Monthly Archives: outubro 2016

Ateliê lança Paulinho da Viola e o Elogio do Amor

Obra de Eliete Eça Negreiros investiga algumas modalidades da representação do amor na obra do compositor

paulinho2“Paulinho da Viola e o Elogio do Amor é uma reflexão sobre a lírica amorosa das composições de Paulinho, cujo eixo é a separação dos amantes”, explica Olgária Matos na apresentação da obra que a Ateliê Editorial acaba de lançar. A autora, Eliete Eça Negreiros, além de cantora e escritora, é Doutora em Filosofia pela Faculdade de Filosofia da USP (FFLCH) e uma apaixonada pela obra do compositor. Para ela, Paulinho da Viola é não apenas um inovador, mas também um guardião da memória do samba, “coisa rara e de uma riqueza cultural e brasileira incalculável”, diz.

O livro, que nasceu da tese de doutorado de Eliete Negreiros, é composto de quatro partes. Na primeira, “O Amor Breve”, a autora trata do amor que não resiste à ação do tempo, o amor fugaz. O tema filia-se à tradição do pensamento ocidental, que desde os gregos reflete sobre a fragilidade da condição humana e a brevidade da vida, segundo a autora. Na segunda, “O Amor e a Melancolia”, Eliete Negreiros fala do amor que não consegue se realizar e que fica preso a um mundo de ruínas e perdas, preso na lembrança do que já foi e não é mais. “Para refletir sobre esta intrigante dimensão da alma humana, busquei compreender como o amor e a melancolia se entrelaçam, partindo dos ensinamentos de Freud em seu escrito ‘Luto e melancolia’ e de pensadores que se debruçaram sobre este tema, como Aristóteles, Montaigne, Walter Benjamin, entre outros”, explica Eliete, que cita “Nada de novo”, “Flor esquecida” e “Estou marcado” como sambas de Paulinho da Viola representantes do amor melancólico. Na terceira parte, “O Amor Feliz”, o enfoque fica em torno da busca da felicidade enquanto plenitude associada ao encontro entre amado e amante. Por fim, em “Educação Sentimental”, a autora fala como encontramos, por meio das canções, uma filosofia que nos orienta sobre os movimentos dos sentimentos. “Paulinho da Viola constrói o tema do amor como reflexão que abrange a totalidade da existência, aproximando-se de uma espécie de ’educação sentimental’ que culmina em máximas morais, como experiência e conhecimento”, diz a autora.

Este é o segundo livro que Eliete Negreiros escreve sobre a obra de Paulinho da Viola. O primeiro foi Ensaiando a Canção: Paulinho da Viola e Outros Escritos, também da Ateliê Editorial. No livro anterior, no entanto, ela trabalhou mais a estrutura de algumas canções. Neste, a abordagem é temática, segundo ela mesma explica: “Através de uma ampla reescuta – pois conhecia as canções que escolhi – fui buscando ver como o amor é retratado na obra do Paulinho da Viola. Digamos que neste livro há um viés mais reflexivo, mais filosófico, mais abrangente”, conclui.

Lançamento de Paulinho da Viola e o Elogio do Amor

Dia 9 de novembro (quarta-feira)

Horário: das 18h30 às 21h30

Local: Livraria da Vila

Rua Fradique Coutinho, 915, Pinheiros, São Paulo

Tel.: (11) 3814-5811

Serviço

Paulinho da Viola e o Elogio do Amor

Formato: 14 x 21 cm

Número de páginas: 148

ISBN: 978-85-7480-537-5

Preço: R$ 41,00

 

Sobre a Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial está no mercado desde 1995, atuando principalmente nos segmentos de literatura – ensaios, crítica literária e outras matérias de natureza acadêmica; comunicação e artes; arquitetura; edição de clássicos da literatura; e estudos sobre o livro e seu universo. O objetivo desta casa é levar ao público leitor livros de alta qualidade editorial, em edições cuidadosas que primam pela atenção ao conteúdo, à forma e à expressão. Isso transparece tanto nas capas quanto no rigor e fidelidade textual, o que pode ser comprovado pelos diversos prêmios nacionais e internacionais já recebidos pela editora – como Jabuti, APCA e IDA International Design Awards (EUA).

