Renata Albuquerque

Coleção Artes&Ofícios tematiza preservação e restauração

Restauração de peça em museu

Restauração de peça em museu

Por: Renata de Albuquerque

Na semana em que se comemora o Dia Internacional dos Museus, o Blog da Ateliê  entrevista a arquiteta Beatriz Mugayar Kühl. Formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, com especialização e mestrado em preservação de bens culturais pela Katholieke Universiteit Leuven, na Bélgica, doutorado pela FAUUSP e pós-doutorado pela Università degli Studi di Roma “La Sapienza”, ela já publicou, entre outros, os livros Arquitetura do ferro e arquitetura ferroviária em São Paulo (São Paulo, Ateliê/FAPESP/SEC, 1998), Preservação do patrimônio arquitetônico da industrialização (Ateliê/FAPESP, 2009). É responsável pela tradução e publicação de vários títulos da Coleção Artes&Ofícios da Ateliê.

Para suprir uma lacuna e atender um público que cresce e torna-se exigente a cada dia, a Coleção Artes&Ofícios traz importantes traduções de textos quase esquecidos a respeito do restauro de monumentos, de obras de arte e do próprio ofício, além de tratar da qualidade do trabalho de artistas de várias áreas.

“A coleção possui vários textos que oferecem fundamentação teórica para a atividade prática do conservador-restaurador, cujo papel nos museus é de essencial importância”, afirma a arquiteta, que é professora do Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto e atualmente é chefe de Departamento (AUH-FAUUSP).

 

Como nasceu a Coleção Artes &Ofícios da Ateliê?

Beatriz Mugayar Kühl: A coleção nasceu a partir de uma conversa informal com o Plínio Martins Filho,  em que comentei os problemas de se trabalhar com temas de restauração com os estudantes da graduação e da pós-graduação na FAUUSP (onde sou professora desde 1998),  pela dificuldade de acesso a alguns dos textos fundamentais sobre o tema, seja por serem em língua estrangeira, ou por terem edições raras ou esgotadas. O problema era como discutir os fundamentos teóricos de uma disciplina sem que se tenha acesso aos textos que alicerçam o campo? Mencionei que havia feito uma tradução do Verbete Restauro do Viollet-le-Duc – para um curso da FUPAM em 1997 – em que havia sido assistente do saudoso Janjão (Antônio Luiz Dias de Andrade, professor da FAUUSP e arquiteto di IPHAN, falecido em 1997) –    e perguntei se o Plínio acharia interessante publicá-la. Não só ele aprovou a idéia, como deu a sugestão de ampliar a coleção para temas ligados não apenas à preservação de bens culturais, mas também às artes e aos ofícios em geral. Desse modo, sempre que tomo conhecimento ou produzo algum texto que considero que possa ser interessante para a coleção, apresento à Ateliê, que tem mostrado sempre interesse em publicá-los. A finalidade da Coleção é justamente oferecer um acesso direto a textos basilares para campos disciplinares (como o restauro, história da arte etc.), pouco conhecidos ou de difícil acesso.

 

"Teoria da Restauração", de Cesare Brandi, um dos títulos da Coleção Ateliê Artes&Ofícios

“Teoria da Restauração”, de Cesare Brandi, um dos títulos da Coleção Ateliê Artes&Ofícios

Como são escolhidos os títulos da Coleção? Quais são os critérios utilizados? Quais os temas mais recorrentes?

BMK: A coleção tem alternado volumes sobre preservação, de maneira mais ampla, e especificamente sobre restauração, com volumes que tratam das artes em geral. O interesse é voltado a textos com uma certa antiguidade que foram e ainda são de enorme importância em seus campos e que continuam a suscitar questões de extremo interesse. As publicações são fruto de pesquisas de professores universitários, em que determinados escritos emergem como importantes. Pelo fato de os pesquisadores utilizarem esses textos nas suas reflexões e considerá-los importantes também do ponto de vista didático e para difusão para um público mais amplo, acabam por considerar a publicação desses escritos como um produto importante de sua própria pesquisa.

