Renata Albuquerque

“A Casa dos Seis Tostões” mostra o paraíso para leitores inveterados

A Casa dos Seis Tostões, livro de Paul Collins, não é uma ficção, mas bem poderia ser. O livro se passa na vila de Hay-on-Wye, a “Cidade dos Livros”, que ostenta mil e quinhentos habitantes e quarenta livrarias, uma média de uma livraria para cada 37 habitantes.Um verdadeiro paraíso para quem gosta de ler. Só para se ter uma ideia, no Brasil, existe uma livraria para cada 64 mil habitantes. E, como a Ateliê Editorial é uma casa que adora livros e tem vários títulos de “livros sobre livros”, não poderia deixar de apresentar essa obra a seus leitores. Por isso, pediu a Marcelo Rollemberg que preparasse uma tradução do original e agora lança a edição brasileira do livro.Ficou curioso ou curiosa? Veja o que a crítica internacional já falou a respeito da obra:

 

Um academicismo pasmante e admirável está no centro de A Casa dos Seis Tostões, um cativante livro sobre as memórias dos casos de um bibliófilo quixotesco. Uma narrativa encantadora. – The Onion

 

Collins tem algo a dizer sobre o que os livros significam e sobre o que o tratamento que nossa sociedade dá a eles diz sobre nós […] [Collins é] um tipo de World Wildlife Fund (WWF) de um homem só para os livros fora de catálogo, quanto mais ameaçados de extinção, melhor. – Village Voice

 

A Casa dos Seis Tostões é uma ode à Inglaterra, uma elegia a um passado inalcançável e uma aceitação final e relutante da América. Acima de tudo, porém, é uma celebração de tudo que é curioso e estranho e que vem do coração. – The Oregonian

 

O delicioso livro A Casa dos Seis Tostões deve atrair aqueles que anseiam pelo odor de velhos tomos embolorados, gente que não consegue pensar em nada melhor que perambular sem rumo por vastas pilhas entulhadas de livros (de preferência conforme uma fina neblina ergue-se lá fora) […] Onde quer que esteja, é com os livros que Collins parece mais em casa. – Miami Herald

casa dos seis tostoes

Collins conta sua história com charme, temperando-a com citações e anedotas tiradas de livros encontrados em Hay e de sua própria memória. As personagens provincianas de Collins – do advogado imobiliário passivo-agressivo ao abastado e intratável Richard Booth, proprietário da livraria mal administrada na qual Collins tenta estabelecer uma seção de literatura americana – são todas traçadas de forma memorável, assim como os castelos dilapidados, as acomodações e os pubs da própria cidade. – Newsday

 

Collins é um excelente narrador […] Seus encontros com advogados, corretores, lojistas e proprietários de casas são irônica e intensamente cômicos. – New York Sun

 

A história da mudança e do período que passou em Gales […] se tornam o pano de fundo no qual pendurar algumas das mais fascinantes digressões que jamais tive o prazer de cruzar […] Collins me fez encasquetar com a leitura de livros como Treatise of Insanity in Its Medical Relations, do dr. William Hammond (1883) e The Gentil Art of Faking, de Riccardo Nobili (1922). – Readersville

 

Uma história encantadora, humana e atraente. – Library Journal

 

Collins tem um estilo sedutor, e a descrição da cidade galesa que adotou é informativa e divertida […] Ele escreve hilariamente sobre a publicação de livros […] Também devemos ao autor a apresentação de luminares literários que não mereciam ter sido esquecidos, como Erik von Kuehnelt-Leddhin. Um presente para o bibliófilo. – Kirkus Reviews

 

Um livro de memórias pessoais descontraído, agradavelmente incoerente, muitas vezes espirituoso. – Christian Science Monitor

 

A Casa dos Seis Tostões é um cativante livro sobre livros e sobre as pessoas que vivem em meio a um número incontável deles na pequena cidade galesa cujo nome se tornou sinônimo de bibliomania. Paul Collins descreve com igual afeição alguns dos estranhos volumes e estranhos tipos que habitam as prateleiras e os corredores das muitas livrarias de Hay-on-Wye. – Henry Petroski, autor de The Book on the Bookshelf

 

Se você sonha em viver cercado de livros, é impossível escolher um destino melhor que Hay-on-Wye, no País de Gales […] O amor [de Collins] por suas excentricidades chega ao leitor em alto e bom som, assim como seu amor pelos livros. Acrescente este aos clássicos das vidas livrescas nas suas estantes. – New Orleans Times-Picayune