Site: www.atelie.com.br

Blog: blog.atelie.com.br

Twitter: @atelieeditorial

Facebook: https://pt-br.facebook.com/atelieeditorial

Contatos para Imprensa:

Milena O. Cruz

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Tel: (11) 4402-3183/(11) 98384-3500

Prêmio Jabuti divulga livros finalistas de 2016

A Câmara Brasileira do Livro – CBL – acaba de divulgar a lista dos livros finalistas à 58ª edição do Prêmio Jabuti. Foram mais de 2400 inscritos nas 27 categorias que o Prêmio Jabuti contempla, e três títulos da Ateliê Editorial conseguiram indicação.

CapasNa categoria “Projeto Gráfico” foi indicado Capas de Santa Rosa, uma coedição com as Edições SESC SP. O livro reúne cerca de 300 capas do paraibano Tomás Santa Rosa, até então dispersas em sebos, coleções particulares e bibliotecas, e que servem como fonte de pesquisa para futuros trabalhos sobre a história do livro e das artes visuais. O autor Luís Bueno levou dez anos para realizar o trabalho. Por meio desta obra, o leitor pode acompanhar a transição das capas predominantemente tipográficas para as ilustradas, bem como compreender o aprimoramento crescente do campo editorial.

 

Antologia da Poesia Erótica BrasileiraNa categoria “Poesia”, foram duas indicações. A Antologia da Poesia Erótica Brasileira, organizada por Eliane Robert Moraes, foi lançada durante a 13ª FLIP. Com desenhos de Arthur Luiz Piza, a obra, de mais de 500 páginas, é resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 2005. São cerca de 350 poemas escritos nos últimos quatro séculos por autores brasileiros conhecidos do grande público – Gregório de Matos, Gonçalves Dias, Carlos Drummond de Andrade, Ana Cristina César, Hilda Hilst, Roberto Piva e Arnaldo Antunes, entre outros. A obra também reúne textos de escritores menos conhecidos, como Francisco Moniz Barreto, Múcio Teixeira e Moysés Seyson e poemas anônimos.

 

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Viagem a um Deserto Interior, de Leila Guenther, também é finalista na categoria “Poesia”. Reunindo poemas e haicais, o livro surgiu de um desejo da autora, até então com vasta experiência em prosa, mais especificamente com os contos, de experimentar outro gênero. “O livro coincide com uma fase de transformação profunda em minha vida, que me fez sentir mais livre para escrever”, afirma Leila.

 

 

 

Os vencedores do Prêmio Jabuti deste ano serão conhecidos no dia 11 de novembro. A cerimônia de entrega do Jabuti acontecerá dia 24 de novembro, no Auditório Ibirapuera. Para conhecer a lista completa de finalistas, acesse http://premiojabuti.com.br/finalistas-jabuti-2016/

Paulinho da Viola: sambista-pensador

Paulinho da Viola e o Elogio do Amor é uma reflexão sobre a lírica amorosa das composições de Paulinho, cujo eixo é a separação dos amantes”, explica Olgária Matos na apresentação do livro de Eliete Eça Negreiros que a Ateliê Editorial acaba de lançar. Ela é cantora e ensaísta, para além do título de Doutora em Filosofia pela Faculdade de Filosofia da USP (FFLCH). A música é realmente um marco em sua vida. São dela discos como Outros Sons de 1982, produzido por Arrigo Barnabé e vencedor do Prêmio APCA na categoria cantora revelação. Depois vieram Ângulos – Tudo está dito (1986), Canção Brasileira- nossa bela alma (1992), com o qual ganhou o prêmio APCA de melhor cantora de música popular e 16 canções de tamanha ingenuidade (1996). Este já é seu segundo livro sobre o grande sambista brasileiro. O primeiro, Ensaiando a canção: Paulinho da Viola e outros escritos (Ateliê editorial), foi lançado em 2012.

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A seguir, Eliete conversa com o Blog da Ateliê sobre seu mais novo livro:

Este não é seu primeiro livro sobre Paulinho da Viola. O que a instiga tanto na obra dele?

