Monthly Archives: setembro 2016

Regulamento do concurso #tempodeler

O Concurso Cultural #tempodeler é uma iniciativa da Ateliê Editorial com o objetivo de incentivar a leitura no país e estimular as pessoas a compartilhar suas dicas sobre como aproveitar melhor o tempo para ler.

REGULAMENTO
1. O concurso #tempodeler é uma iniciativa da Ateliê Editorial para incentivar o
hábito da leitura. O objetivo é o compartilhamento de ideias e sugestões que
ajudem o leitor a encontrar tempo para inserir esse hábito em sua rotina diária,
pois a falta de tempo é o principal motivo alegado pela maioria das pessoas
segundo a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”.
2. O concurso acontecerá no período de 01/10/2016 a 30/11/2016, sendo dividido
em três fases: lançamento, avaliação e divulgação do vencedor.
3. Poderão participar do concurso quaisquer pessoas que cultivem o hábito da
leitura diário e desejem compartilhar como encontram #tempodeler no seu dia a
dia.
4. A ideia deverá ser passada em formato de texto com um parágrafo de até 5
linhas.
5. Para participar basta preencher o formulário ou enviar um e-mail para atelie.tempodeler@gmail.com entre os dias 01 de outubro a 14 de novembro com o assunto: Concurso #tempodeler, mais nome completo, CPF e texto conforme descrito acima.
6. Não poderão participar pessoas que tenham ligação direta com a Ateliê Editorial
e demais empresas e pessoas envolvidas com a realização do concurso
(funcionários, organizadores, patrocinadores, parceiros etc.).
7. A avaliação do texto será feita por uma comissão julgadora criada por
representantes da Ateliê Editorial e RDA Comunicação Corporativa.
8. A inscrição é única e intransferível e cada participante pode enviar até 3 textos
para avaliação.
9. Ao enviar o texto por e-mail o usuário estará automaticamente participando do
concurso e autoriza a divulgação de seu texto e imagem no site e redes sociais
da Ateliê Editorial sem qualquer ônus.
10. O participante autoriza a inclusão de seu e-mail na lista da Ateliê Editorial para
recebimento de novidades, lançamentos e promoções. Pode posteriormente
solicitar a retirada de seu e-mail da lista, se assim desejar.
11. Premiação: A Ateliê Editorial irá premiar os três primeiros colocados com um
cupom de desconto para cada um. O cupom poderá ser utilizado para comprar
qualquer livro na loja virtual da Ateliê Editorial: www.atelie.com.br, exceto os que
já estiverem em promoção ou fizerem parte das categorias outlet,
destaques e pacotes promocionais. Cada ganhador terá um percentual de
desconto, conforme descrito a seguir:
o 1º colocado – cupom de 60% de desconto
o 2º colocado – cupom de 50% de desconto
o 3º colocado – cupom de 40% de desconto
12. A Ateliê Editorial entrará em contato com os ganhadores para entrega do
prêmio.
13. Quaisquer dúvidas, divergências ou situações não previstas neste regulamento
serão julgadas e decididas de forma soberana e irrecorrível pela Equipe da Ateliê
Editorial.

Mercado editorial brasileiro ainda tem espaço para crescimento

Por Renata de Albuquerque

meninalendo

O brasileiro poderia ler mais. Segundo o IBGE, a taxa de analfabetismo caiu 4,3% entre 2001 e 2014, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Nas últimas décadas, os esforços para melhorar a escolaridade e facilitar o ingresso ao ensino superior  pago (com iniciativas como FIES e Prouni) e gratuito (com o ENEM sendo levado em conta para a admissão de candidatos) melhoraram as estatísticas. e Mas o Brasil ainda é um dos dez países com maior número de analfabetos adultos.

Em uma edição especial, divulgada recentemente, a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro – divulgada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) – compilou pela primeira vez os números de uma década de atividade editorial no país. A série histórica foi elaborada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP). Os dados, retirados de estudos anteriores, foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) e trazidos a valores de 2015.

A série histórica mostra que as vendas de livros de todos os subsetores do mercado editorial brasileiro apresentaram performance inferior à do PIB do país, no período entre 2006 e 2015.

Luís Antonio Torelli, presidente da CBL, acredita que haja espaço para o crescimento do mercado nesse cenário. “Na última década o mercado editorial passou por mudanças significativas, e os números trazidos pela análise dos 10 anos de Pesquisa Fipe são muito valiosos para refletirmos sobre a evolução do setor e seu reflexo em produção e vendas. O mercado editorial brasileiro já é extremamente relevante, mas ainda tem muito espaço para crescimento. É preocupante ver a suspensão do programa governamental para bibliotecas escolares, que reduziu drasticamente a compra de livros pelo governo, por exemplo. Por isso, seguimos com o desafio de lutar por ações que defendam legitimamente a leitura e o acesso ao livro e que fortaleçam essa indústria tão importante.”

bebe lendoUma das iniciativas é o programa “Bebelê”, que envolve bebês a partir de seis meses e crianças de até 4 anos de idade. A iniciativa se baseia na teoria de Letramento Infantil (Early Literay), que enfatiza a importância do ato de ler e a interação com a leitura para o desenvolvimento infantil.

O programa já foi implantado na Biblioteca de São Paulo e na Biblioteca Parque Villa-Lobos. Agora será desenvolvido em outras dez bibliotecas do Estado de São Paulo.
Participam do projeto equipamentos das cidades de Auriflama, Birigui, Guararema, Jundiaí, Lençóis Paulista, Praia Grande, Presidente Prudente, Igarapava, Itapetininga e Ourinhos. Além de contar com um especialista por unidade, as bibliotecas receberão por doação um kit completo composto por acervo de livros-brinquedo, material pedagógico, tablets, TV, móveis e demais recursos para serem empregados nas ações.

