Monthly Archives: novembro 2016

É Dezembro! O Natal está chegando!

Pois é, o ano passou muito rápido e dezembro já chegou. O Natal se aproxima, as ruas se enfeitam, as fachadas se iluminam. E você, já começou a fazer a lista de presentes? Para ajudar, preparamos uma seleção especial de livros, que certamente vão agradar as pessoas dos mais variados perfis:

 

Poesia

cena

 

Cena Absurdo – Revisto e Diminuto: 1998-2015, de Pedro Marques, apresenta poemas que revelam os absurdos do dia a dia, nem sempre notados quando se vive em meio a eles. Em alguns momentos, o livro apresenta dois ou três poemas na mesma página, ampliando a possibilidade de leitura simultânea.

 

 

 

 

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Ao reunir escritos de 1995 a 2015, Eduardo Guimarães apresenta o seu quarto livro de poemas: Cicatriz. O título reflete os cortes, as cicatrizes, perceptíveis quando o autor nos faz refletir sobre dor e felicidade, por exemplo, bem como quando nos instiga a questionar sobre a nossa própria condição de ser.

 

 

 

 

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Novos Poemas, de Carlos Vogt, reúne três pequenas coletâneas: “Bandeirolas”, “Bolinhos de Chuva” e “Dedo de Moça”. As duas primeiras não tinham aparecido em livro, mas os poemas já haviam sido apresentados em canais da internet, como na página de poesia do autor: Cantografia. A terceira foi publicada em 2011.

 

 

 

 

Antologias

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Antologia Fantástica da Literatura Antiga, organizada por Marcelo Cid, contempla trechos relativamente curtos que podem ser entendidos como literatura fantástica – um gênero que só passa a ter esse nome no século XX, mas é encontrado ao longo de narrativas históricas ou poéticas, ou mesmo em obras filosóficas de séculos passados.

 

 

 

 

Antologia da Poesia Erótica Brasileira

 

Antologia da Poesia Erótica Brasileira, organizada por Eliane Robert Moraes, com desenhos de Arthur Luiz Piza, é resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 2005. São cerca de 350 poemas escritos nos últimos quatro séculos por autores brasileiros como Gregório de Matos, Carlos Drummond de Andrade, Ana Cristina César, Hilda Hilst, Roberto Piva e Arnaldo Antunes, entre outros.

 

 

 

 

Lançamentos

Palmeirim

 

Palmeirim de Inglaterra não é apenas uma novela de cavalaria. O texto, escrito por Francisco de Moraes, faz parte de um ciclo. Nesta edição, os pesquisadores Lênia Márcia Mongelli, Raúl Cesar Gouveia Fernandes e Fernando Maués realizaram um minucioso e primoroso trabalho, transcrevendo a partir de várias fontes para poder chegar a um resultado fidedigno, que interferisse minimamente no estilo original – um dos pontos altos da obra.

 

 

 

 

Sobrecapa do livro "Capas de Santa Rosa"

 

Capas de Santa Rosa, de Luís Bueno, venceu o Prêmio Jabuti 2016. Foi o primeiro colocado na categoria Projeto Gráfico.  O livro destaca as capas criadas por Santa Rosa, permitindo ao leitor acompanhar a transição das capas predominantemente tipográficas para as ilustradas, bem como compreender o aprimoramento crescente do campo editorial.

 

 

 

 

capa produção gráfica

 

Considerado uma referência quando o assunto é produção e design, o livro Production for Print, de Mark Gatter, ganha tradução inédita em português, com o título de Produção Gráfica para Designers. O trabalho de tradução foi feito por Alexandre Cleaver, com revisão técnica de Thiago Cesar Teixeira Justo.

 

 

 

 

Música

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Paulinho da Viola e o Elogio do Amor, de Eliete Eça Negreiros, é uma reflexão sobre a lírica amorosa das composições de Paulinho, cujo eixo é a separação dos amantes”, explica Olgária Matos na apresentação da obra. A autora já havia lançado um estudo anterior sobre o tema, Ensaiando a Canção: Paulinho da Viola e Outros Escritos.

