Monthly Archives: novembro 2018

Nós e as Palavras: textos sobre literatura portuguesa despertam interesse de leitores e professores

Levar a reflexão literária da academia ao leitor de literatura. Esta é a ambição de Nós e as Palavras, organizado pelos professores Patrícia Cardoso, presidente da ABRAPLIP – Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa – e Luís Bueno (autor de Capas de Santa Rosa). O livro, que surgiu a partir da proposta temática do XXVI Congresso Internacional  da ABRALIP, reúne textos de vários autores sobre o ensino de literatura portuguesa, a obra de autores portugueses e a circulação da literatura portuguesa em outros países. A seguir, os organizadores falam sobre a obra ao Blog da Ateliê:

Como surgiu a ideia de reunir em livro as reflexões oriundas do Congresso da Abralip? 

Resposta: A ideia de publicar os textos apresentados pode-se dizer que é natural. O objetivo de um Congresso é apresentar novas abordagens e ampliar o debate. E essa ampliação só ocorre de fato quando se olha para um público maior do que aquele que pôde estar no congresso, seja o público acadêmico, dedicado à área, seja um público mais amplo, de interessados e leitores em geral.

Qual a importância dessa compilação, em sua opinião?

R: A publicação desta coletânea faz parte do esforço de manter o debate vivo. São as novas abordagens, as descobertas críticas, as reflexões sobre o passado que permitem que a crítica e o pensamento se renovem. E se, como acontece neste Nós e as Palavras, reúnem-se reflexões diversas, com perspectivas diferentes, ainda é melhor. É mais uma ação de pensar a literatura portuguesa no Brasil, o que significa pensar a constituição cultural do Brasil e sua integração nesse universo tão amplo como é o da lusofonia.

 

Em sua opinião, o livro é destinado apenas a pesquisadores da área ou pode atrair o público leigo? Neste caso, o que este público pode encontrar que o interesse no livro?

R: O livro busca interessar um público que não seja apenas o de especialistas. A reflexão sobre literatura, de maneira geral, tem sempre a ambição de chegar ao leitor de literatura, de não ficar restrita aos estudiosos. No caso deste livro, há vários elementos por meio dos quais se procura atingir esse objetivo. É assim que nele o interessado irá encontrar uma grande variedade de temas. Há textos que tratam de questões importantes da literatura portuguesa, como a literatura medieval, as obras do Padre Vieira, de Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Agustina Bessa-Luís, literatura contemporânea e literatura infantil, por exemplo. Mas também há toda uma sessão dedicada ao ensino de literatura em geral e de literatura portuguesa especificamente, assim como um conjunto de reflexões sobre a circulação da literatura portuguesa em outros países. Um outro elemento que enriquece o livro e pode despertar o interesse é o fato de ele trazer a experiência não apenas de professores que atuam no Brasil, mas também de colegas que atuam em outros contextos, como França, Itália, Suécia e Portugal.

 

Eça de Queirós

A questão do “tudo está dito”, que permeia o volume, se por um lado pode sugerir que não há mais nada a ser dito, por outro abre caminhos e possibilidades de reinterpretação; de lançar um novo olhar sobre o que já está posto. Como esta questão é tratada no livro?

R: O livro explora o grande desafio da crítica literária como uma prática reflexiva que sistematicamente se depara com abordagens canônicas as quais, ao mesmo tempo que servem de referência, constituem verdadeiros empecilhos para que novos olhares se lancem sobre os objetos de estudo. Assim, escritos por estudiosos com orientações acadêmicas diversas, os artigos que integram Nós e as Palavras são bons exemplos de exercícios de crítica literária que buscam lançar olhares renovados sobre temas e autores de grande representatividade.

 

De que maneira o Brasil lê literatura portuguesa hoje? Que implicações culturais há nesta leitura?