Eliete Negreiros: A obra do Paulinho da Viola é fascinante, profundamente bela e brasileira. Não foi uma decisão intelectual. Fui movida primeiro pelo afeto, por gostar muito de suas canções desde que o ouvi pela primeira vez, num radinho portátil, num final de tarde, quando papai me mostrou “Coisas do mundo minha nega” e me disse: -“ Presta atenção, minha filha, este moço é muito bom.” E, como diz o samba do Paulinho, “o meu pai tinha razão”. Em segundo lugar, sua obra tem uma grande amplitude: Paulinho não só faz samba tradicional e moderno, como é um sambista tradicional e moderno ao mesmo tempo. Como ele explicou no filme de Izabel Jaguaribe: o tempo dele é hoje. Então, esta virtude de ser um guardião da memória do samba e de ser um inovador, isto ao mesmo tempo, é coisa rara e de uma riqueza cultural e brasileira incalculável.  Em terceiro lugar, porque vejo a canção como uma forma de conhecimento e auto-conhecimento afetivo-intelectual. Vou me explicar: quando uma pessoa ouve certas canções meditativas do Paulinho da Viola, conhece a alma lírica do compositor ao mesmo tempo em que mergulha na sua própria alma, pois, na verdade,falando de si, ele fala da alma de muitos de nós e é neste ponto que há uma catarse e, ao mesmo tempo, um instante de alumbramento, de conhecimento do outro  (do poeta), de si mesmo (do ouvinte) e do mundo que nos rodeia. Paulinho é um sambista-pensador da alma humana e quando ele fala do seu coração, fala do nosso coração com profundidade, com sabedoria.

Agora, tudo isto que estou explicando, eu descobri no processo de reflexão sobre a obra do Paulinho da Viola. Não foi uma premissa para a escolha. A escolha deu-se porque eu adoro suas canções, porque elas me comovem e porque o acho um dos maiores compositores brasileiros.  A escolha foi pelo viés do afeto, da beleza e do estado de deleite que suas músicas desencadeiam nos ouvintes. Seus sambas são de uma perfeição rara. Depois, refletindo, só fui descobrindo ainda mais motivos para esta escolha.

 

Por que retratar o amor por meio da canção brasileira?

EN: Este trabalho nasceu de minha tese de doutorado. Depois, reescrevi alguma coisa, enfim, sempre gostei de pensar, tentar compreender o mundo, sempre senti muita afinidade com as canções reflexivas do Paulinho da Viola.  Algumas de suas canções foram para mim iluminadoras. Acho que a canção é uma forma de conhecimento e de auto-conhecimento, como já disse, uma “gaia ciência”,  no dizer de  José Miguel Wisnik. E, para o ser humano, o amor é uma das coisas fundamentais da existência, algo que a gente sempre está buscando, experimentando, refletindo, tentando entender o que é, como é, onde está,quais suas diversas formas de manifestação.

Eliete Negreiros, fotografada por Mallu Magalhães

Eliete Negreiros, fotografada por Mallu Magalhães

De que forma este novo livro se diferencia do anterior, Ensaiando a canção: Paulinho da Viola e Outros Escritos?

EN: No livro anterior eu me detive mais no tecido das canções, na relação entre melodia e letra – claro que sempre em busca de um sentido – mas trabalhei mais a estrutura de algumas canções. Neste, a abordagem é temática, isto é: através de uma ampla reescuta – pois conhecia as canções que escolhi – fui buscando ver como o amor é retratado na obra do Paulinho da Viola. Digamos que neste livro há um viés mais reflexivo, mais filosófico, mais abrangente.

 

Qual foi o critério para a escolha das canções analisadas?

EN: Então, fui escutando, buscando ver as faces do amor reveladas nas canções. Foi através da escuta e do que encontrei nelas que selecionei as canções.

É possível fazer uma leitura psicanalítica da obra de Paulinho da Viola? Sobre quais conceitos teóricos está construída sua análise sobre a obra dele?

EN: Eu acho que sim, que é possível. Mas acho também que partir de uma teoria para abordar uma obra acaba reduzindo seu potencial expressivo, determinando o modo de interpretar uma obra e desconsiderando certos aspectos. Empobrece a fruição da arte. Prefiro, então, uma abordagem mais livre, ir ouvindo, ver o que a canção sugere,  diz e, a partir daí, fazer as relações com a teoria com a qual o que está sendo dito e a forma com que isto está sendo dito tenha alguma afinidade. Claro que nenhuma escuta é neutra, temos nossa forma de interpretar, mas acho que quanto mais livre, melhor.  No fundo, este livro contém muito do que já li, estudei e pensei e que veio à tona quando da escuta da música de Paulinho da Viola. Daí, ao escrever o livro, as questões foram sendo aprofundadas. Mas é importante dizer que eu não parti de um conceito, mas da escuta das canções, da experiência estética.

