Em entrevista ao Blog da Ateliê, o tradutor, músico e poeta falou da relação de “amor e ódio” entre Joyce e Dublin. Eduardo Miranda chegou à final do Concurso de Tradução Bloomsday 2011 e publicou sua tradução na revista eletrônica TUDA.

Como foi seu primeiro “encontro” com a obra de James Joyce?

Joyce me chegou primeiro através de Ulisses, ainda muito jovem – praticamente ilegível para mim na época. Depois fui cronologicamente retrocedendo: Retrato do Artista Quando Jovem, Dublinenses, e depois a poesia… mas foi em Dublin que tive a oportunidade de me envolver mais com a literatura e a cultura irlandesa – inclusive com a língua irlandesa – e consequentemente com James Joyce. Foi aqui em Dublin, durante a comemoração dos 100 anos de Ulisses,  que pude percorrer o caminho que Leopold Bloom percorreu, no mesmo passo que o livro.

Fale um pouco sobre a obra e vida de James Joyce, segundo a sua experiência.

Na verdade foi depois da minha mudança para Dublin por motivos de trabalho que vim a me interessar mais pela obra de Joyce – e tudo em Joyce é Dublin! E entender essa relação de amor e ódio foi um desafio… Joyce deixou claro em vida que não gostava de Dublin. Stephen Joyce, neto e curador da obra de Joyce, faz questão de afirmar que seu avô não gostava da cidade. Tampouco ele simpatiza com Dublin, e desaprova toda tentativa de citar a obra do avô, seja para turismo, nomeação de monumentos, ou mesmo comemorações. O único lugar onde é permitido citar a obra de Joyce é no James Joyce Centre, durante as comemorações do Bloomsday, festival que acontece todo dia 16 de Junho e que comemora as aventuras de Bloom.

Como é traduzir James Joyce?

Primeiramente acho que todos os que se submeteram ao desafio de traduzir o Finnegans Wake – e não só os finalistas – já são heróis pela própria ousadia. Para mim foi uma tarefa trabalhosa, tanto que consumiu quase todas as minhas horas livres de uma semana inteira! Mas ao mesmo tempo foi excitante e divertida… uma aventura e tanto! E o fato de morar em Dublin e de ter um certo conhecimento da língua irlandesa – mesmo que parco –  fez com que eu me sentisse, de certa maneira, mais próximo dos contextos joyceanos, e acho que acabou ajudando um pouco a transposicão multi-dimensionais do texto… além, é claro, de um pouco de intuição e muita poesia!

Fale um pouco de você e do seu trabalho.

Não sei se posso chamar de trabalho, no sentido convencional da palavra. É mais como um hobby, só que levado muito à sério… extremamente! Mas o tempo é que não ajuda muito. Como tenho o meu trabalho na área de Tecnologia da Informação, acabo dedicando apenas o tempo que sobra às outras atividades. Trabalho e família vêm primeiro e, às vezes, o que sobra não é muito. Tento ser constante na TUDA, uma e-zine de poesia, literatura e arte que publico mensalmente, já há 3 anos. É lá que publico minhas traduções. Minhas poesias, meus contos e outros textos podem ser acessados à partir de um “portal” que mantenho, o edotm.info. Já na música, tenho um projeto experimental e multi-instrumental, à distância, chamado The Virtual EM3, e uma banda real, o Wellfish. Conforme o tempo permite, vou “trabalhando”….

Eduardo Miranda

Adriano Scandolara traduziu James Joyce e venceu o Concurso de Tradução Bloomsday

Apresento-lhes Adriano Scandolara, com sua tradução do primeiro capítulo de Finnegans Wake. Ele encarou traduzir James Joyce e venceu o Concurso de Tradução Bloomsday! Veja o que ele disse em entrevista ao Blog:

Como foi seu primeiro “encontro” com a obra de James Joyce?

Foi ainda na graduação do curso de Letras. Lemos Dublinenses, e, como qualquer um, fiquei besta com o final de “Os Mortos”, toda aquela coisa da epifania e a descrição da cena. Coisa brutal mesmo. Aí foi a progressão natural de partir para O Retrato do Artista Quando Jovem e, depois, Ulisses. O mais chocante foi descobrir que a experiência era mais fácil, para mim, lendo no original do que na tradução do Houaiss – com todo o respeito, claro, afinal de contas, o que ele fez na época está longe de ser para qualquer um. Mas, ainda assim, não vou dizer que é fácil. Não é, mas também não é sinal de que a leitura de Joyce, ou de qualquer outro romancista tido como difícil, seja só para quem é muuuuito inteligente ou esse tipo de coisa. Eu confesso que não entendi muita coisa, mas também seria muita falta de humildade ler somente as coisas que eu for capaz de entender “plenamente”. E parece que ainda há muito desse estigma em Joyce – estigma de autor cult, lido só por gente de óculos de aro grosso que faz pose de intelectual, quando, na verdade, boa parte do Ulisses é piada escatológica – e seria bom se fôssemos capazes de desfazê-lo.

