Monthly Archives: janeiro 2019

Paradeiro: o primeiro romance de Luís Bueno

Paradeiro é o romance de estreia de Luís Bueno e tem como um de seus cenários a cidade de São José dos Campos (SP) em épocas e com personagens distintos. O exercício de estilo desafiou o autor. “Os três planos da narrativa não se relacionam pelo enredo. Ao contrário, as personagens têm pouco ou nenhum conhecimento uma da outra”, afirma Bueno, que é Doutor em Teoria e História Literária pela Unicamp e professor de Literatura Brasileira na Universidade Federal do Paraná (UFPR).A seguir, ele fala com o Blog da Ateliê.

Por que do título Paradeiro?

Luís Bueno: A palavra tem uma ambivalência entre o permanente e o efêmero, passageiro, que está na base do romance. Na esteira dessa ambivalência, o título evoca um lugar ao mesmo tempo metafórico e geográfico em que se foi parar – mas parar até quando? Existe inclusive uma expressão, “paradeiro desconhecido”, que é o ápice dessa ambivalência porque fala de um lugar desconhecido em que alguém está, ou seja, é toda parte e lugar nenhum. É nessa ambivalência que o livro se funda.

O livro se passa em São José dos Campos. Por que dessa escolha?

LB: A história da cidade faz dela um paradeiro ideal para este romance, pois ela é emblemática  desse jogo entre efemeridade e permanência. Uma permanência curiosa, resultado das experiências individuais que se mantêm muitas vezes como resíduos quando a paisagem e a dinâmica de ocupação do espaço urbano mudaram drasticamente. Desde os anos 1960, tem sido uma cidade industrial – abriga fábricas enormes como a GM e a Embraer –, mas antes disso era uma cidade sanatorial na qual uma pequena população local se misturava com uma população flutuante constituída de tuberculosos em tratamento. É, aliás, como cidade sanatorial que ela aparece, aqui e ali, na literatura brasileira, mencionada em romances como Floradas na Serra, de Dinah Silveira de Queirós, ou Território Humano, de José Geraldo Vieira. Antes disso, aparece como cenário de bangue-bangue em Quincas Borba, numa passagem em que é mencionada para dizer mal de um personagem secundário, cujo  cunhado “dera um tiro de garrucha num delegado em São José dos Campos”. Mais recentemente foi o lado de cidade tecnológica que a tornou o cenário da resistência a zumbis na saga As Crônicas dos Mortos, de Rodrigo de Oliveira.

Em Paradeiro o que interessa é a relação entre essas várias cidades que são uma só, a dinâmica histórica de um lugar que muda radicalmente em poucas décadas, no qual também muda a experiência daqueles que vivem ali. Não é porque estamos no mesmo lugar e no mesmo tempo, expostos às mesmas mudanças, que nosso paradeiro é o mesmo.

Mas vale a pena lembrar que São José dos Campos não é o único cenário do livro: o Guarujá, que aliás também passou por uma transformação enorme, ainda que de outra natureza, no mesmo período, também é. Assim como, mais episodicamente, as cidades portuguesas de Leiria e Ruge Água.

Luís Bueno

Podemos dizer que a doença é um fio que liga os personagens, ainda que não necessariamente os defina. Qual a razão para trazer este tema à literatura?

LB: A doença de fato não define os personagens, mas os coloca numa posição privilegiada para reverem o que são. Um ditado diz que para morrer basta estar vivo, mas os vivos em geral não se ocupam tanto assim da morte. Doenças como a tuberculose antes do emprego dos antibióticos, o câncer e o Alzheimer até hoje, no entanto, colocam a vida em relação direta com a ideia de morte: não tem como escapar. Ora, a doença e a morte são experiências radicalmente pessoais que, ao mesmo tempo, são forçosamente partilhadas por todo mundo. A doença é elemento fundamental na criação de um tipo de relação específica entre indivíduos que interessa ao romance, uma relação que não nasce de um contato direto, mas de experiências comuns vividas por pessoas muito diferentes.

