Renata Albuquerque

Quatro Ensaios Sobre Oscar Niemeyer

No ano em que o arquiteto faria 110 anos, lançamento coloca luz sobre novos aspectos da obra do arquiteto carioca

Por Renata de Albuquerque

Morto há cinco anos, Oscar Niemeyer continua sendo uma referência fundamental quando o assunto é arquitetura, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. A grandeza de sua obra permite que haja uma profusão de estudos a respeito e que, mesmo assim, novos aspectos sejam abordados a cada nova publicação, por meio de visões singulares. Quatro Ensaios Sobre Oscar Niemeyer, organizado por Paulo Bruna e Ingrid Quintana Guerrero, aborda sua obra em São Paulo, suas ligações com Le Corbusier, a crítica internacional e a arquitetura religiosa latinoamericana.

Para falar sobre o lançamento, a arquiteta colombiana concedeu uma entrevista para o Blog da Ateliê:

 

Ingrid Quintana Guerrero

Qual a importância da publicação de “Quatro Ensaios sobre Oscar Niemeyer”?

O livro oferece leituras inéditas da obra, discurso e influência de Oscar Niemeyer, dentro e fora do Brasil, sobre temas que parecem já esgotados: sua obra paulista; seu papel nos círculos internacionais da arquitetura, seu aprendizado dos grandes mestres e a recorrência dos programas religiosos nos encargos que recebeu. Autores como Hugo Segawa e Paulo Bruna são garantia da qualidade científica dos textos.

 

 

O que o leitor poderá encontrar nesse livro?

Apresentamos quatro textos, mais uma apresentação de Sylvia Ficher, professora da UnB. O primeiro deles, de Paulo Bruna, constitui uma revisão da profundidade da produção de Oscar Niemeyer no estado de São Paulo, com destaque aos projetos habitacionais , que hoje são cartões postais dessa cidade (o Copan; o edifício Montréal), sem esquecer sua intervenção mais ambiciosa nessa terra: o Parque do Ibirapuera. Por sua vez, Hugo Segawa reconstrói as opiniões da imprensa sobre a atuação internacional de Niemeyer, no período que vai da construção do emblemático pavilhão de Nova Iorque (com Lucio Costa, 1939), até o convite para erigir um novo pavilhão, na Serpentine Gallery (Londres, 2003). Ele revisa minuciosamente o episódio da constituição de uma equipe para a sede da ONU, decorrente do concurso ganho pelo jovem Niemeyer (1947). No seu texto, Rodrigo Queiroz, que há muitos anos investiga os traços de Le Corbusier na produção do carioca, revela os vínculos profundos entre a linguagem de ambos os arquitetos; vínculos que, por sinal, Niemeyer negou inúmeras vezes. Por fim, meu ensaio propõe uma leitura da produção de arquitetura religiosa latinoamericana em chave Niemeyer, em países como o México, a Colômbia e a Venezuela.

 

A obra pode chamar a atenção de leitores não ligados ao universo da arquitetura ou é dedicado apenas a profissionais da área? Por quê?

Eu acho que é um livro que, além de atrair profissionais da arquitetura (o texto de Rodrigo Queiroz aponta à universalidade de Niemeyer mediante sua relação plástica com a obra de outro gigante da arquitetura moderna, Le Corbusier), pode ser de interesse para os apaixonados pela história de São Paulo (o texto de Paulo Bruna oferece o panorama mais completo que eu já vi sobre a obra do carioca na capital paulista); para quem gosta das intrigas por trás dos encargos de arquitetura e da recepção e crítica desses pela mídia (texto de Hugo Segawa, com seu estilo único, quase de cronista); para quem estuda América Latina como bloco cultural e intelectual (acredito que meu texto contribui a essa perspectiva).

Existe uma vasta bibliografia sobre a obra de Niemeyer. De que maneira este livro se diferencia do que já existe no mercado editorial?

Qualquer resposta que eu der será fraca, considerando que todo dia, em algum canto do planeta, alguém publica uma tese, um artigo ou um livro sobre Niemeyer. Porém, Quatro Ensaios sobre Oscar Niemeyer é mais do que uma coletânea: é um esforço de coletivo da equipe de pesquisa Arquitetura e Cidade Moderna e Contemporânea cujos membros, ao mesmo tempo, possuem abordagens e trajetórias totalmente diferentes. Isso só podia acontecer na FAU USP, a mais plural e cosmopolita das escolas de arquitetura brasileiras, embora sempre seja identificada com a herança de Vilanova Artigas e com o “brutalismo paulista”.

 

Neste ano, o arquiteto faria 110 anos e são lembrados os 5 anos de sua morte. Este pode ser considerado o “mote” do lançamento do livro ou há outras razões para tal publicação?