O livro é dividido em partes: amor breve, amor feliz e amor e melancolia. Do que trata cada parte?

EN: No amor breve, trato do amor que não resiste à ação do tempo, o amor fugaz. Este tema filia-se à tradição do pensamento ocidental que desde os gregos reflete sobre a fragilidade da condição humana e a brevidade da vida, como no topos estóico, principalmente em Sêneca, que escreve em suas Cartas Consolatórias: “Esta é a lei: nada é eterno, poucas são as coisas duradouras; cada coisa é frágil a seu modo, o fim das coisas é diferente, mas tudo que começa tem um fim.” Filia-se também à filosofia de Montaigne, que em seus Ensaios reflete sobre nossa inconstância interior: “Se minha alma pudesse fixar-se, eu não seria hesitante; falaria claramente, como um homem seguro de si. Mas ela não para e se agita sempre à procura do caminho certo.” Há diversos sambas de Paulinho que tratam desta modalidade do amor, entre eles “Pressentimento”, “Coração Leviano”, “A dança da solidão”.

Estátua de Platão

Estátua de Platão

No amor feliz, trato da busca da felicidade enquanto plenitude associada ao encontro entre amado e amante. Amor luminoso. “Eudaimonia” é o termo grego usado para designar felicidade. Se perguntarmos o que todos os homens almejam, buscam, podemos afirmar ainda hoje, o mesmo que disse Aristóteles na antiguidade: os homens buscam a felicidade. Nisto todos são iguais. Agora, saber o que é felicidade é que é a grande questão. E é aí que as respostas são diferentes.  Uma das formas da felicidade é o sentimento de plenitude que advém do encontro da “cara metade”. Este tema já está presente em “O Banquete” de Platão, no mito do andrógino. Segundo este mito, foi para enfraquecer os homens, plenos, que começaram a desafiar os deuses, que Zeus cortou-os ao meio. A partir de então, estes seres mutilados buscam sua outra metade para recuperar sua unidade perdida. Assim, a felicidade amorosa é causada pela união de dois seres que na verdade são um. “Bela manhã” é um samba do Paulinho que trata do amor feliz, da felicidade sentida pelo amante ao ver sua amada dormindo. É, nas palavras de Octavio Paz, a “consagração do instante”, do instante mágico e feliz de contemplação do ser amado. Alumbramento e plenitude.

No amor melancólico, trato do amor que não consegue se realizar e que fica preso a um mundo de ruínas e perdas, preso na lembrança do que já foi e não é mais. “Nada de novo/ capaz de despertar minha alegria”, canta o poeta. A melancolia é nuclear na lírica de Paulinho da Viola. Para refletir esta intrigante dimensão da alma humana, busquei compreender como o amor  e a melancolia se entrelaçam nas canções de Paulinho da Viola, partindo dos ensinamentos de Freud em seu antológico escrito “Luto e melancolia” e de pensadores que se debruçaram sobre este tema, como Aristóteles, Montaigne, Walter Benjamin, entre outros. Vários sambas de Paulinho da Viola representam o amor melancólico, entre eles “Nada de novo”, “Flor esquecida”, “Estou marcado”

A última parte do livro, “Educação Sentimental”, evoca Flaubert. De que maneira é possível relacionar a obra do autor francês à do compositor brasileiro?

EN: Foi mesmo uma evocação, sem nenhuma intenção de relacionar o trabalho destes dois grandes artistas, o sambista brasileiro e o romancista francês. Usei esta evocação por achar uma expressão feliz para sintetizar o ensinamento que a escuta das canções nos propicia, para falar como através das canções encontramos uma filosofia que nos orienta sobre os movimentos dos sentimentos. Ou, como diz Olgária Matos, uma “filosofia moral”, que nos ajuda a compreender e a nos orientar em meio ao tumulto e à instabilidade da vida e das paixões. Por isso falo em “educação sentimental”, pois o tema central é o conhecimento do amor  que resulta da escuta das canções entrelaçada à filosofia.

 

Em tempos de grande intolerância, um livro sobre o amor pode nos libertar? O que você pode falar sobre isso? Quais as relações possíveis?

EN: Não acho que um livro sobre o amor pode nos libertar nestes tempos sombrios, mas acho que pode nos ajudar no processo de libertação, ser um amigo querido, um companheiro de reflexão, pode nos ajudar a trilhar nosso caminho.  E é um convite para ouvir a obra de Paulinho da Viola que, com certeza, ilumina nossas mentes e corações e torna nossa vida melhor e mais bela.