Há uma parte do romance que é epistolar. Como se deu a escolha de inserir esse gênero dentro de uma obra que não é apenas feita da troca de cartas?

LB: A forma epistolar ajuda a compor a caracterização de um dos protagonistas, um rapaz na faixa dos 20 anos que vai a São José dos Campos em 1938 para se tratar de uma tuberculose. Ele não é da cidade, não se integra a ela, então, como era usual, mantém correspondência com os amigos de fora, de onde sua vida deveria em tese ter continuado a transcorrer. As cartas concretizam essa situação e permitem que ele revise, nesse contato ao mesmo tempo tão precário e tão íntimo, suas amizades e suas crenças. A troca de correspondência é uma experiência que se transformou demais nas duas últimas décadas. Nosso tempo, afinal de contas, é o da comunicação imediata. No entanto, contrariando as aparências, o contato permanece cheio de ambiguidades, ainda precário e ao mesmo tempo íntimo.

O livro traz uma variedade de vozes, estilos, narradores e datas. Qual o desafio desse tipo de escrita?

LB: Juntamente com a estrutura geral dos capítulos, que giram em torno de um mote central, esse foi o maior desafio na elaboração do romance. Os três planos da narrativa não se relacionam pelo enredo. Ao contrário, as personagens têm pouco ou nenhum conhecimento uma da outra. Sua relação se dá num outro plano, naquilo que partilham mal sabendo que partilham. Para isso funcionar, seria preciso que cada plano fosse escrito de maneira distinta, de maneira que o leitor pudesse identificar cada um desses planos com facilidade. Era necessário também que não houvesse diferenças enormes de registro entre eles. Unidade e distinção ao mesmo tempo, assim como acontece, no plano do enredo, com as vidas que pouco e tudo têm a ver umas com as outras. Esse é o desafio difícil que procurei vencer. O leitor poderá verificar se deu tudo certo ou não.

Você teve uma preocupação com a fidelidade aos fatos históricos, ao escrever o romance, ou eles são apenas pano de fundo?

LB: Gosto de pensar que os “fatos históricos” integram a estrutura da narrativa, sendo mais que pano de fundo. Procurei ser preciso – sempre pensando na precisão que se pode esperar de um texto ficcional – porque isso contribui para que o leitor tenha uma impressão mais forte de realidade. E também porque me interessava que o livro se ligasse à realidade do lugar onde ele foi escrito e onde sua trama tem lugar.

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“A Relíquia”, de Eça de Queirós: humor e ironia em um clássico realista

Por Renata de Albuquerque*

Um romance realista cheio de ironia, humor e com um toque de cinismo. Assim é A Relíquia, romance de Eça de Queirós, publicado em 1887 em Portugal. O livro é narrado por Teodorico Raposo (Raposão), órfão de pai e mãe que, ainda criança, vai morar com sua tia, Dona Maria do Patrocínio (Titi), uma senhora beata, avara e casta. É ela quem controla a fortuna que o sobrinho herdará, no futuro.

As características da tia do narrador não são colocadas por acaso pelo autor. Eça de Queirós foi integrante da chamada Geração de 70 de Portugal, um grupo de artistas e intelectuais que desejava a renovação da  vida política e cultural portuguesa, que consideravam decadente. A obra Causas da decadência dos Povos Peninsulares nos últimos três séculos, de Antero de Quental, componente do grupo, propõe que são três os elementos que levam ao atraso científico e industrial e à decadência moral, econômica e social: o catolicismo, a monarquia absolutista e as conquistas ultramarinas. Em A Relíquia, Eça de Queirós lança mão de uma personagem beata para criticar a igreja católica e a sociedade portuguesa de então.

Enredo

A Relíquia narra as memórias de Teodorico Raposo, órfão cuja mãe morreu no dia seguinte ao parto (um sábado de aleluia) e que, por parte de pai, era neto de padre.  Tudo é contado com um forte tom de ironia. Por isso, o que está posto no romance deve ser lido com uma certa desconfiança do leitor. Graças a este recurso, a obra é uma leitura que agrada e diverte o leitor, pelo humor ácido e pelo cinismo. Teodorico narra as desventuras de viver com a tia e também suas aventuras em uma peregrinação à Terra Santa – viagem que Raposo realiza porque a tia não concordara em enviá-lo a Paris, cidade que Dona Maria do Patrocínio considerava um berço de vício e perdição. Titi pede ao sobrinho que lhe traga uma relíquia de Jerusalém.    