 

 

 

 

voz que canta

 

Em A Voz que Canta na Voz que Fala – Poética e Política na Trajetória de Gilberto Gil, o autor Pedro Henrique Varoni de Carvalho trafega pela análise do discurso e aponta como Gilberto Gil trouxe o seu discurso poético-tropicalista ao ministério, sugerindo e promovendo mudanças até então inéditas no que toca ao tratamento dado à cultura brasileira pelo Estado.

Poesia para o fim do ano: Ateliê lança Cicatriz e Novos Poemas

Obras de Eduardo Guimarães e Carlos Vogt terão lançamento conjunto em Campinas, dia 28 de novembro

cicatriz2Pelo segundo ano consecutivo, a Ateliê lança livros de poesia no período que antecede o Natal, oferecendo uma opção sensível de presente. Ao reunir escritos de 1995 a 2015, Eduardo Guimarães, professor titular de Semântica da Universidade de Campinas (Unicamp), apresenta o seu quarto livro de poemas: Cicatriz. Sobre o processo de criação da obra, ele explica ter sido guiado pelo sentido do corte: “Aquilo que nos faz abandonar ou prestar atenção em algo, que faz o ritmo mudar de curso ou nos faz ver o sofrimento incontornável”, diz. São os cortes, as cicatrizes, perceptíveis quando o autor nos faz refletir sobre dor e felicidade, por exemplo, bem como quando nos instiga a questionar sobre a nossa própria condição de ser:

O ser é

o que não é

o não-em-si

a cicatriz

que veio

do choque (p. 71)

 

poemas2Novos Poemas tem autoria do poeta e linguista Carlos Vogt. A obra reúne três pequenas coletâneas: “Bandeirolas”, “Bolinhos de Chuva” e “Dedo de Moça”. As duas primeiras não tinham aparecido em livro, mas os poemas já haviam sido apresentados em canais da internet, como na página de poesia do autor: Cantografia. A terceira, por sua vez, foi publicada em 2011. Desse modo, Carlos Vogt destaca que os poemas chamam-se novos por terem vindo só depois. “Há poemas falando do poema, há os que falam dos outros para falar de si mesmos, há os que falam das coisas e dos seres que habitam a afetividade, mesmo que irônica, de nosso presente e o presente de nossas lembranças, há os abstratos e os concretos, postos sob a geometria rítmica do verso”, diz.

Planeta

Quem é

o irresponsável

por tudo isso? (p.90)

Para celebrar o lançamento dos dois volumes e aproveitando a proximidade entre os poetas, a Ateliê preparou um lançamento duplo, com a presença de ambos os autores.

Lançamento de Cicatriz e Novos Poemas

 Data: 28 de novembro, segunda-feira, a partir das 18h

Local: Alzirão Empório Bar

Rua Francisco de Barros Filho, 432, Campinas, SP

Tel.: (19) 3579-9040

 

Serviço

Cicatriz

Formato: 14 x 21 cm

Número de páginas: 104

ISBN: 978-85-7480-746-1

Preço: R$ 56,00

 

Novos Poemas

Formato: 14 x 21 cm

Número de páginas: 136

ISBN: 978-85-7480-747-8

Preço: R$ 60,00

 

Sobre a Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial está no mercado desde 1995, atuando principalmente nos segmentos de literatura – ensaios, crítica literária e outras matérias de natureza acadêmica; comunicação e artes; arquitetura; edição de clássicos da literatura; e estudos sobre o livro e seu universo. O objetivo desta casa é levar público leitor livros de alta qualidade editorial, em edições cuidadosas que primam pela atenção ao conteúdo, à forma e à expressão. Isso transparece tanto nas capas quanto no rigor e fidelidade textual, o que pode ser comprovado pelos diversos prêmios nacionais e internacionais já recebidos pela editora – como Jabuti, APCA e IDA International Design Awards (EUA).

