Monthly Archives: março 2015

Confira as fotos do lançamento da “Revista Livro nº 4” e da “1ª Jornada de Editores Brasileiros – PUBLISHER? EDITOR?”

l4 - convite eletronicoNa última terça-feira (03/03), a Livraria João Alexandre Barbosa recebeu dois grandes eventos. O primeiro intitulado 1ª Jornada de Editores Brasileiros – PUBLISHER? EDITOR?, organizado pelo corpo docente do curso de editoração da USP, Núcleo de Estudos do Livro e da Edição (NELE) e da Edusp, contou com os principais editores do país onde abordaram questões como os desafios do atual modelo editorial e da profissão de editor. Posteriormente, a livraria recebeu o lançamento da Revista Livro N.4, onde contou com a presença de seus autores e colaboradores.

 

Confira abaixo as fotos dos eventos!

 

Lançamento da revista Livro N. 04 com  Ana Luiza Martins (esq.) e Marisa Midori.

Lançamento da “revista Livro N. 04” com Ana Luiza Martins e Marisa Midori.

Jornada Publisher? Editor? (03/03): mesa com (a partir da esq.): Fernando Paixão, Alexandre Martins Fontes, Claudio Giordano e José De Paula Ramos Jr. (mediador).

Fernando Paixão, Alexandre Martins Fontes, Claudio Giordano e prof José De Paula Ramos Jr debatem durante a 1ª Jornada de Editores Brasileiros – PUBLISHER? EDITOR? que antecedeu o lançamento da revista Livro nº 4.

Jornada Publisher? Editor? (03/03): Mesa com (a partir da esq.): Jean Pierre Chauvin (mediador), Iuri Pereira (ed. Hedra), Joana Figueiredo (ed. Mackenzie) e Lilia Zambon (Cia. das Letras).

Jean Pierre Chauvin foi o mediador de uma das mesas, que ainda contou com Iuri Pereira (Ed. Hedra), Joana Figueiredo (ed Mackenzie) e Lilia Zambon (Cia das Letras).

A fotógrafa Patrícia Osses, que ilustrou a edição, e a diagramadora da “revista Livro n.04”, Tainá Nunes Costa, também marcaram presença no evento.

Lançamento da revista Livro 04: (à esq.) Lincoln Secco, José De Paula Ramos Jr. e Jaa Torrano.

Lincoln Secco, José De Paula Ramos Jr, Jaa Torrano celebrando o lançamento.

Público prestigia a Jornada Publisher? Editor?. Lançamento foi após o evento.

O público presente assistiu a palestras e debates variados durante a Jornada.

Caminhos do Romance em Portugal: Camilo, Eça e o Folhetim Francês

caminhos-do-romanceObra propõe uma aproximação de dois escritores portugueses praticamente contemporâneos, Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós, porém pouco estudados em perspectiva comparada. Além disso, apresenta uma análise nova e instigante, ao tratar de dois livros pouco estudados: Os Mistérios de Lisboa de Camilo, e O Mistério da Estrada de Sintra, de Eça e de seu amigo Ramalho Ortigão, ambos adaptados para o cinema, em Filmes dirigidos respectivamente por Raúl Ruiz (2007) e Jorge Paixão da Costa (2010).

Caminhos do Romance em Portugal: Camilo, Eça e o Folhetim Francês, escrito por Andréa Trench de Castro, outro lançamento da coleção Estudos Literários, da Ateliê Editorial, apresenta os dois principais escritores portugueses do século  em uma situação específica: no momento em que tentam se firmar num mercado literário pequeno, com um público mais habituado a ler traduções do que romances nacionais. Incorporando e transmutando em seus romances muito daquilo que fazia parte dos hábitos de leitura de seu público, conseguiram criar obras peculiares e ainda hoje interessantes.

Com base nos pressupostos teóricos do comparatismo histórico-literário e das transferências culturais, a autora relativiza a visão de que a literatura e a cultura francesas teriam representado para Portugal e seus escritores uma influência hegemônica e centralizadora, lançando um novo olhar sobre a produção inicial de Camilo e Eça e repensando alguns aspectos do romance-folhetim oitocentista produzido em Portugal.

“Com evolução bastante distinta, os estudos camilianos e queirosianos beneficiam enormemente de abordagens cruzadas como esta de Andréa Trench de Castro, cuja metodologia hermenêutica, ao deter-se diacrônica e criticamente sobre especificidades de duas obras do percurso inicial dos dois escritores centrais da literatura portuguesa oitocentista, apresenta um assinalável contributo para a renovação da crítica e da história literárias.” (José Cândido de Oliveira Martins – Universidade Católica Portuguesa – Braga / Portugal).

Conheça aqui todos os detalhes da obra Caminhos do Romance em Portugal.

Literatura e Memória Política – Angola. Brasil. Moçambique. Portugal

Obra reúne textos sobre ficcionistas cujas produções literárias enfatizam tensões sociais vividas, com narrativas marcadas pela memória e experiências empíricas

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Estudos Literários, Literatura e Memória Política, coletânea de ensaios organizada em torno da produção de escritores angolanos, brasileiros, moçambicanos e portugueses, e que traz uma contribuição para pensar politicamente as produções de nosso comunitarismo linguístico-cultural.

Organizado por Benjamin Abdala Junior e Rejane Vecchia Rocha e Silva, o livro traz ensaios de Laura Cavalcante Padilha (Da Certeza das Vidas Novas à História Real de um Amor Impossível), Regina Zilberman (Duas Viagensum Destino, Moçambique), Rosangela Sarteschi (Pepetela e O Quase Fim do Mundo), Tania Macêdo (O Império Colonial Português e sua Retórica), Benjamin Abdala Junior (Linguagem e Vida Social nos Romances de Graciliano Ramos), Eneida Leal Cunha (Jorge Amado Revisitado: Conflito e Familiaridade), Fabiana Carelli (Jorge dos Subterrâneos: Literatura, História e Política no Estado Novo), José Nicolau Gregorin Filho (Literatura Infantil/Juvenil e Política: Um Jogo de Espelhos), Rejane Vecchia Rocha e Silva (Quarup: As Utopias Revolucionárias dos Anos 1960 e 1970 ), Roberto Vecchi (As Potências da Claustrosofia: Limiares Políticos do Pensamento e da Literatura do Cárcere), Isabel Pires de Lima (Realismo e Política – O Caso de Alves Redol), Jane Tutikian (A Literatura e os Retratos de Duas Gerações), Margarida Calafate Ribeiro (Íntimos Fantasmas: Memórias de África na Literatura Portuguesa Contemporânea), Pedro Brum Santos (Escrita, História e Política em José Saramago), Vima Lia Martin (Representações da Tortura e da Morte em Dois Romances de Língua Portuguesa).

Literatura e Memória Política aproxima vozes que dentro e fora da ficção se encontram e se a firmam diante dos impasses de suas respectivas estruturas sociais, sempre tomadas em processo, dinamicamente. Pretende ser uma contribuição para as discussões em torno de realidades produzidas nas malhas da  ficção, que continuam a nos lembrar que estamos num universo tensionado por problemas em que pensar politicamente continua a ser fundamental. (Os organizadores)

Conheça aqui todos os detalhes da obra Literatura e Memória Política – Angola. Brasil. Moçambique. Portugal

A Outra Guerra do Fim do Mundo

Folha de S. Paulo | Guia da Folha – Livros Discos Filmes  | Pág. 19 28 de fevereiro de 2015
fffTexto enxuto, análise precisa, foco aberto para dar conta de avaliar as consequências da Guerra das Malvinas para a América do Sul. São essas as qualidades do livro do historiador Osvaldo Coggiola, professor da USP nascido na Argentina, país do qual se exilou durante a ditadura militar que perseguia militantes de esquerda como ele.

O autor não subscreve a tese corrente de que a ditadura caiu devido à derrota da Argentina, em 1982, diante dos britânicos. Para ele, o revés só acelerou o fim do regime, que perdera o apoio internacional e enfrentava forte oposição interna, turbinada pela crise econômica.

Coggiola também argumenta que a “nova esquerda” surgida no continente, com um discurso democrático, foi testada na Guerra das Malvinas, “quando propiciou uma atitude neutra no conflito”. O PT, depois de afastar as tendências revolucionárias, seria a expressão quase quimicamente “pura” dessa esquerda.

Veja aqui a obra A Outra Guerra do Fim do Mundo, de Osvaldo Coggiola, avaliado com três estrelas (pontuação máxima), pelo Guia da Folha – Livros Discos Filmes.

Um Novo Eça de Queiroz

Severino Francisco | Correio Braziliense | Seção: Diversão & Arte | Pág. 4 28 de fevereiro de 2015

Biografia premiada revisita a trajetória do escritor português e reconstitui aspectos ainda não explorados da vida e da obra . Polêmica de Machado de Assis é um dos pontos de destaque.

ecaEça de Queiroz, um dos mestres da língua portuguesa, já foi tema de estudos e biografias elaborados por intelectuais de primeira linha, da categoria de Álavro Lins ou João Gaspar Simões. No entanto, nem tudo havia sido pesquisado ou deslindado na sua trajetória. O arquiteto português Alfredo Campos Matos revisitou a vida e a obra de Eça e escreveu a mais completa biografia do autor de Os Maias. O catarpácio de quase 600 páginas pode meter medo em uma primeira mirada. Mas a impressão se dissipa logo nas primeiras páginas, em razão da prosa elegante, agradável, límpida e fluente. Em Portugal, o livro ganhou dois prêmios literários importante: O Grande Prêmio Jacinto do Prado Coelho, da Associação Portuguesa de Críticos. Em Eça de Queiroz: Uma Biografia, Alfredo reconstrói fios delicados da trajetória de vida do estilista português: o não reconhecimento pleno da filiação pelos pais, a repercurssão da polêmica desencadeada por Machado de Assis, o “ecismo” no Brasil, a conexão pelo humor, a devoção religiosa e o estilo, a um só tempo, sinuoso, insinuante, preciso, fluído e impregnado de cor.

Qual a repercussão na vida e na obra de Eça de Queiroz do fato de não ser plenamente reconhecido pelos pais na condição de Filho?

A ilegitimidade de Eça teve na sua obra a maior das repercurssões pelo fato de tal complexo ter abalado enormemente sua personalidade. Desenvolvo este tema, ao que suponho, de forma completa na minha biografia. Ele tem sido aliás abundamente estudado, nem sempre racionalmente e a luz de todos os documentos de que dispomos. Eça sofreu sempre com essa circunstância muito particularmente por ter sido educado sem mãe, e abandonado desde a nascença.

Esse foi para mim o seu maior trauma. Quando foi viver com os pais, já adulto, em Lisboa, logo após a formatura em Coimbra, fê-lo pela primeira vez. Pela primeira vez, soube o que era ter um lar. A mãe tinha um feitio muito especial e ainda hoje se especula sobre as razões que a teriam levado a abandonar o filho. O pai foi conivente desta situação, a que decerto não pôde acudir, redimindo-se depois ao subsidiar o seu primeiro romance.

E qual o impacto na obra?

A sua obra ressente-se deste fato pois não há casais felizes nela, com a excepção de Alves & Cia e da A Cidade e as Serras. Por outro lado, para superar a sua inferioridade social, Eça procurou afirma-se e transcender tal condição tirando partido da sua vocação e desse “dom dos deuses”, que é a escrita, como escreveu. Quando, por sua vez, teve um lar, esmerou-se em atenções com a família e com os filhos, como se imaginasse o papel da harmonia e do amor no desenvolvimento psicológico das crianças. Enfim, poderemos concluir que como alguém disse, não há melhor do que uma infância infeliz para enriquecer a personalidade de um criador. A de Eça era bastante complexa e densa e tal fato teve reflexos profundos bem palpáveis na sua escrita.

Qual a relevância da atividade de Eça de Queiroz como jornalista em sua formação de escritor?

Podemos dizer: foi por meio da sua atividade como jornalista e autor de folhetins fantasitas, que produziu os seus primeiros textos que o lançaram como escritor e admirável cronista. Mais tarde, a colaboração importantíssima que deu à Gazeta de Notícias do Rio, confirmaram a sua categoria. Como se sabe, após o curso em Coimbra, produziu só, durante meses, um jornal em Évora, o Distrito de Évora.

Nelson Rodrigues afirmou que era um leitor contumaz de Eça de Queiroz e chegou a reler Os Maias seis vezes. Como explica a chamada “ecite”, a paixão dos brasileiros por Eça?

Há em Eça afinidades profundas com o temperamento brasileiro, desde logo por meio da admirável simplicidade da sua prosa, da sua ironia e, sobretudo, do seu humor. Depois, temos que confessar que os brasileiros que se sentem complexados pela colonização portuguesa sentem um secreto prazer com a leitura de descabeladas tundas que Eça dá a Portugal e aos portugueses, pelo desejo de ver a sua pátria mais progressiva, mais justa e mais a par dos países mais adiantados da Europa.

Quais as relações de Eça de Queiroz com o Brasil?

Foram múltiplas e são deveras importantes, muito particularmente as que o relacionaram com Machado de Assis, que fez uma crítica predominantemente moral ao “naturalismo-realista”. Em todo o caso, Eça lucrou com essa crítica que o ajudou a libertar-se das cadeias de escola literária que poderiam ter prejudicado a sua liberdade de imaginação e fantasia. Mas o grande Machado não lucrou menos, pois os dois grandes romances realistas do seu confrade provocaram em si um tal abalo que o fizeram mudar de singradura. Tal como Eça, era, todavia, um dissimulado, escondendo as suas reações e opções. Ambos guardaram o melhor para si. Ao longo da sua vida (sem esquecer as ligações biográficas como o Brasil – o pai era brasileiro), Eça teve ínumeros contatos com brasileiros e com representantes superiores da sua cultura, tendo convivido intensamente em Paris com um grupo de notáveis, de que destacamos Domício da Gama e Eduardo Prado, um dos seus mais íntimos amigos.

Qual o impacto da crítica de Machado sobre Eça?

Como já referimos a crítica de Machado foi sobretudo de caráter moralista, e bastante mal recebida no Brasil, até pelo excelente crítico Álavro Lins. Foi injusta e muito parcial, embora tivesse razão quanto ao considerar os prejuízos que uma escola literária pode eventualmente fazer a um grande autor, tão imaginativo e fantasista como Eça. Ele reconheceu esse inconveniente, mas salientou, ao mesmo tempo, que tal disciplina ajudou a controlar a sua fantasia.

Eça era realista e, quase sempre, essa visão era crítica à religião. Como ele resolveu essa contradição?

Pode dizer-se que Eça era um espírito religioso. Manteve sempre uma ternura muito especial pela mensagem evangélica de Cristo, social e humana. Foi, no entanto, extremamente crítico da deturpação que a instituição católica introduziu no cristianismo. Pode dizer-se que foi inteiramente anticlerical. O conto Suave Milagre, escrito numa prosa soberba, é sutilmente uma mensagem anticlerical.

Qual a singularidade de Eça de Queiroz como mestre da língua portuguesa?

A sua fama atingiu um cume inultrapassável com as comemorações de 2000. Eça está à altura de Fernando Pessoa e de Camões. É um mestre inigualável da língua, com uma mensagem clara, objetiva, extremamente atual, de crítica social e política e, nesse sentido, continua a ser o autor português mais citado. Peças como Alves & Cia (os brasileiros fizeram desta novela um filme inolvidável, com Patrícia Pilar na protagonista): o conto José Matias e A Cidade e as Serras, são valores intemporais que se leem e releem com inusitado prazer.

Na sua opinião, que obras de Eça ficaram mais datadas e que obras resistiram melhor à prova do tempo?

A obra literária de Eça é  muito variada e demonstra uma singularidade muito sinuosa, que é a de um escritor rebelde, que nunca se sujeita a disciplinas de escola. Essa singradura que passou por diversas fases, desorientou os comentadores e ainda hoje não está inteiramente compreendida. Prova-o à saciedade o que se tem dito de uma obra-prima intitulada A Relíquia. Eça começou por textos de uma descabelada fantasia, tornou-se realista depois da viagem ao Oriente, escreveu depois dois romances magistrais dentro dos princípios do realismo, fez de seguida uma viragem fantasista com O Mandarim e A Relíquia para retomar logo de seguida os princípios da observação objetiva e experimental com Os Maias, entrando na maturidade da última fase com A Cidade e as Serras, A Correspondência de Fradique Mendes e a Ilustre Casa de Ramires. Não vejo que qualquer dos gêneros literários que praticou tenha envelhecido. Harold Bloom, o grande crítico norte-americano disse que A Relíquia tinha hoje a mesma frescura e atualidade com que apareceu em 1878. Os Maias, um clássico intemporal, é e continua a ser a sua obra mais citada.

Ainda se lê Eça de Queiroz ou ele é autor soterrado na era da internet?

O segredo da sua permanência é a procura exaustiva da expressão literária simples e objetiva. Como ele escreveu: “Na arte, quando forte, fina e superior a simplicidade resulta sempre dum violento esforço, quase doloroso esforço. Não se coordena com clara elegância uma concepção, não se atinge uma expressão fácil, concisa e harmoniosa, sem longas tumultuárias lutas em que arquejam juntas Espírito e Vontade…” Eis o seu essencial segredo como criador. Da sua perenidade falam por si os Contos, talvez a sua mais notável expressão literária, A Relíquia e, é claro, Os Maias.

Conheça os títulos: A Ilustre Casa de RamiresA Relíquia, Os Maias, O Primo Basílio e Cidade e as Serras, obras escritas por Eça de Queiroz. E não deixe de conferir também o livro Eça de Queiroz: Uma Biografiaescrito por A. Campos Matos.

Poética Múltipla

Mario Bresighello | Folha de S. Paulo | Seção: Guia Folha | Pág. 3/15 28 de fevereiro de 2015

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O poeta Francesco Petrarca (1304-1374) foi o primeiro escritor da literatura italiana cujos manuscritos e esboços chegaram até nós. Isso permite compreender as etapas do seu processo criativo, no qual impunha aos textos constantes correções, revisões, cortes, acréscimos e mudanças, muitas vezes alterando-os tanto na forma como na estrutura.

O ápice desse processo é o Cancioneiro,  obra que levou 40 anos para ser finalizada. Logo obteve um sucesso vastíssimo e tornou-se um modelo não só na Itália, mas em toda a Europa. Sua importância pode ser medida pela influência que exerceu ao fundar uma das mais importantes e duradouras tradições literárias que reverberou nas gerações seguintes de poetas e continuou a ser imitada ao longo dos séculos.

Em sua forma definitiva, como o conhecemos hoje, o conjunto de composições aparentemente autônomas do Cancioneiro é formado por um proêmio e por 365 poemas. Ao concebê-lo, Petrarca lançou mão de múltiplas formas poéticas, “no vário estilo que eu razoo e choro”, como baladas, sextinas, madrigais, canções e sonetos.

Nos 317 sonetos do livro, aperfeiçoa e eterniza a forma herdada de Giacomo da Lentini, poeta italiano do século 13, e que também fora usada por Dante Alighieri. Os poemas agrupam-se com precisão para traçar um desenho narrativo feito de reflexões e de análises de sentimentos.

Protagonista absoluto do Cancioneiro é o proprio poeta, um eu dilacerado e dividido em que convivem, sem se anular, paixões terrenas (o amor por Laura, o desejo de glória), desejos sexuais que se se contrapõem ao sentimento religioso e aspirações de pureza.

Esta nova tradução vem acompanhada de cronologia, de discretas ilustrações e de uma interessante introdução em que o tradutor, o poeta e ensaísta José Clemente Pozenato, explica as motivações de sua empreitada.

Conheça aqui a obra Cancioneiro, de Francesco Petrarca.