade mais dura, porque afinal ele era só um “bobo”, isto é, “ninguém” com voz de poder real na sociedade. O humor só passa a ser valorizado na arte, e só na arte até agora, no século XX. Valorizado como? Como um discurso que também dá conta de arquitetar reflexões profundas – lembre-se das vanguardas europeias que foram em boa medida inspiradoras do nosso modernismo, atravessado pelas categorias do humor. Nesse sentido, Noel estava em sintonia com o que de mais moderno estava sendo produzido no sofisticado mundo da cultura erudita nacional e internacional.

De que forma se constrói nessa época a poética própria do samba? Como Noel participa desse processo?

A poética do samba é construída por todos os grandes contemporâneos de Noel: os sambistas do Estácio – com Ismael Silva à frente -, com os compositores e cantores brancos como Francisco Alves, Braguinha, Mário Reis, Lamartine Babo, dentre tantos outros. Há uma confluência incrível de influências vindas das mais diversas fontes para consagrar essa poética tal como existe até hoje. Por exemplo, segundo depoimento de Ismael Silva, o ritmo do samba criado pelo grupo do Estácio, menos sincopado que o anterior – feito por Sinhô, João da Baiana e outros – foi consequência da necessidade de permitir dançar e ao mesmo tempo andar nas ruas durante o carnaval. Noel participa intensamente contribuindo para construir essa poética, bem como para cristalizá-la, sobretudo, no que concerne à articulação das linguagens: o tom coloquial das letras/interpretação, marca da época, é manejado por Noel com tremenda segurança na articulação com a melodia.

Você diz que o olhar crítico do poeta só se desarma diante do universo do samba. O que esse universo representa na obra do Noel?

O universo do samba representa o lugar em que o artista popular pode ser, pode se expressar, pode refletir sobre o mundo e, sobretudo, pode ser reconhecido em sua originalidade. Veja o refrão do lindo samba “O X do problema”, gravado por Araci de Almeida: “Eu sou diretora da escola do Estácio de Sá/E felicidade maior neste mundo não há./Já fui convidada/Para ser estrela de nosso cinema/Ser estrela é bem fácil/Sair do Estácio é que é/O X do problema”. É o reconhecimento de sua trajetória como sambista que importa; e o bacana é que Noel, contrariamente à maioria de suas canções, cria um eu lírico feminino pra falar dessa adesão incondicional ao samba. Por que ele enaltece isso? Um dos motivos, dentre tantos, é porque, à época, o universo da cultura popular era desvalorizado socialmente, era visto pelas elites como um lugar desprestigiado; mais ainda o universo do samba, “coisa de gentinha”, como está registrado no excelente Noel Rosa: uma biografia, de Máximo e Didier. Então, coerente com sua voz de confronto, marca discursiva de sua obra, Noel elege o universo do samba como um lugar só de positividade.

Na sua opinião, qual o principal legado deixado pela obra de Noel Rosa?

A obra do Noel é uma matriz de onde parte uma linhagem na nossa canção popular urbana. E uma matriz genial porque imprimiu, desde o começo da produção da canção, uma sofisticação discursiva que só podia se manter depois dele em um tom maior – vide todos os brilhantes compositores brasileiros que vieram depois de Noel e, certamente, foram inspirados e influenciados por sua obra.

Noite de autógrafos com a aultora
Dia 08 de maio, terça-feira, das 18h30 às 21h30
Livraria da Vila (piso superior)
Rua Fradique Coutinho, 915 – Pinheiros – São Paulo/SP

Noel Rosa: O Humor na Canção, de Mayra Pinto

Noel Rosa: O Humor na Canção, de Mayra PintoLivro faz uma análise da obra de Noel Rosa e mostra como o compositor articulava a coloquialidade da língua falada, a oralidade e a musicalidade, e ainda destaca o humor nas suas canções

Noel Rosa é um dos nomes mais importantes da famosa Época de Ouro da canção brasileira, que vai de 1930 a 1945, e autor de uma obra considerada como para- digma da canção popular urbana no Brasil tal como é conhecida até hoje. Produziu mais de trezentas canções em apenas sete anos mostrando uma voz que fala sobre o universo social da pobreza, pouco retratado até então na canção popular urbana, muito menos sob um viés crítico. Seus traços inovadores são a sofisticação poética – arquitetando uma sintonia perfeita entre o discurso verbal e o musical – e a criação de uma voz discursiva cuja marca mais evidente é a confrontação com os valores dominantes, que não admitia os valores do mundo do artista popular e do samba.

