Daily Archives: 17/07/2017

Perto do abismo: Nove Degraus para o Esquecimento

O novo livro de poemas de Aguinaldo José Gonçalves, “Nove Degraus para o Esquecimento” acaba de ser lançado pela Ateliê. O volume traz ilustrações de Efigênia Helu, Geraldo Matos e Sebastião Rodrigues. São mais de 50 poemas. O primeiro, “Um sol emergiu”, parece tratar de esperança, mas alerta: “Enchaquetado de raios, o sol se tornou minha férvida prisão”. A partir dele, o leitor percorre um trajeto de recomposição e esquecimento até chegar ao último texto do livro, que revela, já no título: “Eu escrevi minha história”. Para Susana Busato, neste livro, “O retrato do sujeito, sua identidade íntima, confunde-se com a poesia que se procura num processo crítico de autodevoração”.

A seguir, o autor Aguinaldo José Gonçalves escreve sobre essa obra:

“Nove Degraus para o Esquecimento”consiste num livro de genuínos poemas escritos numa mescla entre a tradição clássica e os laivos da modernidade. Talvez neste sentido o livro aponte no seu processo composicional para os descaminhos da pós-modernidade. Traz como mote temático o tempo e o espaço numa espécie de verticalização bifurcada da existência. Não posso afirmar o que encontrará o leitor nesses descaminhos, mas posso afirmar que encontrará muitos “desvios de dentro” no movimento circular das imagens.

O título não pode e não deve ser explicitado mesmo porque o movimento interior que o construiu oculta todos os mistérios e segredos. Só sei que se chegasse ao décimo degrau o abismo estaria revelado. E nesse caso não existe nenhuma influência para a construção do livro, a não ser longínquos graus de familiaridade com alguma poesia após o livro ter sido composto.

Das narrativas ele se diferencia pelo gênero e dos outros livros de poemas diferencia-se aqui acolá pelo fluxo, pelo ritmo e pela consciência moduladora.

O material é inédito e o delineio do tempo para a sua elaboração é fragmentado e incomensurável.

Sem desafios…

Ateliê Editorial lança Pas de politique Mariô! Mario Pedrosa e a Política, de Dainis Karepovs

Quando se fala em Mario Pedrosa, pensa-se, naturalmente e em primeiro lugar, no renomado crítico de arte, com extensa obra no meio e passagem por museus e bienais no Brasil e ao redor do mundo. Sua obra no campo político, se não é desconhecida, ao menos não teve até hoje uma exposição concisa e coesa que abordasse os fios que ligam todas as suas transformações e guinadas de pensamento e atuação. É por isso que a obra de Dainis Karepovs se oferece como contribuição inestimável ao público.

Como apontado pelo autor e reiterado pela prefaciadora, Isabel Loureiro – maior especialista na obra de Rosa Luxemburgo em terras brasileiras – um dos pontos fundamentais da obra de Dainis Karepovs é nos fazer perceber o fio de continuidade nas guinadas e mutações do pensamento político de Mario Pedrosa, desde sua adesão ao comunismo em meados dos anos 1920, até a sua participação, como filiado número 1, na fundação do Partido dos Trabalhadores. Pedrosa apresentou, por toda sua existência, uma grande coerência no que tange à inseparabilidade entre socialismo e democracia, o que o levou do comunismo ao trotskismo e, deste, ao socialismo, para aterrissar, nos últimos anos de vida, na formação do pt. Nesse meio tempo, foi adversário constante dos veios autoritários, que, segundo seu ponto de vista, permeavam a política de Getulio Vargas, alcunhado populista, e do comunismo de fundamentação stalinista.

Não havia autor mais indicado para o tento. Dainis Karepovs é historiador por formação e reconhecido bibliófilo por paixão. Célebre nos meios acadêmicos de esquerda, sua biblioteca pessoal abriga um sem número de obras raras e raríssimas da literatura política de esquerda; certamente muitas delas não se encontram em nenhum outro lugar. Não à toa, grande parte das capas de obras que ilustram o livro têm origem no acervo pessoal do autor. Além disso, Dainis Karepovs é o principal responsável, atualmente, pelo Centro de Documentação do Movimento Operário Mário Pedrosa (Cemap), hoje sob custódia do Centro de Documentação e Memória(Cedem-Unesp). Isso, para não esquecer que Dainis Karepovs é, nos dias de hoje, provavelmente o maior conhecedor da história do trotskismo brasileiro, tendo publicado juntamente a Fulvio Abramo, Na Contracorrente da História. Documentos da Liga Comunista Internacionalista. 1930-1933 (Brasiliense, 1987), recentemente republicado, numa edição ampliada em dois volumes (Sundermann, 2015).

O livro, como tem sido o padrão, aparece ao público em belo acabamento da Ateliê Editorial, com cerca de trezentas páginas, incluindo caderno de fotos, anexo com elaborado levantamento de literatura política de Mario Pedrosa (livros e artigos, separadamente), além de rigoroso índice remissivo (nomes, organizações/partidos, periódicos e cidades/estados/países/continentes), marca do coerente trabalho do editor Plínio Martins Filho. A cereja do bolo fica por parte da segunda parte de Pas de Politique Mariô!, composta por sete testemunhos dos companheiros de militância de Mario Pedrosa, entre eles, Cláudio e Fulvio Abramo, Hélio Pellegrino e Júlio Tavares. O livro só não é surpreendente porque menos que um excelente trabalho não se poderia esperar de Dainis Karepovs, da Ateliê  Editorial e de Mario Pedrosa.

Serviço

Pas de politique Mariô! Mario Pedrosa e a Política

Formato: 15,5 x 23 cm

Número de páginas: 296

ISBN: 978-85-7480-768-3

Preço: R$ 46,00

 

Site: www.atelie.com.br /  Facebook: https://pt-br.facebook.com/atelieeditorial

Contatos: (11) 4702-5915 – 4612-9666

atelie@atelie.com.br