Na Terra Santa, Teodorico passa por uma experiência fantástica. Ele assiste pessoalmente a todo o sofrimento de Jesus Cristo e descobre que, em vez de ressuscitar, ele morreu de fato. Por causa deste episódio, muitos críticos acreditam que o romance fuja um pouco do realismo. Mas, no decorrer da trama, o realismo está fortemente presente.

Obviamente, entretanto, Teodorico não deixa de viver aventuras, ainda que em Jerusalém. Lá ele conhece Miss Mary, com quem tem um romance. Quando se separam, ela lhe dá como lembrança sua camisola, embrulhada em um pacote.

Para honrar a promessa que fez à tia – de trazer-lhe uma relíquia da Terra Santa – Teodorico trança uma falsa coroa de espinhos, que embrulha, de presente para Dona Maria do Patrocínio.

O narrador encontra, em seu caminho, uma mendiga e dá a ela a camisola de Miss Mary. Mas, em vez disso, confunde os pacotes e entrega-lhe a falsa coroa de espinhos. Ao voltar ao Brasil, entrega a camisola à tia que, então, deserda-o. Teodorico lamenta não ter convencido a tia de que aquela seria a camisola de Maria Madalena. Então, começa a vender “relíquias” de Jerusalém, que ele mesmo fabrica, mas o negócio declina com o tempo.

No final, Teodorico Raposo casa-se, torna-se pai e recebe a comenda de Cristo, sem, mesmo assim, deixar de pensar que poderia ter feito fortuna se tivesse dito uma mentira convincente  à tia beata.

Conheça outros títulos da Coleção Clássicos Ateliê


 
*Jornalista, Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH/USP, autora da Dissertação Senhoras de Si: o Querer e o Poder de Personagens Femininas nos Primeiros Contos de Machado de Assis.

Luís Bueno fala sobre a nova edição de “A Trágica História do Doutor Fausto”

Fausto, de Goethe, talvez seja hoje uma das obras mais conhecidas sobre o homem que faz um pacto com Mefistófeles. Mas a peça, publicada no século XIX, está longe de ser a primeira sobre o tema. Johann Faust, um mago necromante – alguém capaz de se comunicar com o mundo espiritual – viveu no início dos anos 1500 e foi tema até mesmo para Martinho Lutero. Sua  fama deu origem a diversas narrativas ao longo dos séculos. Este A Trágica História do Doutor Fausto, que a Ateliê acaba de lançar, reúne A Trágica História do Doutor Fausto, de Christopher Marlowe, e História do Doutor João Fausto, de 1587, de autor anônimo alemão. O primeiro texto foi traduzido por Luís Bueno e Caetano W. Galindo e o segundo por Mario Luiz Frungillo. O volume, mais um da Coleção Clássicos Comentados, tem organização, notas e introdução de Luís Bueno e posfácio de Patrícia da Silva Cardoso. A seguir, Bueno fala ao Blog da Ateliê:

Como se deu a reunião das pessoas envolvidas no projeto de traduzir os dois textos?

Luís Bueno: Essa reunião se deu há cerca de quinze anos, com a constatação de que não temos muitas traduções do teatro elisabetano no Brasil, além de Shakespeare, e com a provocação de um professor da Unicamp, Eric Mitchell Sabinson, que havia sido meu orientador no mestrado. Uma das peças mais importantes do período é justamente o Fausto de Marlowe, e pareceu lógico começar com ela para dar uma contribuição para diminuir essa lacuna. Sou professor na Universidade Federal do Paraná e logo convidei meu colega de departamento Caetano W. Galindo para traduzir comigo a peça. Mas ainda antes de começarmos a trabalhar, imaginei um volume mais amplo, que trouxesse também a primeira versão escrita da história do mítico mago, aquela de autor anônimo impressa em Frankfurt em 1587, A história do Doutor João Fausto. Falei com um outro amigo, tradutor do alemão, Mario Luiz Frungillo, e ele se interessou imediatamente em fazer a tradução do texto para compor o livro. Por fim, entrou na empreitada Patrícia da Silva Cardoso, que se incumbiu de fazer uma abordagem crítica não apenas dos dois textos, mas também da tradição fáustica.

