Monthly Archives: setembro 2015

Quando não há mais sujeito e objeto

Renato Tardivo*

 

Viagem a um Deserto Interior é o mais recente livro de Leila Guenther. Seus poemas e microcontos agrupam-se em cinco seções: “Paisagens de Dentro”, “O Deserto Alheio”, “Castelo de Areia”, “Um Jardim de Pedra” e “A Possibilidade de Oásis”. Nota-se, portanto, uma (bem-sucedida) intenção narrativa oferecendo de antemão continente às narrativas do livro. Não é aleatório que o “espaço” seja o tema mais relevante da obra; aliás, ele está indicado em diversas palavras-chave: “viagem”, “deserto”, “interior”, “paisagens”, “castelo”, “jardim”, “oásis”.

Mas, se há deslocamento do interior de si para o interior do outro, da fragilidade da areia para a dureza da pedra, da aridez do deserto ao oásis (ou à possibilidade dele), há deslocamento também entre os versos dos poemas e os microcontos, o que confere ainda mais movimento à viagem. Aqui, poesias são narrativas e narrativas, poesias.

Imagem2Há algo de Drummond – cuja referência chega a ser explicitada – no modo de abordar o desconcerto de mundo, nos desfechos surpreendentes, no olhar ao mesmo tempo simples e profundo. Leila, ainda, repete alguns temas (suas pedras no meio do caminho?),de modo a marcar a passagem do tempo, a efemeridade do instante: a mulher sem filhos, as noites das estações do ano, as referências orientais…

E, no fim, há oásis? Cabe ao leitor empreender a sua própria descoberta. Leila nos ajuda, e muito, sugerindo trajetórias, habitando os continentes possíveis e impossíveis, da caixa de sapatos (em que consegue caber) ao desejo de ser trapezista (o que ainda não é).

Mas, talvez,a dica mais preciosa esteja em “Mushin” (em uma tradução livre, “suspensão do pensamento”):

 

Quando não há mais sujeito e objeto

como saber se aquele que mata

não é o mesmo que é morto?

 

 

Conheça outras obras de Leila Guenther

*Renato Tardivo é escritor, psicanalista, professor universitário e doutor em Psicologia Social pela USP. Publicou os livros de contos Do Avesso (Com-Arte/USP) e Silente (7Letras), e o ensaio de Porvir que Vem Antes de Tudo – Literatura e Cinema em Lavoura Arcaica (Ateliê).

Os Mistérios dos Livros de Pantagruel

Nova tradução do Quarto Livro dos Fatos e Ditos Heroicos do Bom Pantagruel, exclusiva da Ateliê Editorial, esclarece pontos obscuros de versões anteriores
 

Nesta entrevista, Élide Valarini Oliver fala sobre o trabalho de tradução do Quarto Livro dos Fatos e Ditos Heroicos do Bom Pantagruel, editado pela Ateliê Editorial, com coedição da Editora Unicamp. Professora titular de literatura brasileira e comparada na Universidade da Califórnia, Santa Bárbara, ela destaca dois mistérios que descobriu durante esse trabalho e deixa explícito o critério que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Melhor Tradução pelo Terceiro Livro da série: “Em geral, as traduções para as outras línguas não respeitam o estilo do autor”, diz.

 

Bom Pantagruel_Capa jpgSua tradução é feita diretamente do francês. É a primeira vez que isso acontece?

Élide Valarini Oliver Hoje em dia, apenas especialistas conseguem entendê-lo. Por isso, existem “traduções em francês modernizado” para o público não especializado francês. Além disso, o próprio estilo do escritor é extremamente exigente, erudito, cheio de referências recônditas, jogos de palavras impossíveis em outras línguas, etc. Em geral, o que se traduz são apenas os dois primeiros livros do autor.

Muito tempo atrás folheei uma edição portuguesa, que me pareceu bastante distorcida e pobre. Em geral, as traduções para as outras línguas não respeitam o estilo do autor, suas peculiaridades, suas inversões “barrocas” digamos assim, as assonâncias de poeta que se encontram no texto. Elas também não rimam o que está rimado no texto, não propõem soluções criativas para os problemas que a cada frase se encontram em Rabelais, cortam trechos do texto… Não estou exagerando.