Site: www.atelie.com.br

Blog: blog.atelie.com.br

Twitter: @atelieeditorial

Facebook: https://pt-br.facebook.com/atelieeditorial

Contatos para Imprensa:

Milena O. Cruz

imprensa@rda.jor.br

Tel: (11) 4402-3183/(11) 98384-3500

 

 

 

“Cena Absurdo”: poesia e tecnologia multimídia

Por: Renata de Albuquerque

cena

Pedro Marques está lançando Cena Absurdo – Revisto e Diminuto: 1998-2015, um livro de poemas que revelam os absurdos do dia a dia, nem sempre notados quando se vive em meio a eles. Em alguns momentos, o livro apresenta dois ou três poemas na mesma página, ampliando a possibilidade de leitura simultânea. Além disso, traz QR Codes de clusters sonoros, que ampliam a experiência da leitura. Pela Ateliê, o autor também lançou Manuel Bandeira e a Música (ensaio, 2008) e Clusters (poesia, 2010).

A seguir, Marques fala do livro, que tem lançamento neste dia 24 de novembro, na Livraria da Vila, em São Paulo:

 

Qual foi a ideia de unir clusters sonoros aos poemas do livro? Em que medida os clusters ressignificam sua poesia para o leitor?

Pedro Marques: A poesia escrita tende a ser sequencial:fonema depois de fonema, palavra depois de palavra, verso depois de verso. Mário de Andrade, ligado à música e à oralidade, experimentou criar efeitos de simultaneidade com palavras (“verso harmônico”) e com versos (“polifonia poética”). Na música, a simultaneidade é natural, não só na harmonia, mas na própria coexistência rítmica, melódica e harmônica. Na oralidade falamos, ouvimos, gesticulamos, tudo ao mesmo tempo. Em poesia literária, em geral, conseguimos apenas a sensação disso tudo. No primeiro livro, Clusters (2010), testei transladar para poesia esse recurso da massa sonora concomitante, comum na música. Como no cacho sonoro, um cardume de poemas que deveriam ser lidos no seu valor de conjunto. Isso gerava já uma intervenção no modo tradicional de ler o poema apenas como unidade própria dentro de um livro. Cena Absurdo (2016) dá um passo além, quando dispõe dois ou três poemas na mesma página, ampliando a possibilidade de leitura simultânea. Isso feito, surgiu a ideia de, nas dez páginas em que isso ocorre, inserir a música propriamente. Ou seja, depois de simular clusters na literatura – o que por si ressignifica nossa expectativa retilínea de leitor -, devolvi o simulacro ao original: a música.

O poeta Pedro Marques

O poeta Pedro Marques

É a primeira vez que isso acontece em um livro de poemas?

PM: Há tanta coisa sendo testada na poesia mundo afora, não? De todo modo, o diferencial aqui é testar os limites deste que é dos suportes mais bem-sucedidos da poesia escrita: o volume em papel. Veja, não é livro que vem com partitura, CD, dobradura ou DVD. É livro aparentemente tradicional, mas que num instante arranca o leitor de sua leitura silenciosa para a experiência sonora, que materializa simultaneidades acústicas e intelectuais entre poemas. O leitor vai lendo o livro como de costume, linearmente. De repente, é convidado à audição músico-poética por meio de seu celular ou computador. Esse conteúdo sonoro, guardado na nuvem invisível (www.cenaabsurdo.com.br), acompanha o leitor/ouvinte conectado à internet em qualquer lugar.

 

O que diferencia essa obra de Clusters, lançada em 2010?

PM: A ideia de cluster poético nasce com Clusters. Ali, no entanto, é antes metafórica que efetiva. Você pode ler os poemas do cluster “Tragédias”, por exemplo, como unidades independentes ou como grupo. Não há uma disposição editorial e multimídia que suporte o conceito aplicado à poesia. O poema está lá sozinho na mancha. Ao mesmo tempo, nesse primeiro livro, os dez clusters são nomeados, distinguíveis em suas características temáticas, estilísticas, narrativas ou dramáticas. Cena Absurdo é um fluxo só que, de repente, propõe um cluster sem título cuja simultaneidade é, por um lado, realizado pelo leitor, e, por outro, materializada pelas composições musicais.

 

Por que do título “revisto e diminuto”? Rever, na sua opinião é editar, é condensar, é cortar?