Sim. Infelizmente, inúmeros motivos fizeram com que a publicação, que iria aparecer no primeiro aniversário do falecimento de Niemeyer, fosse adiada. Daí que tivéssemos que revisar e atualizar os textos para sua publicação hoje. No entanto, o tempo passa muito rápido e nenhum desses perdeu vigência.

 

No texto de apresentação, Sylvia Ficher se refere a um livro que estaria prestes a ser lançado, uma coletânea em três seções. Há notícias sobre ele?

Sylvia é quem está envolvida no projeto. Ela diz que Andrey Schleee ela não perdem a esperança de conseguir publicar o projeto integral. Esperemos que isso aconteça em breve.

 

Foram escritos mais de 30 capítulos do trabalho ainda não editado. Como foi o processo de escolha desses 4 ensaios? Por que eles foram os escolhidos para fazer parte da edição da Ateliê?

Paulo Bruna, que fez parte da primeira iniciativa, na UnB, conhecia bem o material e fez a escolha. Na verdade, meu texto não faz parte desses 30 trabalhos: foi produto do convite que Paulo me fez diretamente. Ele conhecia bem minhas linhas de pesquisa e se interessou no olhar que uma arquiteta estrangeira como eu poderia aportar à leitura da obra de Oscar Niemeyer. Eu aceitei esse convite como um desafio, ainda maior considerando trajetória dos co-autores. Logicamente era pouco aquilo que eu podia acrescentar ao conhecimento de Niemeyer de uma perspectiva brasileira, daí que me concentrasse nos desdobramentos da sua obra na América do Sul. E me debrucei naquilo que eu acho mais fascinante da produção do carioca: sua arquitetura religiosa.

Ainda há muito a ser estudado sobre Oscar Niemeyer? O que, em sua opinião, ainda merece atenção dos pesquisadores? E de que forma este volume contribui com esta fortuna crítica?

Há alguns meses deixei o Brasil e voltei para meu país. Esse estranhamento, após ter vivenciado intensamente sua arquitetura, permitiu-me entender a dimensão monumental do legado de Niemeyer; sua universalidade e seu impacto até hoje.Com certeza, Niemeyer ainda é um dos maiores ícones da arte brasileira no mundo e referência vigente para os estudantes de arquitetura. Porém, o que dele se conhece lá fora é ainda uma versão carioca, ligada a sua produção fluminense e à riqueza visual que lhe forneceu o Rio de Janeiro. A atuação de Niemeyer fora do Rio e de Brasília, a profundidade do seu pensamento político, estético e social ficam num segundo lugar por causa da exuberância e sensualidade dos seus edifícios, apontadas desde a redação de Brazil Builds.

Meu ensaio e o texto de Rodrigo Queiroz contribuem a estender pontes entre Niemeyer e seus contemporâneos fora do Brasil, pontes delineadas pelas formas, mas sustentadas nas estratégias projetuais (que vão além da simples linha curva que imita o corpo feminino) e nas raízes culturais da condição latino-americana. Acredito que mais estrangeiros procurarão no Brasil as chaves para decifrar uma identidade própria e este livro suscitará novas questões neles.

 

Por que é importante conhecermos mais sobre a trajetória de Oscar Niemeyer?

Sylvia Ficher intitulou sua introdução “Niemeyer nunca é demais”. Concordo totalmente: quanto mais nos aprofundamos na sua produção, nos seus edifícios e nos seus desenhos, ficamos mais maravilhados pela sua criatividade, disciplina e coragem. Felizmente não é um caso isolado no Brasil: hoje Paulo Mendes da Rocha usufrui do prestígio e louvor da crítica especializada. Mas este não teve a sorte daquele, isto é, de agir em diferentes épocas e cenários, tão relevantes para a configuração histórica do continente americano moderno. Mesmo que não gostemos dos seus prédios, não é possível negarmos a condição de Niemeyer como mestre renascentista no meio do século 20: ativista comunista; homem da alta sociedade; poeta; pintor; arquiteto e urbanista. Sempre haverá uma lição para aprender nos seus bate-papos com sócios e amigos, nos seus croquis e na vitalidade que sua arquitetura oferece ao espaço urbano de cidades como São Paulo ou Belo Horizonte.

 

Conheça outras obras da Ateliê sobre arquitetura

Além da ficção: livros sobre o mesmo período retratado pela nova novela das seis, “Novo Mundo”

Por: Renata de Albuquerque*

Leopoldina e D. Pedro

A nova novela das seis, “Novo Mundo”, é uma ficção que tem como pano de fundo acontecimentos históricos. É uma novela de época, mas as próprias autoras, Thereza Falcão e Alessandro Marson, avisam que o objetivo não é ser didático quanto à História do período. Como é comum na dramaturgia, estão misturadas na história de “Novo Mundo” ficção e realidade.