O que mais incomoda, porém, é o desrespeito ao estilo, a tentativa de fazer o autor encaixar-se numa língua preestabelecida, em vez de fazer a língua encaixar-se no estilo do autor, que é o que o próprio autor fez, quando escreveu em sua própria língua.Assim, se o autor inventa uma terminação esdrúxula num adjetivo, temos que manter isso, não importa o quanto “esdrúxulo” isso possa parecer.

Outra coisa grave é achar que só porque uma palavra parece a mesma, ela significa exatamente a mesma coisa atualmente. Não é bem assim. É preciso conhecer filologia, gramática histórica, etc. Tudo isso eu comento, em notas de rodapé, em minha tradução. O que fiz, porque fiz, discuto origem das palavras, o que for necessário.
Outra coisa grave é tentar “limpar” o texto das palavras obscenas que o autor usa. Isso chega a ser antiético, pois o tradutor não pode ser censor. Mas ocorreu, e ainda ocorre. Nos séculos subsequentes, era comum, na França, aparecerem edições expurgadas assim.

Qual o diferencial desta tradução frente às já existentes, já que falamos de uma obra clássica?

EVO: Acho que o que a diferencia é que sou uma estudiosa do autor. Minha tese de doutoramento foi sobre ele e Joyce. Mais tarde, baseada nesta tese, mas já com muito mais material, escrevi um livro sobre ele, publicado também pela Ateliê: Joyce e Rabelais: Três Leituras Menipeias.
Além desse interesse acadêmico, digamos, também escrevo poesia, contos, crônicas. Tenho paixão pela literatura. Gosto de traduzir.

Sempre vivi no meio de várias línguas: francês, italiano, inglês, português, latim. Adoro provençal, occitan, etc. Gosto também de etimologia. Em suma, tudo isso entra e acaba fazendo a diferença. Por exemplo, ao traduzir o Quarto Livro, por causa dessa babel linguística em que vivo, acabei, por assim dizer, esclarecendo dois mistérios, duas expressões que Rabelais usa e que as edições francesas acadêmicas ou não comentam, ou propõem soluções que não podem ser aceitas. Explico isso nas notas correspondentes, pois no total acabei fazendo 1.411 notas para esta edição. Com isso, escrevi também um artigo, em francês, para comentar e propor minhas resoluções, que vai sair nos Nouvelles Etudes Rabelaisiennes.

 

ElideValariniQuais são os dois mistérios que você esclareceu durante a tradução?

EVL:Acho que viver numa confluência de línguas, nessa babel em que vivo, não é fácil. Muitas vezes esqueço uma palavra na língua em que mais necessito e lembro em pelo menos duas outras que não vão me servir em nada no momento (risos), mas em alguns casos ajuda muito, sobretudo no universo rabelaisiano, por exemplo. Foi o que aconteceu com uma palavra “misteriosa” que Rabelais usa e que grafa “cela”. Ora, todo o mundo sabe que “cela” quer dizer “aquilo ali”, ou “isso” ou ainda “isso aí”, dependendo do contexto. Evidentemente, Rabelais usa este e outros demonstrativos, mas em uma frase no fim do capítulo XLVII, a palavra “cela” não tem nada a ver com isso e se tornou um mistério.

Alguns editores franceses acham que se trata de Sela, em hebraico, mas isso não faz sentido tampouco, inclusive porque quando Rabelais usa Sela, ele o faz com “S” e sabe muito bem a diferença. Outros ainda acham que foi um cochilo, etc. Mas, consultando o dicionário Cotgrave, francês-inglês, elaborado no século dezessete pelo autor homônimo, e que inclui verbetes de muitas palavras e expressões usadas por Rabelais, encontrei ali um segundo significado de cela, ligado a “wot” – palavra agora arcaica em inglês, de “wit”, mas usada por Shakespeare, por exemplo, e que significa “ter sacado alguma coisa”.
Isso, sim, fazia sentido com o contexto do Rabelais.