Fale um pouco sobre a obra e vida de James Joyce, segundo a sua experiência.

Pois é, eu não sei muito o que dizer do assunto (especialmente sobre a biografia insana de Joyce, que seria duro de resumir… e a Wikipedia já o fez melhor do que eu poderia fazer aqui), mas sei que as duas coisas, vida e obra, em Joyce, são muito interligadas. É óbvio que as duas coisas se cruzam sempre, em variados graus – vide as relações entre Baudelaire e Paris, por exemplo, ou Allen Guinsburg e toda a cena beat – mas parece que é ainda mais forte a ligação biográfica entre Joyce e seus protagonistas Stephen Dedalus e Leopold Bloom, e, ainda mais, entre Joyce e a Irlanda.

Como é traduzir James Joyce?

Difícil, mas divertido (divertícil, pra ser um joyceano pedante). Digo, não sei o restante da obra de Joyce (imagino que o Ulisses, por exemplo, seja mais difícil e trabalhoso do que divertido), mas o Finnegans Wake é algo tão lúdico que a tradução, para mim, vira menos um ato de erudição e adequação a formas, normas ou outros tipos de expectativas, quanto me parece um ato de associação, algo livre, de conceitos, ideias, imagens e sons. O FW mesmo parece que encoraja isso… aí, na hora de traduzir, eu acabei me orientando menos pelo tanto de sentidos a serem enfiados no texto do que pelo ritmo. É óbvio que eles são importantes também – vide as referências bíblicas nos parágrafos segundo e quinto, ou as referências bélicas no quarto, que não devem ser descartadas pelo tradutor – mas eu não me recrimino de perder alguma referência mais obscura se for para deixar o texto com uma sonoridade melhor. Joyce, apesar de romancista, acredito que se aproxima muito da poesia, no FW, e o resultado é um texto que soa especialmente bonito quando lido, e seria uma pena perder isso na tradução.

Fale um pouco de você e do seu trabalho.

Ah, bem, eu ando trabalhando como tradutor freelance, geralmente com não-literatura, como tradução para o jornal (Gazeta do Povo) ou textos técnicos, mas tenho prazer mesmo em traduzir literatura, especialmente poesia. Tenho também uns contos traduzidos para a Revista Arte & Letra, mas o que eu traduzo de poemas avulsos geralmente posto no meu blogue só (leitorhipocrita.blogspot.com). Quando me formei em Letras pela UFPR, fiz a monografia traduzindo uma pequena antologia de Shelley – que coincidiu justamente com o lançamento pela Ateliê também de um volume de Shelley traduzido pelo Milton e pelo Marsicano… bem, pelo menos, os poemas escolhidos foram diferentes – e agora, no mestrado, estou dando continuidade ao trabalho com um poema mais longo de Shelley (2.600 versos), que é o Prometheus Unbound. Também recentemente traduzimos, eu e mais alguns colegas e professores da UFPR, o Paradise Regained de Milton, a continuação do Paradise Lost, e estamos procurando editoras interessadas em publicá-lo.

.

Adriano Scandolara

Blog: leitorhipocrita.blogspot.com

Clique para ler a tradução ganhadora do concurso

.

.

o silêncio

tange o sino

de tão leve

ninguém escuta

Mariana Botelho

.

Assista a entrevista da jovem poeta ao programa Imagem da Palavra, da Rede Minas de TV:

Entrevista de Mariana Botelho ao Programa Imagem da Palavra, da Rede Minas de TV

Fonte: Rascunho

Refluxos, do novo contista Edson Valente, no Jornal Rascunho

Clique para ampliar e ler a matéria completa

Pequenos contos da atualidade

“Falar é cantar”, lembrou o professor universitário Paulo Vasconcelos, em entrevista ao Blog da Ateliê, ao discutir as maneiras de contar histórias numa sociedade high-tech. Paulo Vasconcelos também é contista, poeta e colabora com o Blog Mel.. Da.. Palavra, entre outros.

