Monthly Archives: março 2017

Além da ficção: livros sobre o mesmo período retratado pela nova novela das seis, “Novo Mundo”

Por: Renata de Albuquerque*

Leopoldina e D. Pedro

A nova novela das seis, “Novo Mundo”, é uma ficção que tem como pano de fundo acontecimentos históricos. É uma novela de época, mas as próprias autoras, Thereza Falcão e Alessandro Marson, avisam que o objetivo não é ser didático quanto à História do período. Como é comum na dramaturgia, estão misturadas na história de “Novo Mundo” ficção e realidade.

Na nova trama das seis, estão presentes personagens históricos, como Dom Pedro (interpretado por Caio Castro) e Leopoldina (Letícia Colin). Mas os protagonistas são os ficcionais Anna Millman (Isabelle Drummond) e Joaquim Martinho (Chay Suede). Apesar do tom ficcional, a novela pretende mostrar como surgiram traços importantes da cultura brasileira, como o famoso “jeitinho brasileiro”.

Para aprofundar-se nesse tema, vale a leitura do clássico Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida, e também de Era no Tempo do Rei – Atualidade das Memórias de um Sargento de Milícias, de Edu Teruki Otsuka, que mostra como o romance de Manuel Antônio de Almeida se organiza conforme uma lógica regida por conflitos interpessoais, que se manifestam no romance de maneiras diversas, mas que podem ser unificadas na noção de rixa.

 

 

Na novela das seis, a questão da língua promete gerara situações cômicas, já que a protagonista vivida por Isabelle Drummond é jovem inglesa professora de Português de Leopoldina. O tema também está em Travessias – D. João VI e o Mundo Lusófono, organizado por Paulo Motta Oliveira. Os ensaios reunidos no livro propõem-se a lançar novos olhares sobre a vinda da corte portuguesa ao Brasil, a partir de objetos e pontos de vista bastante diversificados. Os textos se inserem em um contexto atual em que se procuram estabelecer, de maneira mais efetiva, laços reais, e cada vez mais necessários, entre os Países de Língua Oficial Portuguesa.

 

*Jornalista, Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH/USP, autora da Dissertação Senhoras de Si: o Querer e o Poder de Personagens Femininas nos Primeiros Contos de Machado de Assis.

Traduzir é uma ação política

Por: Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa*

 

Há muitas maneiras de se posicionar politicamente. Uma delas é traduzir. Escolher os clássicos gregos para verter ao português brasileiro é também um ato político. Em primeiro lugar, porque os gregos formaram, filosófica e literariamente, muitas das culturas ocidentais. Entender e conhecer o mundo helênico já é meio caminho andado para detectar as escolhas de múltiplos povos. Em segundo lugar, porque lá se plantaram raízes que ainda hoje dão frutos variados (decorrentes de escolhas mais ou menos acertadas) até mesmo nas terras brasílicas. Na literatura, por exemplo, vê-sea genética grega nas obras de Machado de Assis, Ariano Suassuna, João Guimarães Rosa, Dora Ferreira da Silva, Milton Hatoum, Chico Buarque de Hollanda, Ana Martins Marques e tantos outros.

O modo de lidar com a invenção de cidades e das formas de convivência urbana é, igualmente, um ato político. Com seus traumas e soluções próprias, o modo de viver coletivo transparece de forma diversificada, limpa e bela nas filosofias e literaturas de cada terra. Das palavras dos gregos, vários regimes de governo germinam.O senso comum difunde que eles inauguraram a democracia. Entretanto, esses clássicos que chamamos gregos inspiraram e inspiram não só monarcas sábios e oligarquias, mas também tiranias. De Édipo a Sócrates, muitas opções há de como governar. Conhecer as palavras da velha Hélade é percorrer um substrato basal que permite trocas e mudanças de posição com muita gente diferente: franceses, ingleses, norte-americanos, japoneses, indianos, alemães, árabes, australianos, portugueses, italianos, espanhóis, argentinos, chilenos, brasileiros… Através dos tempos, corpos e mentes desse mundão afora leram áticos, jônios, dórios e espartanos (sim, pois o conceito de “grego” tampouco é uno e monolítico). Nessa gente toda, palpitam ideias conflitantes nascidas desse terreno filosófico e literário que ainda lemos contemporaneamente. Cada língua, cada país, cada indivíduo escolhe o que mais palatável, saboroso, afim e útil lhe parece.