O outro mistério diz respeito a uma expressão encontrada no capítulo LXVI: “contre faire le loup em paille” que hoje ninguém sabe mais o que quer dizer. Também encontrei no Cotgrave alguma glosa, mas isso é mais complicado porque diz duas coisas diferentes: seria fingir que se dorme, ou também estar entre o acordar e o dormir. Cada edição do Rabelais em francês oferece uma sugestão, mas não fazem sentido. A edição da Pléiade, muito bem-feita e bastante séria, não oferece sugestão nenhuma, o que acho melhor. Comentei tudo isso nas notas que fiz à minha tradução, mas depois resolvi escrever um pequeno artigo em francês a respeito disso e o enviei à Mireille Huchon, que editou minuciosamente a obra completa do Rabelais para a coleção Pléiade, e que é uma autoridade no assunto Rabelais. Foi assim que surgiu a oportunidade de publicar o meu artigo para a Nouvelles Études Rabelaisiennes.

Quando sai o artigo na Nouvelles Etudes Rabelaisiennes?

EVO: Ainda não sei quando vai sair o artigo porque, de pequenininho que era, realmente muito modesto, inclusive em termos de contribuição aos estudos rabelaisianos, está virando, graças às sugestões de Mireille Huchon, um pouco maiorzinho. Estou em fase de revisão final.

Você tem a intenção de traduzir outros livros do Bom Pantagruel?

EVO: Sim, tenho a intenção de fazer (quase) toda a obra. Ou seja, agora, os dois primeiros livros ao menos. Estou começando o Gargantua. Resolvi começar pelo Terceiro e depois fui para o Quarto – que são os mais complexos em todos os sentidos. E também porque são os menos conhecidos. Quando se trata de Rabelais, muitas vezes o público não sabe que ele escreveu o terceiro e o quarto. Haveria também o que se convencionou chamar de Quinto Livro, mas isso é um problema, pois o que se acreditou ter sido um livro inacabado do autor, na realidade, hoje mais parece um rascunho para o Quarto Livro. Ainda não resolvi se vou entrar nisso, mas os “prognósticos pantagruelinos” são divertidos também. Vamos ver.

Que linha você segue na hora de fazer um trabalho como esse? O que considera essencial e do que procura fugir?

EVO: Em minha introdução ao livro, dou muitos detalhes sobre os critérios que uso para traduzir. O que posso dizer é que não sigo linha alguma. Sigo a linha do Rabelais. Ele é meu companheiro de jornada há muitos anos, isso acaba gerando uma certa afinidade, que me dá, mais ou menos, uma liberdade para imaginar que se ele estivesse escrevendo em português, usaria esta ou aquela palavra, por exemplo. E depois, ao reler, sempre imagino que ele está ali do lado. E se ao reler, rio muito, então melhor ainda!

Mas, além da tradução, o que fiz foi proporcionar ao leitor um contexto amplo não apenas das ocorrências e situações aos quais o livro se refere, mas, por exemplo, na introdução, contextualizar o livro em sua época, os perigos que o autor incorreu ao publicá-lo, as ideias de Rabelais, etc. Acho que isso ajuda o leitor, visto que se trata de um autor que, se já era complexo em seu tempo, agora, passados quinhentos anos, o é ainda mais.
Outra coisa importante: devido à minha profissão, tenho tempo para fazer isso. Traduzir Rabelais acaba fazendo parte da minha vida, quase como uma atividade à parte. Não trabalho apenas com Rabelais. Escrevo, pesquiso e dou aulas sobre literatura brasileira e comparada. Acabei de publicar um livro sobre Machado de Assis, por exemplo. De certa forma, traduzir Rabelais para mim, é como partir em viagem.

Ler é cegar o tempo

A leitura é um hábito que pode ser cultivado até mesmo quando se leva a vida corrida das metrópoles

 Alex Sens*

 

Verão na Noruega, o sol brilha tímido nas fímbrias escuras da meia-noite e os turistas exploram sua natureza com aquele desejo fervilhante de aventura. De uma perigosa formação rochosa chamada Trolltunga, despenca uma estudante australiana que só queria fotografar a si mesma. Um casal de alemães adentra a famosa geleira Nigardsbreene é esmagado por um bloco de gelo que se desprende abruptamente, assim como suas vidas. Uma russa se arrisca na beirada íngreme da cachoeira Vøringsfossen e é engolida pela furiosa morte líquida que já desfez tantos outros corpos.