PM: Em 1998, com a ajuda do poeta Welington Fernandes, rodei em casa um livro chamado Em Cena com o Absurdo. Fizemos tudo, da diagramação à colagem do miolo, passando pela gestão da grana curta. Eram cinquenta livros artesanais. Graduando em Letras, na UNICAMP, fui lido por poetas, músicos e professores duros na crítica. Uma escola de prática editorial e de exercício poético. Abrir o peito ao frio. O livro era grande demais, cheio de ideias, pouca resolução formal. Uma oficina aberta aos amigos. Peraltice de vinte anos. Aprendi que rotina de poeta é escrever e rescrever, não publicar. É tomar mel e pedrada de gente como Paulo Franchetti e Antonio Candido. É ouvir parceiros que acompanham a lida: Luís Fernando Prado Telles (do posfácio) e Marco Catalão (da quarta-capa). Sempre vi edições “revistas e aumentadas”, esta, embora revisada, é diminuta por dois motivos. Primeiro, Cena Absurdo preserva, condensando em volume e estilo, a ideia central do seu rascunho caseiro: o dado absurdo está entre nós, não lá longe. As cenas do livro dramatizam exemplos disso. Segundo, em harmonia, o acorde diminuto tem acidentes estranhos ao ouvido, seus dois trítonos. O termo também nesse sentido cabe ao livro, que rearranja a percepção tradicional do leitor de livros de poesia, ao entrechocar mais de uma poema por página, ao trazer áudios inusitados que não são locuções.

 

De que maneira a decisão do uso dos clusters, em QR Code, influenciou o fazer poético do livro? As poesias são anteriores a essa decisão?

PM: Não chegou a influenciar a composição dos poemas. As decisões técnicas e conceituais do livro já estavam todas tomadas. O uso do QR Code, ao contrário, foi uma solução tecnológica proposta pelo Estúdio Risco, que assina o projeto editorial com a Ateliê Editorial. Foi a saída encontrada para o problema estético, quanto aos poemas, e para o impasse prático, quanto à experiência de leitura.

 

A poesia é um ato, muitas vezes, referido como solitário pelos artistas. Na medida em que você contou com a contribuição de Gustavo Bonin, Micael Antunes e Juliana Amaral no livro, a criação passa a ter um aspecto também coletivo. Qual a importância disso nesse contexto?

PM: A criação, nesse caso, foi coletiva por conta dos anos decompondo e compondo o livro a partir de leituras críticas. A reunião de produtores, músicos e compositores para esta edição trouxe coletividade de produção mesmo. Havia os poemas no Word, dez páginas eram clusterizadas. O projeto gráfico e o espetáculo baseado no livro (que pode ser visto nos lançamentos) surgiu no Estúdio Risco, nas figuras de Juliana Amaral e Humberto Pio, arquitetos da arte qualquer que ela seja. Os clusters sonoros nasceram do contato com Juliana Amaral, cantora essencial na atual canção popular brasileira. Seus shows e discos apresentam acabamento e significado nada triviais, são vivências na arte de cantar. Foi na canção popular que nos achamos, quando ela gravou uma parceria minha com Nenê Baterista. Só que no Cena Absurdo esse encontro cancional enveredou para uma música concreta, com entonações e sobreposições abertas ao estranho, ao cênico. Para burilar essa ideia, Juliana puxou para o projeto os compositores experimentais Gustavo Bonin e Micael Antunes, ourives do som, senhores da onda sonora, das tecnologias de edição. Tanto a produção editorial quanto sonora (esta passou por todo processo de estúdio e mixagem) foi coletiva e conduzida por Juliana. Sem ela, o livro assim não existiria. Com cada indivíduo no seu instrumento, Cena Absurdo, no fundo, virou tipo um álbum de banda, só que com a palavra escrita à frente.

 

QR Code de cluster contido no livro

QR Code de cluster contido no livro

Em que medida os clusters ressignificam sua poesia para o leitor? O que você buscou com a inclusão deles na obra?

