Monthly Archives: julho 2019

Leia nas férias

Quem ama livros, sempre aproveita o frio e o tempo mais livre das férias para colocar as leituras em dia. Mas julho está acabando. Para incentivar os leitores a continuarem a investir seu tempo nas leituras que dão prazer (não apenas as obrigatórias), A Ateliê Editorial está estendendo a campanha “Leia nas Férias”.

A proposta é dar opções de livros que podem ser lidos como um “combo”, seja porque tratam de assuntos correlatos, ou porque são dos mesmos autores. São muitos assuntos, para todos os gostos: língua portuguesa e semiótica, literatura realista, equilíbrio e natureza, arquitetura, design, arte, cinema, filosofia, sociologia, música, literatura grega, idade média, ficção e literatura portuguesa.   

Gostou? Então, veja alguns livros da seleção:

A Capa do Livro Brasileiro

Mesclando a análise da evolução das capas com a história do desenvolvimento do livro, dos editores e dos capistas, Ubiratan Machado oferece uma visão ampla e consistente da história do livro brasileiro do ponto de vista de suas capas. O autor costura a história das capas na trajetória das principais escolas literárias do período em tela, ressaltando as interações entre forma e conteúdo. 

Bibliomania

Marisa Midori Deaecto e Lincoln Secco, dois jovens eruditos que têm em comum a paixão pelo livro e pela história, falam dos livros como falamos de nossos amigos, de pessoas íntimas, numa escrita semelhante a um concerto de voz a serviço do tema, como só os verdadeiros escritores têm a ousadia de fazer.
Bibliomania é uma cooperação harmônica entre alguns atores do mundo editorial (autor, editor e designer) que veem o livro como uma terra de palavras, de acolhimento e de deleite.

A Lição Aproveitada – Modernismo e Cinema em Mário de Andrade

Lição Aproveitada

No vasto campo dos estudos de literatura comparada, o professor João Manuel dos Santos Cunha escolheu como tema o encontro de Mário de Andrade com o cinema. O autor seduz, “andradinamente”, com todas as informações hoje disponíveis sobre as relações do cinema com a literatura, o que faz deste livro leitura obrigatória tanto nos cursos de letras como nos cursos de cinema. Para os que fazem cinema, na teoria e na prática, ou para aqueles que apenas veem filmes, este livro nos desvenda prazerosamente a mágica inventora de uma obra-prima do Modernismo brasileiro, Amar, Verbo Intransitivo. De como Mário de Andrade “escreveu” um filme, ou “viu” um romance.

Paulinho da Viola e o Elogio do Amor

 Eliete Negreiros apresenta uma reflexão sobre a representação do amor na obra do compositor e sua inscrição no âmbito da tradição do pensamento e da lírica ocidental. Através das canções criadas e cantadas por ele, a autora revisita poetas e pensadores como Safo, Platão, Aristóteles, Montaigne, Freud, Walter Benjamin e Octavio Paz.

Literatura Grega: Irradiações

Conceitos gregos (ser, logos, dialética, ética, política) agitam o pensamento agora. Inquietações de tragedistas atenienses voltam ao palco em peças contemporâneas. Procedimentos narrativos de Homero são reelaborados na prosa de Guimarães Rosa. Do romance, o gênero sem limites, encontram-se prenúncios nas invenções literárias de Platão. Os gêneros gregos continuam a gerar.

“Inocência”, um dos mais famosos romances de Visconde de Taunay

Inocência foi lançado em 1872. Escrito por Alfredo Maria Adriano d’Escragnolle Taunay – o Visconde de Taunay – este romance regionalista traz para o leitor o ambiente do sertão e o comportamento do sertanejo, por meio da história de amor impossível entre Inocência e Cirino. Nesta edição da Ateliê Editorial, Inocência chega ao leitor repleta de notas de rodapé que ajudam a entender o contexto da obra, informações relevantes e outros dados que facilitam e aprofundam a leitura. Com apresentação de Jefferson Cano e ilustrações de Kaio Romero, Inocência tem estabelecimento de texto e notas de José de Paula Ramos Jr, que fala sobre o lançamento com o Blog da Ateliê.