A Ateliê também está contribuindo para a defesa da leitura no Brasil por meio da campanha #tempodeler, que convida os leitores do país a darem suas sugestões sobre a forma como eles encontram mais tempo, no cotidiano atribulado, para ler mais. E você, como consegue mais tempo para ler?

O sentido político do livro

Por: Renata de Albuquerque

Fllamarion Maués, Sandra Reimão, Felipe Quintino, Ana Caroline Castro e João Elias Nery, alguns dos autores de textos do livro

Fllamarion Maués, Sandra Reimão, Felipe Quintino, Ana Caroline Castro e João Elias Nery, alguns dos autores de textos do livro

Composto de seis textos inéditos, escritos por diferentes pesquisadores de diversas áreas, Livros e Subversão – Seis Estudos é fruto de um dos trabalhos do grupo Censura a Livros e Ditadura no Brasil.

O volume foi organizado por Sandra Reimão, Professora na Universidade de São Paulo (USP) na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH)  e na Pós Graduação em Comunicação (PPGCOM-ECA). Os estudos mostram como os livros eram vistos pela Ditadura (1964 a 1985) como possíveis instrumentos de subversão da ordem estabelecida e como potenciais inimigos a serem combatidos. Os textos são assinados pelos pesquisadores Felipe Quintino, Ana Caroline Castro, Andréa Lemos, a própria Sandra Reimão, João Elias Nery e Flamarion Maués.

É Maués, Doutor em História pela Universidade de São Paulo/USP, investigador do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, autor de Livros Contra a Ditadura: Editoras de Oposição no Brasil, 1974-1984 (Publisher, 2013) e professor substituto na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, que fala sobre o lançamento com exclusividade ao Blog da Ateliê:

 

Como surgiu a ideia de reunir os textos para a obra?

Flamarion Maués: O livro surgiu como decorrência do nosso trabalho no Grupo de Pesquisa Censura a Livros e Ditadura Militar no Brasil, vinculado à EACH-USP (Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo) e ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da USP). Este grupo tem por objetivo identificar, compreender e discutir a censura à publicação de livros durante a ditadura militar brasileira (1964-1985).

Nosso trabalho busca estudar o processo de censura a livros nos diferentes momentos da ditadura militar brasileira; verificar as repercussões dos vetos no panorama editorial do momento; e seguir o percurso editorial das obras em questão após o ato da censura.

Entendemos a censura, durante a ditadura militar brasileira, como parte de um aparelho de coerção e repressão que resultou em enormes prejuízos para o exercício da cidadania e da cultura.

 

Os ensaios foram escritos exclusivamente para o livro?

FM: Os artigos são inéditos e escritos especialmente para o livro. Eles são fruto de pesquisas de doutorado ou pós-doutorado de cada membro do grupo, assim como de trabalhos coletivos que desenvolvemos, como é o caso dos artigos sobre a Banca de Cultura do CRUSP e sobre a Editora Diálogo, de autoria minha, de Sandra Reimão e João Elias Nery.

 

Os pesquisadores autores dos ensaios não são todos da mesma área. De que maneira essa multidisciplinaridade enriquece um estudo como este?

FM: A interdisciplinaridade é uma das marcas fortes das pesquisas no campo da história do livro e da edição. No nosso caso, os pesquisadores são da área de Comunicação e História, mas poderiam ser também das áreas de Letras, Sociologia, Educação ou mesmo Economia ou Ciência Política, uma vez que este campo de estudos tem congregado colaborações desses diversos ramos de conhecimento. Isto tem enriquecido as pesquisas referentes à história do livro e da edição, permitindo olhares plurais e a utilização de métodos diversificados, sem perda de uma perspectiva crítica e inovadora.

 

Alguns personagens dos estudos (como Ênio Silveira e Zuenir Ventura) são figuras centrais na história da resistência da imprensa durante a Ditadura; bem como algumas instituições, como a Banca do Crusp. Mas, por exemplo, o caso da obra de Lenin não é tão debatido.  Como se deu a escolha dos temas de cada ensaio? O que o senhor tem a dizer sobre isso?

FM: Os temas se relacionam às preocupações relacionadas ao Grupo de Pesquisa Censura a Livros e Ditadura Militar no Brasil, e à pesquisa que cada um dos autores desenvolve. Então, os temas às vezes nem tão conhecidos – como a edição da obra de Lenin às vésperas do AI-5 por uma pequena editora de Niterói (a Editora Diálogo), ou sobre o uso de livros como elemento de provaem processos judiciais contra pessoas acusadas de subversão, ou ainda sobre a Global Editora – se relacionam a pesquisas que cada um de nós desenvolve. No primeiro caso, da Editora Diálogo, a ideia surgiu em decorrência da entrevista que fizemos (Sandra Reimão, eu e João Elias Nery) com o editor Fernando Mangarielo, responsável pela Banca da Cultura (e depois fundador da editora Alfa-Ômega), que mencionou a história do livro do Lenin. Ficamos curiosos em relação ao tema, e acabamos descobrindo que o professor Aníbal Bragança tinha sido um dos proprietários da Editora Diálogo. O professor Aníbal é um dos principais estudiosos da história do livro no Brasil, e como nós o conhecemos ficou mais fácil fazermos o artigo.

 

livrosQual o traço em comum que pode ser percebido nos seis estudos agora publicados?