Se a leitura fosse uma distração perigosa, colocada nesses contextos seria mais cômica do que trágica. Morrer lendo talvez soe romântico e é inegável sua possibilidade. Os turistas, corajosos ou desavisados, não estavam lendo, mas poderiam. Trazendo outros acidentes para cá, eis a mulher cair nos trilhos do metrô enquanto caminha com um livro aberto e os olhos salgados de emoção; eis o jovem poeta atravessar a Avenida Paulista e ser levado por um ônibus enquanto lê T. S. Eliot e morde uma maçã verde, que rola pelo asfalto com uma vírgula de sangue onde os dentes cavaram um verso; eis o professor apressado que pisa em falso enquanto lê um ensaio da Sontag e desaparece na escuridão de um bueiro. Trocamos os livros por celulares e a realidade macabra dessas imagens torna-se ainda mais palpável.

Foto de Alex Sens

Foto de Alex Sens

Sem um livro, a concentração do sujeito durante o momento da espera é absolutamente focada na própria espera e na inflexível densidade do tempo. Em agências bancárias, presas em filas tediosas, pessoas cujos olhos se voltam urgentes para o alarme que indica a próxima senha se acham nauseadas pelo ócio.Com tantas pessoas perdidas num vazio característico das filas, sobretudo a dos bancos, a vontade é de dar a elas um pouco de leitura, uma utilização inteligente do tempo. Ler é cegar o tempo, mas comumente estamos diante de um tempo enxertado nos olhos arregalados da pressa ou cansados da modorra. Ler, onde quer que seja, é viver em melhor companhia, mas invariavelmente, dentro ou fora das filas, o que vemos é o tempo fugindo da leitura e sendo reclamado como se fosse estreito, tão estreito como um livrinho de cem páginas possível de ser lido em dez dias durante aqueles minutos que antecedem o sono — ou sua vez numa fila.

Com o mesmo caráter raro de encontrar um âmbar durante um passeio, no Brasil e em tantos outros países em que a leitura também é um problema socialmente desigual, ainda é um instante de encanto ver um leitor distante da sua condição de ponteiro-de-tempo no relógio-fila, apartado da espera, esse lugar inatingível quando a literatura ou qualquer outro tipo de arte é o próprio meio. Estamos acostumados a ver cabeças tombadas sobre aparelhos luminosos, nunca sobre um conjunto de folhas. Concentração, adquirida com mais leitura, é a força necessária para a lógica de uma interpretação coesa. O saber ler nada tem a ver com a decifração de símbolos e fonemas, mas com interpretação, e a competência para ela vem tanto da concentração dedicada quanto da necessidade de se perguntar a leitura, de se deixar encharcar pelo que está sendo lido.

Como toda atividade mental que tem a necessidade de se tornar mais uma atividade possível, portanto acessível a todos, a prática da leitura demora a ser enraizada e tornada não intervalo de tempo, mas consumação dele, comunhão com a inteligência e com a cultura. Utilizar-se da leitura sem moderação, mas com um olhar e um ouvido no mundo ao redor para que ela não se torne assassina da atenção, em trens, metrôs, filas e salas de espera, pode e deve ser a extinção das desculpas e da culpabilidade da falta de tempo. Nós controlamos nosso tempo, nós, e somente nós, o moldamos como argila e damos a ele o formato mais adequado. Por prazer ou acidente, leia sempre, leia mais, leia muito. Só não morra por isso porque há uma lista infinita de obras a serem lidas e elas esperam ser dessacralizadas pelo seu precioso e irrecuperável tempo.