 

A arte de ensinar

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Antologia Fantástica da Literatura Antiga compila textos que misturam sonho com realidade

Durante anos Marcelo Cid garimpou trechos de textos antigos que têm características do fantástico, mesmo antes do gênero existir

antologiaÉ na infância, com a leitura dos contos de fadas ou de mitos, que geralmente começa o nosso fascínio pela literatura fantástica, diz Marcelo Cid, diplomata, escritor e organizador da obra Antologia Fantástica da Literatura Antiga. O livro contempla trechos relativamente curtos que podem ser entendidos como literatura fantástica – um gênero que só passa a ter esse nome no século XX, mas é encontrado ao longo de narrativas históricas ou poéticas, ou mesmo em obras filosóficas de séculos passados.

A Antologia reúne trechos de obras que vão do século 7 a.C ao 5 d.C, escritos por nomes como Platão, Virgílio, Horácio, Ovídio e Tales de Mileto. Por outro lado, Marcelo Cid procurou sair da lista de autores antigos mais conhecidos e muitos nomes não são comuns a grande parte dos leitores, como Jâmblico, Aulo Gélio e Artemidoro.

Cid explica que no fantástico quase sempre haverá algum elemento estranho, algum desconforto — mais ou menos leve — em nossas crenças, em nossas expectativas. Uma mistura de sonho com realidade. “O fantástico em literatura tem certa dose de pathos, ausente no maravilhoso. Remete ao insólito, ao onírico, ao inconsistente, e funciona especialmente bem quando o autor diminui o estranhamento do que narra, aumentando sua credibilidade ou sua conexão emocional com o leitor, por meio de artifícios que este logo aprende a reconhecer”, afirma. No entanto, ele acredita que o leitor não dispõe de tempo para a caça dessas miniaturas, escondidas em livros que nem sempre são de fácil acesso. Durante anos, portanto, se dedicou a marcar os trechos do gênero fantástico que encontrava durante suas leituras de Literatura Antiga, com o objetivo de reuni-los em uma Antologia. “Mesmo com toda a tecnologia, com a facilidade das comunicações, ainda queremos ler o que não podemos ver, queremos uma história à beira da fogueira, sobre deuses e monstros e coisas mágicas”, conclui.

Veja um dos trechos que fazem parte da obra:

 OUTROS EXPERIMENTOS DO REI PSAMÉTICO

 […Clearco] relata que o rei egípcio Psamético criou escravos que só comiam peixe, porque ele queria [que esses escravos navegassem sempre rio acima para] descobrir as fontes do Nilo. Ele também tentou treinar escravos para que nunca bebessem água, para assim melhor explorarem o deserto da Líbia. Somente uns poucos sobreviveram. ATENEU DE NÁUCRATIS, O BANQUETE DOS SÁBIOS, VIII, 35.

Serviço

Antologia Fantástica da Literatura Antiga

Organizador: Marcelo Cid

Formato:  17 x 24,5 cm

Número de páginas: 264

ISBN: 978-85-7480-740-9

Preço: R$ 65,00

 

Sobre a Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial está no mercado desde 1995, atuando principalmente nos segmentos de literatura – ensaios, crítica literária e outras matérias de natureza acadêmica; comunicação e artes; arquitetura; edição de clássicos da literatura; e estudos sobre o livro e seu universo. O objetivo desta casa é levar ao público leitor livros de alta qualidade editorial, em edições cuidadosas que primam pela atenção ao conteúdo, à forma e à expressão. Isso transparece tanto nas capas quanto no rigor e fidelidade textual, o que pode ser comprovado pelos diversos prêmios nacionais e internacionais já recebidos pela editora – como Jabuti, APCA e IDA International Design Awards (EUA).

Site: www.atelie.com.br

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O leitor pode encontrar o fantástico em textos de literatura antiga

Por: Renata de Albuquerque

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Costuma-se relacionar o  gênero fantástico à literatura praticada já no século XX. Ficcionistas geniais, como Jorge Luís Borges e Gabriel Garcia Marquez tornaram comum fazer uma ligação desse tipo de literatura à América Latina, mas a verdade é que a literatura fantástica extrapola esses limites geográficos e cronológicos. Com sua recém-lançada Antologia Fantástica da Literatura Antiga, o diplomata Marcelo Cid, que atualmente vive na China, mostra que o gênero pode ser notado na literatura até mesmo em textos anteriores à era cristã.