Na nova trama das seis, estão presentes personagens históricos, como Dom Pedro (interpretado por Caio Castro) e Leopoldina (Letícia Colin). Mas os protagonistas são os ficcionais Anna Millman (Isabelle Drummond) e Joaquim Martinho (Chay Suede). Apesar do tom ficcional, a novela pretende mostrar como surgiram traços importantes da cultura brasileira, como o famoso “jeitinho brasileiro”.

Para aprofundar-se nesse tema, vale a leitura do clássico Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida, e também de Era no Tempo do Rei – Atualidade das Memórias de um Sargento de Milícias, de Edu Teruki Otsuka, que mostra como o romance de Manuel Antônio de Almeida se organiza conforme uma lógica regida por conflitos interpessoais, que se manifestam no romance de maneiras diversas, mas que podem ser unificadas na noção de rixa.

 

 

Na novela das seis, a questão da língua promete gerara situações cômicas, já que a protagonista vivida por Isabelle Drummond é jovem inglesa professora de Português de Leopoldina. O tema também está em Travessias – D. João VI e o Mundo Lusófono, organizado por Paulo Motta Oliveira. Os ensaios reunidos no livro propõem-se a lançar novos olhares sobre a vinda da corte portuguesa ao Brasil, a partir de objetos e pontos de vista bastante diversificados. Os textos se inserem em um contexto atual em que se procuram estabelecer, de maneira mais efetiva, laços reais, e cada vez mais necessários, entre os Países de Língua Oficial Portuguesa.

 

*Jornalista, Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH/USP, autora da Dissertação Senhoras de Si: o Querer e o Poder de Personagens Femininas nos Primeiros Contos de Machado de Assis.

Traduzir é uma ação política

Por: Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa*

 

Há muitas maneiras de se posicionar politicamente. Uma delas é traduzir. Escolher os clássicos gregos para verter ao português brasileiro é também um ato político. Em primeiro lugar, porque os gregos formaram, filosófica e literariamente, muitas das culturas ocidentais. Entender e conhecer o mundo helênico já é meio caminho andado para detectar as escolhas de múltiplos povos. Em segundo lugar, porque lá se plantaram raízes que ainda hoje dão frutos variados (decorrentes de escolhas mais ou menos acertadas) até mesmo nas terras brasílicas. Na literatura, por exemplo, vê-sea genética grega nas obras de Machado de Assis, Ariano Suassuna, João Guimarães Rosa, Dora Ferreira da Silva, Milton Hatoum, Chico Buarque de Hollanda, Ana Martins Marques e tantos outros.

O modo de lidar com a invenção de cidades e das formas de convivência urbana é, igualmente, um ato político. Com seus traumas e soluções próprias, o modo de viver coletivo transparece de forma diversificada, limpa e bela nas filosofias e literaturas de cada terra. Das palavras dos gregos, vários regimes de governo germinam.O senso comum difunde que eles inauguraram a democracia. Entretanto, esses clássicos que chamamos gregos inspiraram e inspiram não só monarcas sábios e oligarquias, mas também tiranias. De Édipo a Sócrates, muitas opções há de como governar. Conhecer as palavras da velha Hélade é percorrer um substrato basal que permite trocas e mudanças de posição com muita gente diferente: franceses, ingleses, norte-americanos, japoneses, indianos, alemães, árabes, australianos, portugueses, italianos, espanhóis, argentinos, chilenos, brasileiros… Através dos tempos, corpos e mentes desse mundão afora leram áticos, jônios, dórios e espartanos (sim, pois o conceito de “grego” tampouco é uno e monolítico). Nessa gente toda, palpitam ideias conflitantes nascidas desse terreno filosófico e literário que ainda lemos contemporaneamente. Cada língua, cada país, cada indivíduo escolhe o que mais palatável, saboroso, afim e útil lhe parece.

Assim também o tradutor. No momento da escolha de uma obra, já começa sua ação política. O que traduzir, como e por que, cabe a ele, de fato, definir. É também ele quem determina se os antigos falarão como subalternos, tiranos, democratas, oligarcas ou deuses inacessíveis e inabordáveis. Ao tradutor é dado arrebatar do dicionário a palavra que definirá, por exemplo, a famigerada πόλις: se pólis, metrópole, cidade, urbe, vila, pátria, torrão natal, província… E cada opção revela intenções e comprometimentos. Da mesma maneira, cada um lerá o que escolher, sob o influxo do afeto que carregar à hora da leitura. As escolhas de um tradutor e de um leitor vão do léxico à sintaxe, da clareza à obscuridade, do gênero textual ao tom que se dá na intepretação desse gênero; dependem do ritmo de leitura, da moda, do mercado, da circunstância ou mesmo de uma intervenção da sorte (para os gregos, τύχη, para os latinos, fortuna)…