 

*Escritor, nascido no ano de 1988 em Florianópolis, SC, e radicado em Minas Gerais. Publicou Esdrúxulas, pequeno livro de contos de humor negro e realismo mágico, seguido pelo livro artesanal Trincada. Teve contos e poemas publicados em sete coletâneas e em revistas literárias virtuais, assim como resenhas de livros, entrevistas e críticas em sites de jornalismo cultural. O Frágil Toque dos Mutilados (Autêntica Editora, 2015), seu romance de estreia, venceu o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2012 na categoria Jovem Escritor.

Boris Kossoy faz 50 anos de carreira dedicada à fotografia

Fotógrafo brasileiro é uma das mais fortes referências para estudiosos e amantes da fotografia

Por Milena Oliveira Cruz

Boris Kossoy não é apenas um dos mais importantes fotógrafos nacionais; é, também, um grande estudioso da história da fotografia e de seu caráter documental. Foi graças às suas pesquisas incansáveis que em 1976 o mundo soube: a fotografia foi descoberta no Brasil, pelo francês Hercule Florence, e não por Louis Daguerre, na França de 1839, como até então se acreditava.

A todo momento, a carreira de Boris Kossoy uniu criação e reflexão, como em Realidades e Ficções na Trama FotográficaEste livro aborda os mecanismos mentais que regem a representação (produção) e a interpretação (recepção) da fotografia. De maneira didática, o autor explica o processo de construção de realidades – e, portanto, ficções – que a imagem possibilita.

Hildegard Rosenthal. Largo do Arouche em Janeiro de 1942. Acervo Instituto Moreira Salles.

Hildegard Rosenthal. Largo do Arouche em Janeiro de 1942. Acervo Instituto Moreira Salles.

Fotografia & História, lançado em 2001, é uma publicação pioneira no país, que traz princípios de investigação e uma metodologia de análise crítica das fontes fotográficas, a partir de uma abordagem sociocultural. Em 2012 a obra ganhou uma edição ampliada da Ateliê Editorial e ainda hoje é considerada referência para historiadores, cientistas sociais e estudiosos da comunicação.

Os Tempos da Fotografia – O Efêmero e o Perpétuo reúne textos sobre história, imprensa e memória, em que a fotografia é tanto fonte de pesquisa quanto objeto de estudo. O efêmero e o perpétuo fundamentam suas reflexões sobre a imagem e, nessa perspectiva, a fotografia ocupa o centro do debate sobre as ambíguas relações entre representação e fato, entre o aparente e o oculto. Boris Kossoy também publicou, pela Ateliê Editorial, Imprensa Confiscada pelo DEOPS – 1924-1954, em parceria com Maria Luiza Tucci Carneiro.

A importância do trabalho de Boris Kossoy é reconhecida também no exterior: obras do fotógrafo fazem parte do acervo permanente do Museum of Modern Art – MoMA (Nova York), George Eastman House (Rochester, Nova York), Smithsonian Institution (Washington, D.C.), Bibliothèque Nationale de Paris e Museu de Arte de São Paulo, entre outras instituições.

Boris Kossoy. Brasília, 1972. Acervo do Autor.

Boris Kossoy. Brasília, 1972. Acervo do Autor.

Por tudo isso, ele recebe, a partir de 10 de setembro, uma exposição internacional que celebra os seus 50 anos de carreira: Imago: sobre o Aparente e o Oculto. “Procuro e encontro grande parte dos meus temas no contexto da chamada realidade concreta, imediata. Nela me intrigam certos cenários e fatos corriqueiros que passam normalmente despercebidos para outras pessoas: não posso deixar de registrar determinadas ocorrências que noto nas casas, nas ruas, nos caminhos, nas janelas para onde dirijo minha câmera, lembrando Hitchcock, tentando desvendar o drama que pode estar acontecendo naquele lar, nas vitrines do comércio, na sedução de um gesto, na inquietação de um olhar”, diz Kossoy na página da Fundação Brasilea, onde será realizada a exposição.“(…) Me refiro, pois, ao que a câmera não registra, o oculto da representação, sua realidade interior. Passados 50 anos de meus inícios na fotografia, ainda é esta dicotomia do aparente/oculto o desafio permanente que me motiva e emociona.”

Conheça mais sobre a obra de Boris Kossoy