Assim também o tradutor. No momento da escolha de uma obra, já começa sua ação política. O que traduzir, como e por que, cabe a ele, de fato, definir. É também ele quem determina se os antigos falarão como subalternos, tiranos, democratas, oligarcas ou deuses inacessíveis e inabordáveis. Ao tradutor é dado arrebatar do dicionário a palavra que definirá, por exemplo, a famigerada πόλις: se pólis, metrópole, cidade, urbe, vila, pátria, torrão natal, província… E cada opção revela intenções e comprometimentos. Da mesma maneira, cada um lerá o que escolher, sob o influxo do afeto que carregar à hora da leitura. As escolhas de um tradutor e de um leitor vão do léxico à sintaxe, da clareza à obscuridade, do gênero textual ao tom que se dá na intepretação desse gênero; dependem do ritmo de leitura, da moda, do mercado, da circunstância ou mesmo de uma intervenção da sorte (para os gregos, τύχη, para os latinos, fortuna)…

A minha eleição é pelo teatro, manifestação que considero política já no nascedouro. As traduções que procuro fazer são quase sempre coletivas. Talvez esse tipo de arte tenha mesmo a cooperação como exigência de fundo, pois decorre do esforço do poeta e do tradutor congregado ao do elenco, do diretor, do cenógrafo, do iluminador, do figurinista e de toda uma equipe nos bastidores…Baseio-me, preferencialmente,nas pesquisas de Ariane Mnouchkine e de Augusto Boal. Isso significa adesão ao processo colaborativo de criação durante o desenvolvimento da tradução, flexibilidade hierárquica e comprometimento com a formação intelectual de um público diversificado. Por isso, tais traduções buscam se pautar por acessibilidade, horizontalidade e flexibilidade nas relações entre texto e espetáculo.O meu trabalho é permeado sempre por um ”nós”.

São traduções de natureza processual e aplicada, marcadas pela preocupação funcional, rítmica, sonora e interpretativa. A prosódia é imperativa: buscamos frases e palavras confortáveis para o ator, pois o texto precisa ser “falável”, agradável e compreensível. Sob a influência de Boal, nossa meta é pedagógica, política e extensiva a todos que a acolham; em razão disso, os textos de base para a tradução são tomados dentre os que estão no domínio público.

Há bons portais na internet de textos gregos, constituídos por um repositório comum e um saber partilhado tornado público; por motivos óbvios, não ferimos direitos autorais; parte da publicação é doada – porque financiada por órgãos governamentais – e os espetáculos são gratuitos e itinerantes.

Eu, particularmente, gosto de pensar que, assim, mesmo trabalhando com um legado tão refinado e acessível a tão poucos, posso estar fazendo democracia. Acredito que conhecer a cultura helênica é buscar compreender,lidando e dialogando, o humano com culturas de facetas múltiplas e de posições políticas particulares em todasas partesda terra. Isso alarga nosso campo de visão e nos torna capazes de trocar ideias; saímos de nós mesmos e comunicamo-nos facilmente com todos os que têm por território comum a cultura que chamou de γαῖα aquilo que chamamos terra.

 

*Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa é Professora Titular de Língua e Literatura Gregas na Universidade Federal de Minas Gerais. Tradutora de Medeia, Electra e Orestes pela Ateliê Editorial. Diretora da Trupe de Tradução de Teatro Antigo (Trupersa) e coordenadora do Grupo de Tradução de Teatro (GTT/CNPq/UFMG); bolsista de produtividade pelo CNPq.