FM: Penso que é a preocupação em entender o sentido político do livro e da edição, buscando destacar seu papel como elemento relacionado a formas de intervenção política e social, principalmente no que diz respeito à difusão e ao debate de ideias inovadoras e/ou contestadoras. Ao mesmo tempo, relacionar isso ao fato de o livro ser sempre perseguido pelos regimes autoritários, sofrendo censura e restrições a sua circulação. Desse modo, buscamos destacar aqueles momentos em que esse embate se deu, seja de modo mais direto, seja de maneira mais sutil. E também mostrar como a atuação dos editores se deu, na maior parte dos casos, na confrontação dessas perseguições e censuras, buscando levar a público as obras que colocavam em questão os poderes autoritários e que proporcionavam o debate democrático.

 

Em um contexto histórico no qual parte da sociedade julga “golpe” o impeachment recém-sofrido pela ex-presidente, qual a relevância de um lançamento como este? O senhor acredita que é possível traçar algum paralelo ou fazer alguma relação entre os momentos históricos retratados na obra e o que o Brasil vive, em 2016?

FM: É preocupante – e sintomático – que atualmente as manifestações políticas estejam sendo criminalizadas. Aqui em São Paulo (mas não só aqui) a ação do governo estadual, por meio da Polícia Militar, tem sido de repressão sistemática e desproporcional dessas manifestações, com conivência da Justiça, que considera normal que a PM use balas de borracha e cause ferimentos e até cegueira em manifestantes. Isso tem se relacionado ao tema que tratamos em Livros e subversão, uma vez que tem havido casos de prisões de pessoas em manifestações políticas em que a posse de certos livros (de autores anarquistas ou marxistas) está sendo usada como “prova” de acusação contra essas pessoas.

O golpe que acabamos de viver reflete esse quadro de criminalização da participação política pluralista. É uma situação preocupante. Todavia, vemos que o campo editorial tem se manifestado a respeito, ou ao menos algumas pequenas editoras, com o lançamento de livros como Por que Gritamos Golpe (Boitempo) ou Historiadores pela Democracia: o Golpe de 2016 e a Força do Passado (Alameda). São ações editoriais de cunho político que mostram que os editores estão atentos.

Correspondência preciosa

Pela primeira vez, as Cartas a Miranda são traduzidas para o português, tornando disponível aos pesquisadores o conhecimento e as reflexões que deram origem ao campo disciplinar do restauro

Por Renata de Albuquerque

Teste

Ao decidirem trabalhar na tradução e organização de Cartas a Miranda: Sobre o Prejuízo que o Deslocamento dos Monumentos da Arte da Itália Ocasionaria às Artes e à Ciência, o pesquisadores Paulo Mugayar Kühl e Beatriz Mugayar Kühl sabiam da responsabilidade que os esperava. Afinal, esta tornou-se a primeira tradução para o português desse conjunto de textos epistolares – escrito por Antoine-Chrysostome Quatremère de Quincy ao general Francisco de Miranda no final do século XVIII – que deu origem ao que hoje conhecemos como restauro, tanto do ponto de vista conceitual quanto ético.

O trabalho resultou na publicação que a Ateliê Editorial acaba de lançar, um volume da Coleção Artes & Ofícios que conta com um texto de apresentação e dois ensaios – cada um assinado por um dos pesquisadores – sobre dois dos assuntos centrais das cartas. No primeiro, Paulo Mugayar Kühl aborda o problema da transferência de obras de arte, inclusive no que respeita a repercussões para o Brasil. No segundo, Beatriz Mugayar Kühl explora algumas das questões levantadas por Quatremère de Quincy em suas implicações para a preservação de bens culturais.

A seguir, a arquiteta Beatriz Mugayar Kühl, que é Mestre em preservação de bens culturais pela Katholieke Universiteit Leuven, na Bélgica; Doutora pela FAUUSP e Pós-Doutora pela Università degli Studi di Roma “La Sapienza”, fala sobre o trabalho:

Beatriz Mugayar Kühl

Beatriz Mugayar Kühl

Por gentileza, explique brevemente para quem não conhece a obra, do que se trata Cartas a Miranda

Beatriz Mugayar Kühl:  Quatremère de Quincy, publicou as Cartas a Miranda em 1796. As cartas teriam por destinatário o general Francisco de Miranda, que propôs que Quatremère abordasse os perigos de espoliação dos monumentos de Roma depois das vitórias do General Bonaparte no norte da Itália, sob o ponto de vista das artes. No texto, Quatremère elabora de maneira original a intrínseca relação da obra com o contexto em que está inserida, e a importância capital desse contexto; problematiza a transferência de obras de arte a partir de sua visão de como se aprende o fazer artístico e a apreciar a produção artística; e oferece contribuições de grande interesse no que respeita à fundamentação teórica de questões de preservação.

Como um texto original do século XVIII pode ajudar a pensar a preservação dos bens culturais no século XXI?

BMK: Isso acontece pelo fato de  Quatremère de Quincy antecipar o debate de determinadas questões sobre a produção artística e a preservação e lançar luzes sobre temas  que permanecem essenciais para a atual reflexão sobre a preservação de bens culturais – como o papel do contexto para a apreensão dos monumentos e a necessidade de sua conservação, evidenciando a intrínseca articulação entre o que hoje chamamos patrimônio material e patrimônio imaterial.