Inocência é, por assim dizer, um “ponto fora da curva” na obra de Taunay, já que é regionalista e trata do ambiente rural. De que maneira esta obra se liga a outras do autor?

José de Paula Ramos Jr: Talvez não devêssemos considerar Inocência um “ponto fora da curva” na obra de Taunay, na medida em que ela apresenta núcleos de interesse diversos, o sertão, a cidade, a guerra, a degradação decorrente do regime escravista, memorialismo, observações de viagens, entre outros. O romance Inocência poderia ser considerado um “ponto fora da curva” na obra de Taunay, sim, na perspectiva estética, pois está muito acima das demais obras do autor do ponto de vista artístico. Inocência é a sua obra-prima.

A trama se passa no sertão do Mato Grosso, ainda durante o século XIX. Durante o século XX, diversos autores escreveram sobre os sertões brasileiros, mas no século XIX, isto ainda não era comum. Podemos considerar esta uma inovação de Taunay ou o cenário é apenas pano de fundo para uma narrativa basicamente de cunho romântico, típica de sua época?

José de Paula Ramos Jr.

JPRJ: Na literatura brasileira, o regionalismo é uma corrente de vasto e prestigiado acolhimento pelo público e pela crítica. Teve início com o romantismo e, desde então, vem sendo tradicionalmente praticado, evidentemente, com as mudanças correspondentes às poéticas culturais que historicamente se sucedem e sempre trazem algo de novo (basta pensar nas inovações trazidas por obras regionalistas de Coelho Neto, de Graciliano Ramos e de Guimarães Rosa, para ficarmos com só três exemplos). Taunay não esteve só na criação do regionalismo literário de nossa literatura. Ao seu lado é possível indicar autores e obras como O Gaúcho, O Sertanejo, Til, O Tronco do Ipê, romances de José de Alencar; não se pode esquecer a contribuição de Bernardo Guimarães, com O Seminarista, O Garimpeiro, O Ermitão de Muquém; é preciso lembrar de Franklin Távora, com O Cabeleira. Entre todos eles, porém, Taunay se distingue como autor do mais belo romance regionalista do nosso romantismo, que já continha aspectos antecipadores do realismo.

Quais os diferenciais desta edição da Ateliê?

JPRJ: A edição do romance Inocência, da Coleção Clássicos Ateliê, oferece ao leitor um texto fidedigno, estabelecido com o rigor da crítica textual. As notas autorais são mantidas e, para o leitor em formação, são acrescentadas notas lexicais e culturais, que contribuem para o entendimento do texto. A edição Ateliê de Inocência é apresentada por Jefferson Cano, professor doutor da Universidade de Campinas, com o ensaio “Natureza, Civilização e a Perda da Inocência”, que enriquece a fortuna crítica da obra.

Quais os aspectos mais interessantes do texto “Natureza, Civilização e a Perda da Inocência” em sua opinião?

JPRJ: O estudo de Jefferson Cano reconstitui o processo de publicação da primeira edição de Inocência e da sua recepção pela crítica literária. O primeiro torna possível entrever algumas das dificuldades enfrentadas pelos autores do século XIX para que suas obras fossem publicadas, fator que certamente se associa à consciência dos editores quanto à incerteza de retorno do investimento, pois o leitorado era diminuto (estima-se que na década de 1870, excluídas as crianças, 78% da população livre do país era analfabeta). A recepção da crítica, por sua vez, foi francamente favorável e é exemplarmente resenhada. Alguns aspectos pertinentes levantados pela crítica pioneira e supérstite são retomados, desenvolvidos, analisados e interpretados de modo original e perspicaz por Jefferson Cano: a paisagem e o homem do sertão não se diferenciam, integram-se, e quando em contato com personagens que representam a cultura urbana, a mútua incompreensão é inevitável, bem como o choque entre essas duas realidades tão diversas – a natureza e a civilização. Outras importantes oposições presentes no romance são destacadas e, nesse contexto, ganha importância o narrador cuja função é demonstrada numa perspectiva tão inédita quanto minuciosa e pertinente.