O organizador do volume – que já lançou, entre outros, Borges Centenário (organizador, EDUC), Philobiblon, ou O Amigo do Livro (tradutor, Ateliê Editorial) e Os Doze Nomes e Outros Contos (autor, Editora 7Letras) – alerta, entretanto, que encontrar o fantástico na literatura antiga é tarefa que requer um trabalho ativo do leitor. Isso porque, como o “fazer literatura fantástica” não era a intenção original dos autores (até porque esse conceito nem existia então), é da mistura de elementos reais, religiosos e mitológicos que esse gênero emerge. De certa forma, pode-se dizer até que essa peculiaridade torna a leitura desse tipo de texto mais lúdica, já que cabe ao leitor criar essa interlocução.

De qualquer maneira, detectar esse elemento em textos antigos é mais simples do que pode parecer. Basta, por exemplo, deparar-se com um texto como o de Sinésio de Cirene:

Um sonho dentro de um sonho

Pois quando um homem sonha, ele conquista, caminha ou voa ao mesmo

tempo, pois a imaginação tudo permite. Mas como reproduzir isso tudo

num discurso? Assim, um homem dorme e sonha; ele percebe que sonha

e abandona o primeiro sonho ainda dormindo, mas segue sonhando, imaginando-

se porém acordado, deitado em sua cama. Ele filosofa um pouco

sobre a visão que teve, de acordo com seu conhecimento. E este é um sonho,

mas um sonho duplo. […] Um outro sonha que está sendo atacado,

então ele foge, no sonho, e acorda seguro. Só então, refletindo, perceberá

seu engano. (Dos Sonhos, xii, 6).

 

A seguir, Marcelo Cid fala ao Blog da Ateliê:

Como surgiu a ideia da Antologia Fantástica da Literatura Antiga?

Marcelo Cid: Foi uma combinação natural de meus dois maiores interesses literários: a literatura antiga e a literatura fantástica. Sou fã de Jorge Luís Borges, e sentia que esse projeto era “borgeano” antes mesmo de ler a “Antologia de la literatura fantástica” de Borges, Bioy Casares e Silvina Ocampo, em cujo Prólogo Bioy Casares escreveu que las “ficciones fantásticas son anteriores a las letras”.  Com Borges, aprendi a “poética da leitura”, essa brincadeira muito séria de ler um texto procurando nele o que o autor pode não ter intentado, mas que nosso repertório permite achar. Com isso, foi natural ler trechos da literatura antiga como contos fantásticos. Isso era para mim um prazer que eu achava que devia divulgar numa antologia.

 

Marcelo Cid

Marcelo Cid

Como se deu a escolha dos textos presentes na Antologia? Qual período cronológico foi levado em conta?

MC: Foi difícil escolher os textos, primeiro pela vastidão das fontes. “Literatura antiga” é uma expressão muito imprecisa, inclui textos gregos e latinos num arco de uns 1000 anos… Mesmo limitando o escopo, digamos, escolhendo apenas textos latinos, ou só gregos, ou só de um século daquele período, seria assim mesmo uma coisa quase interminável. As pessoas geralmente não têm ideia da extensão, do volume, da literatura que Grécia e Roma nos legaram – e veja que só sobraram uns 20% de tudo, o resto se perdeu. Por esse motivo, minhas escolhas foram limitadas à disponibilidade dos textos em línguas que eu conheço e à tentativa de diversificar as fontes, sair um pouco da lista dos autores antigos mais conhecidos. Quanto ao período, o mais antigo da Antologia é Homero, que pode ter vivido no século 7 antes de Cristo (se é que ele existiu). Já o mais recente (com uma ou outra exceção) é Santo Agostinho, que morreu em 430 d.C. Esses extremos podem parecer aleatórios, mas para mim a escolha foi clara: os antigos todos tinham mais ou menos o mesmo repertório, liam as mesmas coisas, há uma espécie de “espírito comum” a todos eles, seja para elogiar ou refutar. Por exemplo, Santo Agostinho não sabia grego e era obivamente cristão, mas leu e releu (até às lágrimas) a Eneida, que é um decalque de Homero.

Quais são os traços fantásticos mais comumente presentes nos textos antigos?