 

Espirituoso e engraçado. – Publisher’s Weekly

 

A Casa dos Seis Tostões […] é mais do que um cativante diário de viagem sobre a aventura da família. É a história dos livros em si: como são escritos, lidos, ou não lidos, como vêm a ser publicados e deixam de ser publicados, e como são destruídos. E finalmente, mas não menos importante, é a história de como um jovem casal, com o filhinho a reboque, teve coragem o bastante para realizar seus sonhos. – Bookpage

 

“Um livro delicioso.” – Los Angeles Times

 

“O coração real e envolvente da história é o amor de Collins pelos livros e outras pessoas que também os amam […] Collins divaga sobre livros antigos da mesma forma que o resto de nós se lembra de amores perdidos.” – San Francisco Chronicle

 

“Divertido, informativo […] e repleto de referências interessantes.” – Washington Post

 

“Ler sobre essa lânguida estadia em Hay é tão agradável quanto visitar uma de suas livrarias, porque Collins – colaborador da McSweeney’s e bibliófilo versado em leituras estranhas – oferece, para cada ocasião, um divertido excerto tirado de algum velho volume esquecido.” – Entertainment Weekly

 

“O deleite de um amante dos livros […] Collins discorre muitas vezes sobre a impermanência dos livros, mas esse vai adornar as prateleiras por muitos anos.” – Booklist

 

“A resposta do bibliófilo a Um Ano na Provence.” – Boston Globe

 

Sucesso do americano Paul Collins, A Casa dos Seis Tostões ganha tradução da Ateliê Editorial

Em elogiada obra autor narra a própria experiência ao se mudar para a “Cidade dos Livros”

CasaPaul Collins e sua família abandonaram as colinas de San Francisco para se mudarem para o interior do País de Gales – para se mudarem, na verdade, para a vila de Hay-on-Wye, a “Cidade dos Livros”. O lugar é considerado um santuário para os bibliófilos, pois com apenas mil e quinhentos habitantes, possui quarenta livrarias. Parece ficção, mas não é.

Em A Casa dos Seis Tostões – Perdido Numa Cidade de Livros, o autor compartilha suas memórias sobre a nova vida, de maneira descontraída, muitas vezes cômica. A obra é a história dos livros em si: como são escritos, lidos, ou não lidos, como vêm a ser publicados e deixam de ser publicados, e como são destruídos.

Com tradução de Marcelo Rollemberg e capa do premiado designer Gustavo Piqueira, o projeto de lançar a obra no Brasil está alinhado com a filosofia da Ateliê Editorial: ser uma editora que tem como objetivo discutir a importância do livro para além de seu projeto estético, servindo da melhor maneira às palavras do autor.  “Se você sonha em viver cercado de livros, é impossível escolher um destino melhor que Hay-on-Wye, no País de Gales […] O amor [de Collins] por suas excentricidades chega ao leitor em alto e bom som, assim como seu amor pelos livros. Acrescente este aos clássicos das vidas livrescas nas suas estantes”, destaca o New Orleans Times-Picayune.

 

Serviço

Bibliomania

Formato: 14 x 21 cm

Número de páginas: 272

ISBN: 978-85-7480-729-4

Preço: R$ 58,00

 

Sobre a Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial está no mercado desde 1995, atuando principalmente nos segmentos de literatura – ensaios, crítica literária e outras matérias de natureza acadêmica; comunicação e artes; arquitetura; edição de clássicos da literatura; e estudos sobre o livro e seu universo. O objetivo desta casa é levar ao público leitor livros de alta qualidade editorial, em edições cuidadosas que primam pela atenção ao conteúdo, à forma e à expressão. Isso transparece tanto nas capas quanto no rigor e fidelidade textual, o que pode ser comprovado pelos diversos prêmios nacionais e internacionais já recebidos pela editora – como Jabuti, APCA e IDA International Design Awards (EUA).

Site: www.atelie.com.br

Blog: blog.atelie.com.br 

Twitter: @atelieeditorial

Facebook: https://pt-br.facebook.com/atelieeditorial

Contatos para Imprensa:

Milena O. Cruz

imprensa@rda.jor.br

Tel: (11) 4402-3183/(11) 98384-3500

 

 

Descendentes de Leonardo Da Vinci

Renata de Albuquerque

leonardo-da-vinci-retratoOs pesquisadores italianos Agnese Sabato e Alessandro Vezzosi anunciaram em abril a descoberta de descendentes da família do gênio Leonardo da Vinci.

