Daily Archives: 16/02/2017

Obras da Ateliê fazem parte de novo comercial da Renault

Livros foram usados na decoração do cenário. Comercial será veiculado no exterior

A Ateliê Editorial teve alguns dos livros que edita usados na composição de cenário de uma nova propaganda da Renault, uma das mais importantes montadoras de carros francesa. Silvia Cunha, que decorou o cenário durante a produção do comercial, afirma que procurou a Ateliê porque a editora possui livros interessantes, que se encaixavam bem no perfil que ela buscava. “Utilizei os livros para ambientar a casa de uma das personagens, jovem e moderna”, diz.

Além de Clichês Brasileiros (foto), foram usados exemplares de publicações como  O Design do Livro,  A Forma do Livro – Ensaios sobre Tipografia e Estética do Livro, Os Manuais de Desenho da Escrita, Capas de Santa Rosa (vencedor do Prêmio Jabuti 2016 na categoria Projeto Gráfico) e Produção Gráfica para Designers (tradução da obra Production for Print, referência quando o assunto é produção e design). Todos possuem projetos gráficos primorosos e estão à venda no site da editora.

Não é a primeira vez que a Ateliê é escolhida para compor ambientes. Reconhecida pelo cuidado estético e editorial de suas obras, a marca já havia sido convidada pela Cerâmica Portinari – uma das maiores empresas de revestimento cerâmico do Brasil – a colocar alguns de seus títulos em uma estante que fazia parte do estande da marca na Expo Revestir 2016.

Sobre a Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial está no mercado desde 1995, atuando principalmente nos segmentos de literatura – ensaios, crítica literária e outras matérias de natureza acadêmica; comunicação e artes; arquitetura; edição de clássicos da literatura; e estudos sobre o livro e seu universo. O objetivo desta casa é levar ao público leitor livros de alta qualidade editorial, em edições cuidadosas que primam pela atenção ao conteúdo, à forma e à expressão. Isso transparece tanto nas capas quanto no rigor e fidelidade textual, o que pode ser comprovado pelos diversos prêmios nacionais e internacionais já recebidos pela editora – como Jabuti, APCA e IDA International Design Awards (EUA).

Site: www.atelie.com.br

Blog: blog.atelie.com.br 

Twitter: @atelieeditorial

Facebook: https://pt-br.facebook.com/atelieeditorial

 

Contatos para Imprensa:

Milena O. Cruz

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Tel: (11) 4402-3183/(11) 98384-3500

Fernando (Cabral Martins) estuda Fernando (Pessoa)

Em Introdução ao Estudo de Fernando Pessoa um dos mais importantes críticos pessoanos coloca luz sobre a teoria e a história da heteronímia

Renata de Albuquerque

Pode parecer ao leitor desavisado que não há novidade em um livro como Introdução ao Estudo de Fernando Pessoa. Entretanto, o lançamento é um excelente roteiro para o entendimento da obra de Pessoa, pois traz uma visão geral da escrita e da atividade pública do maior poeta português moderno, cujos documentos originais foram encontrados em 1935, ano de sua morte, em 91 envelopes arquivados numa célebre arca – a que se acrescentavam outros cinquenta guardados numa mala e em um armário.

Além de uma nova leitura do intrincado poema cujo fac-símile vem reproduzido no prefácio, Fernando Cabral Martins faz, em sua obra, importante contribuição sobre a teoria e a história da heteronímia. A seguir, um dos mais importantes críticos pessoanos em atividade fala  com exclusividade ao Blog da Ateliê:

O senhor estuda a obra de Fernando Pessoa há décadas. O que o atrai na obra desse autor? Quais são, em sua opinião, as questões mais instigantes? Qual razão o levou a estudar Pessoa?

Fernando Cabral Martins: Na verdade, eu estudo a obra de Pessoa desde o princípio dos anos 80, quando comecei a dar aulas de literatura portuguesa na Universidade Nova de Lisboa. Antes disso, já era um leitor, com toda a paixão de leitura de Pessoa que era comum a tantos amigos meus, paixão que estava nesses anos num especial crescendo, com a publicação, tão longamente esperada, do Livro do Desassossego em 1982. Mas é verdade que só a partir dos anos 90 comecei a publicar mais regularmente sobre Pessoa e o Modernismo português. Hoje, o que me parece de maior importância é analisar e integrar a ficção narrativa que tem surgido nos últimos anos, bem como os seus múltiplos escritos de filosofia.