 

Conheça as obras de Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa

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Silenciosamente e no Breu: Rosa e Carrascoza em “Silêncios no Escuro”

Renato Tardivo*

Silêncios no escuro, primeira obra de ficção adulta de Maria Viana, como já aponta o título, é construído por metáforas sensíveis. A referência mais direta talvez seja Guimarães Rosa, mas, entre os autores contemporâneos, os contos do livro também dialogam com a poética de João Carrascoza, um dos principais escritores brasileiros contemporâneos.

Por meio do trabalho com a palavra que diz ao não dizer, do retrato do Sol que ilumina ao se pôr, as narrativas não desvendam o mistério em seus desfechos. São metafísicas por excelência.

“Em nome do pai”, conto que abre o livro, é tocante. Mostra o triunfo da vida, ainda que na “17ª tentativa”, e, invertendo a ordem natural das coisas, coloca a vida como herdeira da morte.

“A cobra na cabaça” narra o encontro invisível entre duas pessoas, através da música, separadas ainda (para sempre?) pela “madeira da porta”. “Balaio de cabeças” dialoga com o clássico “A terceira margem do rio”, do já mencionado Guimarães Rosa: o desparecimento de um marca o surgimento da lenda.

Como nos contos de João Carrascoza, a temática da morte é frequente: a morte que “poupa de gritos dilacerantes”, em um dos contos mais longos do livro, “A praga”. Em “A santa que fugiu do altar”, pródigo em metafísica, Manuelinha lembra muito Niilinha, do conto “A menina de lá”, de Rosa. “Condensação e deslocamento”, noções fundamentais para a definição de sonho, por Freud, retrata algumas cenas, como em um filme (um sonho?), de modo que a ligação entre elas perfaça o percurso de uma vida, ainda em aberto.

A última narrativa, “Em busca do pai”, cujo título remete à primeira, a filha encontra o pai, em sonho, no céu. Sonhar, aqui, forma caráter; confere densidade à subjetividade. Uma vez mais, é a vida a herdeira da morte – silenciosamente e no breu.

*Renato Tardivo é psicanalista e escritor. Doutor em Psicologia Social da Arte (USP). Autor, entre outros, do ensaio Porvir que vem antes de tudo – literatura e cinema em Lavoura Arcaica  (Ateliê/Fapesp) e do livro de poemas Girassol Voltado Para a Terra (Ateliê). 

“Dez Mitos Sobre os Judeus” na Espanha

Pablo Villarrubia Mauso*

No último dia 8 de fevereiro a Casa Sefarad-Israel, em pleno centro de Madri, acolheu a apresentação do livro Diez mitos sobre los judíos (traduzido para o espanhol  por Carol Colffield da versão  em português publicada pelo Ateliê Editorial-2014), de autoria da professora Maria Luiza Tucci Carneiro. Editada pela prestigiosa editora Cátedra (Grupo Anaya, Madri) dirigida por Raúl García Bravo, a obra chega agora às mãos dos leitores da Espanha com muita expectativa, pois a autora já é bem conhecida nos meios acadêmicos do país.

O prefácio do livro foi escrito por Xosé Manoel Nuñez Seixas, historiador e catedrático de História Contemporânea da Universidade de Santiago de Compostela (Galícia) e, desde 2012, da Universidad de Munich: “O livro é uma jóia….a autora encontra uma explicação para um aparente paradoxo, o da grande versatilidade ideológica dos mitos anti-judeus, particularmente sua capacidade para impregnar diferentes cosmovisões e ideologias política, tanto da extrema direita como da extrema esquerda”.