Até então, acreditava-se que a família poderia ter sido extinta, mas as pesquisas, que começaram na década de 1970, mostraram o contrário. Segundo informações, foram encontrados 35 descendentes do autor de Os Cadernos Anatômicos de Leonardo da Vinci.

Como o artista italiano não teve filhos, os descendentes são da linhagem de seus irmãos e irmãs. Os pesquisadores conseguiram reconstituir sua árvore genealógica e identificar sepulturas de familiares de Da Vinci com a ajuda de documentos encontrados em igrejas e em registros prediais.

Sementes de sentido em Girassol voltado para a terra podem germinar em aulas de interpretação de texto

Katherine Funke*

 

Em Girassol voltado para a terra (Ateliê Editorial, 2016), o escritor e psicanalista Renato Tardivo (SP) nos presenteia com sementes para histórias nunca ditas ou escritas por inteiro, mas certamente, por isso mesmo, íntegras: vividas ou vislumbradas de modo singular a cada leitura.

A alta concentração de sentido em um mínimo espaço escrito expande o poder da ficção à máxima potência. Quando bem feito, o microconto “explode” dentro do olho/corpo/mente do leitor. Já o primeiro texto do volume deixa essa provocação:

 

Volta

Há dias que, de tão reais, dão a volta toda. Viram ficção.

Um cronista teria uma história real para justificar a ideia central de “Volta”. Um contista convencional inventaria outra, talvez até mesmo duas, paralelas, mas não chegaria a conclusão alguma, deixando algumas pistas para esta verdade oculta. Já um romancista escreveria 300 páginas e este seria o slogan do livro…

Girassol voltado para terra 1

Ilustração de Anna Anjos

Tardivo, econômico e direto, opta por ocultar qualquer enredo superficial, qualquer enredo exemplar que dê uma forma fechada à história. Em vez disso, deixa vir à tona apenas a “verdade”, aquilo que é essencial e inegável, mas quase sempre fica oculto no cotidiano do próprio uso da linguagem. O “resto”, no caso, a história não contada, o que o levou a chegar a este aforisma conclusivo, é com o leitor.

Dessa forma, Girassol surge como esfinge que pede para ser decifrada ou poderá nos devorar. A epígrafe escolhida abre caminhos para o entendimento desta proposta do livro. É de Maurice Merleau-Ponty: “Toda tentativa de elucidação traz-nos de volta aos dilemas”.

Embora traga contos curtíssimos, aforismas e sementes de sabedoria, o livro não nasceu rápido. Foram anos de maturação de cada palavra. Enquanto o escrevia, Renato lançou outros livros, continuou trabalhando, vivendo, elucidando e voltando aos dilemas, a cada dia.

A falta de pressa fez bem ao contista. Sementes de girassol precisam mesmo de tempo para, quando forem plantadas, eclodirem com toda força: de poesia.

 

Sala de aula

Quem pretende trabalhar com este livro em sala de aula recebeu um presente e tanto. Para quem quer propor exercícios de interpretação de texto, cada página do livro é uma possibilidade. Vejamos, por exemplo, a página 35 de Girassol voltado para a terra:

 

“Ponto final

 

Ela é exclamação; ele, interrogação.”

 

O que aconteceu? Alguém terminou um relacionamento? Mas quem? Como? Em um tempo em que a síntese está cada vez mais presente na vida cotidiana, instigar a interpretação de texto pede atenção plena do aluno e uso do pensamento lógico, além da sensibilidade poética. Estimula a expressão e a desinibição. Afinal, falar/escrever pouco, comunicar-se o tempo todo em códigos, pode levar a muitos malentendidos. Principalmente, o entendimento de si mesmo, que é a base da felicidade; depois, o entendimento do outro e do mundo, compreensão que é a base da comunicação e, portanto, de bons relacionamentos.

Para quem quer propor criação de texto, Girassol também surge como ponto de partida. De cada microconto, pode nascer um conto único, original, singular para cada leitor. Este é um exercício possível a partir do livro: os textos de Tardivo (com os devidos créditos, claro) podem ser levados para dentro de novos textos, tornando-se trechos de outras histórias.