PM: De um lado, busquei expandir os fronteiras midiáticas e intelectivas desse objeto maravilhoso que é o livro. Ou seja, expandir a ideia de volume não é apenas convertê-lo em livro eletrônico, cujo formato pode ser bem tradicional quanto à experiência leitora. De outro lado, os poemas de Cena Absurdo guardam vozes (de falas a referencias literárias). Como ecoar isso de modo simultâneo? Como transpassar o leitor/ouvinte com esse coro de informações? Os clusters na página redefinem a percepção mental, os clusters sonoros materializam musicalmente essa percepção.

 

Há alguma espécie de continuidade ou de ruptura entre Clusters e Cena Absurdo? Que inovações, o que este novo livro agrega ao anterior?

PM: Cena Absurdo desenvolve a noção de cluster poético iniciada em Cluster. Mais que isso, a ideia é que cada um dos dez cachos do livro Clusters virem uma massa autônoma com uma nova versão ou aplicação do conceito clusters-poético. Cena Absurdo, que no livro de 2010 chamava-se “Em cena com o absurdo”, contando com apenas quatro poemas, é o segundo passo dessa história que vou caminhando pacientemente.

 

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Ateliê lança Cena Absurdo, de Pedro Marques

Obra foge da leitura tradicional e une poesia e música para tratar dos disparates, às vezes despercebidos, de nosso cotidiano

cenaCena Absurdo – Revisto e Diminuto: 1998-2015 apresenta poemas que revelam os absurdos do dia a dia, nem sempre notados quando se vive em meio a eles. Em alguns momentos, o livro apresenta dois ou três poemas na mesma página, ampliando a possibilidade de leitura simultânea. “Um aspecto que atravessa todos os poemas e que parece garantir uma certa unidade a eles é justamente a denúncia da hipocrisia, do contraditório, da incongruência, que se fazem revelar nas cenas mais corriqueiras: aí reside o desabrochar do absurdo que passa despercebido quando nele estamos inseridos”, escreve Luís Fernando Prado Telles, professor de Teoria Literária da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), no posfácio. No entanto, o que também chama atenção na obra é a proposta de uma experiência multimídia, já que Cena Absurdo apresenta clusters sonoros – conjunto de notas e palavras simultâneas em intervalos mínimos, e portanto dissonantes, no limiar do ruído.

Na obra, o poeta, compositor e ensaísta Pedro Marques, que também é professor de Literatura Brasileira da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), diz ter buscado “expandir as fronteiras midiáticas e intelectivas do livro”. Para tanto, contou com a participação de Gustavo Bonin, Micael Antunes e Juliana Amaral para “subverter” e “recosturar”seus versos por meio dos clusters sonoros. Segundo o autor, a obra convida o leitor à audição músico-poética por meio do celular ou computador. As composições podem ser ouvidas por meio do site www.cenaabsurdo.com.br ou por meio de um QRCode (imagem codificada de endereçamento), que acompanha cada cluster no livro. Para ouvi-los, é só posicionar o QRCode em frente à câmera do celular, tablet ou computador a partir de um programa de leitura. “Com cada indivíduo no seu instrumento, Cena Absurdo, no fundo, virou tipo um álbum de banda, só que com a palavra escrita à frente”, diz Pedro Marques.

Pela Ateliê, o autor também lançou Manuel Bandeira e a Música (ensaio, 2008) e Clusters (poesia, 2010).

Lançamento de Cena Absurdo

Data: 24 novembro, das 18h30 às 21h30

Local: Livraria da Vila – Rua Fradique, 915 (piso térreo), Pinheiros, SP

Tel.: (11) 3814-5811

Data: 07 dezembro, das 18h30 às 21h30

Local: Livraria da Vila (Shopping Galleria) – Rod. Dom Pedro I, s/ nº – Jardim Nilópolis, Campinas – SP

Tel.: (19) 3766-5160

Serviço

Cena Absurdo – Revisto e Diminuto: 1998 – 2015

Formato: 21 x 21 cm

Número de páginas: 80

ISBN: 978-85-7480-734-8

Preço: R$ 59,80

Sobre a Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial está no mercado desde 1995, atuando principalmente nos segmentos de literatura – ensaios, crítica literária e outras matérias de natureza acadêmica; comunicação e artes; arquitetura; edição de clássicos da literatura; e estudos sobre o livro e seu universo. O objetivo desta casa é levar ao público leitor livros de alta qualidade editorial, em edições cuidadosas que primam pela atenção ao conteúdo, à forma e à expressão. Isso transparece tanto nas capas quanto no rigor e fidelidade textual, o que pode ser comprovado pelos diversos prêmios nacionais e internacionais já recebidos pela editora – como Jabuti, APCA e IDA International Design Awards (EUA).