Ele desenvolve formulações teóricas da apreensão e do aprendizado das artes, tanto no que respeita às suas implicações para o fazer artístico, quanto para a apreciação das obras de arte, um tema que explora ao longo das várias cartas. Aponta os malefícios da remoção de obras de um país para outro para o estudo das artes, pois obras espalhadas ofereceriam meios incompletos para a educação.  Observa que as obras de arte são mais bem apreciadas juntamente com outras da mesma época, comparando-as com as escolas que as precederam e sucederam e questiona se ao deslocar esses objetos serão trazidas também as razões  das diversas maneiras de elaborar de várias escolas. Enfatiza, assim, a necessidade da preservação das obras de arte em seu contexto, e a importância capital desse contexto, entendido de modo muito alargado, abarcando variadíssimos aspectos como o clima, as formas da natureza, as fisionomias, as lembranças e as tradições locais, os jogos, as festas. Trabalha, pois, de modo articulado com aquilo que hoje chamamos de patrimônio material e imaterial, mostrando sua inter-relação e o fato de serem incindíveis.

Quatremère de Quincy em imagem de F. Bonneville

Quatremère de Quincy em imagem de F. Bonneville

O que Quatremère de Quincy pode ensinar ainda hoje para o leitor contemporâneo?

BMK: Muito o que refletir sobre a arte e o patrimônio nos dias de hoje, como nos temas mencionados acima. Quatremère desenvolve seu raciocínio a partir de uma base ética em prol do interesse público e do bem comum, outra lição essencial nos dias de hoje.

 

De que maneira as Cartas a Miranda ajudaram a formatar as bases da transferência da obra de arte e do restauro?

BMK: De muitas maneiras e não apenas nas Cartas a Miranda. Ele invoca diversos temas de maneira inovadora, a exemplo do papel do contexto mencionado acima.  Em outros textos, como em sua Encyclopédie Méthodique ou ainda em Considérations Morales,  sintetizou experiências diversas que se sucederam ao longo dos séculos, antecipou e lançou luzes sobre duas das principais vertentes da restauração no século XIX, uma mais conservativa e com grande apreço pelos valores formais da pátina, com ênfase na manutenção constante (que teria entre seus expoentes John Ruskin) e outra, mais voltada a completamentos e refazimentos em estilo, seguindo a lógica constitutiva da obra, cujo mais notório representante, na França, foi Eugène Emmanuel Viollet-le-Duc. Ou seja, os textos de Quatremère de Quincy oferecem vários pontos para reflexão e antecipam algumas das principais vertentes de atuação do século XIX, que ofereceram bases essenciais, a partir de releituras críticas, ao pensamento sobre o restauro ao longo do século XX e até os dias de hoje.

Conheça outros títulos da Coleção Artes & Ofícios

Campanhas sobre leitura movimentam a internet com #diadelertododia e #tempodeler

Por: Renata de Albuquerque

A leitura está em alta no mundo virtual. No próximo dia 20 de setembro é #diadelertododia, uma campanha mundial pela leitura que tem o apoio da CBL e que foi destaque na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que aconteceu até o início do mês.

A campanha mobiliza pessoas do mundo todo, do Paquistão ao Canadá, passando por diversas cidades brasileiras. Para fazer parte da Campanha Mundial pela Leitura basta registrar uma imagem de alguém lendo e enviar para a coordenação. Mais informações no site http://www.diadelertododia.com/

Outra campanha que já está acontecendo é a #tempodeler. A campanha, promovida pela Ateliê Editorial, tem como objetivo incentivar as pessoas a buscarem mais tempo para ler, com dicas sobre como alcançar esse objetivo já que, segundo a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, esta é uma das principais razões para que as pessoas não leiam mais.

Arte de divulgação da campanha #tempodeler

Arte de divulgação da campanha #tempodeler

Qualquer pessoa pode participar. Basta usar a #tempodeler no Twitter e dar a sua dica de como conseguir mais tempo para a leitura, essa atividade tão deliciosa e prazerosa.

Agora, se o problema é não ter o hábito da leitura, a Ateliê também dá uma ajuda. A editora fez uma lista de livros que são perfeitos para quem quer começar a adquirir esse hábito, porque são leituras tão rápidas e agradáveis que vai ficar fácil encontrar um tempinho para elas, mesmo na sua agenda lotada. Confira:

Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século

Organizado por Marcelino Freire, o livro parte do princípio de que, em tempos de Twitter, a linguagem tem de ser renovada, para ser ainda mais concisa e objetiva. O autor de Angu de Sangue convidou cem autores brasileiros (entre os quais Laerte, Manoel de Barros, Glauco Mattoso, Lygia Fagundes Telles, Millôr Fernandes e Marçal Aquino) paras escrever histórias de até 50 letras. O resultado são contos tão curtos quanto interessantes. Perfeito para quem tem apenas poucos minutos disponíveis, já que os contos podem ser lidos de maneira independente e não levam mais que alguns segundos para serem lidos.

 

Silêncios no Escuro

Primeiro livro adulto de Maria Viana reúne 16 contos que têm, como fios condutores, a morte e o silêncio. “Acho que o que me levou a escrever este livro foi o desejo de contar algumas histórias que de alguma maneira estavam esperando o momento certo para tomar forma de palavra escrita, já que povoavam meu imaginário e minha memória há muito tempo”, diz a autora.

 

ASA – Associação dos Solitários Anônimos

Romance ousado e divertido, cheio de sarcasmo, deixado inédito por Rosário Fusco, que morreu em 1976. O romance escrito em 1967 e teve sua primeira edição em 2003. Desde então encanta os leitores com sua  narrativa de andamento veloz, que dialoga com o surrealismo e naturalismo, explorando um recanto especial do cenário brasileiro: a marginalidade acumulada ao longo do cais.

