Monthly Archives: setembro 2014

POESIA – 1

O Estado de S.Paulo | Caderno 2 | Pág. C4 | Sábado, 27 de setembro de 2014

Duas décadas

Ademir Assunção (Jabuti 2013) celebra 20 anos de LSD Nô, sua estreia, com uma edição especial da obra que terá capa dura, 11 poemas inéditos e tiragem de 120 exemplares. Ela sai em outubro pelo selo Demônio Negro e Patuá, que lançam, ainda, o novo mínima mímica, com poemas curtos escritos em viagens.

Conheça também as obras A Máquina Peluda e Adorável Criatura Frankstein, do mesmo autor.

ENCONTRO – DIA DO TRADUTOR

Folha de S.Paulo | Caderno Ilustríssima | Pág. 02 | Domingo, 28 de setembro de 2014

Comemorada no dia de São Jerônimo (30), a data será lembrada pelo Instituto Goethe com laboratórios de tradução: em SP, Petê Rissatti verterá para o português trechos de “Wie es Leuchtet”, de Thomas Brussig. No Rio, Marcelo Backes trabalhará com “Vor dem Fest”, de Sasa Stanisic. A Unicamp também celebra a data com o evento “E por falar em tradução” (inscrições abertas), no Instituto de Estudos da Linguagem, que reúne pesquisadores de todo o país em debates, oficinas e mesas-redondas.

Livraria Cultura – Conj. Nacional

Tel. (11) 3170-4033

Livraria Cultura – Cine Vitória

Tel. (21) 3916-2600

ter. (30), às 12h30 | grátis

IEL-Unicamp

Tel. (19) 3521-1511

de 1° a 3/10 | R$ 30 | Inscrições em

iel.unicamp.br/evento/eporfalaremtraducao

Conheça as obras traduzidas da Ateliê Editorial

Lista de obras para o vestibular Unicamp 2016.

A Universidade de Campinas (Unicamp), que terá a partir da edição de 2016 programa próprio para leitura de seu vestibular, já divulgou sua lista. Confira abaixo as obras para o vestibular da Unicamp 2016.

Poesia:
Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do Mundo.
Luís de Camões, Sonetos.

Contos:
Clarice Lispector, “Amor”, do livro Laços de Família.
Guimarães Rosa, “A hora e a vez de Augusto Matraga”, do livro Sagarana.
Monteiro Lobato, “Negrinha”, do livro Negrinha.

Teatro:
Osman Lins, Lisbela e o Prisioneiro.

Romance:
Almeida Garret, Viagens na Minha Terra.
Aluísio Azevedo, O Cortiço.
Jorge Amado, Capitães da Areia.
José de Alencar, Til.
Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Mia Couto, Terra Sonâmbula.

Ateliê Editorial na reta final da 56ª edição do Prêmio Jabuti.

14-04-2014-06-09-55_logo jabuti_quadro_informe_232px_310pxNesta semana o Prêmio Jabuti, uma das mais respeitadas premiações do mercado editorial nacional, divulgou os dez finalistas de cada uma das 27 categorias da sua 56ª edição. A Ateliê Editorial não ficou de fora, sendo indicada em 3 categorias com 4 obras.

Os jurados agora terão até o dia 16 de outubro para indicar os três melhores em cada uma das categorias e os vencedores serão conhecidos no dia 18 de novembro, em cerimônia no Auditório Ibirapuera.

 

 

Confira as obras da Ateliê indicadas a 56ª edição do Prêmio Jabuti

Projeto Gráfico:
Clichês Brasileiros de Gustavo Piqueira – 9º lugar

Teoria/Crítica Literária:
Melancolias, Mercadorias de Walter Garcia – 9º lugar

Tradução:
Fragmentos do Narciso e outros poemas, tradução de Júlio Castañon Guimarães – 3º lugar
Gérard de Nerval – Cinquenta Poemas, tradução de Mauro Gama – 7º lugar

 

Para mais informações sobre a premiação e seus finalistas, visite o site da 56ª edição do Prêmio Jabuti.

O renascimento de Sofia

Diogo Guedes | Jornal do Commercio Seção: Caderno C | Pág. 01 | 13 de setembro de 2014

Sidney reescreve o primeiro romance, lançado há 20 anos, e cai na estrada para divulgá-lo. É a terceira versão para a obra

Um romance nunca termina para a maioria dos escritores, enquanto o texto continuar na suas mãos, haverá mudanças, aperfeiçoamentos, testes, transformações. O cearense radicado em Pernambuco Sidney Rocha é um grande exemplo disso: publicou há 20 anos o livro Sofia, uma ventania para dentro (Fundape), que ganhou o Prêmio Osman Lins, mas a história não parou de se mover. Saiu em outra versão, bilíngue e modificada, pela Ateliê Editorial, em 2005. Agora, o autor publica uma terceira versão da narrativa, chamada só de Sofia, completamente alterada, com edição pela Iluminuras.

Sidney começa a viajar hoje pelo Paraná para divulgar a obra, com lançamentos em cidades como Ivaporã, Campo Mourão, Paranavaí, Umuarama e Maringá. “Sempre me senti um escritor inconeluso, mesmo quando termino algo. Nesses anos vim alterando o texto, e isso já é bem visível já na segunda edição. Agora o romance se transformou em um novo romance. Quem leu antes se “reconhecerá nele tanto quanto o novo leitor, de novíssima geração”, conta o autor. “E, ora, o que realmente significa escrever? Escrever é criar um sistema que se valida a cada vez que se escreve. Por isso me sinto à vontade para alterar o que escrevo o tempo todo, se possível.”

Sofia, em todas as suas versões, apesar das grandes singularidades de cada, conta a história de uma paixão por uma personagem misteriosa, que prefere não entender as coisas e nem se prender a elas. O nome dela é repetido, como um pequeno prazer do narrador do volume. Ela provoca uma fascinação equivalente à Lolita de Nabokov – Sidney vê semelhanças entre os narradores das duas histórias, ambos pouco confiáveis apesar da diferença no enredo e na abordagem. “Um romance sobre nada”, esse foi o ponto na minha linguagem que já antecipava Carrero, há 20 anos, na quarta capa da primeira edição de Sofia, lembrando do mesmo desejo: escrever sobre o nada que tinha Flaubert”, lembra.

Segundo ele, as alterações não foram só em palavras, frases ou parágrafos “Capítulos desapareceram e reaparecem noutro formato. Ou se transformam numa única oração. Uma frase ganha peso e compactação de capítulo. Quem ler essa Sofia notará que a proposta é radical e que as alterações durante esse tempo legitimam a personagem: ela quer mudanças, exige. E para mudar, segundo ela, é necessário perder-(se) um pouco. Mas ganhar noutras partes. O livro ganhou arejamento, limpeza, novos pontos de vista”, explica “Mudar de verdade é ser um outro.”

Se Sofia mudou tanto, é um sinal de que Sidney também é outro? “Sim, sou outro paradoxalmente, sendo o mesmo. Esse romance é uma anamnese completa”. Brinca. “Algum dia deverão ler os três livros profundamente para tentar não puramente uma crítica genética, mas para notar como um autor procura uma linguagem própria, que é o que deve buscar sempre um escritor de verdade.”

O próximo livro de Sidney, Geronimo, é também a sua primeira narrativa completa inédita no gênero desde Sofia – nesse intervalo, publicou dois volumes de contos, Matriuska e O destino das metáforas, vencedor do Jabuti. Geronimo, como é de se esperar de um autor 20 anos mais experiente, é uma obra muito distinta da primeira. “Há pontos que sempre estarão lá, nos dois, mas como eu disse ao Vacatussa: No caminho, a vida tratou de agir com toda a força que podia. Minha literatura sempre refletirá o que sou, por isso será sempre transgressora. Fugi de casa pela janela. Boas maneiras não combinam com literatura”, afirma. “Agora, quero que meus leitores se comportem, e leiam esse livro novo”.

Leia trechos de duas versões de Sofia no canal www.jconline.com.br/cultura 

Cinco capistas que irão fazer você julgar o livro pela capa!

Capistas são os profissionais responsáveis por elaborar as capas dos livros e dar o toque final para a obra. Seus trabalhos tem o poder de despertar a atenção do leitor desatento que vaga em um oceano de obras e mais obras nas diferentes livrarias pelo mundo.

Para mostrar o quão esses profissionais são importantes e que são muito mais do que capistas ou designers, mas sim verdadeiros artistas, escolhemos 5 capistas que mais nos chamaram a atenção e que vão fazer você sim, julgar um livro pela capa.

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Geray Gencer

Geray Gencer é um designer que vive em Istanbul. Sua principal área de interesse é baseada em projetos culturais com forte influência tipográfica, onde transita mutalmente entre o design e as artes plásticas. Seus trabalhos mais recentes já foram expostos em galerias e museus como New York Cooper Union Gallery, Franz Mayer Museum and Wilanów Poster Museum collections.

Conheça mais sobre o trabalho de Geray Gencer

 

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Rodrigo Corral

Rodrigo Corral possui o tipo de trabalho que qualquer pessoa no mundo já viu, mesmo que inconscientemente. Seus trabalhos passam por diversos segmentos do design, que vai do mercado editorial ao cinema, além disso, possui diversas parcerias que levam nomes como Chuck Palahnuik, Gary Shteyngart, Criterion Collection, New York Magazine e The New York Times.

Conheça mais sobre o trabalho de Rodrigo Corral

 

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John Gall

“Eu acho que capas deveriam ser divertidas, pop, inteligentes, convidativas e nada confusas”

Conheça mais sobre o trabalho de John Gall

 

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Paul Shares

Paul Shares vem sendo considerado como um do mais influentes designers gráficos da sua geração. É um frequente colaborador para o The New York Times, redesenhou duas grandes revistas canadenses, construiu e destruiu um carro funerário gigante para a banda They Migth Be Giants, além de aparecer em um filme dos anos 90 da Winona Rider.

Conheça mais sobre o trabalho de Paul Shares

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Alison Forner

Alison Forner é Diretora de Arte da Plume e Hudson Street Press, da Penguin Random House. Seu trabalho foi reconhecido pela Instituto Americano de Artes Gráficas pelas premiações no 50 Books/50 Covers ShowNew York Book Show e no PRINT’s Regional Design Annual. Seu trabalho já passou por casas como HarperCollins, W. W. Norton, Simon & Schuster, The Experiment e Chelsea Green. Alison foi poeta e dançarina profissional antes de entrar para o glamuroso mundo do design gráfico.

Conheça mais sobre o trabalho de Alison Forner

UM LANCE DE DADOS

Folha de S. Paulo Seção: Ilustríssima | Pág. 02 | 07 de setembro de 2014

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A partir do contato de seus alunos de literatura francesa na USP com o poema de Stéphane Mallarmé (1842-98), Alvaro Faleiros lançou-se a uma nova tradução da obra (1897): o resultado, publicado em edição bilíngue que respeita as indicações de formato dadas pelo poeta, dialoga com a célebre tradução feita por Haroldo de Campos. O processo de retradução é tema de ensaio crítico no volume, que se completa com o prefácio original do autor e texto introdutório de Marcos Siscar, poeta e professor de teoria literária na Unicamp.

 

 

 

Um Lance de Dados

AUTOR Stéphane Mallarmé

EDITORA Ateliê/ Unicamp

QUANTO R$ 40,00 (104 págs.)

 

Caro presidente

Folha de S. Paulo Seção: Ilustrada | Pág. E6 | 06 de setembro de 2014

Vencedor nesta semana do Prêmio Literário da Fundação Biblioteca Nacional na categoria conto, por “Você Vai Voltar Pra Mim” (Cosac Naify), o jornalista e escritor Bernardo Kucinski já trabalha em novo projeto.

Vai lançar, pela Edições de Janeiro, uma seleção de cartas que escreveu para Lula durante o primeiro mandato do governo PT (2003-2006), durante o qual Kucinski foi assessor do presidente.

As cartas, em tom impessoal, de relatório, tratam, por exemplo, do início das investigações do mensalão, do começo da abertura dos arquivos da ditadura e da polêmica com o jornalista americano Larry Rohter, que escreveu que Lula bebia em excesso.

“Em vez de se sentir ofendido, o presidente Lula deveria estar orgulhoso de ter virado alvo da fúria do establishment americano. […] Está errada a decisão do governo de acionar o jornal ou o jornalista. Só vai alimentar uma polêmica que não nos interessa. E nunca vai resultar numa condenação”, escreveu Kucinski há dez anos.

Conheça também do mesmo autor a obra  As Cartas Ácidas da Campanha de Lula de 1998.

Interpretações entre a Literatura e a Psicanálise

Renato Tardivo

12'5x20 - 20mm lombadaInterpretações – Crítica Literária e Psicanálise reúne ensaios instigantes sobre o complexo parentesco entre essas duas áreas. Com efeito, as reflexões deste livro não incorrem nos dois problemas mais frequentes quando psicanálise e literatura são relacionadas: 1) a recusa prévia da possibilidade de diálogo, sobretudo por parte dos literatos, que podem ver na psicanálise apenas uma terapêutica ou um fazer normativo; 2) a aplicação direta de conceitos da psicanálise à literatura, de modo que o analista encontre no texto aquilo que ele próprio escondeu. Ao contrário, abordando diversas perspectivas dessa relação, os ensaios são divididos em duas seções: “O Ato Interpretativo”, que inclui reflexões sobre os dois fazeres, tendo a interpretação como mediadora, e “Faces da Interpretação”, que apresenta análises cuidadosas de obras literárias. Não sendo possível falar de todos, a seguir comentarei alguns desses textos.

Abre o conjunto o ensaio de Alfredo Bosi: “Psicanálise e Crítica Literária – Proximidade e Distância”. Recorrendo a clássicos da literatura e importantes pensadores da cultura, Bosi coteja possibilidades e limites implicados na relação entre as duas áreas. Entre os limites, talvez o mais significativo apontado pelo crítico seja o seguinte: “A Psicanálise conhece para curar, é uma ciência com vistas a uma terapêutica; a crítica literária, ao contrário, ao que eu saiba, nunca curou ninguém do vício de escrever, que continua compulsivo e impune”.

No ensaio seguinte, Adélia Bezerra de Menezes empreende um mergulho na “práxis da interpretação” presente nos dois campos e, como se continuasse o texto de Bosi, encaminha a reflexão do primeiro capítulo. Escreve a autora: “No paralelo que vim montando entre Interpretação literária e Interpretação psicanalítica, sempre ressaltando as semelhanças, há que se fazer uma distinção; uma diferença entre a práxis do crítico literário e a do psicanalista. É que, no caso específico da Psicanálise, há uma intenção terapêutica no uso da palavra”. E logo depois: “Essa eficácia terapêutica, no entanto, no encontro analítico, talvez se deva menos a uma ‘vontade interpretativa’ do que a um movimento de verbalizar, a um nomear, a uma passagem à palavra […] Assim, nem seria propriamente a interpretação que conta, mas mais propriamente a possibilidade que se oferece da presença de um outro atento, e que – para usarmos os termos de Riobaldo, em Grande Sertão: Veredas – ‘ouve com devoção’”. Ou seja, vislumbra-se aqui uma psicanálise cujo fim não é a cura pelo conhecimento, mas a vivência de um método que, em seu fazer específico, guarda semelhanças com a literatura.

Em “Uma Visita aos Sonhos na Arte: Grete Stern e Henri Matisse”, João Frayze-Pereira propõe no âmbito da “psicanálise implicada”, aquela que “respeita a singularidade da obra e constrói interpretação para ela, derivando-a dela, na justa medida dela”, duas aproximações: primeiro com uma série de fotomontagens da fotógrafa alemã Grete Stern, depois com uma mostra de obras de Matisse. Com efeito, as interpretações propostas pelo autor são precisas em sua poeticidade, e os sonhos visitados, na arte, comunicam-se com os sonhos para a psicanálise.

Talvez o ensaio mais denso do livro seja “Escrita e Ficção em Psicanálise”, de Joel Birman. Nele, o psicanalista empreende um resgate da história da psicanálise, retoma aspectos importantes do pensamento de Freud, pontua as obras em que as questões aparecem e, em um texto esclarecedor, fundamenta a tese da “presença inequívoca da dimensão ficcional do psiquismo”. Com efeito, o deslocamento da teoria da sedução para a teoria do fantasma empreendido pela psicanálise, quer dizer, a distinção proposta por Freud entre realidade psíquica e realidade material, traz como decorrência a dimensão ficcional do psiquismo: cuja ordem é sexual, é atravessado pelo desejo e contém os fantasmas – mediadores entre o sujeito e o acontecimento real. Dessa perspectiva, problematizam-se todas as modalidades de registro, não apenas em psicanálise ou literatura, mas na história, que seria, portanto, também ela atravessada pela ficção.

A seção dedicada às análises apresenta ensaios saborosos que acrescentam sentidos ao leitor que já tomou contato com as obras e funcionam como convite à leitura daquelas que o leitor ainda não conhece. A temática do espelho, cara tanto à literatura quanto à psicanálise, o Unheimlich, definido por Freud como “o estranho que é familiar”, o Édipo, enfim, esses e outros temas relevantes comparecem nas interpretações lançadas às obras de, entre outros, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Chico Buarque.

Por fim, vale dizer que o livro – organizado pelas também autoras Cleusa Rios P. Passos e Yudith Rosembaum – resulta interessante para o estudioso da área, mas, conquanto os ensaios não sejam herméticos, servirá ao leitor que, no mínimo, viva a literatura e se inquiete com a complexidade da mente humana.

Conheça mais sobre a obra Interpretações – Crítica Literária e Psicanálise

 

Coluna Resenhas - Renato Tardivo

Renato Tardivo é escritor e psicanalista. Mestre e doutorando em Psicologia Social (USP) e professor universitário, escreveu os livros de contos Do Avesso (Com-Arte) e Silente (7 Letras), e o ensaio Porvir que Vem Antes de Tudo – Literatura e Cinema em Lavoura Arcaica (Ateliê).