Mercado editorial brasileiro ainda tem espaço para crescimento

Por Renata de Albuquerque

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O brasileiro poderia ler mais. Segundo o IBGE, a taxa de analfabetismo caiu 4,3% entre 2001 e 2014, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Nas últimas décadas, os esforços para melhorar a escolaridade e facilitar o ingresso ao ensino superior  pago (com iniciativas como FIES e Prouni) e gratuito (com o ENEM sendo levado em conta para a admissão de candidatos) melhoraram as estatísticas. e Mas o Brasil ainda é um dos dez países com maior número de analfabetos adultos.

Em uma edição especial, divulgada recentemente, a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro – divulgada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) – compilou pela primeira vez os números de uma década de atividade editorial no país. A série histórica foi elaborada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP). Os dados, retirados de estudos anteriores, foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) e trazidos a valores de 2015.

A série histórica mostra que as vendas de livros de todos os subsetores do mercado editorial brasileiro apresentaram performance inferior à do PIB do país, no período entre 2006 e 2015.

Luís Antonio Torelli, presidente da CBL, acredita que haja espaço para o crescimento do mercado nesse cenário. “Na última década o mercado editorial passou por mudanças significativas, e os números trazidos pela análise dos 10 anos de Pesquisa Fipe são muito valiosos para refletirmos sobre a evolução do setor e seu reflexo em produção e vendas. O mercado editorial brasileiro já é extremamente relevante, mas ainda tem muito espaço para crescimento. É preocupante ver a suspensão do programa governamental para bibliotecas escolares, que reduziu drasticamente a compra de livros pelo governo, por exemplo. Por isso, seguimos com o desafio de lutar por ações que defendam legitimamente a leitura e o acesso ao livro e que fortaleçam essa indústria tão importante.”

bebe lendoUma das iniciativas é o programa “Bebelê”, que envolve bebês a partir de seis meses e crianças de até 4 anos de idade. A iniciativa se baseia na teoria de Letramento Infantil (Early Literay), que enfatiza a importância do ato de ler e a interação com a leitura para o desenvolvimento infantil.

O programa já foi implantado na Biblioteca de São Paulo e na Biblioteca Parque Villa-Lobos. Agora será desenvolvido em outras dez bibliotecas do Estado de São Paulo.
Participam do projeto equipamentos das cidades de Auriflama, Birigui, Guararema, Jundiaí, Lençóis Paulista, Praia Grande, Presidente Prudente, Igarapava, Itapetininga e Ourinhos. Além de contar com um especialista por unidade, as bibliotecas receberão por doação um kit completo composto por acervo de livros-brinquedo, material pedagógico, tablets, TV, móveis e demais recursos para serem empregados nas ações.

A Ateliê também está contribuindo para a defesa da leitura no Brasil por meio da campanha #tempodeler, que convida os leitores do país a darem suas sugestões sobre a forma como eles encontram mais tempo, no cotidiano atribulado, para ler mais. E você, como consegue mais tempo para ler?

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