Participaram da apresentação do livro de Tucci Carneiro: o editor Raúl Garcia Bravo, o escritor e periodista Pablo Villarrubia e Uriel Macías, escritor e porta-voz da Embaixada de Israel na Espanha. Foto: Boris Kossoy

Antes da palestra, o editor Raúl Garcia Bravo enfatizou a atualidade do tema considerando as atuais manifestações de antissemitismo e questões relativas à intolerância presentes na Europa de hoje. O escritor Uriel Macías, especialista em bibliografia judaica e porta-voz da Embaixada de Israel na Espanha, analisou os mitos que, amplamente, têm sido endossados pela sociedade espanhola em relação aos judeus, dentre os quais o do deicísmo. Enfatizou que a persistência destes mitos geraram uma série de expressões que estão presentes no dia a dia, na linguagem. E exemplificou:

Há muitas pessoas que ainda dizem “esto es una judiada”, ou seja, uma atitude ruim ou perversa, ou ainda, expressões do tipo “qué judio!”, algo assim como “que pessoa danada!”.  Isto está arraigado em nossa sociedade – afirmou Macías.

A professora Tucci Carneiro mostrou, em projeção, várias imagens de obras de arte, cartazes, capas de livros e panfletos. Nelas foi apontando elementos pictográficos e simbólicos que revelam aspectos da manipulação das ideias e dos conceitos sobre o povo judeu ao longo de vários séculos. Também apresentou imagens recentes que têm circulado em sites e periódicos, nacionais e estrangeiros, que reproduzem os mesmos mitos valendo-se do humor sádico e de informações deturpadas.

Uma das imagens apresentadas por Tucci Carneiro
exemplificando a atualização do mito: pôster que circulou na Espanha por ocasião da visita de Obama. A imagem refere-se ao filme L’ Oligarquie et le Sionisme, de Béatrice Pignède, 2013.

O mito é uma construção que se organiza através de uma sucessão de imagens que, de forma dinâmica, tem o objetivo de reordenar o mundo ou alguma sociedade em especial. Se o imaginário coletivo da população for rico em imagens metafóricas, será muito mais fácil creditá-lo como verdade. Geralmente os indivíduos mal informados, com algum desequilíbrio mental ou desencantados com a sua posição socioeconômica, tornam-se alvos fáceis dos mitos racistas. São pessoas que se tornam, facilmente, receptivas às teorias conspiratórias e genocidas – observou a historiadora Tucci Carneiro.

A Casa Sefarad-Israel ( http://www.casasefarad-israel.es/) engloba vários institutos, entre eles o de Cultura Judia, o de Holocausto e AntiSemitismo, de Estudos Israelenses e o de Estudos Sefaraditas-Erensya. Portanto, o espaço ideal para a apresentação de Diez mitos sobre los judíos onde compareceram pouco menos de uma centena de pessoas não só do âmbito da instituição como um público amplo. Entre os presentes se encontrava o antropólogo galego José Luis Cardero, que realiza um importante trabalho sobre o estudo sobre simbologia nazista e sua implicação no apoio à política de extermínio dos judeus antes e durante a Segunda Guerra Mundial; a professora doutora Elda Gonzalez, pesquisa do CSIC – Centro Superior de Investigações Sociais (Governo de Espanha); Esteban González Lopez, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Autônoma de Madrid e  ex-becário do Yad Vashem; Rosa Rios Cortez, estudiosa do Holocausto também graduada pelo Yad Vashem; Diego Moldes González, escritor espanhol, ensaísta, critico e historiador de cine, dentre outros.

As pesquisas de Tucci Carneiro demonstram claramente, como a imagem vale mais que mil palavras e acabam arrastando, ao público a uma tergiversação da realidade. Confirma que tais imagens geram estereótipos que, por sua vez, incorporam mitos criados para perseguir e estigmatizar o povo judeu – explica Tucci. Segmentos destas pesquisas podem ser consultados no site www.arqshoah.com, hoje com reconhecimento internacional. Exemplares do livro Diez Mitos sobre los Judios, nas versões em espanhol e português podem ser adquiridos on-line.