R: De um modo geral, a consolidação da produção literária brasileira, associada a um discurso de defesa de uma completa autonomia do Brasil em relação à matriz portuguesa, fez decrescer no nosso país o interesse pela literatura produzida em Portugal. Portanto, aquele espírito de autonomia orientou um processo que acabou por levar não apenas os leitores mas os próprios escritores ao desconhecimento de autores e temas antes intrinsecamente ligados ao contexto brasileiro de produção, como é o caso de Camões, do padre António Vieira, de Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós, entre tantos outros cujas obras contam-se entre as melhores produzidas no mundo. Trata-se, portanto, de uma perda no conhecimento de um repertório que muito contribui para compreender-se a própria cultura brasileira, o que  nela está em relação com a cultura portuguesa, a qual por razões históricas teve um papel determinante na formação da consciência literária entre nós. Os brasileiros foram-se distanciando de Portugal como essa matriz cultural. A prova de que a ignorância desses vínculos não representou seu efetivo apagamento é o que vem acontecendo nos últimos anos: no momento em que o país do fado transformou-se em destino turístico internacional, é com uma surpresa positiva que os brasileiros que o visitam ali se reconheçam. Este livro pretende contribuir para a consolidação desse reconhecimento de uma frutífera relação cultural através da literatura.

Quais são os principais “achados”, as novidades que este volume traz ao leitor? De que maneira sua leitura pode enriquecer o trabalho de professores da área de literatura (em geral)?  

R: O achado do livro é o próprio livro, como esforço de mapeamento da literatura portuguesa a partir de perspectivas variadas, de modo que a sua leitura se faça sem uma orientação fechada, restritiva. É a estratégia ideal para atrair tanto os que já conhecem os temas e autores abordados quanto aqueles que iniciam o percurso por essa literatura.

Um poema em homenagem a Jacó Guinsburg

Um poema em homenagem a Jacó Guinsburg

Falecido no final de outubro, aos 97 anos, o tradutor, ensaísta e editor Jacó Guinsburg tem sido frequentemente homenageado, dada sua grande importância para o mercado editorial brasileiro. Autor de diversos livros, seu único título de poesias próprias, Jogo de Palavras, foi publicado meses antes de seu falecimento pela Ateliê Editorial.

A seguir, o arquiteto Jacó Sanowicz homenageia o grande editor com um poema, escrito após a leitura de “Jogo de Palavras”. “Li e reli os poemas durante uma noite quase inteira e de manhã resolvi escrever para ele. Sabia que era o único [livro] de poesia, apesar de [esta] estar embutida em todo o seu trabalho”, explica. Leia o poema a seguir:

 

parceiros parceiras,

ao jacó guinsburg

 

não me isento,

risco

corro o risco

que não risco

arrisco,

contrato refrato

distrato trato

no embalo

sussurro grito falo,

sangro aberto, forte,

meu norte,

verdadeiro magnético

imagético

declinado mágico

universo peito, pleito,

conceito respeito

Assinado: pelhtale

Livros com descontos de até 75%: é Black Week na Ateliê, de 16 a 25/11/18

Todo novembro já virou tradição. Não é só Black Friday. A Ateliê Editorial promove a Black Week, uma semana inteira de ofertas. Os livros da editora são vendidos com descontos de até 75%, uma promoção perfeita para quem já quer adiantar as compras de Natal. Para quem participa de amigo secreto no final do ano, a oportunidade também é ótima, já que o desconto mínimo é de 50% em diversos títulos, incluindo lançamentos.

Neste ano, a Black Week Ateliê é estendida e acontece entre 16 e 25 de novembro. São dez dias para você aproveitar e pagar muito menos. Uma chance única de completar aquela lista de desejos de leitura e começar 2019 com a estante renovada.

Confira alguns títulos em promoção, que é válida apenas entre 16 e 25 de novembro:

Palmeirim de Inglaterra não é apenas uma novela de cavalaria. O texto, escrito por Francisco de Moraes, faz parte de um ciclo, o que por si só explica a importância da obra. Nesta edição da Ateliê, os pesquisadores Lênia Márcia Mongelli, Raúl Cesar Gouveia Fernandes e Fernando Maués realizaram um minucioso e primoroso trabalho, transcrevendo a partir de várias fontes para poder chegar a um resultado fidedigno, que interferisse minimamente no estilo original – um dos pontos altos da obra.