MC: Essa é uma pergunta difícil… Primeiro porque um antigo não entenderia a expressão “literatura fantástica”. Para eles, as coisas eram reais, mitológias ou religiosas, e às vezes tudo isso se misturava. Eu diria que, para um leitor de hoje, o fantástico na literatura antiga ocorre quando essas coisas se misturam de uma maneira ou de outra. Por exemplo: um fantasma numa história não é propriamente um elemento fantástico. Mas se esse fantasma diz algo sobre o dia seguinte, sobre um acontecimento concreto, e assim salva a vida ou indica um tesouro real, ou seja, quando o irreal se mistura com o real, isso pode ser fantástico. O mesmo vale para o sonhos. Tudo é possível nos sonhos, mas quando sonho e realidade se misturam, temos um exemplo do fantástico.

Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

Quais são as principais diferenças entre o fantástico notado nos textos da Antologia e o fantástico na concepção teórica como o conhecemos, presente na literatura de Murilo Rubião, Kafka e Borges, por exemplo?

MC: Acho que o fantástico na literatura antiga pede uma participação maior do leitor. Quando lemos Kafka, Borges ou qualquer autor moderno, sabemos que ele tem um propósito, que estamos sendo “manipulados”, por assim dizer – ele quer nos surpreender, ou nos emocionar ou confundir. Num texto antigo, é mais difícil saber qual a intenção do autor. Um historiador antigo pode nos surpreender, mas será que foi a intenção dele? Por esse ângulo, acho que é mais lúdico, o leitor precisa estar atento para fazer o texto dizer uma coisa a mais.

Há alguma aproximação da literatura antiga com a moderna e contemporânea em termos de temas também?

MC: Borges disse que só existem quatro histórias em toda a literatura, que as pessoas seguirão narrando e transformando enquanto o mundo existir. Tolstoi dizem que só existem duas: uma pessoa sai em busca de aventuras ou um estranho chega à cidade… Os autores de contos fantásticos do século dezenove tentaram variar os temas, o que levou à criação da ficção científica, por exemplo. Mas eu acho que basicamente qualquer tema da literatura fantástica moderna tem um paralelo na antiga, até mesmo a ficção científica (em Luciano de Samósata e outros). Histórias de fantasmas, viagem no tempo, viagem ao além, sonhos, metamorfoses, premonições, até a angústia metafísica ou a vertigem do infinito, também isso achamos nas duas épocas.

A literatura praticada no Classicismo, influenciada pelo pensamento humanista, por exemplo, parece idealmente bem distante do improvável que marca a literatura fantástica. Por outro lado, textos influenciados por questões religiosas, que retratam experiências místicas já podem ser considerados mais próximos do gênero.  Em sua opinião, que fatores levam ao aparecimento do fantástico nestes textos antigos?

MC: Acho que o ser humano, não importa de qual época ou sociedade, sempre será atormentado por  algumas questões básicas: como surgiu o universo?, Deus existe, ou os deuses? Meu destino é livre ou já foi escrito?, existe vida após a morte? Etc… Mesmo quando a ciência ou a religião dizem ter todas as respostas, sempre haverá pessoas que não estão convencidas disso, e essas costumam ser as mais imaginativas. Algumas delas deixam suas dúvidas e possíveis respostas em forma de literatura.

Ler sempre é ler mais e melhor

Cecilia Felippe Nery*

livro com flor

A equação até parece simples e é. Lendo sempre, leremos mais e melhor, mas para se chegar lá é preciso paciência e vontade, como tudo na vida. No Brasil, no entanto, essa equação está longe de ser perfeita, mas avançou, ainda que a passos lentos.

No país há 104,7 milhões de leitores, o que representa 56% da população, segundo dados da quarta edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, realizada em maio deste ano. O índice de leitura teve uma pequena melhora, mas é pouco, pois indica que o brasileiro lê somente 4,96 livros por ano.

Como mudar isso?

A questão é complexa e envolve muitas esferas, mas podemos fazer a nossa parte com método e disciplina até que o ato de ler se torne um hábito indispensável à nossa vida.

Antes de mais nada preciso confessar que sou uma leitora meio atípica, apaixonada por livros, mas atípica. Não leio tão rápido, meu ritmo é mais lento, embora constante. Isso porque gosto de refletir sobre as palavras, de sentir mais a leitura e de voltar as páginas para reler algo que ficou para trás e que só lá na frente fará sentido, assim demoro mesmo quando me aventuro em algum livro.