Site: www.atelie.com.br

Blog: blog.atelie.com.br

Twitter: @atelieeditorial

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Contatos para Imprensa:

Milena O. Cruz

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A travessia de Freud pelas artes

Por Renato Tardivo

 

freud

A relação de Freud com as artes foi marcada por ambiguidades. Em uma vertente, ele se valeu das artes e do trabalho do artista a fim de validar a teoria que estava criando. Em outra, Freud parece privilegiar a correspondência entre as artes e a psicanálise, pois ambas se prestam a explorar os mistérios da alma humana.

Em um excerto curto, anexo à carta a Fliess (1897), Freud compara as fantasias histéricas aos mecanismos da criação poética: “Shakespeare tem razão ao igualar criação poética e delírio”. Essa acepção, talvez majoritária ao longo de sua obra, é a que está contida no ensaio “Escritores criativos e devaneio” (1908): a arte enquanto sublimação de desejos inconscientes reprimidos. Em vez de transformar em sintomas, os artistas dariam forma a esses desejos, isto é, os sublimariam, de modo a serem aceitos pela cultura.

Um dos principais textos nessa direção é o longo ensaio “Uma lembrança de infância de Leonardo da Vinci” (1910). Freud procura resolver os enigmas que a obra de arte coloca por meio da aplicação da teoria que ele construía, aplicando a psicanálise à obra de arte e ao trabalho do artista, ao testar e buscar validar os conceitos.

A propósito, o fenomenólogo francês Maurice Merleau-Ponty, no ensaio “A dúvida de Cézanne” (1945), faz ressalvas a esse uso de Freud, muitas vezes arbitrário, mas também reconhece a sua importância.De acordo com o filósofo, “o sentido de [uma] obra não pode ser determinado por sua vida”. Ao contrário, é a “obra por fazer [que] exigia essa vida”. Assim, “a psicanálise não é feita para nos dar, como as ciências da natureza, relações necessárias de causa e efeito, mas para nos indicar relações de motivação que, por princípio, são simplesmente possíveis”.

Há ensaios em que Freud discute as artes ou o trabalho do artista em que isso fica muito claro. Nesses casos, ocorre uma inversão da acepção majoritária de Freud sobre as artes. Em vez da analogia entre sintoma e trabalho do artista, a analogia se coloca entre o trabalho criativo do artista e as interpretações do psicanalista.

Célebre nesse sentido é a carta de 1922 que Freud endereçou ao escritor Arthur Schnitzler. Nela, o psicanalista confessa encontrar no escritor o seu duplo. Curiosamente, a carta não foi veio a público enquanto Freud esteve vivo, pois de fato revela o seu temor a respeito da aproximação entre trabalho do artista e trabalho do psicanalista. Homem da ciência que foi, sabemos que Freud rompe com ela, mas procura a todo tempo reconciliar-se.

Não deixa de ser fortuito que o único prêmio que recebeu em vida foi o Goethe. Sabemos que em muitos de seus escritos, Freud valeu-se de passagens do escritor alemão. No discurso lido por Anna Freud na ocasião do prêmio (1930), Freud afirma que ter colocado o escritor na “condição de objeto da pesquisa analítica” não significava um rebaixamento. Uma vez mais, são a obra e o trabalho do artista objetos da teoria psicanalítica, que é capaz de esclarecer “o mistério do talento extraordinário que o torna artista”. Freud recebe o prêmio Goethe enquanto homem da ciência…

“Transitoriedade” (1916) é um artigo curto, mas muito importante. Nele encontramos o Freud escritor em sua melhor forma. Com ares proustianos, o pai da psicanálise discorre poeticamente sobre a passagem do tempo. No ensaio, é abordada a temporalidade freudiana do après-coup, segundo a qual as inscrições do vivido são ressignificadas “só depois” de sua ocorrência factual. Eis uma forma interessante de pensar o atravessamento de Freud pelas artes, também ele empreendendo uma série de ressignifcações ao lugar da arte e do trabalho do artista. Ora, ao o procurar desvendar os mistérios da alma humana, Freud nos ensinou que ela é um mistério interminável.

