Daily Archives: 28/07/2016

Estimar Canções – Estimativas íntimas na formação do sentido é o novo livro de Luiz Tatit

Estimar

Na obra, autor faz uso de conceitos da Semiótica para explicar a construção de sentido nas canções brasileiras

Como estimar os elementos de uma canção? Segundo Luiz Tatit, é comum que se avalie uma canção do ponto de vista musical, o que pouco ajuda na compreensão sobre essa linguagem. Por isso, o mais novo livro do professor titular do Departamento de Linguística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, Estimar Canções – Estimativas íntimas na formação do sentido, traz um enfoque que em geral não é considerado: como se forma o sentido na canção.

Na obra, Tatit também chama atenção para as dosagens avaliativas e as quantificações subjetivas típicas do pensamento humano para, a partir disso, detalhar como essas estimativas ocorrem nas canções. Assim, o “estimar” do título tem um duplo significado. “A gente analisa aquilo que gosta”, diz o autor, para, em seguida, completar: “estimar também corresponde a ‘calcular’ o tanto de musicalização, oralização, tematização e passionalização que o compositor investe em cada canção produzida”.

Segundo Tatit, o estudo da linguagem da canção deve sempre focalizar o encontro da melodia com a letra. É esse encontro que faz a melodia (neutra) virar um modo de dizer, uma sequência entoativa semelhante a que usamos em nossa fala diária. Uma vez configurado o modo de dizer, o compositor pode submetê-lo a um tratamento musical apurado ou intensificar ainda mais o processo de oralização. “No caso da musicalização, as unidades entoativas valem menos, pois o compositor faz prevalecer os recursos harmônicos e rítmicos, ao mesmo tempo em que atenua a relevância da letra, criando versos avulsos (sem narrativa) ou aproveitando sobretudo suas aliterações e suas rimas. No caso da oralização, as unidades entoativas valem mais e, no extremo, chegamos à quase neutralização de parte dos elementos musicais para que a ênfase fique na mensagem do componente linguístico, como é o caso do rap,” explica o autor.

Em outros casos, o que o compositor acrescenta à canção pode fazer dela um gênero no qual prevalece a recorrência de motivos melódicos ou refrãos que se compatibilizam com letras de exaltação de algum conteúdo – como o amor, a terra natal etc. É o caso de algumas antigas marchinhas, baiões e música axé. A isso, Tatit chama de tematização. Já alguns boleros, sertanejos, sambas-canções e músicas românticas são exemplo de canções passionais, na medida em que apresentam melodias desaceleradas, que estendem a duração das notas sem formação clara de motivos, e estão ligadas à busca do objeto desejado.

Para o autor, esse processo é como uma receita culinária: “Se acrescentar oralização, a canção pode virar um gênero mais falado, como o rap por exemplo. Se insistir na pureza musical, a canção pode adquirir traços do jazz ou mesmo da nossa bossa nova dos anos 60”, diz Tatit, que explica que os aspectos da teoria semiótica utilizados na obra servem para “estimar” qualquer canção.

Serviço

Estimar Canções – Estimativas íntimas na formação do sentido

Formato:  14 x 21 cm

Número de páginas: 176

ISBN: 978-85-7480-737-9

Preço: R$ 34,00

 

Sobre a Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial está no mercado desde 1995, atuando principalmente nos segmentos de literatura – ensaios, crítica literária e outras matérias de natureza acadêmica; comunicação e artes; arquitetura; edição de clássicos da literatura; e estudos sobre o livro e seu universo. O objetivo desta casa é levar ao público leitor livros de alta qualidade editorial, em edições cuidadosas que primam pela atenção ao conteúdo, à forma e à expressão. Isso transparece tanto nas capas quanto no rigor e fidelidade textual, o que pode ser comprovado pelos diversos prêmios nacionais e internacionais já recebidos pela editora – como Jabuti, APCA e IDA International Design Awards (EUA).