Para a autora, “Noel Rosa mostrou, junto com Drummond, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, e outros, que o discurso coloquial não está fora da grande poesia. Ao contrário, juntamente com os escritores modernistas, que inauguraram um novo tempo na literatura brasileira, Noel mostrou que o dis- curso coloquial, próprio do português falado no Brasil, poderia ser substância poética de primeira grandeza”.

O modo como Noel Rosa criou uma obra de alta voltagem poética, articulando a coloquialidade da língua falada à musicalidade, é tratado com acuidade por Mayra Pinto. Na análise de suas canções, Mayra mostra como o tom coloquial, próprio de samba, se apoia em estrofes construídas com base em paralelismos poéticos, entoativos e rítmico-musicais – a única alteração nessa “fórmula” está na letra, que a cada estrofe descreve com mais detalhes a situação do locutor. Este livro é uma contribuição original ao estudo da obra de Noel Rosa e, ao mesmo tempo, à canção brasileira e sua dignidade cultural.

Mayra Pinto é Doutora pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Participou da edição de diversos livros didáticos.

Acesse o livro na Loja Virtual

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História do PT é centro de debate promovido pelo CEDEM/UNESP

História do PT, de Lincoln SeccoHistória do PT, livro de Lincoln Secco, será o centro do debate no próximo dia  07 de março, quarta-feira, às 18h30, promovido pelo CEDEM – Centro de  Documentação e Memória da UNESP.

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Até hoje não existia uma história do PT abrangente,  sintética e com a experiência do poder. Nem mesmo oficial feita pelo próprio partido. É uma tarefa difícil para um historiador se manter  equidistante das correntes internas do PT e do próprio ambiente político em que o partido agiu. Lincoln Secco, sem negar a vinculação  que ele (e boa parte de sua geração) teve com o PT, sem exaltá-lo ou  atacá-lo gratuitamente, supera os inúmeros estudos de caso e teses  acadêmicas sobre o período de formação do partido e oferece uma visão de conjunto da trajetória petista. Em vez de escrever um livro acadêmico ele preferiu uma história ensaística voltada aos que  “trabalham” com o PT: jornalistas, cientistas políticos, pesquisadores  estrangeiros e militantes políticos.

A obra visa também os jovens. Por isso, traz um mapa das  tendências petistas ao longo de sua história, glossário do jargão interno e cronologia. A obra  acompanha a trajetória petista desde a greve da Scânia em 1978 até a  vitória de Dilma Rousseff. Mostra como o PT passou de um ator social  radical a um integrante da ordem política estabelecida, cresceu  eleitoralmente, perdeu seu ímpeto militante e se tornou uma máquina de  governo, atravessando escândalos de corrupção, perseguições de seus  adversários e chegando a uma surpreendente hegemonia política no Brasil.

Expositor

LINCOLN SECCO

Graduação em História – USP

Mestrado e Doutorado em História Econômica – USP

Livre Docente em História – USP

Debatedores

MARCOS DEL ROIO

Graduação em História – USP, Mestre em Ciência Política – UNICAMP

Doutor em Ciência Política – USP, Pós-doutorado em Estudos Internacionais – Universidade de Milão

Professor da UNESP – Campus de Marília

JOSÉ RODRIGUES MÁO JUNIOR

Graduação em História – USP

Mestrado e Doutorado em História Econômica – USP

Professor do Inst.Fed. de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo  – IFSP –  Cubatão

Mediadora

MARISA MIDORI DEAECTO

Graduação em História – USP

Mestrado e Doutorado em História Econômica – USP

Professora da ECA – USP

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Participe e convide seus amigos!

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Inscrições gratuitas c/ Sandra Santos pelo e-mail: ssantos@cedem.unesp.br

Data e horário:  7 de março de 2012 (quarta-feira) às 18h30

Local: CEDEM/UNESP – Centro de Documentação e Memória

Praça da Sé, 108 – 1º andar, esquina c/ Rua Benjamin Constant (metrô Sé)

(11) 3105 – 9903 – www.cedem.unesp.br

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Livro Falado: Bruno Palma dialoga sobre sua tradução da obra de François Cheng

Duplo Canto e Outros Poemas, de François ChengBruno Palma participará do evento “Livro Falado” na Casa Guilherme de Almeida, no dia 25 de fevereiro

A obra do poeta sino-francês François Cheng (1929) é um exercício tradutório entre sua cultura oriental, de origem, e ocidental, de exílio e escolha. Em Duplo Canto e Outros Poemas, Bruno Palma traduz uma amostra representativa da poesia de Cheng e transpõe para o português esse universo intercultural. O evento faz parte da série Livro Falado, que apresenta livros recém-editados ou a serem publicados em breve, por meio de um diálogo com o tradutor. A conversa abordará procedimentos tradutórios do livro em questão e apontará aspectos relevantes do processo de criação do tradutor.