A minha eleição é pelo teatro, manifestação que considero política já no nascedouro. As traduções que procuro fazer são quase sempre coletivas. Talvez esse tipo de arte tenha mesmo a cooperação como exigência de fundo, pois decorre do esforço do poeta e do tradutor congregado ao do elenco, do diretor, do cenógrafo, do iluminador, do figurinista e de toda uma equipe nos bastidores…Baseio-me, preferencialmente,nas pesquisas de Ariane Mnouchkine e de Augusto Boal. Isso significa adesão ao processo colaborativo de criação durante o desenvolvimento da tradução, flexibilidade hierárquica e comprometimento com a formação intelectual de um público diversificado. Por isso, tais traduções buscam se pautar por acessibilidade, horizontalidade e flexibilidade nas relações entre texto e espetáculo.O meu trabalho é permeado sempre por um ”nós”.

São traduções de natureza processual e aplicada, marcadas pela preocupação funcional, rítmica, sonora e interpretativa. A prosódia é imperativa: buscamos frases e palavras confortáveis para o ator, pois o texto precisa ser “falável”, agradável e compreensível. Sob a influência de Boal, nossa meta é pedagógica, política e extensiva a todos que a acolham; em razão disso, os textos de base para a tradução são tomados dentre os que estão no domínio público.

Há bons portais na internet de textos gregos, constituídos por um repositório comum e um saber partilhado tornado público; por motivos óbvios, não ferimos direitos autorais; parte da publicação é doada – porque financiada por órgãos governamentais – e os espetáculos são gratuitos e itinerantes.

Eu, particularmente, gosto de pensar que, assim, mesmo trabalhando com um legado tão refinado e acessível a tão poucos, posso estar fazendo democracia. Acredito que conhecer a cultura helênica é buscar compreender,lidando e dialogando, o humano com culturas de facetas múltiplas e de posições políticas particulares em todasas partesda terra. Isso alarga nosso campo de visão e nos torna capazes de trocar ideias; saímos de nós mesmos e comunicamo-nos facilmente com todos os que têm por território comum a cultura que chamou de γαῖα aquilo que chamamos terra.

 

*Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa é Professora Titular de Língua e Literatura Gregas na Universidade Federal de Minas Gerais. Tradutora de Medeia, Electra e Orestes pela Ateliê Editorial. Diretora da Trupe de Tradução de Teatro Antigo (Trupersa) e coordenadora do Grupo de Tradução de Teatro (GTT/CNPq/UFMG); bolsista de produtividade pelo CNPq.

 

Conheça as obras de Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa

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Silenciosamente e no Breu: Rosa e Carrascoza em “Silêncios no Escuro”

Renato Tardivo*

Silêncios no escuro, primeira obra de ficção adulta de Maria Viana, como já aponta o título, é construído por metáforas sensíveis. A referência mais direta talvez seja Guimarães Rosa, mas, entre os autores contemporâneos, os contos do livro também dialogam com a poética de João Carrascoza, um dos principais escritores brasileiros contemporâneos.

Por meio do trabalho com a palavra que diz ao não dizer, do retrato do Sol que ilumina ao se pôr, as narrativas não desvendam o mistério em seus desfechos. São metafísicas por excelência.

“Em nome do pai”, conto que abre o livro, é tocante. Mostra o triunfo da vida, ainda que na “17ª tentativa”, e, invertendo a ordem natural das coisas, coloca a vida como herdeira da morte.

“A cobra na cabaça” narra o encontro invisível entre duas pessoas, através da música, separadas ainda (para sempre?) pela “madeira da porta”. “Balaio de cabeças” dialoga com o clássico “A terceira margem do rio”, do já mencionado Guimarães Rosa: o desparecimento de um marca o surgimento da lenda.

Como nos contos de João Carrascoza, a temática da morte é frequente: a morte que “poupa de gritos dilacerantes”, em um dos contos mais longos do livro, “A praga”. Em “A santa que fugiu do altar”, pródigo em metafísica, Manuelinha lembra muito Niilinha, do conto “A menina de lá”, de Rosa. “Condensação e deslocamento”, noções fundamentais para a definição de sonho, por Freud, retrata algumas cenas, como em um filme (um sonho?), de modo que a ligação entre elas perfaça o percurso de uma vida, ainda em aberto.

A última narrativa, “Em busca do pai”, cujo título remete à primeira, a filha encontra o pai, em sonho, no céu. Sonhar, aqui, forma caráter; confere densidade à subjetividade. Uma vez mais, é a vida a herdeira da morte – silenciosamente e no breu.