Além disso, não consigo ler dois livros ao mesmo tempo. Admiro quem consegue fazê-lo, e já tentei, mas percebi que acabo misturando as histórias e fico pensando onde li determinada cena ou passagem. Minha cabeça dá um nó e me sinto um pouco perdida. A não ser que leia coisas totalmente diferentes, como um romance e um livro técnico, ou ainda poesia.

Percebo também que alguns livros oferecem uma leitura mais fluida e agradável, prendendo o leitor de tal forma que ele se desliga facilmente de tudo ao seu redor. Outros, no entanto, embora de valor incontestável, são mais penosos, requerem maior atenção e exigem mais dedicação do leitor. Por isso é necessário começar devagar, sem correria, para criar o hábito, cultivado pouco a pouco.

 

O local

O primeiro passo é estar aberto à leitura e escolher o livro que se quer ler, sem pressa, sem cobranças, por prazer, para conhecer. Separe um tempo do dia para fazer isso e se disponha a ler, nem que seja por 20 ou 30 minutos e vá aumentando o tempo gradativamente. O local de leitura também é fundamental. Se você tem problema em se concentrar, procure um lugar tranquilo e sem interferências que possam lhe causar distração.

Eu, por exemplo, leio mais quando estou fora de casa. E o meu local preferido sempre foi o metrô. Sim, isso mesmo, o metrô, no trajeto de casa para o trabalho e do trabalho para casa. E, embora muitas vezes o trem esteja cheio, já li muitos livros nos vagões do metrô. Às vezes fico tão empolgada com a história que passo da estação em que iria descer, quando me dou conta tenho de sair do vagão e pegar o trem no sentido contrário, para voltar. Outras vezes me deixo passar mesmo, e vou até o final da linha, só para não parar e continuar a leitura. Aí depois retorno ao meu destino. Claro, quando estou com tempo.

Como leio muito no metrô, já aconteceu, vez por outra, de entrar em um trem e sem que eu veja ou pense em alguma coisa relacionada às histórias, vir à minha mente cenas e personagens de algum livro que li. Acontece assim, instantaneamente, sem que eu perceba. As imagens simplesmente aparecem para mim. É como se os vagões do metrô estivessem povoados das histórias, dos personagens e das cenas que leio – e vejo com a imaginação – nos livros. Acho que são como fantasmas, que vagueiam livremente por entre o emaranhado de fios que povoam a minha mente.

Mas estou divagando… e, claro, pode funcionar para mim, para outras pessoas não. Seja como for, o importante é encontrar um local adequado em que a pessoa se sinta bem e disposta a ler, independentemente de ser um livro físico ou virtual. Com o tempo é possível até que a pessoa leia em qualquer lugar, porque a leitura já se incorporou.

Outra importante dica é variar as leituras. Se recentemente você leu um romance, alterne com uma biografia, ou um livro de contos, ou ficção ou terror, ou ainda quadrinhos, que são excelentes para entreter e ampliar o conhecimento. Mescle seus interesses e aumente suas conquistas literárias dia a dia. Isso é muito bom.

 

Clubes de leitura

livros na estante

Para gostar de ler é fundamental também conversar sobre os livros, assim, procure pessoas que leem também e discuta os livros. Já se foi o tempo em que leitura era sinônimo de solidão, embora o ato seja solitário mesmo. Ler, porém, propicia um conhecimento tão grande que a vontade de compartilhar acontece naturalmente.

Hoje há muitos clubes de leitura que fazem essa função interativa. Além de proporcionar deliciosos debates sobre as leituras, é possível ainda fazer muitos amigos. Depois que me tornei uma leitora assídua, meu grupo de amigos se ampliou e conheci muitas pessoas ligadas aos livros, sejam elas virtuais ou presenciais. Os amigos leitores estimulam o prazer pela leitura e são ótimas companhias para dividir outros interesses.

Por fim, a partir do momento que a leitura te “pegar”, seria ideal começar a alçar novos voos e desafios. Estabeleça metas e aumente o tempo de leitura, escreva para memorizar e assim assimilar melhor o que se leu. É importante ler de tudo, porque a seletividade vem com o tempo, mas o fundamental é que se leia por prazer, por puro deleite.

Boas leituras.

*Cecilia Felippe Nery é jornalista e escreve para o blog www.leituraseobservacoes.blospot.com

 

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Amigo a gente escolhe

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