Ilustração de Anna Anjos

Ilustração de Anna Anjos

Um segundo exercício de criação literária, um pouco mais complicado, é tentar, como Tardivo, chegar à exatidão com poucas palavras. Contudo, um bom microconto não pode desperdiçar tempo nem espaço. “Em um conto bem-feito, as três primeiras linhas têm quase a mesma importância das três últimas”, escreveu o uruguaio Horácio Quiroga no conhecido “Decálogo do perfeito contista”, um conjunto de ideias mais ou menos polêmicas sobre a arte do conto.

Quando tentamos aplicar essa premissa de Quiroga ao microconto, como fica? No micronto, todas as linhas, as primeiras e as últimas, coincidem em importância. Cada palavra, vírgula, pausa, ponto, deve assumir seu lugar exato, para que o contista passe adiante o vislumbre, a epifania ou iluminação profana que o levou a escrever.

Um exercício possível é propor uma ação incompleta e pedir para o aluno finalizar. Por exemplo: “Abriu o livro e leu…”? Cada um poderá completar como quer. Depois, colocar o título. Que pode fazer nascer, por exemplo, uma contradição iluminadora. (Como: “Cartório. Abriu o livro e leu seu atestado de óbito.” Acabo de inventá-lo; para ver como é um exercício fácil e divertido.)

Aprendi essa brincadeira boa com o escritor pernambucano Marcelino Freire,  em uma oficina literária em Curitiba (PR), e gosto de aplicar com os meus alunos. Adoro ver o que se passa a cada recriação da cena. Pode-se ir do poético ao escatológico, do humano ao desumano, do sublime ao diabólico, em menos de um minuto. Em duas ou três palavras diferentes. É o conhecimento do poder a linguagem exposto sem mediação.

Outro bom modo de iniciar-se na escrita de microcontos é escolher títulos abertos e propor aos alunos que escrevem sob este guarda-chuva inicial. Os títulos completam o sentido do que vem a seguir, em uma relação simbiótica que não se vê tão íntegra em todos os gêneros literários. O livro de Renato Tardivo está cheio de bons exemplos nesse sentido.

 

Olhos, foguetes, conchas

O cuidadoso trabalho gráfico da Ateliê Editorial torna o livro um ótimo presente. É um livro-objeto, com páginas cuidadosamente diagramadas e papel bem escolhido para dar vida e destaque aos microcontos.

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Na capa, o desenho de Anna Anjos mira o leitor: convida a abrir o livro e olhar para a terra para onde olha o Girassol, este solo onde linguagem é vida, onde vivemos todos, mas nem todos sabemos dizê-lo com tamanha precisão.

Nas páginas internas, os mesmos olhos abstratos e futuristas parecem ter se transformado em foguetes, onde o leitor pode entrar e partir para as dimensões ocultas nas verdades relevadas. Foguetes, sim, ou conchas, ou outra imagem à sua escolha (depende de quem olha, e quando o faz), isto é, lugares seguros onde se podem dizer certos segredos.

O chão que sustenta Girassol é formado de silêncios e de descobertas, vislumbres e epifanias. Portanto, solo fértil para o leitor atento, que se une ao movimento de Girassol. O escritor Nelson de Oliveira, no prólogo, destaca a interação proporcionada por esse tipo de escrita: o leitor é convidado a preencher a História, as camadas de história não-ditas, mas contidas na sabedoria do microconto.

Girassol Voltado para a Terra, com suas sementes de histórias, seus olhares, foguetes e conchas, nos convida a interagir e pensar. A leitura do livro de Renato Tardivo, se não elucida dilemas, ao menos nos mostra que pode valer a pena tentar. Mesmo que demore anos, que seja preciso antes outros voos, outros silêncios, este movimento de olhar para dentro (para a terra, de onde viemos, para onde vamos) é, talvez, o que nos falta em nossa rotina cada vez mais verborrágica, cheia de palavras mas tão vazia de sentido e plenitude.

 

 

* Escritora, 34 anos, está ministrando o Curso Livre de Contos na Biblioteca de Pirabeiraba (livre2016.tumblr.com ) , em Joinville (SC), em projeto selecionado pela Bolsa de Fomento à Literatura do Ministério da Cultura. Escreveu outra resenha de Girassol voltado para terra em seu blog pessoal, Histórias da Katherine (historiasdakatherine.wordpress.com) .