Em sua opinião, qual a importância da coleção dentro do contexto acadêmico da arte no Brasil?

BMK: O interesse principal é divulgar textos importantes cujo acesso é difícil, seja pela barreira da língua, ou por ser textos raros, ou ainda por ser textos relevantes, mas ainda pouco difundidos em nosso meio, e que suscitam uma série de questões de interesse nos dias de hoje.

De que maneira estudantes, artistas e acadêmicos se beneficiam do conteúdo dos livros desta coleção?

BMK: Justamente pelo acesso direto a escritos relevantes para diversos campos disciplinares. A coleção alterna textos conhecidos, mas sem edição em português, com outros textos pouco conhecidos em nosso meio, mas que trazem questões relevantes para os dias de hoje.

"Catecismo da Preservação de Monumentos", de Max Dvorák

“Catecismo da Preservação de Monumentos”, de Max Dvorák

Pensando no Dia Internacional dos Museus, qual a contribuição dos títulos da coleção para celebrar esta data?

BMK: A coleção possui vários textos que oferecem fundamentação teórica para a atividade prática do conservador-restaurador, cujo papel nos museus é de essencial importância. Traz ainda contribuições de interesse para a história da arte, outro campo intimamente relacionado com as atividades dos museus.

Já existe alguma definição de quais serão os próximos títulos ou autores dos lançamentos futuros da coleção?

BMK: O próximo título previsto – em fase de revisão de provas – é o texto de Quatremère de Quincy, Cartas a Miranda, originalmente publicado em 1796, em que o autor elabora de maneira original a intrínseca relação da obra com o contexto em que está inserida, e a importância capital desse contexto; problematiza a transferência de obras de arte a partir de sua visão de come se aprende o fazer artístico e a apreciar a produção artística; e oferece contribuições de grande interesse no que respeita à fundamentação teórica de questões de preservação.

Concurso de contos recebe inscrições até 27 de maio

concurso ufob

O Concurso Literário Osório Alves de Castro, promovido pela Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), está com as inscrições abertas até 27 de maio. O concurso aceita apenas contos inéditos, com tamanho entre cinco e dez laudas, escritos em português, de autoria exclusiva do participante (não serão aceitos contos em coautoria). Cada escritor pode inscrever apenas um conto.

Mais informações no site: http://www.ufob.edu.br/index.php/noticias2/item/662-concurso-literario-homenageia-o-romancista-osorio-alves-de-castro

 

 

Paixão pelos livros e pela leitura

Renata de Albuquerque

 

Está no dicionário. Bibliomania é um substantivo feminino cujo significado é “paixão imoderada de colecionar livros, principalmente antigos ou raros”. Foi a partir desse conceito que surgiu a ideia do livro Bibliomania. O volume reúne textos de Marisa Midori Deaecto e Lincoln Secco, ambos historiadores, escritos para a Revista Brasileiros. Os textos, curtos, falam sobre todo tipo de assunto, sendo o livro sempre o protagonista: das mudanças no mercado editorial, até sonhos, fé e razão. Os autores falam dos livros como falamos de nossos amigos, de pessoas íntimas, numa escrita semelhante a um concerto de voz a serviço do tema, como só os verdadeiros escritores têm a ousadia de fazer.para falar sobre o novo livro e sobre a bibliomania de cada um dos autores, o Blog da Ateliê conversou com eles:

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Como cada um começou sua história com livros? O que levou você a tornar este um assunto importante para sua vida? 