 

Se você quiser conhecer toda a lista de livros em promoção, visite o link http://www.atelie.com.br/publicacoes/promocao/

Livros e Subversão traz seis estudos sobre período em que livros eram considerados ameaça ao Estado

Obra traz análise de documentos pouco estudados e até inéditos

livrosLivros e Subversão, organizado por Sandra Reimão, pesquisadora e professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, mostra, em seis estudos, como os livros eram vistos pela Ditadura (1964 a 1985) como possíveis instrumentos de subversão da ordem estabelecida e como potenciais inimigos a serem combatidos. A obra também apresenta estudos sobre editores e livreiros que fizeram de suas atividades profissionais uma forma de luta por mudanças da realidade social. Diferentes pesquisadores abordam a vigilância, as perseguições, intimidações, ameaças e atentados praticados pelo regime ditatorial contra os suspeitos de subversão. É o caso do jornalista Zuenir Ventura, perseguido e acusado de ser um simpatizante das ideias comunistas, como mostra estudo de Felipe Quintino.

Flamarion Maués aborda o caso da Global Editora, que na década de 1970 passa de uma editora generalista para uma editora de livros políticos. Já o estudo de Ana Caroline Castro mostra como a posse de vinte e um livros de “literatura comunista” foi o primeiro item arrolado na acusação de subversão contra Francisco Gomes, militante da Ação Libertadora Nacional (ALN). Essa acusação é parte do processo do Projeto Brasil: Nunca Mais.

Andrea Lemos fala da Revista Civilização Brasileira, que chegou ao fim após um atentado a bomba contra a Livraria Civilização Brasileira, em outubro de 1968, assim como pelas restrições ao crédito bancário depois do golpe. As consequências de uma conjuntura de fechamento político sobre editores e livreiros são analisadas em dois artigos escritos por Sandra Reimão, Flamarion Maués e João Elias Nery. No primeiro, eles analisam como a publicação de O Estado e a Revolução, de Lenin, feita por uma pequena editora de Niterói, em outubro de 1968, levou à prisão dos editores da obra às vésperas do AI – 5. Em outro artigo os autores estudam a livraria que foi fundada em fevereiro de 1967 e que manteve-se em funcionamento no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp) até 17 de dezembro de 1968, quando tropas do II Exército invadiram o Conjunto.

Os estudos publicados envolveram análise de documentos, muitos deles pouco estudados ou mesmo inéditos. “Acreditamos que o conjunto dos textos que compõem este livro permite uma visão clara e ampla do sentido político e de intervenção social que a edição de livros tem, em especial em momentos nos quais as liberdades democráticas são atacadas”, diz a introdução da obra.

Serviço

Livros e Subversão – Seis Estudos

Formato:  14 x 21 cm

Número de páginas: 176

ISBN: 978-85-7480-743-0

Preço: R$ 47,00

 

Sobre a Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial está no mercado desde 1995, atuando principalmente nos segmentos de literatura – ensaios, crítica literária e outras matérias de natureza acadêmica; comunicação e artes; arquitetura; edição de clássicos da literatura; e estudos sobre o livro e seu universo. O objetivo desta casa é levar ao público leitor livros de alta qualidade editorial, em edições cuidadosas que primam pela atenção ao conteúdo, à forma e à expressão. Isso transparece tanto nas capas quanto no rigor e fidelidade textual, o que pode ser comprovado pelos diversos prêmios nacionais e internacionais já recebidos pela editora – como Jabuti, APCA e IDA International Design Awards (EUA).

Site: www.atelie.com.br

Blog: blog.atelie.com.br

Twitter: @atelieeditorial

Facebook: https://pt-br.facebook.com/atelieeditorial

 

Contatos para Imprensa:

Milena O. Cruz

imprensa@rda.jor.br

Tel: (11) 4402-3183

Cel: (11) 98384-3500

 

 

A natureza e a essência da fotografia

Por: Renata de Albuquerque

Lançado pela primeira vez em 1999, Realidades e Ficções na Trama Fotográfica, escrito por um dos mais importantes pesquisadores e ensaístas brasileiros dedicados à fotografia, Boris Kossoy, acaba de chegar à sua quinta edição. A obra, agora revista e reformulada em seu aspecto visual, tem se constituído em obra de referência interdisciplinar.

Para falar sobre essa nova edição, o Blog da Ateliê convida Boris Kossoy, professor titular da Escola de Comunicações e Artes da USP que prioriza em suas reflexões os modos como se constroem ficções e realidades por meio do documento visual, abordando questões da história, da memória e do jornalismo.

 

Capa Realidades e Ficções_2016A primeira edição do livro é de 1999. Desde então, muita coisa mudou: por exemplo, a popularização da internet, a fotografia digital e aplicativos como Instagram e Snapchat, que mudam a relação que havíamos estabelecido antes com a fotografia.  Nesse contexto, qual ainda é a atualidade do livro e de que forma ele pode nos fazer refletir sobre o assunto?

Boris Kossoy: A primeira edição foi lançada há 17 anos. Durante este período, todas essas tecnologias que surgiram vieram a interferir fortemente na forma de apreciar, transmitir e utilizar as imagens fotográficas. Mas isto não interfere em nada quando se trata de pensar a fotografia enquanto meio de comunicação e expressão que tem modificado a vida do homem e das sociedades nos últimos 170 anos.  Com Realidades e ficções na trama fotográfica espero estar contribuindo para o pensamento fotográfico no que tange ao estudo dos mecanismos que regem a produção e a recepção das imagens. Neste livro formulo um conjunto de conceitos sobre a natureza e a essência da fotografia, conceitos estes desvinculados das tentativas que sempre se fizeram de compreender a fotografia a partir de parâmetros estabelecido para a comunicações escrita e verbal.