Para ler mais sobre arte e psicanálise, acesse: http://www.atelie.com.br/livro/arte-dor-inquietudes-entre-estetica-psicanalise/

Psicanalista e escritor. Doutor em Psicologia Social da Arte (USP). Autor, entre outros, do ensaio Porvir que vem antes de tudo – literatura e cinema em Lavoura arcaica (Ateliê/Fapesp).

Era no Tempo do Rei traz nova ótica sobre Memórias de um Sargento de Milícias

Obra de Edu Teruki Otsuka investiga “espírito rixoso” presente na narrativa de Manuel Antônio de Almeida

imagem“Era no tempo do Rei”. A primeira frase de Memórias de um Sargento de Milícias foi escolhida como título da nova obra de Edu Teruki Otsuka, fruto de sua tese de Doutorado orientada pelo Professor José Antonio Pasta Júnior. No trabalho, ele mostra como o romance de Manuel Antônio de Almeida se organiza conforme uma lógica regida por conflitos interpessoais, que se manifestam no romance de maneiras diversas, mas que podem ser unificadas na noção de rixa. “São pequenos conflitos entre personagens, que na maior parte pertencem ao setor social dos homens livres e pobres, e ocorrem na forma de disputas pessoais, rivalidades, vinganças, zombarias etc”, explica Otsuka, professor do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Segundo essa leitura, a lógica do espírito rixoso desempenha um papel estruturante na obra, sendo o ponto de articulação entre o plano da ficção e a matéria histórica e social que o romance elabora. Além de ser um dado temático, esse princípio “rege a configuração das personagens, modula a prosa, dita o ritmo da narrativa e organiza os episódios, dando consistência ao romance como um todo”, detalha Otsuka.

Como sublinha o próprio pesquisador, há uma diferença entre a leitura que ele propõe em Era no Tempo do Rei e o clássico Dialética da Malandragem, de Antonio Candido. Na interpretação de Candido, a alternância entre ordem e desordem sugere uma imagem da sociedade brasileira caracterizada pela flexibilidade tolerante. Já a obra de Otsuka procura mostrar os conflitos e as relações violentas na camada de homens livres e pobres, acentuando a pouca coesão social decorrente da escassez de trabalho.

O estudo levou o autor a investigar o sentido histórico e social do espírito rixoso, que o conduziu à hipótese de que seu fundamento material está na disputa por trabalho, acentuada na época em que o romance foi escrito. “A rixa será, para as personagens pobres, o precário recurso que prolifera especialmente quando se está fora tanto do circuito econômico do trabalho quanto das relações de favor”, diz o autor.

Serviço

Era no Tempo do Rei – Atualidade das Memórias de um Sargento de Milícias

Formato: 12,5 x 20,5 cm

Número de páginas: 216

ISBN: 978-85-7480-748-5

Preço: R$ 39,50

 

Sobre a Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial está no mercado desde 1995, atuando principalmente nos segmentos de literatura – ensaios, crítica literária e outras matérias de natureza acadêmica; comunicação e artes; arquitetura; edição de clássicos da literatura; e estudos sobre o livro e seu universo. O objetivo desta casa é levar ao público leitor livros de alta qualidade editorial, em edições cuidadosas que primam pela atenção ao conteúdo, à forma e à expressão. Isso transparece tanto nas capas quanto no rigor e fidelidade textual, o que pode ser comprovado pelos diversos prêmios nacionais e internacionais já recebidos pela editora – como Jabuti, APCA e IDA International Design Awards (EUA).