Marisa Midori Deaecto: A história com os livros começa na infância. Eu me lembro bem de que meu primeiro livro foi o Minidicionário Aurélio. Uma vizinha o trouxe, novinho, embrulhado no papel de presente. Eu deveria ter uns seis anos. Adorei! Decorava as palavras, salteava as páginas. Foi amor à primeira vista. Como não havia livros em casa, passei a emprestar dos primos mais velhos os livros que eles liam na escola. Assim formei minha primeira biblioteca literária e isso não termina nunca. Depois, vieram os sebos, as livrarias, a biblioteca do professor Edgard Carone, onde eu realmente me encontrei… os amigos, os livros… os livros e os amigos. E o ciclo se fechou.
Lincoln Secco: Primeiro há sempre a leitura do mundo e não a dos livros. Ouvia histórias de minha mãe, que não lê livros. Via meu pai lendo livros, mas não para mim. Ouvir também é, de certa forma, ler! Depois vieram os livros infantojuvenis da escola e, mais tarde, os livros que se confundiam com a cidade e seus lugares: as livrarias, sebos, bancas. Adquiri-los, manuseá-los e, eventualmente, lê-los tornou-se um prazer físico para mim. Como sabem os amantes do livro, jamais lemos todas as obras que possuímos. Elas nos seduzem, mas nos decepcionam também. Ter livros é aprender a viver. Lemos mais velozes na juventude, folheamos mais devagar na maturidade e, acredito, relemos mais na velhice. A infinitude dos livros que possuímos sempre haverá de se mostrar diante da finitude de nossa existência.

 

Como surgiu a ideia de “Bibliomania”? 

LS: Atendemos a um convite da Revista Brasileiros, uma revista que é também impressa e se somou à defesa do livro.

MMD: Plinio Martins Filho propôs a ideia, a Revista Brasileiros a acatou e Lincoln Secco seguiu na dianteira, pois ele escreve muito rápido. Daí, como ele escreveu o primeiro artigo baseado em uma ideia nossa e, no final, fui em quem o assinou, senti a obrigação moral de escrever para a coluna. E gostei! Gosto de ler os textos dele e de estabelecer um diálogo. Nada sistemático. Mas tudo muito harmonioso, feito com o coração. É uma parceria que começou nos sebos, que ainda não se concretizou em uma única capa de livro, mas que resiste ao tempo em uma mesma coluna e, agora, dentro de uma luva. Como disse: amigos, livros… livros, amigos.
bibliomania_lincoln_miolo_Page_01Que conceito permeia essa publicação? 

LS: Difícil dizer que há um conceito. Se existe, quem pode dizer é a Professora Marisa Midori, a verdadeira especialista na História do Livro. Eu sou um amador. Posso afirmar apenas que há um sentimento comum pelo livro como objeto numa época que insiste em acreditar que ele vai desaparecer. Mas não vai.

MMD: Não há um conceito, mas uma ideia-força: o livro.

 

O que se pretende com “Bibliomania”?

MMD: Apresentar o livro como protagonista na longa história da humanidade. O que soa estranho, afinal, não são os homens os protagonistas de sua própria história? Sim. Mas, então, era preciso discorrer sobre um dos muitos elementos que torna a humanidade minimamente humana, com seus sonhos, seus medos, sua coragem, sua covardia, suas qualidades e seus defeitos. Penso que o livro, nesse sentido, sirva como uma espécie de fermento para cada um dos caracteres que desenvolvemos ao longo de nossa existência. O que também faz dele um protagonista na nossa história.
Como foi a escolha dos textos a serem publicados? 

LS: Publicamos todos os artigos da coluna Bibliomania, sem nenhuma escolha prévia.
Vocês conversam a respeito para não repetir temas ou para tratar de temas correlatos nessa seleção? 

bibliomania_marisa_miolo_Page_01MMD: Não. Eu leio todos os textos que o Lincoln publica. Então, quando escrevo, como disse, já tenho em mente o que veio a lume.

LS: Acredito que tivemos uma trajetória comum. Nós trabalhamos juntos na Biblioteca do Professor Edgard Carone, que era um bibliófilo de esquerda. E nos conhecemos também em longas caminhadas pelos sebos paulistanos. Sendo assim, os artigos na revista jamais se repetiram, apenas se complementaram.
Qual a importância de falar sobre livros no contexto brasileiro atual? 