 

Quais são as realidades e ficções da fotografia?

BS: Quando falo em “realidades” no plural, é justamente porque procuro desvelar um componente nebuloso intrínseco da imagem fotográfica que é sua natureza ficcional,não importando a tecnologia, a época e o lugar em que ela tenha sido produzida e independentemente de quem tenha sido seu autor.

A ficção se instala na fotografia a partir do próprio sistema de representação que a  torna possível e, naturalmente, pelos componentes de ordem imaterial que marcam a atuação do autor durante a sua produção: o repertório, cultura, convicções políticas, visão de mundo, enfim, de seu operador.

Neste processo, novas realidades são constantemente criadas a partir do objeto. E o mesmo se dá na recepção das imagens. Basta ver como as imagens são interpretadas e reinterpretadas diariamente pelos órgãos de imprensa e também por todos aqueles, fotógrafos ou não, que se permitem construir fantasias a partir das imagens.

A esse fenômeno dei o nome de processo de criação/construção de realidades, que, ao fim e ao cabo é verdadeira vocação da fotografia.

Toda fotografia é um “recorte”, um ponto de vista?

BK: Sim, toda fotografia resulta de um recorte, de um ponto de vista, de uma visão do mundo, de uma formação cultural, de um  intenção e finalidade e de outras coisas.Não há nenhuma objetividade no documento fotográfico, nunca houve, no passado, não haverá no futuro. É por tais razões que o livro permanece atual.

Parece que a desmontagem da imagem, conforme desenvolvo no livro, tem sido apreciada, desde os conceitos que estabeleço à metodologia de análise e interpretação que proponho. Fico feliz que a obra tem sido lida, estudada e indicada em diferentes áreas das Ciências Humanas e Sociais durante todo este tempo juntamente com os outros dois livros que complementam minha trilogia teórica, ambos também publicados pela Ateliê (Fotografia & História eOs Tempos da Fotografia, o Efêmero e o Perpétuo na Imagem Fotográfica). Creio que por tudo isso o livro se acha hoje na sua quinta edição.

Diagrama presente na obra

Diagrama presente na obra

Um leitor que está tendo o primeiro contato com a obra nesta 5ª edição terá percepções diferentes daquele que tomou conhecimento dela no início dos anos 2000?

BK A referência cultural dos leitores de hoje, em particular dos mais jovens, é diferente da dos leitores do ano 2000, isto é verdadeiro. Basta pensarmos nas câmeras digitais altamente sofisticadas que estão no mercado, além do impressionante avanço da internet, dos softwares, dos programas de “tratamento de imagens” disponíveis, que tudo fazem, tudo modificam, tudo manipulam.

Contudo, a manipulação das imagens – e das mentes – não teve início no ano 2000.O homem tem se servido das imagens desde tempos imemoriais. Todo este equipamento de produção, distribuição e veiculação disponíveis hoje continua necessitando do olhar e repertóriodo operador da câmera. É este um aspecto que creio ser importante no livro, pois não é a tecnologia, e sim a compreensão da natureza da imagem fotográfica e a forma como tem sido usada na representação da vida e do mundo que está em questão. A contribuição está na percepção das realidades, ficções, usos e aplicações da imagem fotográfica como instrumento de informação e desinformação, meio de conhecimento e como forma de expressão artística.

 

Com a popularização do ato de fotografar (pois agora isto pode ser feito por qualquer um que tenha um celular em mãos) e com a foto não sendo mais um objeto concreto (ampliar não é mais uma necessidade), altera-se de alguma forma o conceito de documento/representação da fotografia? Como se coloca a questão ideológica se pensada a partir deste panorama?

BK: Temos aqui duas perguntas em uma. Primeiro: é importante que se compreenda que existem duas categorias de produtores de fotos que jamais vão deixar de existir. Os que “clicam” convulsivamente a tudo e a todos e, principalmente, a si mesmos (os “selfies”) e a segunda categoria: a dos fotógrafos propriamente ditos.

Para estes fotógrafos, sejam profissionais ou não, mas que costumam participar de exposições, as fotografias continuam, sim, a ser impressas, seja a partir de negativos fotográficos, (as chamadas fotos analógicas, a fotografia química), embora em número bem reduzido, ou as obtidas a partir de arquivos digitais.

Em ambos os casos, os verdadeiros amantes da arte fotográfica seguem ampliando suas fotos, buscando a melhor qualidade de produção física para serem apresentadas em galerias e museus. E há todo um público interessado também em ter fotos de determinados autores nas paredes de suas casas.

Em síntese, existe a foto “convulsiva” – que se presta para ser vista na tela do computador ou do celular – e a foto pensada, construída, criada e produzida como forma de expressão pessoal e artística. Penso que isto responde a primeira parte da pergunta.

Agora a segunda parte, que poderia se ligar de alguma forma à primeira, é conceitual: quando formulei a relação documento/representação esclareci que se trata de uma relação fundante da fotografia, e como tal, ocorre em todas as fotografias que encontrarão sua aplicação e uso (dirigido de alguma forma) no jornalismo, na história, na arquitetura, na antropologia e assim por diante. No livro esclareço em detalhe o fato da fotografia ser um registro a partir de um processo de criação, um registro expressivo, portanto.  De qualquer modo, e para finalizar, o documento fotográfico só existe a partir de uma representaçãoconstruída, elaborada de um cenário, personagem, objeto, de um assunto enfim do real cuja aparência foi registrada pela fotografia.Mas o que está por trás da aparência?E do aparente?Muito bem, aí começa a questão do mistério inerente às imagens e a discussão ideológica da fotografia enquanto documento e representação. Nesta altura recomendo a leitura do livro!