De R$ 199,00 por R$83,58

58% de desconto

 

Contos da nova cartilha – Segundo Livro de Leitura – volume 1 , escrito por Liev Tolstói, foi traduzido por Aurora F. Bernardini e Belkiss Rabello. O livro é ilustrado pelas crianças da Escola Infantil de Artes n. 9, da cidade de Ijevsk, na Rússia. São 38 narrativas baseadas em fábulas, histórias reais, contos folclóricos e outros textos que eram usados em sala de aula na escola rural criada pelo escritor russo. Preocupado com a educação das crianças e dos pequenos camponeses, Tolstói produziu muitos livros de histórias para crianças e cartilhas.

De R$ 58,00 por R$ 27,84

52% de desconto

 

Altar & o Trono, O – Dinâmica do Poder em O AlienistaO Altar & o Trono- Dinâmica do Poder em “O Alienista” traz minucioso levantamento dos discursos artísticos e culturais de que Machado de Assis se apropriou para escrever O Alienista. Ao mesmo tempo, analisa os processos retóricos em que se articulam as matérias. Lidando com questões polêmicas no Segundo Reinado, Ivan Teixeira preserva o máximo de imparcialidade no resgate do ambiente de produção e de circulação de O Alienista. O leitor encontrará neste livro hipóteses estimulantes para uma revisão conceitual de Machado de Assis.

De R$106,00 por R$44,52

58% de desconto

 

Contos do divã tenta revelar o que há de literatura numa sessão de psicanálise. Entre quatro paredes, dois sujeitos enfrentam palavras e silêncios, revelações e resistências, tramas de desejo, sofrimento e angústia. São histórias assim que a psicanalista Sylvia Loeb relata em Contos do Divã. No sentido inverso dos textos técnicos, a autora optou pela ficção como forma de capturar o assombro e os impasses que pontuam esse encontro. A partir da relação entre analista e analisando, ela faz uma literatura das paixões humanas.

De R$ 42,00 por R$ 14,70

65% de desconto

 

Sertões, Os – Campanha de Canudos, de Euclides da CunhaOs Sertões chega à sua 5ª edição revista e ampliada. Segundo o professor Leopoldo M. Bernucci, responsável pela edição, cronologia, notas e prefácio, ela “é a única no mercado que oferece de modo abundante e detalhado” notas explicativas sobre a obra e seu contexto histórico. “Tivemos o cuidado de preparar um índice onomástico que acreditamos ser bastante útil para dilucidar muitas das biografias ligadas aos personagens e autores citados por Euclides. O índice remissivo não é menos proveitoso, pois auxilia na busca temática e onomástica com maior agilidade. Incluímos um prefácio nosso também que serve de introdução para os leitores apreciarem a diferentes linguagens que se entrecruzam em Os Sertões”, resume.

De R$120,00 por R$ 50,40

58% de desconto

 

Dias Melhores…Pra Sempre compila textos de Fernando Pessoa, com o objetivo aproximá-lo dos jovens e despertar neles o interesse pela literatura. Todos os poemas – um para cada dia do mês – são acompanhados por imagens que simbolizam alegria, paixão, euforia, solidão, desânimo, amizade… – estados de espírito típicos da adolescência. Ao final do livro, uma biografia explica a trajetória de Pessoa, seus famosos heterônimos e sua importância para a língua portuguesa.

De R$ 33,00 por R$ 8,25

75% de desconto

 

Confira outros livros, com descontos de 52%, 55%, 58%, 60%, 70 e até 75%

Leitura de Autores na Biblioteca Brasiliana

Imagine poder encontrar-se com seu autor predileto, em pessoa, e descobrir o que o fez tornar-se escritor. É esse encontro que o projeto “Leitura de Autores”, da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) promove, mensalmente, desde o mês de setembro.

José Ramos de Paula, que participa do evento

A ideia do projeto, coordenado pelos professores da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP Plinio Martins Filho e Jean Pierre Chauvin é trazer autores para falarem aos leitores de suas experiências de leitura, como elas influenciaram em seu desenvolvimento pessoal e como, a partir delas, puderam tornar-se autores. Isso porque a leitura é a atividade fundamental que move uma biblioteca, que influencia o desenvolvimento das pessoas e que era uma “obsessão para Mindlin”, como lembra Martins.