MMD: Hoje, escrever sobre livros e falar sobre eles pode ser uma forma de escapismo da realidade, como faziam os românticos. Mas pode ser também uma forma de olhar a humanidade de forma mais serena. De pensar o tempo breve com menos ansiedade e crer na História profunda dos homens e dos livros. Falar sobre livros, hoje, pode também ser uma forma de buscar o insumo necessário para se compreender o momento histórico atual e, quem sabe, encontrar forças para a sua transformação. Pois se o livro pode servir como uma espécie de fuga, ele também se nos apresenta como a janela para o mundo. Tudo depende de nossas escolhas.

LS: Há quem diga que o livro vai acabar, como eu citei antes. Ou que o livro, hoje, pode ser qualquer coisa. Para mim, o livro é um conjunto de folhas dobradas, protegidas por uma capa, dotadas de um conteúdo manuscrito, desenhado ou impresso. Se um e-book pode ser um livro pouco me interessa. De fato, o livro pode ter outros suportes como a rocha, a madeira… Mas o livro em papel é o único que me importa. E se for de bolso, ainda melhor, pois posso carregar no trem e ler em qualquer lugar. Se faltar luz, acendo uma vela. Mas pode ter certeza que a “bateria” de um livro é inesgotável.

 

Para celebrar o Dia do Vestibulando, em 24 de maio, Ateliê lança campanha especial

São 50 títulos, de alguns dos mais importantes nomes da Literatura, com descontos de até 40%

Imagem2Para comemorar o Dia do Vestibulando, em 24 de maio, a Ateliê Editorial criou uma campanha especial com títulos que fazem parte da lista de alguns dos principais vestibulares do país, como Fuvest e Unicamp. Entre eles, livros da Coleção Clássicos Ateliê, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis e O Cortiço, de Aluísio Azevedo.

José de Paula Ramos Jr., coordenador da Coleção Clássicos Ateliê, explica que os examinadores da USP e da Unicamp esperam que, antes de tudo, os candidatos tenham lido as obras da lista. “Todavia essas leituras serão questionadas, basicamente, por meio de duas vertentes: a da percepção crítica dos elementos estruturais dos textos – gênero, tema, narrador, personagens, tempo, espaço, ação e composição da ação (enredo ou trama), estilo (de época e autoral), efeitos de sentido produzidos pela linguagem (elementos de retórica como tropos e figuras) – e a interpretação desses elementos em relação a outras obras literárias, à história e à cultura.”

Cortico2Outros livros da campanha, como Tropicália: Alegoria Alegria, de Celso Favaretto, e A Queda do Muro de Berlim e a Presentificação da História, de Flavia Bancher, tratam de temas comumente abordados nos vestibulares, como cultura e política. A leitura de obras que tratam de assuntos como artes, geopolítica e história é um recurso essencial para ter sucesso na prova, tanto nas questões objetivas quanto na redação, já que oferece aos estudantes informações que enriquecem o seu repertório.

Para ver a lista completa dos livros com desconto, acesse o site da Ateliê: http://www.atelie.com.br

Sobre a Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial está no mercado desde 1995, atuando principalmente nos segmentos de literatura – ensaios, crítica literária e outras matérias de natureza acadêmica; comunicação e artes; arquitetura; edição de clássicos da literatura; e estudos sobre o livro e seu universo. O objetivo desta casa é levar ao público leitor livros de alta qualidade editorial, em edições cuidadosas que primam pela atenção ao conteúdo, à forma e à expressão. Isso transparece tanto nas capas quanto no rigor e fidelidade textual, o que pode ser comprovado pelos diversos prêmios nacionais e internacionais já recebidos pela editora – como Jabuti, APCA e IDA International Design Awards (EUA).