Unicamp – Lista de livros obrigatórios para o vestibular 2017

unicampA Unicamp divulgou a lista de leituras obrigatórias para quem vai prestar vestibular em 2017. São doze obras, todas em língua portuguesa, que contemplam teatro, contos, poesia e romance.  Entre as novidades, estão obras de Jorge de Lima, Camilo Casteli Branco e Érico Veríssimo. Confira:
Poesia:
Luís de Camões, Sonetos.
Jorge de Lima, Poemas Negros 

Contos:
Clarice Lispector, Amor, do livro Laços de Família.
Guimarães Rosa, A hora e a vez de Augusto Matraga, do livro Sagarana.
Monteiro Lobato, Negrinha, do livro Negrinha.

Teatro:
Osman Lins, Lisbela e o prisioneiro.

Romance:
Aluísio Azevedo, O cortiço.
Camilo Castelo Branco, Coração, cabeça e estômago.
Érico Veríssimo, Caminhos Cruzados.
José de Alencar, Til.
Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Mia Couto, Terra Sonâmbula.

Para que os estudantes tenham acesso a edições comentadas, que ajudam a entender não só a obra, mas o contexto em que ela foi escrita, a Ateliê preparou um pacote promocional, com obras do vestibular da Unicamp.

E, se você também vai prestar a FUVEST, a Ateliê tem um pacote de livros da FUVEST também!

Lista de livros com leituras obrigatórias Fuvest 2017

fuvest

A Fuvest divulgou a lista de livros de leituras obrigatórias para quem vai prestar vestibular nos próximos três anos, tanto para a USP quanto para a Santa Casa. São nove obras, todas em língua portuguesa, de prosa e poesia, que acolhem desde autores já clássicos, como Machado de Assis, como contemporâneos, como Pepetela. Confira:

Iracema – José de Alencar;

Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis;

O cortiço – Aluísio Azevedo;

A cidade e as serras – Eça de Queirós;

Capitães da Areia – Jorge Amado;

Vidas secas – Graciliano Ramos;

Claro enigma – Carlos Drummond de Andrade;

Sagarana – João Guimarães Rosa;

Mayombe – Pepetela.

Para facilitar a vida dos estudantes, a Ateliê preparou um pacote especial com livros da Fuvest.

E se você também vai prestar Unicamp, a Ateliê tem um pacote com os livros obrigatórios para esta prova também!

Âncora Medicinal: Um registro histórico sobre nutrição

Alex Sens*

Por mais que os meios de comunicação produzam e divulguem formas variadas de nutrição, hábitos alimentares e discutam culturas gastronômicas tão visualmente estimulantes a fim de se repensar a saúde e o bem-estar humano em diversas áreas do cotidiano, é uma tarefa mais difícil e talvez impossível tocar a história da alimentação, entender sua raiz, como ela teve início, onde e como se apoiam as publicações hodiernais e o quanto estas são ou não afetadas por antigas tradições. Existe um número absurdo de publicações impressas sobre como se alimentar bem, tanto a partir de receitas quanto a partir de pesquisas médicas, no entanto, a título de curiosidade e valor históricos, é interessante saber como chegamos até aqui, o que ainda comemos, bebemos e preparamos em comparação com nossos antepassados.

Sem t’tulo-8Publicado pela primeira vez em 1721 e reeditado com glossário e linguagem atualizada por uma equipe de professores universitários quase três séculos depois, o compêndio nutricional Âncora Medicinal — Para Conservar a Vida com Saúde, de Francisco da Fonseca Henriquez, não é apenas o primeiro tratado sobre alimentação em língua portuguesa, nem apenas um registro de historicidade médica, mas também, e sobretudo, uma obra que discute e enfatiza a importância de ter uma boa qualidade de vida e os meios para se obtê-la. O autor, mais conhecido como Dr. Mirandela, foi médico do rei D. João V e cuidadosamente criou essa espécie de manual que mostra em suas 300 páginas que tanto os alimentos quanto os sentimentos, as chamadas “paixões da alma”, afetam diretamente a saúde e o funcionamento do corpo.

Logo no início, o médico apresenta as seis coisas “não naturais” que conservam a saúde: o ar ambiente, o comer e o beber, o sono e a vigília, o movimento e o descanso, os excretos e os retentos, e finalmente as paixões da alma. Conforme explica, antes de longos capítulos em que destrincha cada um desses itens,

“quem respirar bons ares, quem, com moderação e prudência, usar bons alimentos, quem dormir com sossego as horas que bastem, quem fizer exercício como deve, quem trouxer a natureza bem regulada nas suas evacuações e quem não tiver paixões que lhe alterem a harmonia dos humores não pode deixar de ter boa saúde”.