 

O que o motivou a escrever uma “Introdução aos estudos” do autor?

FCM: O que se tem passado nos últimos anos é, pois, um avanço muito considerável na publicação de inéditos e no conhecimento dos vários aspectos de uma obra muito vasta. De tal modo que me pareceu que era altura de tentar obter uma visão geral da história da escrita e da atividade pública do maior poeta português moderno.

 

Como foi realizado o trabalho que resultou neste livro? Como foi feita a pesquisa? O senhor teve acesso a manuscritos, cartas e outros materiais?

FCM: O trabalho de pesquisa foi começado há muitos anos, com um especial enfoque no espólio de Pessoa disponibilizado pela Biblioteca Nacional, que é um verdadeiro tesouro, pois reúne o conjunto dos escritos e cartas de uma vida intensa e inteiramente dedicada à literatura. A biblioteca de Pessoa, por sua vez, que também foi digitalizada e é hoje consultável online no site da Casa Fernando Pessoa, constituiu igualmente uma fonte assinalável de informação pertinente.

 

A obra é destinada apenas a leitores que não conhecem Fernando Pessoa ou pode ser recomendada também a quem já tem conhecimento sobre o autor?


FCM
: O meu objetivo foi propor uma descrição e um comentário coerentes e, tanto quanto possível, completos da obra de Pessoa, à luz das mais recentes publicações, e fazê-lo procurando manter uma exigência de clareza e simplicidade. Neste sentido, pode interessar tanto aos leitores que só agora se iniciam como àqueles que já o conhecem, pois a existência de um mapa é sempre útil para viajar num território extenso e cheio de caminhos que se bifurcam.

 

Existe alguma informação inédita que o senhor tenha encontrado durante sua pesquisa e colocado neste livro, como algum poema, por exemplo? Qual?

FCM: Eu ofereço, por exemplo, uma leitura nova do intrincado poema cujo fac-símile vem reproduzido no prefácio. Mas este livro tinha antes a intenção de apresentar uma panorâmica de Pessoa tal como se conhece hoje. Aliás, depois de 75 anos de edições de inéditos, pode dizer-se que pelo menos a sua poesia está praticamente toda publicada, e que já se conhece talvez o essencial da sua obra.

Manuscrito do poema “Deixo ao Cego e ao Surdo” contido no livro

Do ponto de vista teórico e de crítica literária, em sua opinião, há alguma inovação em sua obra (como, por exemplo, a maneira de apresentar ou organizar o conhecimento sobre Pessoa)? Qual?

FCM: Creio que, para além da própria escolha dos aspectos textuais e temáticos a comentar, o meu principal contributo poderá estar nos dois últimos capítulos, em que tento fazer a história e a teoria da heteronímia. Tentei considerar na sua dinâmica esse tão singular modelo de escrita literária que inventa heterônimos, vendo-o na lógica da sua evolução e não como um sistema fixado.

 

Fernando Paixão destaca, na orelha do livro, a capacidade de interrelacionar informações que, de qualquer modo, estão colocadas de maneira autônoma na obra. Tal estrutura foi criada com que objetivo?

FCM: Esse procedimento tem a ver, penso eu, com a natureza da literatura de Pessoa, que é um constante diálogo entre as posições (estéticas, filosóficas, políticas, religiosas, etc.) que as diferentes figuras heterônimas defendem. É esse o desafio, precisamente, o de tentar ver os traços que unem o que é diferente, a coerência geral por detrás das coerências parciais dos heterônimos, as linhas que ligam dos múltiplos esboços e fragmentos que Pessoa nos deixou e a interrelação entre os muitos gêneros, temas e planos que o ocuparam toda a sua vida. Porque Pessoa é um escritor único e complexo, mas que nos transmite ao mesmo tempo a sensação constante de um pensamento luminoso, que não foge às contradições e à complexidade do mundo, mas antes as torna a matéria-prima da sua arte.

 

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