 

Conheça outros livros de Boris Kossoy

Realidades e Ficções na Trama Fotográfica ganha nova edição da Ateliê

Publicada pela primeira vez em 1999, obra de Boris Kossoy continua sendo referência, 17 anos depois, para amantes da fotografia e estudiosos de áreas como comunicação, jornalismo, história e ciências sociais

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Segunda obra da trilogia de Boris Kossoy, Realidades e Ficções na Trama Fotográfica apresenta um conjunto de textos que representam as diferentes linhas de pesquisa desenvolvidas pelo pesquisador (as outras são Fotografia & História e Tempos da Fotografia). O livro traz reflexões sobre os mecanismos mentais que regem a representação (produção) e a interpretação (recepção) da fotografia. De maneira didática o autor explica o processo de construção de realidades e, portanto, de ficções que a imagem possibilita.

A 5ª edição da obra traz notas explicativas ao longo do texto com o objetivo de melhor contextualizar determinados temas tratados na narrativa. O livro é dividido em três partes. Na primeira, basicamente teórica, há a retomada de conceitos anteriormente esboçados e discutidos por Kossoy, alguns tratados em Fotografia & História e em outros trabalhos. “A proposta se estende ao estudo das fontes fotográficas, e não poderia ser de outra maneira pois interessa-nos, sobretudo, propiciar elementos para que se perceba em que medida essas fontes têm se prestado para registrar e direcionar nossa compreensão sobre os fatos da história”, esclarece o autor na introdução da obra.

Na segunda parte o autor aplica os conceitos discutidos inicialmente, sobre um dado momento histórico: a passagem do Império para a República. Desmonta o uso ideológico que os donos do poder econômico e político fazem da fotografia, com o objetivo de apresentar o Brasil como terra promissora de “esplendor e progresso”, que vive sua plena modernidade. Na realidade, trata-se de um projeto de divulgação do país no Exterior, planejado e executado como uma peça publicitária, na qual o documento fotográfico é transformado em instrumento de propaganda. Demonstra assim, Kossoy, como são construídas realidades (e ficções) a partir e, em torno da fotografia. Na terceira parte, Kossoy retoma questões ligadas à problemática da memória, um tema sempre presente nas obras do autor.

O cerne da obra está na sua demonstração do processo de criação/construção de realidades que a fotografia proporciona, sempre, e é por todos utilizada, independentemente de lugar, época ou sistema fotográfico. Daí a sua atualidade.

Após 17 anos de sua primeira edição o livro se constituiu em obra de referência aos pesquisadores e estudiosos de várias áreas das Ciências Humanas e Sociais.

 

Serviço

Realidades e Ficções na Trama Fotográfica

Formato:13 x 20 cm

Número de páginas: 152

ISBN: 978-85-7480-730-0

Preço: R$ 39,00

 

Sobre a Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial está no mercado desde 1995, atuando principalmente nos segmentos de literatura – ensaios, crítica literária e outras matérias de natureza acadêmica; comunicação e artes; arquitetura; edição de clássicos da literatura; e estudos sobre o livro e seu universo. O objetivo desta casa é levar ao público leitor livros de alta qualidade editorial, em edições cuidadosas que primam pela atenção ao conteúdo, à forma e à expressão. Isso transparece tanto nas capas quanto no rigor e fidelidade textual, o que pode ser comprovado pelos diversos prêmios nacionais e internacionais já recebidos pela editora – como Jabuti, APCA e IDA International Design Awards (EUA).

Site: www.atelie.com.br

Blog: blog.atelie.com.br

Twitter: @atelieeditorial

Facebook: https://pt-br.facebook.com/atelieeditorial

 

Contatos para Imprensa:

Milena O. Cruz

imprensa@rda.jor.br

Tel: (11) 4402-3183

Cel: (11) 98384-3500

 

Ateliê lança Palmeirim de Inglaterra, irretocável exemplar de uma novela de cavalaria

PalmeirimQuem foi Francisco de Moraes? O que vem a ser o Palmeirim de Inglaterra? Por que o texto mereceu coedição (Ateliê/Unicamp) tão zelosamente cuidada, planejada nos mínimos detalhes para integrar a coleção “Clássicos Comentados” da Ateliê? Afinal, que interesse o leitor de hoje pode ter em um livro cuja primeira edição é supostamente de 1544?

Comece-se por destacar que o esmero editorial faz jus à trabalhosa tarefa de organizar a atual edição: segundo os professores envolvidos (Lênia Márcia Mongelli, titular de Literatura Portuguesa da USP, Raúl Cesar Gouveia Fernandes (FEI), Fernando Maués (UFPA) e Nanci Romero (UNIFESP), todos doutorados pela USP), essa tarefa demandou em torno de oito anos de pesquisas, metade deles dedicados à transcrição das fontes, pois o grupo tomou por base o exemplar de 1567 (o mais conhecido), que se encontra na Biblioteca da Ajuda, em Portugal, devidamente cotejado com as edições posteriores de 1786, 1852 e 1946, todas baseadas naquela anterior. Ainda foi levada em conta a edição de 1592, bastante mutilada, mas supostamente oriunda da que seria a edição princeps, de 1544, descoberta na Biblioteca Cigarral del Carmen, em Toledo, na Espanha.