Ao longo de várias seções, Dr. Mirandela cita os pensamentos e os legados de Pitágoras, Aristóteles e Hipócrates, usando a história para enfatizar suas próprias lições. Comenta a importância de comer com moderação, pois, mesmo os melhores alimentos, “tomados com insaciável voracidade”, são sempre danosos, além de discutir a frequência da alimentação e a famosa e antiga questão sobre o quanto comer no almoço e no jantar.

Algumas curiosidades saltam aos olhos durante a leitura das seções sobre alimentos específicos, como no caso dos pães, grãos e carnes, sendo estas “de animais machos melhores que as das fêmeas porque os machos têm maior calor e agilidade”, além da informação no capítulo sobre entranhas de que testículos de animais novos “nutrem muito”. Há um longo capítulo sobre ovos e peixes, outro sobre legumes, em que a chicória aparece como uma “hortaliça verdadeiramente toda medicamento” e a acelga que “purga as umidades da cabeça” quando seu sumo é sorvido pelo nariz. Em raízes, descobrimos que o cozimento da raiz e das sementes do aspargo era indicado para dor de dente. Em seguida, o médico registra uma rápida explicação sobre os diversos tipos de água, como bebê-la e sua temperatura ideal. Antes de concluir a edição com um glossário muito interessante que nos mostra o uso de algumas palavras de caráter médico do século XVIII, o leitor ainda descobre para quê e quando eram e não eram receitadas bebidas alcoólicas como cerveja e vinho, que quando doces, são recebidos pelas entranhas “com desejo”.

Âncora Medicinal é isso: um livro que mostra com clareza e simplicidade que a saúde se sustenta por duas bases muito ensinadas, repetidas e conhecidas até hoje: exercícios físicos e alimentação moderada. Além disso, é um retrato curioso, instigante, verdadeiro e às vezes estranho sobre um tempo distante num mundo distante, no entanto também muito próximos dos nossos.

*Escritor, nascido no ano de 1988 em Florianópolis, SC, e radicado em Minas Gerais. Publicou Esdrúxulas, pequeno livro de contos de humor negro e realismo mágico, seguido pelo livro artesanal Trincada. Teve contos e poemas publicados em sete coletâneas e em revistas literárias virtuais, assim como resenhas de livros, entrevistas e críticas em sites de jornalismo cultural. O Frágil Toque dos Mutilados (Autêntica Editora, 2015), seu romance de estreia, venceu o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2012 na categoria Jovem Escritor.

Ateliê Editorial lança Bibliomania

Marisa Midori Deacto e Lincoln Secco compartilham homenagens, impressões, histórias, memórias e ensaios sobre o mundo dos livros

Bibliomania“Escrever sobre livros é tarefa sem fim”, diz Marisa Midori Deacto na abertura de Bibliomania. No entanto, o material que ela e o autor Lincoln Secco produziram sobre o tema nos dois anos que escrevem para a Revista Brasileiros permitiu a criação de uma bela edição, com capa dura e projeto gráfico de Gustavo Piqueira. Os textos, de curto formato, falam sobre todo tipo de assunto, sendo o livro sempre o protagonista: das mudanças no mercado editorial, até sonhos, fé e razão.

“Recentemente o grande escritor alemão Gunther Grass disse que o livro voltará a ser o que era até um século atrás: um bem valioso que se coleciona e se deixa como herança aos filhos. Um livro assim poderá ser encadernado com beleza. O prazer de ler uma obra assim continuará a ser estético e físico e encantará os olhos antes das mãos, do olfato e talvez dos ouvidos”, diz Lincoln Secco em um dos textos da obra.

Marisa Deacto, por sua vez, afirma em outro: “O livro é uma obra de arquitetura modelar. A peça guarda entre duas capas toda a verdade do mundo. Mas também as maiores mentiras, as crenças, as decepções, as vitórias e as derrotas acumuladas e imaginadas pela humanidade. Não há, enfim, temática ou gênero literário que não caiba em sua superfície.”

