50 Tons da Vida: a arte brota do cotidiano

Por Renata de Albuquerque

Roberto Livianu sempre soube que seria promotor de Justiça. Mas, só recentemente descobriu-se cronista. E a descoberta logo concretizou-se em “50 Tons da Vida: Crônicas da Nossa Vida” , que acaba de ser lançado pela Ateliê Editorial.

O fundador do Instituto Não Aceito Corrupção (que recebe o Prêmio Transparência e Fiscalização Pública em 2018) é autor e organizador de vários títulos, todos ligados ao tema da Justiça. “50 Tons da Vida: Crônicas da Nossa Vida” é seu primeiro livro de ficção e surgiu da ideia de publicar 50 crônicas para comemorar os 50 anos de idade do autor.

Mas, por que crônicas? “Sempre gostei de ler crônicas, desde a adolescência. É fácil nos identificarmos com esse tipo de texto, porque é curto, conciso. Sempre apreciei este gênero por permitir nele nos enxergarmos. Além disso, a crônica é, por natureza, um texto curto, inteligente e saboroso”, afirma o autor, que é leitor assíduo de Fernando Sabino, Lourenço Diaféria, Carlos Heitor Cony, Rubem Braga e Clarice Lispector.

Roberto Livianu: promotor e cronista

Ao contrário de muitos livros de crônica, entretanto, este “50 Tons da Vida” não foi feito para reunir uma seleção de textos. As crônicas foram escritas especialmente para o volume e de uma forma muito peculiar, que o próprio autor conta: “Meu filho sempre me provocava quando me via lendo crônicas. Ele dizia: ‘se gosta tanto de ler, quando vai começar a escrever as suas próprias, apenas quando tiver todas na cabeça?’. E eu nunca começava. Em dezembro de 2017 fui para Manaus dar uma palestra e numa confraternização aconteceu um bingo. O prêmio para o vencedor foi um pirarucu de 60kg. O voo entre Manaus e São Paulo demora mais de três horas. Então, aproveitei o tempo para escrever O Bingo Natalino do Pirarucu. Foi a primeira crônica que escrevi na vida”. Depois, Livianu escreveu mais duas crônicas: Ética da Bandidagem e Festa de Aniversário de Criança. A primeira inspirada em sua atuação profissional e a outra, na festa de aniversário de um sobrinho. “A partir daí surgiu a ideia de fazer 50 crônicas para comemorar meus 50 anos, que completei em julho em 2018”.

Livianu, que até dezembro de 2017 nunca havia escrito uma crônica, desafiou-se a si mesmo e, escreveu os 47 textos que faltavam para cumprir essa meta em apenas quinze dias. “Fui passar férias no Rio de Janeiro, mas choveu o tempo todo. Então aproveitei o tempo para anotar minhas ideias e transformá-las em crônicas”. Os temas são variados, mas têm como base a vivência pessoal do autor. “Cerca de 2/3 dos conteúdos têm base na realidade”, afirma.

O que as une é um olhar apurado que Livianu tem para o que chama de “miudezas” da vida: a percepção dos detalhes cotidianos, a vivência intensa da simplicidade, o “ver o que parece invisível”. “O que eu quero, com minhas crônicas, é compartilhar histórias e minha visão de mundo”, conclui.

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