Segundo a apresentação do projeto, “o evento visa a estimular o encontro de profissionais da palavra (em verso e prosa) com aqueles que já são aficionados por literatura, mas também leitores em potencial: alunos, pesquisadores, professores, escritores amadores etc.”.

Nesta primeira edição, já foram convidados Marcelino Freire (autor de “Angu de Sangue”, “Era O Dito” e “BaléRalé”, entre outros); Rodrigo Lacerda (“O Mistério do Leão Rampante”; “Tripé”) e Veronica Stigger (“Sul”; “Os Anões”).

Ainda em novembro acontece o último encontro de 2018, com o professor e poeta José de Paula Ramos Jr, responsável pela Coleção Clássicos Ateliê.

As inscrições para o projeto “Leitura de Autores” são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail bbm@usp.br.

“O Retorno de Bennu”: prosa poética de Majela Colares

Bennu corresponde à Fênix mitológica. “Foi o grito da ave Bennu na criação do mundo que marcou o início dos tempos”, explica Majela Colares na nota que precede o livro “O Retorno de Bennu”, recém-lançado pela Ateliê Editorial. O poeta e contista cearense vive em Recife. Já publicou em português e teve obras traduzidas para o alemão e catalão. “O Retorno de Bennu” traz ao leitor poesia em prosa, aforismos, versos livres e uma poesia caudalosa, que inspira o leitor. A seguir, ele fala sobre o lançamento para o Blog da Ateliê:

Por que a escolha de Bennu, criatura pouco conhecida (em comparação a Fênix, por exemplo), para dar título ao livro?

Majela Colares: Vejo atualmente a humanidade vivendo uma existência caótica, um mundo caótico. Os elevados valores e princípios humanos degenerando-se, a vida correndo em extrema fragilidade, alimentada por valores iníquos, mergulhada em uma futilidade irritante de profunda angústia. Uma cegueira mórbida, alienada… A automação do Homem espraiando-se em todos os sentidos. Tudo é supérfluo, descartável, inconsistente. O livro “O Retorno de Bennu” tenta levar o leitor a uma reflexão sobre os verdadeiros valores humanos; o significado e sentido atuais da vida. A humanidade precisa reumanizar-se. Enxerguei em Bennu – por sua fascinante originalidade, além de nos remeter aos primórdios das mais antigas civilizações, no caso o Egito, e fundamentalmente por sua enigmática História Mitológica – o melhor símbolo para representar este processo de revitalização do humano… (Essa grande e bela metáfora).  Segundo a mitologia egípcia, Bennu (ave sagrada) ressurgia a cada 500 anos com a missão de provocar o renascimento do Homem. Bennu surgia, induzia essa transformação no ser humano e depois desaparecia, após um processo de auto-combustão, para ressurgir novamente 500 anos depois, emergindo das suas próprias cinzas. Penso que a humanidade, os princípios e ideais humanos, como Bennu, precisam mergulhar em um processo auto-regenerativo em busca da vital essência humana, no intuito de alcançar o verdadeiro sentido da vida. Uma vida com mais sensatez e beleza. É para esta renovação de pensamento, reflexivo e transformador, que nos quer despertar “O Retorno de Bennu”.

 

Qual seu contato com a cultura egípcia e de que maneira ela está refletida neste livro?

M.C: O meu contato com a cultura egípcia resume-se apenas a leituras sobre sua História e sua Mitologia; uma leitura em nada profunda. Não sou nenhum especialista em egiptologia. São leituras dispersas… por ser um admirador daquele antigo povo e seus incríveis conhecimentos artísticos e científicos, suas dimensões culturais. Esta cultura está refletida no livro “O Retorno de Bennu” por ser um dos berços da nossa civilização. A mitológica Bennu e o rio Nilo inserem, simbolicamente, a cultura egípcia no conteúdo do livro, mais especificamente explicita no poema “O Retorno de Bennu”, que naturalmente dá título ao livro.