*Renato Tardivo é psicanalista e escritor. Doutor em Psicologia Social da Arte (USP). Autor, entre outros, do ensaio Porvir que vem antes de tudo – literatura e cinema em Lavoura Arcaica  (Ateliê/Fapesp) e do livro de poemas Girassol Voltado Para a Terra (Ateliê). 

“Dez Mitos Sobre os Judeus” na Espanha

Pablo Villarrubia Mauso*

No último dia 8 de fevereiro a Casa Sefarad-Israel, em pleno centro de Madri, acolheu a apresentação do livro Diez mitos sobre los judíos (traduzido para o espanhol  por Carol Colffield da versão  em português publicada pelo Ateliê Editorial-2014), de autoria da professora Maria Luiza Tucci Carneiro. Editada pela prestigiosa editora Cátedra (Grupo Anaya, Madri) dirigida por Raúl García Bravo, a obra chega agora às mãos dos leitores da Espanha com muita expectativa, pois a autora já é bem conhecida nos meios acadêmicos do país.

O prefácio do livro foi escrito por Xosé Manoel Nuñez Seixas, historiador e catedrático de História Contemporânea da Universidade de Santiago de Compostela (Galícia) e, desde 2012, da Universidad de Munich: “O livro é uma jóia….a autora encontra uma explicação para um aparente paradoxo, o da grande versatilidade ideológica dos mitos anti-judeus, particularmente sua capacidade para impregnar diferentes cosmovisões e ideologias política, tanto da extrema direita como da extrema esquerda”.

Participaram da apresentação do livro de Tucci Carneiro: o editor Raúl Garcia Bravo, o escritor e periodista Pablo Villarrubia e Uriel Macías, escritor e porta-voz da Embaixada de Israel na Espanha. Foto: Boris Kossoy

Antes da palestra, o editor Raúl Garcia Bravo enfatizou a atualidade do tema considerando as atuais manifestações de antissemitismo e questões relativas à intolerância presentes na Europa de hoje. O escritor Uriel Macías, especialista em bibliografia judaica e porta-voz da Embaixada de Israel na Espanha, analisou os mitos que, amplamente, têm sido endossados pela sociedade espanhola em relação aos judeus, dentre os quais o do deicísmo. Enfatizou que a persistência destes mitos geraram uma série de expressões que estão presentes no dia a dia, na linguagem. E exemplificou:

Há muitas pessoas que ainda dizem “esto es una judiada”, ou seja, uma atitude ruim ou perversa, ou ainda, expressões do tipo “qué judio!”, algo assim como “que pessoa danada!”.  Isto está arraigado em nossa sociedade – afirmou Macías.

A professora Tucci Carneiro mostrou, em projeção, várias imagens de obras de arte, cartazes, capas de livros e panfletos. Nelas foi apontando elementos pictográficos e simbólicos que revelam aspectos da manipulação das ideias e dos conceitos sobre o povo judeu ao longo de vários séculos. Também apresentou imagens recentes que têm circulado em sites e periódicos, nacionais e estrangeiros, que reproduzem os mesmos mitos valendo-se do humor sádico e de informações deturpadas.

Uma das imagens apresentadas por Tucci Carneiro
exemplificando a atualização do mito: pôster que circulou na Espanha por ocasião da visita de Obama. A imagem refere-se ao filme L’ Oligarquie et le Sionisme, de Béatrice Pignède, 2013.

O mito é uma construção que se organiza através de uma sucessão de imagens que, de forma dinâmica, tem o objetivo de reordenar o mundo ou alguma sociedade em especial. Se o imaginário coletivo da população for rico em imagens metafóricas, será muito mais fácil creditá-lo como verdade. Geralmente os indivíduos mal informados, com algum desequilíbrio mental ou desencantados com a sua posição socioeconômica, tornam-se alvos fáceis dos mitos racistas. São pessoas que se tornam, facilmente, receptivas às teorias conspiratórias e genocidas – observou a historiadora Tucci Carneiro.

A Casa Sefarad-Israel ( http://www.casasefarad-israel.es/) engloba vários institutos, entre eles o de Cultura Judia, o de Holocausto e AntiSemitismo, de Estudos Israelenses e o de Estudos Sefaraditas-Erensya. Portanto, o espaço ideal para a apresentação de Diez mitos sobre los judíos onde compareceram pouco menos de uma centena de pessoas não só do âmbito da instituição como um público amplo. Entre os presentes se encontrava o antropólogo galego José Luis Cardero, que realiza um importante trabalho sobre o estudo sobre simbologia nazista e sua implicação no apoio à política de extermínio dos judeus antes e durante a Segunda Guerra Mundial; a professora doutora Elda Gonzalez, pesquisa do CSIC – Centro Superior de Investigações Sociais (Governo de Espanha); Esteban González Lopez, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Autônoma de Madrid e  ex-becário do Yad Vashem; Rosa Rios Cortez, estudiosa do Holocausto também graduada pelo Yad Vashem; Diego Moldes González, escritor espanhol, ensaísta, critico e historiador de cine, dentre outros.