Francisco de Moraes teria gostado de ver a atenção dispensada à obra a que ele dedicou o melhor de seu apuradíssimo estilo,  aqui belamente preservado no frescor da estrutura sintática e das escolhas semânticas próprias do século XVI, modernizado apenas o suficiente para atender às necessidades do leitor de hoje. Se a obra teve o raro prestígio das tantas edições consecutivas é porque ela agradava principalmente aos cortesãos, em meio aos quais viveu Moraes, agregado à corte portuguesa de D. João III e como secretário de D. Francisco de Noronha, segundo conde de Linhares. Daí suas duas grandes viagens a Paris, experiências de que impregnou vivamente o Palmeirim, oferecendo-nos deliciosas descrições do modo de vida palaciano quinhentista.

Quando  Miguel de Cervantes, ao queimar todos os livros de cavalarias que teriam sido responsáveis pelas loucuras de D. Quixote, resolveu salvar da fogueira o Palmeirim de Inglaterra; quando Mario Vargas Llosa confessa que a leitura do Tirant lo Blanc, do mesmo gênero, é uma das mais gratas lembranças que ele trouxe da juventude – temos pelo menos dois importantes testemunhos de que a matéria cavaleiresca, cujo interesse, desde a Idade Média Central, se estendeu pelo século XVII afora, é bem mais do que as aventuras do Rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda ou a busca do Graal. No caso das novelas quinhentistas portuguesas – e o Palmeirim inaugura todo um vasto ciclo de títulos – não há que esquecer que o pano de fundo delas, histórico,  é o período das navegações ibéricas…  Magos, feiticeiras, animais monstruosos e gigantes invencíveis são pura fantasia ou povoaram mesmo o imaginário daqueles navegantes que se punham temerariamente ao mar? Palmeirim de Inglaterra e seu irmão gêmeo Floriano do Deserto, heróis da narrativa, equivalem aos corajosos marinheiros de outrora?  Confira por você mesmo, caro leitor!

Serviço

Palmeirim de Inglaterra

Formato:  18 x 27cm

Número de páginas: 744

ISBN Ateliê Editorial: 978-85-7480-735-5

ISBN Edições da Unicamp: 978-85-268-1335-9

Preço: R$ 182,00

 

Sobre a Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial está no mercado desde 1995, atuando principalmente nos segmentos de literatura – ensaios, crítica literária e outras matérias de natureza acadêmica; comunicação e artes; arquitetura; edição de clássicos da literatura; e estudos sobre o livro e seu universo. O objetivo desta casa é levar ao público leitor livros de alta qualidade editorial, em edições cuidadosas que primam pela atenção ao conteúdo, à forma e à expressão. Isso transparece tanto nas capas quanto no rigor e fidelidade textual, o que pode ser comprovado pelos diversos prêmios nacionais e internacionais já recebidos pela editora – como Jabuti, APCA e IDA International Design Awards (EUA).

 

Site: www.atelie.com.br

Blog: blog.atelie.com.br

Twitter: @atelieeditorial

Facebook: https://pt-br.facebook.com/atelieeditorial

 

Melodias em Estado Nascente

Por Renato Tardivo*

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A primeira característica a se destacar neste ensaio sobre À Sombra das Raparigas em Flor é o trânsito minucioso empreendido pelo autor entre excertos do segundo volume de Em Busca do Tempo Perdido, manuscritos de Proust e a fina interpretação construída em dezesseis capítulos, divididos em duas partes.

Como se trata de um ensaísta de formação psicanalítica, coloca-se a questão: a que se presta o recurso à psicanálise, visto que se trata de literatura? Muitos são os estudos acerca dessa relação que encerram a obra literária em teorias e conceitos psicanalíticos pré-concebidos. Tal uso, vale dizer, parece servir mais à validação da psicanálise. No ensaioOs Processos de Criação em ‘À Sombra das Raparigas em Flor’”, de Philippe Willemart, por outro lado, o recurso à psicanálise enriquece, e muito, as possibilidades interpretativas do livro analisado e de seu processo de criação.

Isso ocorre, por exemplo, no capítulo “A Arte do Retrato”. Escreve o autor: “Não posso deixar passar este trecho sem observar o paralelo entre ‘a iluminação retrospectiva’ e o ‘só depois’ freudiano. Enquanto este reina na análise e permite ao analisando encontrar uma lógica no seu passado […] o escritor já autor num movimento muito mais amplo dá também uma olhada no passado da escritura para encontrar aí uma lógica que poderia chamar genética”.

É observada a temporalidade freudiana do après-coup, ou só depois, marcada pela mistura de tempos e constantes ressignificações. Célebre nesse sentido são as madeleines do primeiro volume…

Há um capítulo poeticamente intitulado “Como Criar a Lembrança de uma Melodia”, que, além de também aludir ao só depois, remete diretamente ao livro de Proust e à pulsão invocante, expressão contida no subtítulo do ensaio de Willemart. Pulsão invocante é aquela que se refere aos chamamentos: ser chamado, se fazer chamar, chamar.

É por essa trama expressiva que o ensaio aborda o enredo e o seu processo de criação, isto é, o momento em que a obra se apresentava em estado nascente, à espera de ser criada. Com densidade intelectual e escrita fluida, este livro acrescentará ao leitor de Proust e pode ser um convite à leitura deste clássico da literatura.

 

*Escritor, psicanalista, professor universitário e doutor em Psicologia Social pela USP. Publicou, entre outros, os livros Girassol Voltado para a Terra (Ateliê), Do Avesso (Com-Arte/USP) e Silente (7Letras), e o ensaio de Porvir que Vem Antes de Tudo – Literatura e Cinema em Lavoura Arcaica (Ateliê).