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Falta de tempo é a principal razão pela qual brasileiros não leem mais

Por Renata de Albuquerque

livros na estante

 

 

Brasileiros alegam falta de tempo para ler, segundo a quarta edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, divulgada recentemente – 43% das pessoas entrevistadas não lê mais por falta de tempo. Não há dados anteriores para comparação do número, já que a pergunta “Por que não leu mais?” foi incluída na pesquisa pela primeira vez nesta edição.

Mas, mesmo assim, o dado é interessante, porque aponta que, para além de fatores como altos preços (apenas 7% declararam achar livros caros e apenas 5% disseram não ter dinheiro para comprar livros), o maior impedimento para a atividade da leitura está em um bem que não pode ser comprado, mas sim organizado: o tempo.

Entre os estudantes, o índice cai mais de dez pontos. 32% declararam não ler mais por falta de tempo, apontando para o fato de que priorizar a leitura é um elemento fundamental para que ela se realize. Estudantes encontram mais tempo para ler porque essa atividade já é habitual no seu cotidiano, não necessariamente porque são “obrigados” a ler.

Quanto ao interesse na atividade, a pesquisa – realizada pelo Instituto Pró-Livro e com apoio da ABRELIVROS, CBL, Snel e IBOPE Inteligência – aponta que apenas 5% das pessoas que leram algum livro nos últimos três meses “não gostam de ler”. Esse número sobe para 28% no grupo de pessoas que não leu nenhum livro nos três meses anteriores à pesquisa. Esses números indicam que quem lê livros o faz porque gosta. Sob esse aspecto, então, despertar o interesse pela leitura ainda na infância é fundamental.

 

Influência dos pais no hábito de leitura dos filhos

O percentual total de entrevistados que disse “gostar muito de ler” é de 30%. O número sobe para 45% quando se leva em conta apenas o público leitor (que leu ao menos um livro, total ou parcialmente, no trimestre em que a pesquisa foi realizada). Segundo o levantamento, a mãe tem um papel central na formação do leitor. “A figura da mãe é bastante importante na influência da leitura, especialmente quando se comparada à influência do pai ou de algum parente”, informa a pesquisa.

Como quem lê o faz porque gosta (e não por obrigação), fica claro que incentivar a leitura como um hábito, desde a infância, faz a diferença. “Os resultados da pesquisa reforçam a análise de que o hábito de leitura é uma construção que vem da infância, bastante influenciada por terceiros, especialmente por mães e pais, uma vez que os leitores, ao mesmo tempo em que tiveram mais experiências com a leitura na infância pela mediação de outras pessoas, também promovem essa experiência às crianças com as quais se relacionam em maior medida que os não leitores”, avaliam os pesquisadores.

 

Analfabetismo literário

Entretanto, o grande entrave para a leitura, infelizmente, ainda é o analfabetismo. 20% dos não leitores (que não leram nenhum livro nos três meses anteriores à pesquisa) declararam não saber ler. “De acordo com o INAF, apesar do percentual da população alfabetizada funcionalmente ter passado de 61% em 2001 para 73% em 2011, apenas um em cada 4 brasileiros domina plenamente as habilidades de leitura, escrita e matemática. Ou seja, o aumento da escolaridade média da população brasileira teve um caráter mais quantitativo (mais pessoas alfabetizadas) que qualitativo (do ponto de vista do incremento na compreensão leitora) ”, apontam os pesquisadores.

 

Motivações para a leitura

A boa notícia que “Retratos da Leitura no Brasil” traz é que aumentou a importância dos livros lidos por iniciativa própria em relação aos indicados pela escola, mesmo entre os estudantes. Gosto e atualização cultural, além de conhecimento geral são os principais fatores que motivam os brasileiros a ler. Ou seja: a “leitura por obrigação” ocupa um espaço hoje menor do que antes.

 

E você, gosta de ler? Como encontra tempo para ler mais livros? Deixe um comentário, compartilhe sua experiência com a gente!