Visconde de Taunay

Sob quais aspectos a leitura de Inocência pode surpreender o leitor do século XXI?

JPRJ: Um leitor do século XXI pode se surpreender com a leitura de Inocência por várias razões. Entre elas: a alta qualidade artística do texto; a ação verossímil, bem articulada e emocionante; a hábil criação de personagens, tanto em seus aspectos físicos quanto morais; a revelação da cultura dos sertanejos no século XIX, na região de Mato Grosso: seus usos, costumes, tradições e valores, entre os quais se destaca o papel de lamentável degradação das mulheres, totalmente sujeitas aos desígnios arbitrários dos homens.

Impressões de um leitor de Euclides da Cunha

Por Renata de Albuquerque

A FLIP já acabou, mas Euclides da Cunha (homenageado da 17ª edição da Festa) merece continuar na pauta. Por isso, hoje, o Blog Ateliê traz impressões de leituras de Felipe Tavares de Moraes sobre Euclides da Cunha, suas obras e os livros sobre o autor. Felipe é professor, formado em História, Mestre em Educação pela UFPA e Doutor em Educação pela USP e se considera um “leitor comum, não especialista na obra euclidiana”.  Entretanto, Euclides da Cunha despertou sua atenção já durante o Ensino Médio e ele nunca mais parou de ler as obras do carioca e as escritas sobre o autor.

“Nas aulas sobre os movimentos de contestação a recém implantada República, Canudos era mencionado como uma destas manifestações. (…). Os Sertões (era considerado), segundo os professores no Ensino Médio, uma das principais obras do pensamento brasileiro. Foi aí que fiquei curioso em lê-lo. Ingressei no curso de História, na Universidade Federal do Pará (UFPA), no qual tive a oportunidade de ler a obra, conhecer com mais profundidade a trajetória intelectual de Euclides da Cunha e as suas contribuições para pensar o Brasil e a Amazônia”, conta ele.

Felipe Tavares de Moraes

Sua formação em História permitiu que ele percebesse, em Euclides da Cunha, o desejo de entender o Brasil profundo, a realidade sertaneja “dos mais longínquos rincões amazônicos”, ainda que com um profundo pessimismo. “O sertão é uma categoria central no projeto intelectual de Euclides da Cunha, no qual civilizar o Brasil era civilizar o sertão. Por isso, urgia investigar o sertão”, acredita. Segundo ele, ler Os Sertões continua uma obra atual porque faz o leitor tomar contato com uma carnificina que guarda laços com a realidade atual do país.

O interesse por Euclides da Cunha adensou-se por causa de sua Tese de Doutorado, em que Felipe analisa a construção do seu pensamento social e educacional de José Veríssimo. “A minha hipótese é que José Veríssimo e Euclides da Cunha compartilhavam o mesmo instrumental analítico cientificista, porém suas análises eram orientadas por distintas experiências sociais, políticas e culturais, respectivamente, de um ‘natural’ (paraense) e de um ‘estrangeiro’ (fluminense) a região”.

Para os leitores que consideram a obra de Euclides da Cunha difícil, Felipe diz: é uma obra árida, com é típico de obras oitocentistas, um testemunho de um tempo histórico que, por meio da linguagem literária, jornalística e científica nos permitem acessar uma época cheia de dilemas, ambiguidades e ambivalências. “Não é uma linguagem fácil. Este desafio da linguagem, porém, não deve desencorajar o jovem leitor brasileiro contemporâneo. Nesse sentido, a edição do Os Sertões, da Ateliê Editorial, a meu ver, é a melhor disponível no mercado editorial brasileiro. O prefácio, a cronologia, as notas e o índice fazem desta edição uma das mais completas, sobretudo pelas notas críticas de rodapé que proporcionam uma imersão integral na leitura, evitando a consulta onipresente do dicionário e do google, e permitindo o contato com este outro tempo evocado nos significados e imagens do texto euclidiano”, diz.