Site: www.atelie.com.br

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A Força Dos Louros

por Alex Sens

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O ano é 2012, uma quinta-feira, a última do mês de novembro. Saio e esqueço o celular em casa. Quando volto, há uma mensagem na caixa postal, sotaque mineiro da Secretaria de Estado da Cultura pedindo para eu retornar. A consciência inunda o meu corpo, se inicia uma breve palpitação, mas eu retorno trêmulo. A notícia de que eu ganhei o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura na categoria “jovem escritor” é a faísca que vai causar o incêndio do meu primeiro livro. O prêmio, uma espécie de bolsa para escrever um livro durante seis meses, me coloca dentro do universo literário quase à força. “Vai, Alex! ser escritor na vida”, me sussurra o coração, empurrando meu corpo diante da escrivaninha, preparado para os próximos meses de muita dedicação e muito trabalho.

A importância dos prêmios literários é inquestionável e imensurável. Quando voltados para o fomento da cultura, para incentivar escritores, colocar óleo nas engrenagens do mercado editorial, da produção artística, e não como fertilizante de egos, os prêmios podem fazer borbulhar diamantes no meio de uma massa escura de carvões opacos. O Frágil Toque dos Mutilados, meu romance de estreia, lançado em 2015 pela Autêntica Editora, foi escrito a partir de um prêmio. Com a publicação, vieram as indicações aos prêmios São Paulo de Literatura e Oceanos, algumas das maiores vitrines da literatura brasileira contemporânea. “Vitrine” é uma palavra perigosa, traz no som o vidro do capitalismo, da exposição, do consumo, do comércio. No entanto, os prêmios não deixam de ser, além de uma forma de reconhecimento do difícil e pouco remunerado trabalho do artista, essa bela galeria do que podemos conhecer da nossa cultura, da nossa imaginação. Sem os prêmios, talvez tivéssemos menos escritores, menos leitores, editoras menores desconhecidas ou até inexistentes.

Sustentado ou não por conluios, formado muitas vezes de polêmicas, escopo da lapidação do ego ou da luta por um espaço já tão ocupado, tão apertado de opiniões, técnicas, histórias e ideias, o universo dos prêmios literários, dos triunfos trazidos pela imaginação ou pela construção de um nome, pode ser a única forma de não apenas valorizar a literatura, mas respeitá-la. Reconhecer seu espaço precioso. Resistir (porque a arte também é movimento de resistência) à força esmagadora da cultura da preguiça, da mídia fácil e mastigada. Dar voz a quem tem na linguagem, nas palavras, a sua forma de sobrevivência. Assim como tornar a vida do escritor mais possível, menos romântica — sem anular seu romantismo. A literatura precisa ser premiada, ela é a natureza das ideias, das possibilidades. Ela é o registro axiomático da dúvida, portanto, do pensamento de um tempo.

Neste ano, a Ateliê Editorial possui três finalistas no mais tradicional prêmio literário brasileiro, o Prêmio Jabuti, nas categorias Poesia e Projeto Gráfico. São eles: a Antologia da Poesia Erótica Brasileira, organizada por Eliane Robert Moraes, Viagem a um Deserto Interior, de Leila Guenther, e Capas de Santa Rosa, um trabalho de Luís Bueno, com projeto da Negrito Produção Editorial e lançado em coedição com as Edições SESC SP. São livros que, como todos os outros finalistas, foram reconhecidos por sua qualidade e têm, através de suas indicações, o papel de estimular ainda mais novos olhares, novos leitores e expandir a qualidade literária atual, seja na criação, a partir de várias ideias, seja num projeto que as organize com mestria.

 

*Escritor, nascido no ano de 1988 em Florianópolis, SC, e radicado em Minas Gerais. Publicou Esdrúxulas, pequeno livro de contos de humor negro e realismo mágico, seguido pelo livro artesanal Trincada. Teve contos e poemas publicados em sete coletâneas e em revistas literárias virtuais, assim como resenhas de livros, entrevistas e críticas em sites de jornalismo cultural. O Frágil Toque dos Mutilados (Autêntica Editora, 2015), seu romance de estreia, venceu o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2012 na categoria Jovem Escritor.