As pesquisas de Tucci Carneiro demonstram claramente, como a imagem vale mais que mil palavras e acabam arrastando, ao público a uma tergiversação da realidade. Confirma que tais imagens geram estereótipos que, por sua vez, incorporam mitos criados para perseguir e estigmatizar o povo judeu – explica Tucci. Segmentos destas pesquisas podem ser consultados no site www.arqshoah.com, hoje com reconhecimento internacional. Exemplares do livro Diez Mitos sobre los Judios, nas versões em espanhol e português podem ser adquiridos on-line.

*Jornalista e escritor, de Madri.

Dia da Mulher: a igualdade de gênero ainda está longe de ser uma realidade

Por: Renata de Albuquerque

 

Mais um dia 8 de março vem e mais uma vez o “Dia da Mulher” entra em pauta. Há quem diga “não queremos flores”. Talvez seja melhor dizer “queremos respeito”. Muito já foi conquistado desde que as operárias americanas morreram no incêndio da fábrica de tecidos em Nova York, no século XIX. Mas, é inegável: ainda falta um longo caminho a percorrer até que a igualdade de gênero torne-se uma realidade.

Por isso, é preciso continuar falando, ressaltando as conquistas que já aconteceram e as que ainda estão por vir. Por isso, a Ateliê Editorial resolveu dar espaço a este tema e criou a campanha “Março, Mês da Mulher”.

A ideia foi aproveitar que o mês de março é todo dedicado à poesia (14/3 é o Dia Nacional da Poesia e 21/03 é Dia Mundial da Poesia) e unir os dois temas. Por isso, em março, todos os livros de poesia estão com desconto de 35%.

Se por um lado é a chance de economizar na compra de obras de um dos gêneros literários mais queridos dos leitores, por outro, é a oportunidade de conhecer a poesia escrita por mulheres, ouvir suas vozes e o que elas têm a dizer sobre si mesmas e sua condição.

Com o avanço da sociedade, elas passam a ser protagonistas de suas próprias histórias. E, para celebrar as mulheres e a poesia, veja abaixo algumas das muitas sugestões de livros que estão com desconto especial.

 

Antologia da Poesia Erotica BrasileiraAntologia da Poesia Erótica Brasileira

Organização: Eliane Robert Morae

De R$82,00 Por R$ 53,30

Traz uma seleção do melhor da lírica erótica desde o século XVII até os dias de hoje, com nomes como Gregório de Matos, Hilda Hilst, Carlos Drummond de Andrade, Álvares de Azevedo e Ana Cristina César, entre muitos outros. Os versos se alternam entre a sensualidade meramente alusiva e a obscenidade mais provocante. Lado a lado, eles se reúnem aqui para dar voz a um excesso que é, antes de tudo, o da imaginação.

 

Debaixo do Sol

Eunice Arruda

De R$36,50 Por R$ 23,72

A poeta da “Geração de 60”,  escreve, como ela mesma diz, pela “necessidade de captar as emoções, os pensamentos e devolvê-los depois ao mundo, transformados em outra linguagem: a da poesia”. Em Debaixo do Sol, a dicção lírico-amorosa-existencial continua a se destacar. A partir de uma escrita sintética, a poeta fala da condição humana, abraçada na comunhão com o outro e com o mundo.

 

Feito Eu

Elisa Nazarian

De R$31,00 Por R$20,15

Ao abrir as portas da memória autobiográfica, a escritora resgata o mais íntimo que existe em todos nós: o campo dos afetos. Sem rodeios nem melodramas, ela nos conduz delicadamente a esse universo tão particular quanto universal, sem o qual não nos saberíamos humanos. Em Feito Eu, ela trata dos momentos cotidianos, às vezes perturbadores, e explora o amor no que ele tem de mais visceral e doloroso. Seu verso, límpido e pungente, consegue ser confessional sem se tornar piegas.

 

Hipóteses de Amor

Annalisa Cima

De R$63,00 Por R$40,95

Uma das mais importantes poetas italianas da atualidade, teve o volume Ipotesi d’Amore  originalmente publicado em 1984 e depois traduzido por Alexandre Eulálio, amigo da escritora, e pelo poeta Ivo Barroso. Seus poemas, de intensa dramaticidade, falam principalmente de amor e amizade. Esta edição bilíngue, organizada por Maria Eugênia Boaventura e pelo próprio Ivo, traz também um conjunto de cartas trocadas entre Annalisa e Alexandre, além de um posfácio escrito por ela.