Já sobre Euclides da Cunha: Uma Odisseia nos Trópicos, a biografia do escritor carioca, Felipe afirma que ela se destaca por ser um estudo rigoroso, que faz um levantamento documental sobre a vida e obra do autor de Os Sertões. Segundo ele, essa pode ser uma “bússola para aqueles que são marinheiros de primeira viagem na obra de Euclides da Cunha”. “O que mais me interessou na biografia de Amory é o capítulo dedicado a trajetória de Euclides na Amazônia, chamado ‘À Margem da História’, pois meus investimentos de pesquisa vão tratar exatamente deste período da sua vida. Nesse sentido, a biografia é excelente no levantamento de fontes relacionadas ao trabalho de Euclides na Amazônia”, conclui.

FLIP homenageia Euclides da Cunha

O autor homenageado da 17ª Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP 2019 – é Euclides da Cunha. Durante o evento, acontecem várias atividades, encontros e reflexões sobre o autor de Os Sertões. A abertura, a cargo da crítica literária Walnice Nogueira Galvão, rememora a importância da obra de Euclides da Cunha para a cultura brasileira.

O carioca Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha (1866-1909) foi militar, jornalista e escritor. Sua cobertura da Guerra de Canudos (1896-1897) foi compilada no volume Os Sertões, uma referência para a literatura pré-modernista brasileira e para o jornalismo de sua época – um livro reportagem que ainda desperta interesse.

Para entrar no clima da Festa, a Ateliê, durante a FLIP 2019, dá descontos em três livros de seu catálogo que são essenciais para entender a importância de Euclides da Cunha:

Sertões, Os – Campanha de Canudos, de Euclides da Cunha

Os Sertões – Esta é a edição mais completa do clássico de Euclides da Cunha. Além do texto rigorosamente restaurado conforme as fontes mais autorizadas, possui cerca de três mil notas, auxiliando o esclarecimento do difícil vocabulário euclidiano. É a primeira edição com minucioso e inédito índice onomástico de lugares e pessoas; acurada cronologia da vida e obra do autor; vinte e quatro páginas de iconografia, com informações desconhecidas sobre o assunto; e prefácio elucidativo do organizador, Prof. Leopoldo Bernucci, que aborda o problema das diferentes linguagens de Os Sertões e de suas qualidades artísticas.

Euclides da Cunha – Uma Odisseia nos Trópicos – Livro vencedor do Prêmio Jabuti, esta biografia escrita por Frederic Amory, traduzida por Geraldo Gerson de Souza e apresentada por Leopoldo Bernucci abandona os mitos e dá destaque ao gênio sem separá-lo de suas misérias. Assim, aprofunda e esclarece aspectos da vida e da obra de Euclides da Cunha até então pouco estudados.

O Pai – A morte de Euclides da Cunha é um dos episódios mais trágicos da literatura brasileira. Sua esposa, Ana, tornou-se amante do cadete Dilermando de Assis. Ainda casada com Euclides, teve dois filhos de Dilermano. Em 1909, o escritor confronta o amante de Ana, mas este reage e mata o escritor. Ana e Dilermando, então, casam-se, mas se separam depois de cerca de uma década. O Pai, livro escrito por Dirce de Assis Cavalcante, conta como a autora descobriu que era “filha de um assassino”. Ela é a filha que o general Dilermando teve depois de se separar de Ana. No decorrer do depoimento, acompanhamos como ela perdeu e recuperou a estima pelo pai, protagonista da tragédia.