*Jornalista e escritor, de Madri.

Dia da Mulher: a igualdade de gênero ainda está longe de ser uma realidade

Por: Renata de Albuquerque

 

Mais um dia 8 de março vem e mais uma vez o “Dia da Mulher” entra em pauta. Há quem diga “não queremos flores”. Talvez seja melhor dizer “queremos respeito”. Muito já foi conquistado desde que as operárias americanas morreram no incêndio da fábrica de tecidos em Nova York, no século XIX. Mas, é inegável: ainda falta um longo caminho a percorrer até que a igualdade de gênero torne-se uma realidade.

Por isso, é preciso continuar falando, ressaltando as conquistas que já aconteceram e as que ainda estão por vir. Por isso, a Ateliê Editorial resolveu dar espaço a este tema e criou a campanha “Março, Mês da Mulher”.

A ideia foi aproveitar que o mês de março é todo dedicado à poesia (14/3 é o Dia Nacional da Poesia e 21/03 é Dia Mundial da Poesia) e unir os dois temas. Por isso, em março, todos os livros de poesia estão com desconto de 35%.

Se por um lado é a chance de economizar na compra de obras de um dos gêneros literários mais queridos dos leitores, por outro, é a oportunidade de conhecer a poesia escrita por mulheres, ouvir suas vozes e o que elas têm a dizer sobre si mesmas e sua condição.

Com o avanço da sociedade, elas passam a ser protagonistas de suas próprias histórias. E, para celebrar as mulheres e a poesia, veja abaixo algumas das muitas sugestões de livros que estão com desconto especial.

 

Antologia da Poesia Erotica BrasileiraAntologia da Poesia Erótica Brasileira

Organização: Eliane Robert Morae

De R$82,00 Por R$ 53,30

Traz uma seleção do melhor da lírica erótica desde o século XVII até os dias de hoje, com nomes como Gregório de Matos, Hilda Hilst, Carlos Drummond de Andrade, Álvares de Azevedo e Ana Cristina César, entre muitos outros. Os versos se alternam entre a sensualidade meramente alusiva e a obscenidade mais provocante. Lado a lado, eles se reúnem aqui para dar voz a um excesso que é, antes de tudo, o da imaginação.

 

Debaixo do Sol

Eunice Arruda

De R$36,50 Por R$ 23,72

A poeta da “Geração de 60”,  escreve, como ela mesma diz, pela “necessidade de captar as emoções, os pensamentos e devolvê-los depois ao mundo, transformados em outra linguagem: a da poesia”. Em Debaixo do Sol, a dicção lírico-amorosa-existencial continua a se destacar. A partir de uma escrita sintética, a poeta fala da condição humana, abraçada na comunhão com o outro e com o mundo.

 

Feito Eu

Elisa Nazarian

De R$31,00 Por R$20,15

Ao abrir as portas da memória autobiográfica, a escritora resgata o mais íntimo que existe em todos nós: o campo dos afetos. Sem rodeios nem melodramas, ela nos conduz delicadamente a esse universo tão particular quanto universal, sem o qual não nos saberíamos humanos. Em Feito Eu, ela trata dos momentos cotidianos, às vezes perturbadores, e explora o amor no que ele tem de mais visceral e doloroso. Seu verso, límpido e pungente, consegue ser confessional sem se tornar piegas.

 

Hipóteses de Amor

Annalisa Cima

De R$63,00 Por R$40,95

Uma das mais importantes poetas italianas da atualidade, teve o volume Ipotesi d’Amore  originalmente publicado em 1984 e depois traduzido por Alexandre Eulálio, amigo da escritora, e pelo poeta Ivo Barroso. Seus poemas, de intensa dramaticidade, falam principalmente de amor e amizade. Esta edição bilíngue, organizada por Maria Eugênia Boaventura e pelo próprio Ivo, traz também um conjunto de cartas trocadas entre Annalisa e Alexandre, além de um posfácio escrito por ela.