 

E tem muito mais em nossa seção de Poesias.

Ao finalizar sua compra digite o cupom “poesia” que o desconto será aplicado em todos os livros de poesia, exceto nos livros que já estiverem em promoção no outlet e pacotes promocionais.

Problemas para ler histórias de amor?

Por: Eliane Fernandes*

Eliane Fernandes

Como já contei em outro post, minha relação com os livros começou bem tarde. Imagino que se este universo fizesse parte de minha vida desde meus primeiros passos, hoje seria tudo muito diferente.

Quando se descobre que ler é muito bom e gratificante, tudo à sua volta parece mudar, assim como um primeiro amor.Tudo que se vê ajuda a lembrar de um livro: dos personagens, do cenário, da história.Os pensamentos quase sempre fogem da realidade, criando um mundo só seu.Entretanto não foi fácil seguir essa nova descoberta, alguns obstáculos foram colocados para que eu fosse provada, provas essas que eu resumo em: eu mesma e as outras pessoas.

Posso dizer que as primeiras páginas de leitura foram complicadas, afinal de contas eu não tinha o hábito de ler e, no começo de uma obra, geralmente, o autor apresenta os personagens, o local, deixando o m

ovimento do enredo mais para frente. Foi bem difícil lutar contra o sono, contra a vontade de assistir TV, de ouvir música ou até mesmo de ficar no Facebook.Mas fiz uma forcinha, afinal eu tinha que ganhar uma aposta e provar a mim mesma que eu era capaz de ler um livro inteiro. Depois do primeiro capítulo não consegui mais parar de ler, não me importava mais a aposta, eu queria mesmo era saber o final da história.

As pessoas também foram um obstáculo e tanto em minha “nova vida”.Primeiro porque todos estranhavam de eu estar carregando um livro para cima e para baixo, vinham várias perguntas e comentários como: “que livro é esse?”; “você está lendo?”; “você deveria ler ‘tal’ livro”; “este livro é inadequado”; “por que está lendo isso?”, “credo, você está lendo este livro?”; “não tinha nada melhor pra ler?” e mais uma infinidade de perguntas e comentários.Claro que algumas perguntas e observações são normais e pertinentes, entretanto eu percebia que algumas pessoas queriam moldar o meu gosto literário, fazendo críticas aos livros que eu escolhera para ler: por ser para jovens, por ter cenas picantes, por ser de príncipes e princesas, por ter vampiros… Enfim, haviam pessoas que se incomodavam pelo que eu lia, isso sem dúvida me deixava irritada e prejudicava minha leitura. Mas, mesmo assim, eu ouvia todas as críticas e comentários, pensando: “como resolver isso, sendo clara o bastante e que a pessoa não fique magoada?” Fácil:sendo sincera. Eu sempre ouvi tudo, mas também sempre deixei muito claro que era eu quem estava lendo, então não havia motivos para tanto alarde.Além disso, sempre deixei muito claro que se eu sentir vontade de ler eu lerei, independente da opinião de quem seja.O importante é eu gostar e ninguém mais.

No final de tudo foi fácil ler, primeiro eu tive que condicionar a mim mesma a uma nova rotina, tive que mostrar para o meu cérebro pouco treinado que ler é divertido.E quanto às pessoas? Hoje não ligo mais para o que dizem, geralmente eu ouço, viro a página e continuo lendo, o importante é a leitura me fazer feliz, então se eu me interessar pela história, pode ser de monstro, de pirata, de mocinho e bandido ou até mesmo sobre a lua, eu irei ler.

 

* Filha mais velha de uma família simples da capital da cidade de São Paulo, terminou o ensino médio em 2005. Formada em Ciências Econômicas, especializada em Finanças e prestes a tornar-se especialista em Perícia Criminal e Ciências Forenses.

 

Clássico, “O Ateneu”, de Raul Pompeia, ainda instiga leitores do século 21

“O Ateneu”, de Raul Pompeia, foi lançado há mais de um século, mas ainda instiga e provoca os leitores. A obra carrega em si características de diversas manifestações artísticas, como realismo, impressionismo e expressionismo, que se evidenciam no romance de dimensão autobiográfica do autor, Raul Pompeia, publicado pela primeira vez em 1888. Se, na época, ele foi recebido com estranhamento pela crítica, ainda hoje intriga leitores. Por isso, a Ateliê lança uma nova edição do clássico, com apresentação e notas de Emília Amaral, professora de Literatura e Doutora pela Unicamp, que fala ao Blog da Ateliê sobre o clássico:

 A edição traz ilustrações feitas pelo próprio Raul Pompéia. Ele era reconhecidamente um bom desenhista? Como essas imagens foram selecionadas para esta edição?