Qual a contribuição dos envolvidos?

LB: Eu e Caetano W. Galindo traduzimos e anotamos juntos A trágica história do doutor Fausto de Marlowe. Mario Luiz Frungillo traduziu e anotou a História de João Fausto. Patrícia da Silva Cardoso escreveu o posfáco crítico. Com esse material em mãos, eu assumi a tarefa de escrever uma introdução que localizasse os textos para o leitor do nosso tempo. Por fim, decidi acrescentar mais um texto, que me pareceu ser útil tanto para o leitor de Marlowe quanto para o interessado na história do mito fáustico. É que Marlowe utilizou como fonte para escrever sua peça não o texto alemão, mas sim sua tradução inglesa, provavelmente publicada já no ano seguinte, em 1588. Como era comum naquele tempo, o tradutor, também anônimo, se deu grande liberdade e promoveu várias alterações no texto. Para dar ideia da diferença entre as duas versões, traduzi para o português alguns trechos da tradução inglesa para que o leitor pudesse cotejar e verificar o alcance das mudanças feitas pelo tradutor.

 

Luís Bueno

Qual a importância de um trabalho desta magnitude? Já havia outras traduções dessas obras no Brasil? Que inovação este volume, em particular, traz ao leitor?

LB: Quando começamos o projeto, a peça de Marlowe não estava disponível para o leitor brasileiro. Alguns anos depois, a editora Hedra republicou aqui uma tradução portuguesa. Salvo engano, este volume traz tanto a primeira tradução brasileira da peça quanto do texto alemão de 1587, o que em si já pode ser considerado uma inovação. Mas considero a reunião dos textos num só volume, acrescidos de material crítico e informativo original o aspecto mais inovador do volume.

 

O tema do pacto com o demônio é bastante presente no imaginário humano e também na literatura mundial (no Brasil, podemos pensar em Grande Sertão: Veredas, por exemplo, mas há diversas outras obras que abordam o tema). Entretanto, Fausto parece ser a gênese dessa questão. Em que medida se deu o desafio da tradução de textos tão antigos, sobre os quais nem mesmo há certeza sobre qual seria a “versão correta”? Que cuidados a equipe de tradutores teve que tomar para realizar o trabalho?

LB: As histórias de pacto com o demônio datam do início do Cristianismo e foram constituindo pouco a pouco, na Europa, uma larga tradição oral. Essa tradição encontra na figura do doutor Fausto, um sábio com fama de mago que viveu na Alemanha na virada do século XV para o XVI, uma espécie de maturação e síntese. Na peça de Marlowe inicia-se uma inflexão importante nessa tradição, pois o personagem começa a ser caracterizado como um indivíduo moderno, com os dilemas de nosso tempo, e é essa figura que vai constituir uma nova tradição, a especificamente fáustica, que passa pelo mais conhecido dos Faustos, o de Goethe, para desembocar, no século XX, em obras capitais como o Fausto de Fernando Pessoa, o Doutor Fausto, de Thomas Mann e Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. A tradução de textos mais antigos de fato exige certos cuidados particulares. No caso da História de João Fausto, felizmente há um texto bem fixado. No caso de A Trágica História do Doutor Fausto as coisas são diferentes. O grande problema é que não houve edições durante a vida de Marlowe e duas versões diferentes circularam mais tarde. Até hoje, apesar do grande esforço crítico dedicado à questão, não foi possível determinar qual seria a versão “verdadeira” da peça. No nosso caso, a decisão foi a de escolher a versão mais curta, chamada de A, de entrecho mais concentrado, ainda que cotejando com a outra, o texto B, que foi pontualmente utilizada.