 

E tem muito mais em nossa seção de Poesias.

Ao finalizar sua compra digite o cupom “poesia” que o desconto será aplicado em todos os livros de poesia, exceto nos livros que já estiverem em promoção no outlet e pacotes promocionais.

Problemas para ler histórias de amor?

Por: Eliane Fernandes*

Eliane Fernandes

Como já contei em outro post, minha relação com os livros começou bem tarde. Imagino que se este universo fizesse parte de minha vida desde meus primeiros passos, hoje seria tudo muito diferente.

Quando se descobre que ler é muito bom e gratificante, tudo à sua volta parece mudar, assim como um primeiro amor.Tudo que se vê ajuda a lembrar de um livro: dos personagens, do cenário, da história.Os pensamentos quase sempre fogem da realidade, criando um mundo só seu.Entretanto não foi fácil seguir essa nova descoberta, alguns obstáculos foram colocados para que eu fosse provada, provas essas que eu resumo em: eu mesma e as outras pessoas.

Posso dizer que as primeiras páginas de leitura foram complicadas, afinal de contas eu não tinha o hábito de ler e, no começo de uma obra, geralmente, o autor apresenta os personagens, o local, deixando o m

ovimento do enredo mais para frente. Foi bem difícil lutar contra o sono, contra a vontade de assistir TV, de ouvir música ou até mesmo de ficar no Facebook.Mas fiz uma forcinha, afinal eu tinha que ganhar uma aposta e provar a mim mesma que eu era capaz de ler um livro inteiro. Depois do primeiro capítulo não consegui mais parar de ler, não me importava mais a aposta, eu queria mesmo era saber o final da história.

As pessoas também foram um obstáculo e tanto em minha “nova vida”.Primeiro porque todos estranhavam de eu estar carregando um livro para cima e para baixo, vinham várias perguntas e comentários como: “que livro é esse?”; “você está lendo?”; “você deveria ler ‘tal’ livro”; “este livro é inadequado”; “por que está lendo isso?”, “credo, você está lendo este livro?”; “não tinha nada melhor pra ler?” e mais uma infinidade de perguntas e comentários.Claro que algumas perguntas e observações são normais e pertinentes, entretanto eu percebia que algumas pessoas queriam moldar o meu gosto literário, fazendo críticas aos livros que eu escolhera para ler: por ser para jovens, por ter cenas picantes, por ser de príncipes e princesas, por ter vampiros… Enfim, haviam pessoas que se incomodavam pelo que eu lia, isso sem dúvida me deixava irritada e prejudicava minha leitura. Mas, mesmo assim, eu ouvia todas as críticas e comentários, pensando: “como resolver isso, sendo clara o bastante e que a pessoa não fique magoada?” Fácil:sendo sincera. Eu sempre ouvi tudo, mas também sempre deixei muito claro que era eu quem estava lendo, então não havia motivos para tanto alarde.Além disso, sempre deixei muito claro que se eu sentir vontade de ler eu lerei, independente da opinião de quem seja.O importante é eu gostar e ninguém mais.

No final de tudo foi fácil ler, primeiro eu tive que condicionar a mim mesma a uma nova rotina, tive que mostrar para o meu cérebro pouco treinado que ler é divertido.E quanto às pessoas? Hoje não ligo mais para o que dizem, geralmente eu ouço, viro a página e continuo lendo, o importante é a leitura me fazer feliz, então se eu me interessar pela história, pode ser de monstro, de pirata, de mocinho e bandido ou até mesmo sobre a lua, eu irei ler.

 

* Filha mais velha de uma família simples da capital da cidade de São Paulo, terminou o ensino médio em 2005. Formada em Ciências Econômicas, especializada em Finanças e prestes a tornar-se especialista em Perícia Criminal e Ciências Forenses.