Site: www.atelie.com.br

Blog: blog.atelie.com.br 

Twitter: @atelieeditorial

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Contatos para Imprensa:

Milena O. Cruz

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Tel: (11) 4402-3183

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Concurso de poemas em Porto Alegre tem inscrição até 20 de maio

concurso PoA
Quer estampar seus poemas em ônibus e nos trens?  Até dia 20 de maio a Prefeitura de Porto Alegre recebe inscrições para a 25ª edição do Concurso Poemas no Ônibus e 13ª edição do Poemas no Trem, que selecionará até 50 (cinquenta) poemas para veiculação na frota de ônibus de Porto Alegre e nos trens da Trensurb,

O objetivo é estimular e divulgar, de forma abrangente, a produção poética. Por isso, o concurso só aceita poemas inéditos. Os vencedores terão seus poemas veiculados em matrizes adesivadas nas janelas dos ônibus de Porto Alegre e trens da Trensurb.

Mais informações no link http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smc/default.php?reg=502&p_secao=184

Shakespeare e Cervantes, pedras fundamentais da literatura

Por: Renata de Albuquerque*

 

Em dez dias, o mundo perdeu dois dos mais importantes escritores da História: Cervantes e Shakespeare. O ano era 1616 e as notícias ainda não se espalhavam tão rápido quanto hoje. Em 22 de abril, em Madri, na Espanha, Miguel de Cervantes, poeta, dramaturgo e autor daquele que é considerado o primeiro romance moderno da literatura, Dom Quixote, faleceu. Sua morte foi registrada apenas no dia seguinte.

Miguel de Cervantes Saavedra

Miguel de Cervantes Saavedra

Dom Quixote, ou, no título e grafia originais, El ingenioso hidalgo Don Quixote de La Mancha, foi publicado em 1605 e conta a história de um fidalgo que alucina devido à leitura de romances de cavalaria, como, por exemplo, Tirant Lo Blanc, o primeiro romance de cavalaria ibérico. A partir disso, ele realiza incursões aventureiras ao lado do amigo Sancho Pança, de certa forma para imitar seus heróis.

“Desde suas primeiras páginas, o primeiro livro de cavalaria da Espanha parece querer nos advertir de que todo livro de cavalaria pressupõe um livro de cavalaria precedente, necessário para que o herói se torne cavaleiro”, explica Ítalo Calvino em seu Por Que Ler os Clássicos. Só esta razão já é suficiente para que quem queira entender melhor a grandiosidade de Dom Quixote recorra a Tirant Lo Blanc – que narra as façanhas de um cavaleiro andante que se transforma em grande general.

O livro de Cervantes é o segundo livro mais traduzido no mundo, ficando apenas atrás da Bíblia e inaugura o que chamamos de romance moderno, com personagens que defendem a paz e a justiça – valores, até hoje, muito enfocados na literatura.

Shakespeare

Como na Inglaterra o calendário gregoriano só foi adotado no século XVIII, a data de 23 de abril também foi, por muito tempo, considerada a data da morte do bardo inglês. Esta é a razão pela qual 23 de abril é data que a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) escolheu para comemorar o Dia Mundial do Livro. Mas, devido a essa diferença de tempo na adoção do calendário gregoriano, hoje sabe-se que Shakespeare, na verdade, morreu em 3 de maio.

William Shakespeare

William Shakespeare

Além de poeta (escreveu mais de 150 sonetos), Shakespeare escreveu peças de teatro que definiram a dramaturgia desde então, tanto em termos de personagens quanto nos temas tratados. Sua influência é inequívoca e seus textos servem, até hoje, como base para filmes, musicais e até novelas.  Quem não se lembra de Romeo + Juliet, com Leonardo Di Caprio? Ou da novela O Cravo e a Rosa, inspirada em A Megera Domada?

A importância de Shakespeare é tamanha que sua obra inspirou também outros clássicos. Machado de Assis, por exemplo, é conhecido por aludir a Shakespeare em várias de suas obras. Foi essa ligação entre o autor inglês e o brasileiro que inspirou Helen Caldwell a escrever O Otelo Brasileiro de Machado de Assis, um marco na crítica literária mundial, no qual pela primeira vez, em um estudo publicado em livro, levanta-se a hipótese de que Capitu poderia não ter traído Bento Santiago em Dom Casmurro. Lançado em 1960 e escrito por uma americana que tinha acesso ao então pulsante feminismo da época, O Otelo Brasileiro de Machado de Assis revolucionou a crítica, colocando novas questões nas possibilidades de análise de um clássico que, já então, havia sido publicado há mais de seis décadas.

*Jornalista, Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH/USP, autora da Dissertação Senhoras de Si: o Querer e o Poder de Personagens Femininas nos Primeiros Contos de Machado de Assis.

Luiz Tatit na Rádio USP

Luiz Tatit fotografado por Gal Oppido

Luiz Tatit fotografado por Gal Oppido

todos entoamLuiz Tatit deu entrevista à Rádio USP. Ele é autor de Todos Entoam – Ensaios, Conversas e Lembranças, livro reúne 22 ensaios escritos pelo próprio autor sobre a canção brasileira, os cancionistas e outros temas afins. O volume ainda traz uma grande entrevista com o músico e pesquisador.

Para ouvir a entrevista, acesse: http://www.radio.usp.br/?page_id=9377 e http://www.radio.usp.br/?page_id=9741

 

Livro tem o mesmo nome da novela, mas com caráter documental

Em O Velho Chico ou A Vida é Amável autora compartilha histórias vividas entre a população ribeirinha, em uma viagem no ano de 1975

Velho ChicoMuito antes do sucesso da novela da Rede Globo, o Rio São Francisco já povoava mentes e corações daqueles que tiverem o prazer de conhecê-lo. O Velho Chico, como é carinhosamente conhecido, é tema da obra de Dirce de Assis Cavalcanti, lançada pela Ateliê Editorial.

Entretanto, ao contrário da novela, o livro O Velho Chico ou A Vida é Amável não é apenas uma ficção. É “um relato factual, mas cheio de poesia”, como definiu José Mindlin, no prefácio da obra. No livro, Dirce de Assis Cavalcanti narra uma viagem realizada em 1975 pelo Rio São Francisco. A autora, então colaboradora em programas culturais do governo federal, preparava uma exposição sobre carrancas e a vida ribeirinha. A obra mistura relatos do que a autora testemunhou durante sua viagem com impressões, pensamentos e emoções do que sentiu ao visitar o lugar e conhecer os habitantes do local. O que ela encontrou no caminho foram tocantes histórias de vida, transcritas num diário. Em paralelo a essa narrativa com personagens de um universo estranho, há uma viagem interior também surpreendente. Nesse encontro de mundos, o rio torna-se metáfora de algo maior.

O impacto dessa experiência foi tão grande que a autora afirma que sua vida se divide entre o antes e o depois do São Francisco. “Conhecer aquela gente extraordinária na sua pobreza, no asseio de suas casas de chão de barro liso, como que encerado, na sua generosidade, coragem e simpleza, foi um presente dos céus”, diz.

O Velho Chico ou A Vida é Amável desperta o desejo de saber mais sobre um rio cuja importância está ligada não somente à sua grandeza, mas à relação que mantém com as pessoas dos cinco Estados banhados por suas águas. Por isso, é uma leitura que vai satisfazer a curiosidade de quem quer ir além daquilo que passa na TV.

Serviço

O Velho Chico ou A Vida é Amável

Formato: 14 x 21 cm

Número de páginas: 160

ISBN: 85-85851-57-0

Preço: R$ 34,00

 

Sobre a Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial está no mercado desde 1995, atuando principalmente nos segmentos de literatura – ensaios, crítica literária e outras matérias de natureza acadêmica; comunicação e artes; arquitetura; edição de clássicos da literatura; e estudos sobre o livro e seu universo. O objetivo desta casa é levar ao público leitor livros de alta qualidade editorial, em edições cuidadosas que primam pela atenção ao conteúdo, à forma e à expressão. Isso transparece tanto nas capas quanto no rigor e fidelidade textual, o que pode ser comprovado pelos diversos prêmios nacionais e internacionais já recebidos pela editora – como Jabuti, APCA e IDA International Design Awards (EUA).

Site: www.atelie.com.br

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As listas de livros obrigatórios da Fuvest e da Unicamp para 2017

Renata de Albuquerque

Você já está se preparando para os vestibulares do final do ano? Uma das tarefas que exige mais tempo é a leitura dos livros de leitura obrigatória, as chamadas listas do vestibular. E, para 2017, tanto a Fuvest quanto a Unicamp inovaram.

Para falar a respeito deste assunto e para ajudar os estudantes que vão prestar os vestibulares, o Blog da Ateliê entrevista José de Paula Ramos Jr,  professor do curso de Editoração na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo autor do livro Leituras de Macunaíma: Primeira Onda (1928-1936), e diretor da Coleção Clássicos Ateliê.

fuvest2017

Das mudanças na lista da Fuvest, quais são as mais significativas e por quê?

José de Paula Ramos Jr. Para o vestibular de 2017, a Fuvest mantém o tradicional número de nove obras literárias, consideradas de leitura obrigatória. Em relação ao ano anterior, quatro livros foram substituídos e cinco mantidos. Os que permanecem são os romances Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis; O Cortiço, de Aluísio Azevedo; A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós; Capitães da Areia, de Jorge Amado; e Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Entre as quatro obras da nova lista há um livro de poemas, um de contos e dois romances, respectivamente: Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade; Sagarana, de João Guimarães Rosa; Iracema, de José de Alencar; e Mayombe, do escritor angolano Pepetela. Desses, os três primeiros já figuraram em listas da Fuvest. A grande novidade vem a ser a inclusão de Mayombe, cujo autor foi agraciado com o prestigioso prêmio Camões em 1997, por sua notável contribuição para a literatura e a cultura lusófona. Essa obra constitui a mais significativa mudança na lista da Fuvest não só por introduzir nela a literatura africana de língua portuguesa, mas porque induz o ensino médio a incluí-la em seu repertório, assim contribuindo, embora de modo muito restrito, para uma desejável maior aproximação entre a cultura brasileira e a africana lusófona. Além disso, vale notar, Pepetela é o único autor vivo que figurana lista da Fuvest. Não seria interessante incluir também, ao menos, uma obra de escritor português e uma de brasileiro que representem a produção literária nossa contemporânea?

 

Das mudanças na lista da Unicamp, quais são as mais significativas e por quê?

JPRJ: Por oito anos, a lista de obras literárias de leitura obrigatória para os vestibulares da USP e da Unicamp manteve-se unificada. A partir de 2016, a Unicamp optou por uma lista que, além de separada, passou de nove a doze obras. Essa foi a mudança mais importante, cujo modelo se reproduz para o vestibular de 2017, em cuja lista permanecem: uma coletânea de vinte sonetos de Camões; os contos “Negrinha” (do livro homônimo), de Monteiro Lobato, “Amor” (do livro Laços de Família), de Clarice Lispector, e “A Hora e Vez de Augusto Matraga” (em Sagarana), de João Guimarães Rosa; a peça de teatro Lisbela e o Prisioneiro, de Osman Lins; e os romances Til, de José de Alencar, Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, O Cortiço, de Aluísio Azevedo, e Terra Sonâmbula, do escritor moçambicano Mia Couto, único autor vivo da lista que, agora, introduz uma seleção de 45 poemas de Jorge de Lima e os romances Coração, Cabeça e Estômago, de Camilo Castelo Branco, e Caminhos Cruzados, de Érico Veríssimo. Convém advertir os vestibulandos que os poemas de Jorge de Lima pertencem a três obras distintas (Novos Poemas; Poemas Escolhidos; e Livro de Sonetos), que foram compilados no livro Poemas Negros, fora de catálogo, conforme informação da própria Comvest, instituição responsável pelo vestibular da Unicamp. Isso, certamente, é um problema que os candidatos deverão enfrentar.

Unicamp 2017

É possível depreender o que os examinadores esperam dos alunos, com base no conjunto de livros adotados em cada vestibular?

JPRJ: O que os examinadores da USP e da Unicamp esperam dos candidatos quanto aos estudos literários é que, antes de tudo, tenham lido as obras da lista. Todavia essas leituras serão questionadas, basicamente, por meio de duas vertentes: a da percepção crítica dos elementos estruturais dos textos – gênero, tema, narrador, personagens, tempo, espaço, ação e composição da ação (enredo ou trama), estilo (de época e autoral), efeitos de sentido produzidos pela linguagem (elementos de retórica como tropos e figuras) – e a interpretação desses elementos em relação a outras obras literárias, à história e à cultura. Em outras palavras, poderá ser questionada a leitura das obras entendidas quer como artefatos verbais, dotados de relativa autonomia (análise e interpretação intrínseca), quer como eventos culturais que dialogam com outros discursos da cultura, do passado e do presente, em que se manifestem usos, costumes, tradições e valores da sociedade (análise e interpretação extrínseca). O manual da Fuvest (2016) explicita:

 

No que se refere aos textos literários, espera-se o conhecimento das obras representativas dos diferentes períodos das literaturas brasileira e portuguesa. O conhecimento desse repertório implica a capacidade de analisar e interpretar os textos, reconhecendo seus diferentes gêneros e modalidades, bem como seus elementos de composição, tanto aqueles próprios da prosa quanto os da poesia. Implica também a capacidade de relacionar o texto com o conjunto da obra em que se insere, com outros textos e com seu contexto histórico e cultural.

Já para a Comvest, segundo seu manual de 2016:

 

Considerando-se que é possível acessar, por meio da literatura, um tipo específico de experiência acumulada numa cultura, espera-se que o candidato tenha tido contato com textos narrativos, líricos e dramáticos em língua portuguesa. Embora o texto literário se preste, por sua própria natureza, a múltiplas leituras e interpretações, que dependem em parte das circunstâncias histórico-sociais e dos objetivos do leitor, há sempre um núcleo de leituras possíveis que são delimitadas pelo próprio texto e constituem a base para qualquer interpretação posterior. No Vestibular Unicamp, essas leituras são usadas como parâmetro para elaborar as questões e avaliar o candidato quanto ao conhecimento de uma parte representativa de textos literários em língua portuguesa.

 

A partir desse conjunto de livros, podemos perceber que há poucos autores contemporâneos na lista. O que uma lista com tantos títulos clássicos pode representar?

JPRJ: Nas listas de leituras literárias obrigatórias para os vestibulares,a forte presença dos “clássicos” representa o prestígio e a força da tradição no ensino escolar. Afinal, “clássicas” são as obras cuja excelência artística as tornam dignas de serem estudadas em classe (ou seja, em sala de aula), porque são exemplares. Todavia, há obras de autores contemporâneos que poderiam ser contempladas com um quinhão, ao menos, um pouco mais representativo nas listas.

 

A lista da Unicamp tem mais títulos e é mais variada. Existe alguma hipótese do por que isso ocorre?

JPRJ: Quanto à variedade de gêneros, Fuvest e Unicamp selecionaram textos representativos da poesia lírica, do conto e do romance, para os vestibulares de 2017. A única diferença consiste em uma peça de teatro, que está presente na lista da Unicamp e ausente na da Fuvest. Todavia, o teatro já esteve contemplado em listas anteriores da Fuvest e nada impede que volte a figurar em futuras. A quantidade de títulos, por sua vez, não significa, necessariamente, maior número total de páginas de leitura. A Unicamp, por exemplo, requer a leitura de três contos (cada um de um autor diferente), dois deles curtos, enquanto a Fuvest demanda a leitura dos nove contos (mais ou menos longos) recolhidos no livro Sagarana, de Guimarães Rosa. Outro exemplo: enquanto a Unicamp prescreve a leitura de vinte sonetos de Camões e 45 poemas de Jorge de Lima, a Fuvest exige a leitura integral do livro Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade, composto de 46 poemas cuja leitura será, provavelmente, mais árdua do que a dos poemas selecionados de Camões e de Jorge de Lima. Todavia, o modelo da Unicamp permite, de fato, a abordagem de um maior número de autores.