História da Língua Portuguesa

Antônio Suárez Abreu*

Surge agora, pela Ateliê, uma nova reimpressão do livro História da Língua Portuguesa, organizado pelo Prof. Segismundo Spina, editado pela primeira vez em 2008.   É uma obra dirigida especialmente aos alunos de Letras, mas que será lida com facilidade por qualquer pessoa leiga que se interesse pela história do nosso idioma.  Além de explicar brevemente as características gramaticais de cada um dos períodos da história do Português, desde seu surgimento no século XII até os dias atuais, seus autores incluem, ao final de cada capítulo, análises de textos emblemáticos de cada um desses períodos, o que permite ao leitor um entendimento mais funcional e colorido da língua.

É preciso dizer que, durante os últimos quarenta anos, os estudos históricos da Língua Portuguesa foram postos em segundo plano, dando lugar apenas a estudos sincrônicos, obedecendo à cartilha de Ferdinand de Saussure, o que foi um erro.  Atualmente, a Linguística Histórica vem ganhando cada vez mais importância, uma vez que é possível e desejável conciliar seu conhecimento com o funcionamento da língua atual.   Esse é o ponto de vista da moderna Linguística Cognitiva, sobretudo quando trabalha com o fenômeno da Gramaticalização, ou faz uso do modelo da Teoria da Complexidade, uma vez que os processos cognitivos usados para processar a linguagem em uso são os mesmos que a levam sofrer mudanças ao longo do tempo. Joan Bybee, em seu recente livro Language Change, publicado em 2015, diz que “Entender a mudança linguística nos ajuda a entender os estados sincrônicos, suas estruturas e as variações encontrada neles.”

As pessoas encarregadas de escrever os capítulos da História da Língua Portuguesa compõem um time de primeira linha.  Assim, Amini Boainain Hauy  ficou responsável por descrever a parte mais antiga do Português, desde o século XII até o século XIV; Dulce de Faria Paiva ficou com a tarefa de trabalhar com  o Português do século XV até o século XVI, passando o bastão a Segismundo  Spina, que trabalhou os séculos XVI e XVII.  A seguir, Rolando Morel Pinto ficou encarregado do século XVIII, Nilce Sant’Anna Martins, do século XIX e, finalmente, Edith Pimentel Pinto, do século XX.   O resultado é um harmonioso relato de fatos linguísticos relacionados a importantes momentos históricos e culturais, dando ao leitor uma visão privilegiada do panorama linguístico de Portugal, Brasil e de outros países lusófonos ao longo de oito séculos.  Parabéns a Ateliê, por contribuir para essa importante tarefa!

*Tem mestrado, doutorado e livre-docência pela USP, pós-doutorado pela UNICAMP, é professor titular de língua portuguesa da UNESP, membro da Academia Campinense de Letras e autor, entre outros, dos livros: Gramática Mínima para Domínio da Língua Padrão (Ateliê), O Design da Escrita(Ateliê) e Texto e gramática: uma integração funcional para a leitura e escrita (Melhoramentos).

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