Bruno Palma, tradutor de poesia francesa, dedica-se sobretudo às obras de Saint-John Perse (1887-1975) e de François Cheng (1929). Do primeiro traduziu Anábase (1979), trabalho pelo qual recebeu o Prêmio Jabuti em 1980, e Amers – Marcas Marinhas (2003), entre outros livros publicados e inéditos. Por sua contribuição à propagação da lieratura francófona foi condecorado pelo governo francês, em 1989, Chevalier dans l’Ordre des Arts e des Lettres.

Visite a página de programação da Casa Guilherme de Almeida para mais informação.

Mostra fotográfica Gigantes em miniatura, de Flávio Meyer (Santos-SP)

Mostra fotográfica Gigantes em Miniatura de Flávio Meyer

O artista visual Flávio Meyer flagra Santos a bordo de um helicóptero e, através de efeitos de ilusão de ótica, miniaturiza pontos míticos da cidade como o Monte Serrat, a Vila Belmiro, a Bolsa do Café, a igreja do Embaré, o Valongo, a Prefeitura, a Ponte Pêncil e o Porto.

As imagens produzidas pelo artista subvertem a relação de imponência da cidade diante do homem e instigam a imaginação do observador a fantasiar que é um gigante em uma divertida e detalhada cidade de brinquedo.

“As obras fotográficas de Flávio Meyer contêm a realidade acrescida de poesia. Sua arte visual consegue reter o Devir instantâneo de um fluxo: ela não congela, ela desdobra o visível através do encantamento pela cartografia celestial de suas paisagens e pela sutileza dos detalhes que transcendem o foco iluminado de sua apreensão. É um mestre em dominar a técnica sem perder o poder de invenção.” Flávio Viegas Amoreira

“Gigantes em Miniatura”
Mostra Fotográfica de Flavio Meyer

curadoria – Flávio Viegas Amoreira, escritor e jornalista.

Pinacoteca Benedito Calixto

Av. Bartolomeu de Gusmão, nº15

De 07 a 27 de fevereiro
Vernissage dia 7 às 19hs

Veja mais sobre o artista em:

www.flaviomeyer.com.br

Guia de livrarias foi apresentado em Buenos Aires

O livro 50 Livrarias de Buenos Aires foi apresentado dia 18 de novembro, no seminário organizado pela Funceb para debater as políticas de apoio ao livro no Brasil e na Argentina. Estiveram presentes no evento a autora Adriana Marcolini, o fotógrafo do livro Alejandro Lipszyc e  o vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro, Bernardo Gurbanov.

Clique nas setas para ver outras fotos:

Adrienne Myrtes lança novo romance em evento da Balada Literária

Dentre as inúmeras programações da Balada Literária, Adrienne Myrtes lançará seu novo romance Eis o Mundo de Fora, no último dia da festa literária, domingo, às 18h, no Centro Cultural b_arco, em São Paulo. O evento será seguido pelo festa de encerramento da Balada, às 20h.

Este é o sexto ano da Balada Literária, que tem Marcelino Freire como curador e Augusto de Campos como homenageado.

Acesse a programação completa da Balada Literária 2011

Eis o Mundo de Fora, romance de Adrienne Myrtes

Clique para ampliar o convite

Guia será apresentado em Buenos Aires

50 Livrarias de Buenos AiresO guia 50 Livrarias de Buenos Aires será apresentado na próxima sexta-feira, 18 de novembro, às 19 horas, na Fundação Centro de Estudos Brasileiros (Funceb), na capital argentina. A apresentação acontece dento do seminário organizado pela Funceb para debater as políticas de apoio ao livro no Brasil e na Argentina, com a participação de representantes dos dois países, Bernardo Gurbanov, vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro e o presidente da Biblioteca Nacional da Argentina.
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Endereço da Funceb:
Calle Esmeralda 969, Buenos Aires
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