 

Majela Colares fotografado por Társio Pinheiro

Como foi o processo de escolha dos textos que compõem este livro?

M.C: A estrutura de “O Retorno de Bennu” foi rigorosamente pensada. Todos os textos revelam um conteúdo questionador e reflexivo sobre a condição e natureza humanas; uns mais outros menos, mas todos seguem este fio condutor. O teor fundamental do contexto do livro visa despertar no leitor, sinalizar, ainda que o mínimo possível, um sentimento transformador, que o leve a pensar no modelo de vida, imposto pelas regras, conceitos e paradigmas do mundo atual, instigando-o a uma revitalização da essência original do Homem. Todo esse redescobrimento do humano, impulsionado pelo amor, sentimento mais elevado da nossa natureza, conduzido pela linguagem poética. Portanto, o amor e a poesia, em todas as suas formas possíveis, servindo como luz renascedora da humanidade.

 

 

O leitor que abre “O Retorno de Bennu” se depara com trechos de diversos escritores, em prosa e poesia. Entretanto, todos os trechos parecem trazer à tona a questão dos “interstícios”(para usar um termo de Lispector), do intervalo no qual tudo se cria (como escreve Machado: “seria preciso fixar o relâmpago”) e da solidão dessa criação (“ser poeta é minha maneira de estar sozinho”, segundo Pessoa). De que maneira esses temas permeiam sua produção poética reunida neste volume?

M.C: Os trechos de outros autores ao longo do livro servem de epígrafes. Todos esses textos/epigrafes revelam uma ligação muito forte com o livro, com o conteúdo, a estética, a mensagem, tanto no sentido poético quanto no sentido material exposto pelo livro como um todo. Claro que os textos que compõem este volume também são influenciados, em forma e imagens, pelos citados autores.  Apenas o texto/epígrafe de Pessoa traduz um pouco a filosofia de vida do autor: “ser poeta é minha maneira de estar sozinho”.

 

E mais: de que maneira elas se relacionam com a marca do renascimento (essa mensagem de Bennu)?

M.C: A maioria dos textos/epigrafes são trechos de poemas, os trechos em prosa a exemplo das epígrafes de Machado de Assis, Clarice Lispector, Baudelaire e Otávio Paz, exalam um profundo e consistente teor poético; pura prosa poética. Como disse anteriormente, “O Retorno de Bennu” aponta para um renascimento da humanidade, impulsionado pelo sentimento do amor em todos os sentidos possíveis, sob a luz metafórica e transformadora da poesia. Então, se todos os textos/epigrafes possuem elevado teor poético, fica clara a relação com a mensagem que o livro busca passar para o leitor.

 

O livro divide-se em “Percepções”, “Alumbramentos”, “Confluências” e “Lampejos”. A que se deve essa divisão?

M.C: Essa divisão em forma de subtítulos seve como estrutura estética do livro. Todos os subtítulos possuem uma afinidade, ainda que subjetiva, com cada parte da obra. A mais evidente é “Percepções”, composta por cinco textos em prosa poética, sendo cada texto relacionado a um dos nossos sentidos: visão, paladar, tato, audição e olfato.

 

Como lembra Alexei Bueno, “Alumbramentos” é a única parte do livro composta completamente por versos.Como a prosa poética enriquece a poesia (e vice-versa) e o que se pode esperar dessa convivência, em um mesmo volume, em textos de um mesmo autor?

M.C: Escrever prosa é arte difícil e rara, escrever prosa poética é arte rara e mais difícil ainda. Em primeiro lugar a poesia enriquece a prosa; alcançando o texto o status  de prosa poética, esse texto em prosa ganha outra dimensão, a de poesia em prosa. Tudo é muito difícil! Acredito que dei aos textos em prosa poética, a mesma dimensão e qualidade dos poemas escritos em versos. Assim, penso, que por estarem no mesmo nível tanto os textos em prosa poética quanto os textos escritos puramente em versos, a convivência de ambos os estilos em um mesmo volume será muito natural e enriquecedora. Será uma leitura até mais agradável.