“O Cortiço”, de Aluísio Azevedo

Um lugar com vida própria. Assim é O Cortiço, de Aluísio Azevedo, o mais exemplar romance realista-naturalista brasileiro. Nos romances naturalistas, como é o caso deste, o lugar define o caráter e a personalidade das pessoas que ali vivem. O autor maranhense (1857-1913) parte dessa premissa e cria uma obra de arte que traduz essas ideias aos transformar o cortiço onde se passa a ação no personagem principal do livro.

O naturalismo é uma estética que se baseia na percepção da realidade. Mas não tem o “verniz” do realismo e mostra, sem idealizações ou máscaras, a miséria humana: violência,  mesquinhez, crimes, sede por ascensão social, falta de caráter, patologias físicas e psíquicas. O que há de pior no caráter humano vem à tona na narrativa naturalista, cujo tom é de forte crítica social. A sexualidade não raro está ligada a adultério ou a práticas condenáveis pela moral social do século XIX.   

Em O Cortiço, Aluísio Azevedo mostra o lado mais marginal da sociedade carioca do século XIX, em um momento no qual a paisagem urbana sofria mudanças importantes, como o surgimento das primeiras favelas e a aglomeração das pessoas mais pobres em cortiços, nos subúrbios e morros, fora das áreas centrais. O autor, muito interessado em pintura e desenho, faz um verdadeiro retrato desse momento, não apenas da paisagem urbana, mas dos tipos humanos e de suas motivações mais sórdidas – sempre exagerando mas tintas, como é típico do naturalismo.

Personagens e enredo

Se o cortiço é o personagem principal do romance, os tipos que vivem ali não são menos interessantes. Tudo é narrado com um realismo impressionante. É quase possível sentir o mau cheiro do ambiente, ouvir as gritarias das brigas e perceber, com asco, tudo o que acontece ali. Um narrador em terceira pessoa, onisciente, aumenta a sensação do leitor de que tudo ali pode ser julgado e analisado sob um ponto de vista determinista.

O cortiço é construído pelo português João Romão, também dono de uma pedreira, onde trabalham Jerônimo. A ambição de João Romão por ascender socialmente não tem limites e ele, sem escrúpulos, utiliza de meios ilícitos para enriquecer. Inclusive, mente, dizendo à Bertoleza, sua amante, que ela é uma escrava alforriada, mas, quando lhe convém, a denuncia ao verdadeiro dono.

O também português Miranda torna-se vizinho do cortiço, mas ao contrário de João Romão, tem acesso à alta sociedade, o que desperta a atenção deste. João Romão passa a se aproximar de Miranda para tentar ascender socialmente e a disputa pelo espaço do terreno entre eles arrefece em nome de outros interesses: o casamento entre João Romão e Zulmira, filha de Miranda. Em nome desse acordo, João Romão denuncia Bertoleza, que é devolvida a seus donos. Na casa mais próspera, a moral também não é ilibada: a mulher de Miranda, Estela, é infiel ao marido.  

Quanto a Jerônimo, a princípio ele é um personagem  honesto, forte e de caráter nobre. Entretanto, depois de se envolver com Rita Baiana, acaba por assassinar o namorado dela, Firmo e abandona a esposa para viver com Rita, mulata que seduzia por sua maneira de dançar. Torna-se então relapso e decadente, enquanto a mulher que abandonou em troca de Rita, chamada Piedade, torna-se alcoólatra.  

A decadência de caráter (que, na tese do autor é provocada pelo ambiente em que os personagens vivem) também atinge Pombinha, moça virgem que espera a primeira menstruação para poder se casar. Ela é seduzida pela prostituta Léonie e passa a viver uma vida de “lascívia” (já que no século XIX a homossexualidade era considerada doentia).

Tudo, em O Cortiço, é justificado pelo clima e pelo ambiente em que os personagens vivem. O sol e o calor são motivos para a preguiça e a luxúria, confirmando teorias muito em voga na época em que o livro foi escrito.

O Cortiço, de Aluísio Azevedo, é parte da Coleção Clássicos Ateliê