Serviço

Bibliomania

Formato: 12 x 16 cm

Número de páginas: 232

ISBN: 978-85-7480-722-5

Preço: R$ 50,00

Sobre a Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial está no mercado desde 1995, atuando principalmente nos segmentos de literatura – ensaios, crítica literária e outras matérias de natureza acadêmica; comunicação e artes; arquitetura; edição de clássicos da literatura; e estudos sobre o livro e seu universo. O objetivo desta casa é levar ao público leitor livros de alta qualidade editorial, em edições cuidadosas que primam pela atenção ao conteúdo, à forma e à expressão. Isso transparece tanto nas capas quanto no rigor e fidelidade textual, o que pode ser comprovado pelos diversos prêmios nacionais e internacionais já recebidos pela editora – como Jabuti, APCA e IDA International Design Awards (EUA).

Site: www.atelie.com.br

Blog: blog.atelie.com.br 

Twitter: @atelieeditorial

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Milena O. Cruz

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Teatro é fantasia

Por: Milena O. Cruz e Renata de Albuquerque

No dia 27 de março comemora-se o Dia Mundial do Teatro. Para lembrar a data, O Blog da Ateliê entrevista Ana Maria de Abreu Amaral. Ela é Professora Titular de Teatro de Animação na ECA/USP, onde orienta pesquisas em pós graduação ligadas ao teatro de bonecos ou teatro de animação. Também é diretora do Grupo O CASULO – BonecObjeto e autora dos livros: Teatro de Formas Animadas, Teatro de Bonecos no BrasilO Ator e seus Duplos e Teatro de Animação (em processo final de tradução para o inglês, para ser editado por uma universidade dos Estados  Unidos), além do livro de poesias Rupturas – poemas em busca de um eixo. Acompanhe:

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Por que se interessou pelo teatro de animação?

Ana Maria de Abreu Amaral: A princípio, foram duas razões. Meu primeiro emprego foi numa  das bibliotecas infantis da Prefeitura de São Paulo, num bairro além da Freguesia do Ó (Cruz das Almas)  em que  poucas  crianças sabiam ler, ou quem lia  engolia logo os poucos livros disponíveis. D. Lenira Fracaroli,  idealizadora, diretora e organizadora dessa rede de bibliotecas infantis em bairros distantes, teve a ideia de nos oferecer, na sede, um curso rápido de uma semana sobre  construção de fantoches, e com isso a atitude das crianças mudou drasticamente. O interesse das crianças pelo teatro improvisado despertou e mudou totalmente  a atitude delas na biblioteca e o interesse pelos livros. Foi  incrível a mudança. Mas  acabei me cansando pela distância, quase ausência de transporte e pedi transferência para uma seção da Biblioteca Central.

Nessa época, antes de tudo, nem livros nem bibliotecas  me interessava. Tudo  que eu lia e vivia era poesia.  Convivia com os poetas jovens da época e a poesia era para mim então fundamental. Entre 1957 e 1960 publiquei  SINCOPE, depois Eu Inconcluso, depois Viagem ao Redor do Espelho, estimulada pela incrível saudação de Sergio Milliet e outros críticos e/ou poetas,  recebendo outras ótimas críticas. Mas foi um tempo curto. Por razões inesperadas, acabei indo para Nova Iorque. Trabalhei alguns meses na biblioteca de  Brooklin, depois na Biblioteca da Nações Unidas. E fui ficando, esquecida de voltar.

Mas… do inesperado surgiu um impacto. Foi quando os bonecos surgiram.Vieram vindo um dia pela 5ª Avenida acompanhados de máscaras, atores, tambores. Foi assim que o Bread and Puppet entrou na minha vida. Bonecos incríveis, enormes, tomando toda avenida, tristes, de branco e negro vestidos, em protesto mudo contra uma guerra que eu nem tinha até então noticia, a guerra do Vietnam. Foi assim enfim que o teatro de bonecos entrou de vez na minha vida. Tímida e queda, por curiosidade, sempre que podia ia ajudar a colar papel ou cellastic nas máscaras ou bonecos políticos de Peter Schumann que com suas incríveis esculturas e personagens enormes protestava já contra a  então  guerra do Vietnam. Essa foi a mudança da minha vida: boneco em teatro para adultos ou crianças por alguma razão virou paixão. Entrei nessa.  Aluguei um quase porão e passei a ter um ateliê onde confeccionávamos e ensaiávamos, pois cheguei a formar um grupo. Lá estreei meu primeiro espetáculo para adultos, político, e sobre um fato real: Palomares.  E assim mudou  minha vida. Até hoje.