 

Christopher Marlowe

Por que reunir em um só volume A Trágica História do Doutor Fausto e a História do Doutor João Fausto? O que o leitor poderá perceber ao ler ambos os textos de uma só vez, traduzidos pelos mesmos tradutores?

LB: Ao ler os dois textos o leitor vai ter a oportunidade de testemunhar o nascimento desse que é um dos temas mais marcantes da literatura moderna. Na História do Doutor João Fausto o autor alemão anônimo quer divertir, mas principalmente moralizar. O personagem aparece como alguém cujo exemplo não deve ser seguido e ponto final. A moral é muito simples: não vale a pena arriscar tudo para concretizar nossos desejos, não vale a pena fazer o pacto. Na peça de Marlowe estamos num ambiente bastante diferente, o da chamada alta literatura de seu tempo, e as intenções moralizantes são substituídas pelo dilema, pelo problema que é desejar mais do que nos está em princípio destinado. Nela o tema se aprofunda e vemos a dinâmica de um sujeito que não pode apenas ser condenado pelo que fez, mas cujo drama pode sim ser compreendido – o que não quer dizer necessariamente justificado, aqui não cabem julgamentos simplistas. Ao invés de um sujeito de quem temos que nos afastar de qualquer maneira, o que o texto de Marlowe nos dá é a oportunidade de nos identificarmos com as questões suscitadas pela trajetória do protagonista e de colocarmos nossos próprios desejos no espelho dos dele.

 

Por se tratar de um livro da coleção Clássicos Comentados, esse volume se destina apenas ao leitor que faz pesquisas acadêmicas ou também pode agradar ao leigo?

LB: A organização do volume e a tradução não tiveram em mente um leitor específico que fosse um pesquisador. Ao contrário, a ideia foi a de tornar acessíveis os textos a quem quer que os deseje ler. E, quem sabe, a quem se interesse por montar a peça de Marlowe. Afinal, uma peça só se realiza completamente no palco, não é mesmo?

 

Conheça outras obras de Luís Bueno

Ano novo, livro novo: Novos títulos e reedições Ateliê

O novo ano acabou de chegar, mas que ama ler já fez ou está fazendo a lista de leituras de 2019. E você, o que planeja ler em 2019? Novidades, clássicos, autores nacionais ou estrangeiros?

Para muita gente, um clássico é uma grande novidade. Por isso, relançamentos de títulos são sempre bem vindos para que os novos leitores possam encontrar livros que muitos já consideram essenciais. Por isso, neste ano, a Ateliê vai lançar títulos novos e relançar títulos de sucesso, todos feitos com o mesmo carinho de sempre, perfeitos para os leitores que amam edições bem cuidadas que valorizam o texto sem deixar de privilegiar um lindo projeto editorial. Confira:

 

O Tempo Vivo da Memória – Ensaios de Psicologia Social, de Ecléa Bosi, acaba de ser reeditado. A autora torna atuais as ideias de pensadores como Bergson, Benjamin, Gandhi e Simone Weil, e convida o leitor a dialogar sobre o que a memória recupera, redime e inspira. Dentro dessa perspectiva, os clássicos ajudam a compreender o cotidiano das metrópoles de hoje, com suas contradições entre lembrança e esquecimento.

 

Preservação do Patrimônio Arquitetônico da Industrialização, De Beatriz Mugayar Kühl, também está voltando às prateleiras, devido à sua importância para os pesquisadores da área. O livro traz a releitura crítica de algumas teorias, de modo a conciliá-las às circunstâncias atuais e guiar as intervenções concretas nesses bens. O texto aprofunda, especificamente, algumas questões sobre a restauração do patrimônio industrial. Assim, a autora busca superar certas lacunas conceituais nos atuais debates sobre preservação no Brasil.

Michelângelo – Cinquenta Poemas, traduzido por Mauro Gama, traz textos de um dos maiores gênios da humanidade, em função de suas pinturas e esculturas. Poucos sabem, no entanto, que ele encontrou na poesia um modo de dar vida àquilo que só as palavras podem expressar. Neste livro, o escritor e crítico literário Mauro Gama traduz 50 poemas do artista renascentista para o português da mesma época. O propósito foi estabelecer uma analogia entre o contexto histórico do original italiano e a cultura lusófona do período.