 Emília Amaral: Raul Pompeia era, sim, reconhecidamente, um excelente desenhista. Fazia caricaturas incríveis, e isso tem tudo a ver com a forma magistral como caracteriza seus personagens. As imagens desta edição são as mesmas feitas e escolhidas pelo autor desde a primeira edição da obra.

 

Esteticamente, quais são as inovações propostas por “O Ateneu”?

EA: Ele combinou de maneira brilhante estilos díspares e até então impensáveis numa mesma obra: o realismo, o naturalismo, o simbolismo, o parnasianismo.

 

Quanto de autobiográfico em relação ao autor, em sua opinião, há em “O Ateneu”?

EA: Bastante. Talvez nem tanto em termos factuais estritos, mas psicologicamente.
Por que Lúcia Miguel-Pereira teria classificado “O Ateneu” como um “romance estranho, diferente de tudo o que habitualmente se escrevia”?

EA: Justamente pela intersecção de estilos tão díspares, entre outros fatores.
Na opinião da senhora, o leitor do século XXI ainda é capaz de sentir esse estranhamento?

EA: Com certeza. Este livro, como toda grande obra, continua interessando e desafiando leitores por muito tempo.
Que interesse a obra desperta nos leitores de nossos dias, que ainda não leram este livro?

EA: Como se trata de um romance de formação, ele interessa muito, ao mostrar a passagem da adolescência para a vida adulta e assim trazer muitas questões existenciais pertinentes como objetos de reflexão.

Conheça outros títulos da Coleção Clássico Ateliê

O Ateneu ganha nova edição da Ateliê Editorial

Clássico do século XIX, que mistura diversos estilos, estava esgotado

Lançada em 1888, O Ateneu é conhecido como uma obra que carrega em si características de diversas manifestações artísticas, que se evidenciam no romance de dimensão autobiográfica do autor, Raul Pompeia. Para Emília Amaral, professora de Literatura e Doutora pela Unicamp, como toda grande obra, o livro continua desafiando os leitores. “Ele (Raul Pompeia) combinou de maneira brilhante estilos díspares e até então impensáveis numa mesma obra: o realismo, o naturalismo, o simbolismo, o parnasianismo”, explica Emília, que assina a apresentação e as notas da obra, nas quais procura desvendar alguns de seus elementos fundamentais.

Além disso, O Ateneu apresenta caricaturas e ilustrações desenhadas pelo próprio autor, algumas das quais não utilizadas pelos editores na publicação original.

Parte da Coleção Clássicos Ateliê, a obra tem como pano de fundo o drama da solidão, o desajuste do indivíduo num ambiente que lhe é hostil. “Como se trata de um romance de formação, ele interessa muito, ao mostrar a passagem da adolescência para a vida adulta e assim trazer muitas questões existenciais pertinentes como objetos de reflexão”, afirma Emília.

 

Conheça a Coleção Clássicos Ateliê

Idealizada pelo professor Ivan Teixeira, a coleção nasceu em 1996. A ideia é apresentar ao vestibulando obras clássicas da literatura brasileira e portuguesa, com um estudo introdutório que facilite o entendimento sobre a época em que foram criadas, seus personagens e o contexto sociocultural.

As obras são sempre ilustradas, apresentam pesquisa iconográfica e a introdução e as notas são escritas por professores de renomadas instituições de ensino. Os textos, sempre na íntegra, buscam respeitar aquilo que seus autores desejaram, utilizando-se de primeiras edições, ou de edições revisadas por cada autor como texto-base.

A Coleção Clássicos Ateliê já tem 30 títulos e está sob a coordenação do professor José de Paula Ramos Jr., da ECA-USP.

 

Serviço

O Ateneu

Formato: 12 x 18 cm

Número de páginas: 335

ISBN: ISBN 978-85-7480-756-0

Preço: R$ 34,50

 

Sobre a Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial está no mercado desde 1995, atuando principalmente nos segmentos de literatura – ensaios, crítica literária e outras matérias de natureza acadêmica; comunicação e artes; arquitetura; edição de clássicos da literatura; e estudos sobre o livro e seu universo. O objetivo desta casa é levar ao público leitor livros de alta qualidade editorial, em edições cuidadosas que primam pela atenção ao conteúdo, à forma e à expressão. Isso transparece tanto nas capas quanto no rigor e fidelidade textual, o que pode ser comprovado pelos diversos prêmios nacionais e internacionais já recebidos pela editora – como Jabuti, APCA e IDA International Design Awards (EUA).

Site: www.atelie.com.br

Blog: http://blog.atelie.com.br/

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