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O grito dos porcos: Memória Futura no Estado de Minas

Fonte: Pensar| Estado de Minas

Memória Futura, último livro de poesia de Paulo Franchetti, foi resenhado por Anelito de Oliveira para o jornal Estado de Minas. Leia alguns trechos:

O horizonte preferencial da poesia sempre foi o presente, mesmo, ou sobretudo, no seu “momento futurista” (Perloff). São apreensões do presente que movem as vanguardas das primeiras décadas do século 20 – reverberar na escrita, por exemplo, a velocidade das máquinas.

Memória futura, coletânea de poemas de Paulo Franchetti publicada pela Ateliê Editorial, apenas aparentemente abre mão do tensionamento do presente. No fundo, evoca uma perspectiva de futuro para se relacionar de modo mais crítico, digamos, com o presente – e o mais candente presente, o agora.

Pode-se dizer que Memória futura consiste num renitente esforço de presentificação desse lugar por signos de organicidade, de naturalidade, como carne (“Ouvir o chamado da carne”), terra (“Colocava a terra dentro dos vasos”), fogo (“Todos os fogos queimam”) e sangue (“O sangue insiste/ Como um pensamento”).

Nas conversas que trava com seus “precursores” remotos e recentes – Yeats, Hopkins, Pound, Hilda Hilst e Ana C. –, percebe-se, especialmente, a fatalidade como traço da relação entre poeta e mundo, como o estranho está fadado a se esbarrar nos muros do “bios”, em todos os sentidos, da vida.

Num dos mais belos poemas desta coletânea, que vale muito pelos problemas que circunscreve, diz, organicamente, o poeta Franchetti: “Na infância, inutilmente gritavam os porcos/ A caminho do abate./ Muitas vezes esses gritos me fizeram perguntar/ Para quem, por quem, com que sentido”. Assim são os poetas.

Livro traz visão geral e prática da linguística cognitiva

por Alex Sens | @alexsens

“Cognição é a capacidade que os seres humanos têm de processar informações adaptando-se às mais variadas situações possíveis, num curto espaço de tempo.” É dessa maneira simples e direta que Antônio Suárez Abreu, professor titular de Língua Portuguesa da Unesp, nos apresenta a ideia da cognição em seu mais recente livro Linguística Cognitiva – uma Visão Geral e Aplicada. Aqui, não só interessa o conceito puro, mas aplicado à linguagem: “Dentro de uma visão moderna, superando antigas divisões, a cognição humana engloba a linguagem, a memória, o raciocínio lógico, as emoções e a motivação. […] Em consequência dessa visão, o princípio básico da linguística cognitiva é o de que a linguagem não é uma faculdade autônoma em relação às outras faculdades humanas como a visão, a audição, a memória, a capacidade de pensar e de se emocionar.”

Breve volume dividido em dez capítulos, Linguística Cognitiva é de fácil acesso, com exemplos variados e um rico apelo para situações do dia-a-dia em que a cognição enquanto linguagem está aplicada. Abreu explora desde a categorização de seres e coisas, criando assim as capacidades de organização e comunicação como fatores essenciais à evolução e sobrevivência humanas, até a gramática cognitiva, cujo papel é mediar a passagem de significados em sons e vice-versa. O autor também destrincha o conceito de “linguagem corporificada”, contrário à teoria de divisão entre mente e corpo: “Nossa percepção de realidade é construída pelo formato do nosso corpo, pela maneira como ele se movimenta, pelo jeito como nossos sentidos percebem a realidade à nossa volta, pela forma como interagimos com o mundo, seus seres e objetos”.

Há ainda algumas amostras de esquemas de imagem, responsáveis por projeções metafóricas que auxiliam na comunicação; uma breve explicação sobre frames e scripts, dispositivos ligados à imaginação e à ordenação cronológica;  um estudo sobre metáfora e metonímia, duas das principais figuras de linguagem comumente usadas, sendo a primeira uma espécie de indumentária emocional ao que se deseja expressar ou um recurso argumentativo, e a segunda um entendimento do todo pela parte, ambas ativadas pelos frames. Outros tópicos da retórica e da estilística também são estudados, como a integração, a diferença conceitual entre história, parábola e provérbio, iconicidade e espaços mentais.

Linguística Cognitiva é uma obra-guia que mescla conceitos neurocientíficos e sociolinguísticos: apresenta um pouco de História ligada à linguagem, esta à nossa vida, e finalmente a vida como dependente absoluta das várias formas que os seres humanos encontraram para se relacionar, sobreviver e, sobretudo, criar.

Suplemento Literário destaca poesia de Mariana Botelho

Mariana Botelho terá seu primeiro livro de poesia lançado pela Ateliê Editorial em breve, mas mesmo antes de chegar ao grande público sua obra já é destaque no Suplemento Literário de Minas Gerais. Leia alguns dos poemas selecionados pelo periódico para sua edição de abril.

amanhecer

ter o silêncio incrustado de
pássaros

vê-lo desfazer-se logo em
crianças

sentir-se pleno de
chuva nos
olhos

.

dor

cada dor
que passa
arranca lascas
desses ombros frágeis

fico cada
vez
menor
quando essa dor
me escreve

.

gruta

um corpo feito de aberturas
onde
silêncios entram
saem
como águas de longe

fonte

foz de um rio

vozes

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Não perca o lançamento do livro O Nome do Cuidado na FCM-Unicamp

A Liga de Homeopatia e a Liga de Medicina Integrativa da FCM-Unicamp convidam a comunidade acadêmica a assistir: O Nome do Cuidado

Filme de Leo Lama, Paulo Prestes Franco e Paulo Rosenbaum, que fala da relação entre médico e paciente, a partir da interpretação de um texto médico-filosófico. Após a apresentação, haverá um debate sobre o tema, no qual estarão presentes Leo Lama (diretor) e o Dr. Paulo Rosenbaum (médico homeopata formado pela FMUSP).

Dia 26/4 (2ª feira) às 18:45 no Salão Nobre – FCM