.

O que tem mudado na forma de contar histórias com o crescimento da comunicação por meio de blogs e microblogs?

A fala é imprescindível e insuperável. Na história aparecem várias linguagens, desde a gestual, a imagem de quem conta e a proximidade até mesmo com cheiro. O grupo conta, no bar, na esquina no ponto de ônibus etc. Agora, há outras modelizações das histórias, acompanhando o viés da história mundial e das novas tecnologias da comunicação. Como por exemplo, a Literatura de Cordel, que nunca esteve tão em alta como agora. Ela está sendo vendida em livrarias, como acontece no Nordeste.

Professor e Contista Paulo Vasconcelos fala sobre formas de contar histórias

Por outro lado, há grupos que se formam para discutir e criar em vários estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Paraíba e outros. O movimento negro, aqui em São Paulo, vem trabalhando isto. Falar é cantar, não esqueçamos disto. E nós assim o fazemos, sem ter consciência, tirando algumas vezes no discurso amoroso ou nas histórias para impressionar.

Que influência isso terá quanto ao envolvimento da sociedade com a literatura?

Não tenho argumentos decisivos quanto a lhe responder isto. Contudo, a literatura escrita tem um impasse face ao preço. Mas penso que o processo editorial vem se expandindo com o crescimento das classes sociais e suas mudanças de patamar. Temos a expansão das Bienais em todo o mundo, inclusive na América Latina. Agora, a literatura oral ocorre sempre e o fará num paralelo à escrita. A periferia é hoje núcleo produtor de literatura, a ponto de universidades formarem núcleos de estudos, como acontece no Rio, com a coordenação de Heloísa Buarque de Holanda.

Read the rest of this entry »

O Altar & o Trono, de Ivan Teixeira, é destaque na Revista Veja

(por Jerônimo Teixeira)

O escritor da moda

Uma análise renovadora de Machado de Assis mostra a importância de um jornal feminino para a composição de O Alienista.

Como muitos grandes escritores, Machado de Assis (1839-1908) tornou-se o centro de um culto – um culto laico, mas nem por isso desprovido de sua mitologia. A lenda machadiana, em sua versão mais corrente, fala de um homem dividido. Na face pública, era um discreto e acomodado funcionário público, fundador da Academia Brasileira de Letras, saudado por seus pares como o grande mestre das letras nacionais. Um verdadeiro “medalhão”, para usar o termo de um de seus contos. O escritor, porém, pairava além e acima desse figurino convencional: um demônio da crítica social, foi o flagelo da elite monárquica – que, tão perversa quanto estulta, jamais compreendeu a arte irônica e dissimulada contida em obras como Dom Casmurro.

Em O Altar & o Trono (Ateliê/Unicamp; 432 páginas; 79 reais), Ivan Teixeira, professor de literatura brasileira da Universidade do Texas, em Austin, procede a um minucioso exame de O Alienista, uma das obras mais conhecidas de Machado de Assis, e das circunstâncias de sua publicação em um jornal feminino do Rio de Janeiro (sim, o gênio imortal escrevia para uma folha de modas). Concluiu que Machado de Assis nunca foi o revolucionário escondido no armário que certos críticos criaram. Sua literatura, ao contrário, ecoava ideias de parte considerável da elite do tempo. Machado de Assis, o integrado: eis aí uma afirmação que soará como heresia naqueles meios acadêmicos dominados pela literatura ideológica de Machado, especialmente aquela proposta pelo crítico marxista Roberto Schwarz. Não é a única inovação de O Altar e o Trono, obra que desde já se destina a ser referência incontornável na bibliografia machadiana.

Clique nas imagens abaixo para ampliar e ler a matéria completa

Livro O Altar & o Trono, de Ivan Teixeira, na Revista VejaO Altar & o Trono, de Ivan Teixeira, na Revista Veja

Marcelino Freire contou ao Suplemento Pernambuco dos seus dez anos de literatura e um pouco de sua trajetória desde quando saiu de Pernambuco para São Paulo.
[João Alexandre] foi a um encontro que eu e o escritor Evandro Affonso Ferreira organizávamos. “Vou ajudar você”, disse JAB
E ajudou.
Indicou-me para a Ateliê Editorial. Escreveu o prefácio do livro. Igualmente lembro: quando o telefone tocou. “Marcelino, é João Alexandre.” E, generosamente, leu o prefácio em primeira mão. Sim, ao telefone. Meu coração ouvindo, pulando, em silêncio. Publicou o mesmo prefácio na revista Cult.
Ave! Eternas saudades idem. Do grande João! Morto no ano de 2006. Inesquecível. Cada conselho que ele me deu. E outra alegria que ele me deu: a amizade que tenho até hoje com o editor Plínio Martins, da Ateliê. Parceiro pra valer. Plínio preparou a edição do Angu do jeito que eu havia imaginado. Com as fotos que o meu amigo Jobalo especialmente fez. Jobalo que, inclusive, me emprestou o título do livro.
Leia a matéria completa na versão digital do jornal abaixo:

(Por EUCLIDES SANTOS MENDES)

O Altar & o Trono – Dinâmica do Poder em O AlienistaEm entrevista ao caderno Ilustríssima, o professor de literatura brasileira na ECA-USP Ivan Teixeira comenta a novela “O Alienista”, em que Machado de Assis (1839-1908) discute o significado da loucura na sociedade do seu tempo. Teixeira é autor do livro O Altar & o Trono – Dinâmica do Poder em O Alienista (Ateliê/ Editora da Unicamp, 432 págs., R$ 79).

“O Alienista” foi originalmente publicado em 1882, na coletânea “Papéis Avulsos”.

Folha – Como surgiu a novela “O Alienista”, de Machado de Assis?

Ivan Teixeira – Há duas hipóteses. Em primeiro lugar, acredito que “O Alienista” tenha surgido da necessidade do escritor em preencher seu espaço regular em “A Estação – Jornal Ilustrado para a Família”. Esse periódico de moda feminina pertencia a um grupo internacional alemão que editava 20 jornais em 19 idiomas. Quando se tratou de atribuir feição local a ele, criou-se uma seção literária. Machado de Assis tornou-se não só o principal colaborador, mas também uma espécie de editor do caderno. Permeneceu 19 anos nessa função. Essa é uma das hipóteses de meu livro. Em segundo lugar, “O Alienista” explica-se como intervenção artística do autor em questões cruciais de seu tempo como: pretensões da igreja no Estado moderno, intervenção da medicina na vida da cidade, noção de unidade política no Império, conceito de loucura e função social do hospício. Além disso, a novela tematiza a necessidade de equilíbrio diante da moda e da vaidade. Fala também do mau uso da imprensa. Tudo isso é abordado por meio do humor. Integrada à dinâmica do periódico em que foi publicada, a novela pretendia oferecer à nascente elite feminina do Império um modo desconfiado de interpretar questões culturais relevantes para o momento. (Continue lendo a entrevista)

Caminho do escritor até publicaçãoO último Sabático do Estadão fala sobre o caminho incerto que escritores percorrem até sua publicação em uma grande editora. A matéria trouxe tanto o ponto de vista dos editores, que recebem muitos originais, quanto dos autores, que precisam decidir para qual ou quais editoras enviar seus originais. O critério da editora na seleção dos originais pode depender de indicações, da apresentação do original e até da habilidade dos agentes.

O Sabático enviou questões para dezenas de escritores para levantar revelar informações sobre as etapas para a publicação de um livro e para comparar o mercado editorial atual com o de décadas atrás.

O Sabático resolveu saber dos próprios autores qual o impacto de uma grande editora em sua carreira, como foi o caminho até ela e como se sentem a respeito numa época em que, cada vez mais, sugem boas casas de pequeno ou médio porte no País – como a 34, a Iluminuras e a Ateliê Editorial…

Dentre os entrevistados, Marcelino Freire, autor de alguns livros pela Ateliê, disse:

Já na Ateliê, com o Angu de Sangue, em 2000, minha vida literária mudou. Fui bastante resenhado, divulgado. Não sou desses que ficam com a bunda na cadeira, reclamando de editor.

Leia a matéria completa

A Arte do Zajal – Estudo de Poética ÁrabeProfessor da USP e poeta Michel Sleiman foi entrevistado por Oscar D’Ambrosio, no programa Perfil Literário, da Rádio Unesp FM. Na entrevista, o autor conta sobre seu contato com a poesia desde cedo e o porque resolveu voltar às suas origens e estudar as formas de expressão da poesia árabe, em especial, o zajal andalusino. O resultado disso foi a publicação da obra A Arte do Zajal – Estudo de Poética Árabe.

.

.

Ouça a entrevista (32 minutos):

entrevista