Depois de 15 anos em  Nova Iorque, com dois filhos, achei melhor voltar, pois não queria que eles deixassem de ser e viver o Brasil.  Voltei de vez. Passei a dar aula na ECA/USP, achei fundamental ajudar a formar bonequeiros. E essa é minha família, até hoje.

 

Esta é uma modalidade destinada apenas ao público infantil ou também ao adulto?

AMAA: Antes  de tudo acho que arte, teatro, pintura, não tem idade. Não vejo diferença alguma entre teatro para e com crianças ou adultos. As crianças são mais sensíveis, mas por isso mesmo a gente precisa ter em relação a elas mais sensibilidade, pois nem tudo é bom para as crianças. E por influência de Peter Schumann [fundador do Bread and Puppet Theater] passei a entender e a falar com os adultos através de bonecos, de máscaras; mais tarde, usando objetos, formas abstratas que tanto crianças quanto adultos entendem e por meio das quais percebem melhor o sentido das coisas que nos rodeiam e não chegam só através das palavras, mas das formas, do choro, do medo, da fantasia e do riso.

Não há diferenças quando o meio que usamos para nos expressar – seja uma figura humana, um ator ou um boneco, uma forma inusitada ou uma pedra, um fio fino e sutil, um rosto – nos transmite  emoção. E tudo fica muito mais amplo ou complexo.

Sem t’tulo-6

A introdução do livro Teatro de Animação diz que esse teatro tem se desenvolvido extraordinariamente. A que isso se deve?

AMAA: Acho que muita coisa muda quando se deixa de usar em excesso as palavras, apesar que as palavras podem ser também poéticas,  mas nem sempre… pois uma forma  ou figura, às vezes, fala muito mais.

O livro diz que o teatro de animação, por falta de parâmetros, muitas vezes é ignorado pela crítica especializada ou apresentado como inusitado. Nesse sentido, quais são os principais parâmetros para avaliar o teatro de animação?

AMAA: Não consigo definir esses parâmetros, mas o que existe  é pouco teatro bom de animação no palco. Ou há dificuldades de entrar e se manter em  cena, ou muito preconceito contra, quando o que mais aparece não é fruto de experimentação, busca ou pesquisa.

 

Fale, por gentileza, sobre as experiências que o teatro de animação proporciona ao público.  

AMAA: Teatro é fantasia. Acho que o bom é tudo que não é muito real. Ou quando não é resultado de pesquisa. E quando vai além do racional não é entendido. Mas se perturba é porque é bom, seja ele real ou poético.

 

Em um mundo em que as crianças se interessam cada vez mais cedo por produtos tecnológicos como tablets e celulares, o teatro de animação tem um desafio frente a esse público?

AMAA: O teatro de animação é, antes de tudo,  não realista. Mas, me parece às vezes que o que se está perdendo em meio a muita tecnologia é a poesia.

 

O lúdico perdeu lugar entre esse público ou não?

AMAA: Qual publico? O bom seria não se fazer muita distinção entre crianças, poetas, loucos e adultos. Ou que os adultos gozassem mais com fantasias.

 

Como enfrentar esse desafio? Como despertar o interesse das crianças nesse contexto?

AMAA: Acho que mais importante é despertar a criança que existe (ou existiu) nos adultos. E manter sempre vivo o lúdico e não levar a vida ou o dia-a-dia muito a sério.

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Livro impresso ainda é o preferido pelos universitários, diz pesquisa

Renata de Albuquerque

livros de papel

Uma recente pesquisa da American University de Washington (EUA) mostrou que 92% dos universitários preferem os livros impressos aos digitais para leituras sérias.O dado está no livro Words Onscreen: the Fate of Reading in a Digital World (“Palavras na Tela: o Destino da Leitura no Mundo Digital”, em tradução livre). A pesquisa, feita com 300 estudantes de diferentes países (como EUA, Japão e Alemanha), foi encabeçada pela autora do livro, Naomi Baron, que é professora de linguística. Ela e sua equipe entrevistaram 300 estudantes de países como EUA, Japão, Alemanha e Eslováquia.

Segundo os pesquisadores, a leitura do livro em papel proporciona sensações táteis e físicas, como, por exemplo, sentir o cheiro do livro. A pesquisa aponta ainda que o livro digital tende a distrair mais o leitor e que o cansaço nos olhos também influencia a escolha.

 

*Com informações do HuffPost Brasil