Fragmentos do Narciso e Outros Poemas, traduzido por Júlio Castañon Guimarães, é uma coletânea composta pela tradução de poemas extraídos dos dois principais conjuntos poéticos de Paul Valéry, o Album de vers Anciens (1920) e Charmes (1922), de modo a mostrar diferentes momentos e centros de atenção de sua poesia. Ao se adotar para este conjunto o título de um dos poemas, Fragmentos do Narciso, chama-se a atenção para a tensão entre realidade, imaginação e discurso que percorre toda a obra poética e crítica de Valéry.

Olho Imóvel Pela Força da Harmonia, de William Wordsworth, é uma  coletânea cujos poemas extraem de vivências banais uma dimensão sublime e uma contemplação da ordem do mundo. Com esta edição bilíngue, soma-se ao virtuosismo técnico do poeta a sensibilidade estética das traduções de Alberto Marsicano e John Milton. Wordsworth  é um dos maiores expoentes do romantismo inglês. Sua obra, dotada de uma notável visualidade cinematográfica, influenciou nomes importantes do modernismo, como Fernando Pessoa.

Velhos Amigos, de Ecléa Bosi, traz pequenas narrativas sobre as lembranças de velhos operários, imigrantes e outros personagens anônimos da vida brasileira. As histórias, que se colocam entre o conto e a crônica, tratam de episódios de amigos e família, em tom bem humorado.  A apresentação do livro é de Adélia Prado e as ilustrações, de Odilon Moraes.

O Pai, de Dirce de Assis Cavalcanti, conta, pelos olhos da filha do cadete Dilermano de Assis – assassino de Euclides da Cunha –, como a autora descobriu sua história familiar. Pelos olhos de criança e depois adolescente, seguimos a dolorosa tomada de consciência de ser “a filha do assassino”. No decorrer do depoimento, acompanhamos como ela perdeu e recuperou a estima pelo pai, protagonista da tragédia. Neste ano em que Euclides da Cunha é o homenageado da FLIP, saber mais sobre essa história é uma boa pedida de leitura!

 

 

Euclides da Cunha: Uma Odisseia nos Trópicos, de Frederic Amory, abandona os mitos e dá destaque ao gênio sem separá-lo de suas misérias. O autor dedicou-se como poucos a entender a personalidade e as ideias do autor de Os Sertões. Para isso ele confrontou, de modo rigoroso e objetivo, as problemáticas fontes de informação sobre o escritor. Esta biografia aprofunda e esclarece aspectos da vida e da obra de Euclides da Cunha até então pouco estudados. Outro livro fundamental para quem quer ficar por dentro de tudo o que acontecerá na FLIP!

Ateliê participa de evento da ECA para alunos de jornalismo

A Ateliê Editorial participou de um evento da Jornalismo Júnior, empresa de jornalismo júnior da ECA – Escola de Comunicação e Artes – da USP. A empresa é formada exclusivamente por alunos do curso que pretendem exercitar na prática os aspectos do jornalismo e tem como objetivo propor a discussão da profissão sempre que possível.

O evento “No Ar! Jornalismo na TV”, que teve a participação da Ateliê, tratou de discutir diferentes pontos do telejornalismo, promovendo alguns debates diversos que foram desde a influência da TV nos dias atuais, até como se dá o processo de produção de notícias nesse meio, passando também pela dinâmica do formato de programas documentais.

A editora foi uma das patrocinadoras do evento, cedendo exemplares de livros como O Livro no Jornal, da jornalista Isabel Travancas; e Papel-Jornal – Artigos de Jornalismo Cultural, do também jornalista Marcello Rollemberg. Os títulos foram sorteados para o público do evento.

O evento contou com a participação de nomes do jornalismo como Mauricio Stycer, Ananda Portela e Luana Ibelli, entre outros.

Veja algumas fotos: