Monthly Archives: outubro 2013

Vídeo do livro Edição e Revolução: Leituras Comunistas no Brasil e na França

Marisa Midori Deaecto e Jean-Yves Mollier (orgs.)

Edição e Revolução: Leituras Comunistas no Brasil e na FrançaEdição e Revolução foi inspirado nos jovens leitores. Nesta nova geração que aprendeu rápido a lidar com diferentes mídias, sem, contudo, ignorar o poder deste objeto que nos seus mais de dois mil anos de existência foi alvo de censuras, fogueiras, rebeliões e revoluções. Bastando lembrar que ele mesmo, o livro, vivenciou suas próprias revoluções. A batalha do livro se situa, portanto, na luta pela renovação do próprio objeto e na manutenção de sua aura transformadora. Dupla missão que se delega às novas gerações, sem, contudo, olvidar o tempo que passou. Assim o amor aos livros, motor de tantas batalhas. Assista o vídeo:

Participe do lançamento em São Paulo, sábado, 26 de outubro

Leia o release do livro

Ateliê ganha mais um Jabuti

O livro Esplendor do Barroco Luso-brasileiro, de Benedito Lima de Toledo, publicado pela Ateliê Editorial, venceu, em primeiro lugar, na categoria Arquitetura e Urbanismo, o 55º Prêmio Jabuti.

A cerimônia de entrega dos prêmios aos vencedores será no próximo dia 13 de novembro, às 19h30, na Sala São Paulo (Praça Júlio Prestes, 16, São Paulo, SP), ocasião em que serão anunciados os Livros do Ano de Ficção e Não Ficção. Este é o 16º Jabuti conquistado pela Ateliê Editorial. Ao final deste post segue lista com os outros livros da editora contemplados com o mais tradicional prêmio literário brasileiro.

Esplendor do Barroco Luso-brasileiro

Benedito Lima de Toledo

Esplendor do Barroco Luso-brasileiroResultado de extensa pesquisa do autor, Esplendor do Barroco Luso-brasileiro oferece ao leitor a oportunidade de ingressar e usufruir da riqueza do universo do Barroco com suas emoções e sua capacidade de surpreender e despertar inquietações. O Barroco é diverso e se mostra como uma imagem coerente, um sistema em que tudo se mistura e se reintegra numa unidade original. Como explicar essa unidade evidente e esse ser profundo do Barroco? A explicação só pode ser feita pelas várias tentativas, pelos múltiplos esforços do homem, tanto ontem como hoje, numa série interminável de acasos, de acidentes e de êxitos repetidos.

O objetivo deste livro é mostrar que essas experiências e esses êxitos só podem ser compreendidos se forem tomados no seu conjunto; mais ainda, que eles devem ser comparados entre si, que a luz do presente ajuda a esclarecê-los, que é a partir do que atualmente se vê que se avalia e se compreende o passado – e vice-versa. O Barroco é um excelente pretexto para se apresentar um “outro” modo de abordar a história. Porque o Barroco, tal como podemos vê-lo e amá-lo, é, sobre o seu passado mais extraordinário, o mais claro de todos os testemunhos.

Benedito Lima de Toledo é arquiteto, formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, professor titular do Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto da FAU-USP. Autor de vários projetos de restauração e reconversão de bens culturais, como Instituto Caetano de Campos (SP), Colégio Alemão na Praça Roosevelt (SP), edifícios em São Luís (MA), Vila Itororó (SP), entre outros, e autor de vários livros, como Álbum Iconográfico da Avenida Paulista, Anhangabahú, Prestes Maia e as Origens do Urbanismo Moderno em São Paulo, Frei Galvão: Arquiteto (Ateliê Editorial), entre outros.

Os Jabutis da Ateliê

O Mistério do Leão Rampante, de Rodrigo Lacerda – (Romance, Jabuti, 1996)

Enlouquecer o Subjétil, de Jacques Derridá e Lena Bergstein – (Produção Editorial, Jabuti, 1998)

Corola, de Claudia Roquette-Pinto – (Poesia, Jabuti, 2002)

Demanda do Santo Graal: Das Origens ao Códice Português, de Heitor Megale – (Crítica Literária, Jabuti, 2002)

Orlando Furioso, de Ludovico Ariosto / Pedro Garcez Ghirardi – (Tradução, Jabuti, 2003)

Daquela Estrela a Outra, de Giuseppe Ungaretti / Haroldo de Campos, Aurora F. Bernardini e Lúcia Wataghin – (Tradução, Jabuti, 2004)

Finnegans Wake, de James Joyce / Donaldo Schüler – (Tradução, Jabuti, 2004)

A Imprensa Confiscada pelo Deops, de Maria Luiza Tucci Carneiro, Boris Kossoy – (Ciências Humanas, Jabuti, 2004)

Guimarães Rosa: Fronteiras, Margens, Paisagens, de Marli Fantini Scarpelli – (Crítica Literária, Jabuti, 2005)

Mistérios do Dicionário, de João Alexandre Barbosa – (Crítica Literária, Jabuti, 2005)

A Balada do Velho Marinheiro, de Samuel Taylor Coleridge / Alípio Correia de Franco Neto – (Tradução, Jabuti, 2006)

O Terceiro Livro do Bom Pantagruel, de François Rabelais / Élide Valarini Oliver – (Tradução, Jabuti, 2007)

Cantigas do Falso Alfonso El Sábio, de Affonso Ávila – (Poesia, Jabuti, 2007)

A Voz e o Tempo, de Roberto Gambini – (Psicologia e Psicanálise, Jabuti, 2009)

Euclides da Cunha: Uma Odisseia nos Trópicos, de Frederic Amory (Biografia, Jabuti, 2010)

Esplendor do Barroco Luso-brasileiro, de Benedito Lima de Toledo – (Arquitetura e Urbanismo, Jabuti, 2013)

Edição e Revolução – Leituras Comunistas no Brasil e na França, Marisa Midori Deaecto & Jean-Yves Mollier (orgs.)

Osvaldo Coggiola

Edição e RevoluçãoO mais importante, neste livro-coletânea, é erguer-se à altura da importância de seu tema. As edições revolucionárias (principalmente comunistas, em suas diversas variantes, ao longo do século XX), buscando constituir um pensamento e uma cultura própria das classes despossuídas, acabaram constituindo um aspecto essencial da cultura de cada país. Para fazê-lo, tiveram que nadar inicialmente contra a corrente e, depois, contra a repressão, inclusive em suas vertentes mais reacionárias e violentas (o nazismo ou o Estado Novo). A experiência da reação e da repressão não fez mais que dotá-la de novas forças e convicções. O paralelo e os vasos comunicantes entre essas trajetórias, na França e no Brasil, vão muito além da escolha, eventualmente arbitrária, de dois países a título de comparação. A experiência francesa é a de um exemplar centro irradiador de cultura de alcance mundial, desde os inícios da era moderna; a brasileira, a de uma exemplar cultura periférica e tardia que busca, e consegue (inclusive “pulando etapas”) situar-se ao nível das exigências e aspirações sociais da contemporaneidade. Os caminhos e cruzamentos da literatura revolucionária franco-brasileira ao longo do século passado iluminam, por isso, um arquétipo para se pensar a história intelectual e política da era contemporânea. Os trabalhos aqui apresentados, redigidos e organizados por pesquisadores de primeira linha de ambas as nacionalidades, delineiam um panorama que estende suas fronteiras para além da filologia bibliográfica (esta, no entanto, exposta com rigor acadêmico irretocável), para situar-se no nervo central da história das ideias e mentalidades. A literatura revolucionária deixa de ser marginal, a cultura brasileira deixa de ser periférica: a “cultura comunista” realiza o que o colonialismo cultural iluminista apenas sonhou (e de fato destruiu). Os nove jovens historiadores que aqui comparecem abrem, com os trabalhos reunidos neste volume, uma via de pesquisa e reflexão sem a qual é impossível sequer pensar numa história mundial da era na qual vivemos.

Participe do lançamento em São Paulo, sábado (26), no Centro Cultural Maria Antônia

Contos da Nova Cartilha – Segundo Livro de Leitura, Liev Tolstói

Ateliê Editorial | Assessoria de Imprensa

Contos da Nova Cartilha – Segundo Livro de Leitura – Vol. 1A Ateliê Editorial lança, Contos da Nova Cartilha – Segundo Livro de Leitura. Escrito por Liev Tolstói, traduzido por Aurora F. Bernardini e Belkiss Rabello, e ilustrado pelas crianças da Escola Infantil de Artes n. 9, da cidade de Ijevsk, na Rússia, este livro traz 38 narrativas baseadas em fábulas, histórias reais, contos folclóricos e outros textos que eram usados em sala de aula na escola rural criada pelo escritor russo. Preocupado com a educação das crianças e dos pequenos camponeses, Tolstói produziu muitos livros de histórias para crianças e cartilhas.

Nestes (livros de história e cartilhas), postulava como essencial uma pedagogia nascida da experiência da liberdade, incorporada como prática cotidiana e caminho para o conhecimento das várias ciências do mundo, a pardas atividades da imaginação e da fantasia. (Alcides Villaça)

A Ateliê Editorial já havia publicado o primeiro livro, Contos da Nova Cartilha – Primeiro Livro de Leitura, o segundo sairá em dois volumes, lançados separadamente. Organizada por Belkiss Rabello e com prefácio de Alcides Villaça, esta edição é colorida e traz uma novidade. Com o apoio de Nádia Wolkonsky, Lev Rodnov e Elena Vássina, o Segundo Livro de Leitura conseguiu juntar algumas crianças de uma escola russa, que leram os textos originais, conversaram e depois fizeram as ilustrações. Cada história tem uma ou mais ilustrações, com o nome e a idade do autor.

Um ex-aluno de Tolstói, Vassíli Marózov, que se tornou escritor, narra como ele e seus companheiros ficavam acordados até altas horas para ouvirem os contos, que mais tarde eles mesmos recontavam à sua maneira e Tolstói anotava em suas versões. A tarefa principal do pedagogo, dizia Tolstói, é “conduzir a mente dos alunos através daqueles detalhes que tornam mais fácil a assimilação do saber”.

Acesse os dois livros com um desconto especial

Liev Tolstói nasceu na Rússia em 1828, numa grande propriedade chamada Iasnaia Poliana (campina clara). Filho de uma importante família ligada aos czares, ficou órfão ainda criança. Na universidade, na cidade de Kazan, estudou línguas orientais e direito. Em 1847 recebeu como herança a Iasnaia Poliana. Em seguida viajou por vários países da Europa e regressou à Rússia para administrar as terras e dedicar-se à literatura. Em 1859 criou em sua propriedade uma escola rural para crianças pobres, e ele mesmo escrevia as cartilhas e os livros usados em sala de aula. Seus romances Guerra e Paz e Anna Karenina, são duas das maiores obras literárias de todos os tempos. Perseguido e excomungado pela Igreja, seus últimos anos são de engajamento social. Tolstói morreu em 1910, aos 82 anos de idade.

Mês do Professor na Ateliê: indique um colega e ganhe um livro

Dia dos Professores - site

Conheça a Página do Professor no site da Ateliê Editorial, e tenha benefícios exclusivos, como o desconto de 50% em todos o livros do site (exceto nos Dicionários Grego-Português). É fácil de entrar e de se cadastrar.

Em homenagem ao Dia do Professor, na Ateliê todos os mestres cadastrados no site em Outubro poderão receber um belo presente: escolher até 3 livros de uma lista exclusiva!

Indique um colega professor e ganhe 1 livro grátis

1) Para se Cadastrar na Página do Professor: preencha o formulário do site e envie seu hollerith para professor@atelie.com.br Aguarde por e-mail a liberação do seu cadastro. Acesse o site (www.atelie.com.br) e faça o login na Página do Professor. Pronto! Você tem à sua disposição todo o site com 50% de desconto (exceto nos Dicionário Grego-Português), além de receber sempre informações sobre lançamentos e promoções!

2) Para participar da Promoção: você precisa estar cadastrado em nossa Página do Professor. Basta indicar um colega professor. Quando ele se cadastrar em nossa Página do Professor, você poderá escolher 1 livro de uma lista exclusiva à sua disposição! E receberá o livro em sua casa, totalmente grátis, sem o custo do correio.

3) Quantos professores posso indicar? Cada professor cadastrado poderá indicar até 3 colegas e ter direito a 3 livros grátis, número limite por contemplado.

4) Como saber quem indicou? O professor indicado, quando for se cadastrar em nossa Página do Professor, deve escrever o nome do professor que o convidou no campo Observação. Entraremos em contato por e-mail para saber que livro foi escolhido.

5) Validade da Promoção: essa promoção é válida até o final do mês de Outubro, podendo ser prorrogada. Os cadastros serão liberados até o dia 29 de novembro, prazo final também para a Ateliê Editorial postar os livros escolhidos.

Lista dos livros da promoção:

Espumas Flutuantes – Castro Alves
Várias Histórias – Machado de Assis
A Arte de Argumentar – Gerenciando Razão e Emoção – Antonio Suarez Abreu
O Bicho Urucutum – Paulo Penido
Beira-Mar – Pedro Nava
Contos do Divã – Sylvia Loeb
Estudos de Literatura Brasileira e Portuguesa – Paulo Franchetti
O Poema: Leitores e Leituras – Viviana Bosi, Ivone Daré Rabello, Cláudia Arruda Campos, Andrea Saad Hossne
A Medicina de Os Lusíadas – Pedro Nava
A Biblioteca Imaginária – João Alexandre Barbosa
Âncora Medicinal para Conservar a Vida com Saúde – Francisco da Fonseca Henriquez
Clarice Lispector: Uma Poética do Olhar – Regina Pontieri

“Se eu não fosse seu amigo, você me roubaria?”

Renato Tardivo

Sofia Coppola, jovem cineasta estadunidense, já se notabilizou por uma forma blasé de fazer cinema. A esse propósito, se em Um Lugar Qualquer (2010) ela exagera no estilo “nada acontece”, o significativo Encontros e Desencontros (2003) apresenta um bom contraste entre o minimalismo formal e o encontro desencontrado dos protagonistas (vividos por Bill Murray e Scarlett Johansson) em uma Tóquio repleta de luzes, anúncios, sons, imagens, línguas, pessoas.

Bling Ring

        Seu filme mais recente, The Bling Ring: A Gangue de Hollywood (2013), é uma ficção inspirada em fatos reais. O longa conta a história de um grupo de adolescentes de Los Angeles cujo hobby era invadir mansões de celebridades em Hollywood, revirar seus guarda-roupas e gavetas, roubar objetos de valor, dar uma volta em seus carros luxuosos.

        Antes de virar filme, as invasões provocadas pelos adolescentes foram tema de artigo na Vanity Fair, escrito por Nancy Jo Sales. Com efeito, os jovens não dominavam técnicas elaboradas de arrombamento nem eram especialistas em furar sistemas de segurança. As casas grandiosas estavam lá, praticamente abertas – uma chave debaixo do capacho, um vão não estreito o suficiente para a passagem do corpo de uma menina magra etc. Era fácil entrar.

        A proposta do filme é interessante: em um mercado cinematográfico em que esses mesmos jovens quase sempre aparecem como heróis, modelos a ser seguidos ou, no polo oposto, enquanto outsiders, atiradores suicidas e por aí vai, os jovens filmados por Sofia Coppola não são exatamente uma coisa nem outra. Rostos bonitos, bem cuidados e bem alimentados são também filhos (e frutos) de uma sociedade que promove a diversão instantânea e efêmera a todo custo.

        Para uma parte considerável da crítica, o filme perdeu a chance de explorar a fundo essa outra perspectiva da juventude: são abordados poucos aspectos de seus mundos familiares, o foco tampouco recai sobre seus dilemas existenciais etc. Ora, em se tratando de Sofia Coppola, seria mesmo muito improvável que o filme trouxesse esse tipo de densidade, mas, do meu ponto de vista, nem por isso é superficial. Ao contrário, The Bling Ring cumpre bem o projeto a que se propõe.

        Os muitos estímulos – roupas, músicas, drogas, cores, velocidade –, essa frágil efervescência de que é feita a sociedade do espetáculo é captada pela lente de Coppola sem anestésicos – aquelas sequências introspectivas tão frequentes em Encontros e Desencontros, por exemplo –, salvo exceções. As tomadas internas nos carros trepidam – há inclusive um plano-sequência interrompido por uma colisão de automóveis, como os que estamos acostumados a ver em alguns filmes latino-americanos recentes –, o garoto, escondido em seu quarto, usa sapatos de Paris Hilton e batom, atrizes famosas aparecem (fazendo o papel de si mesmas) quase como figurantes em festas badaladas… Em suma, o filme de ficção é altamente documental.

        Então, se por um lado a direção de Coppola parece mais agressiva, é porque a agressividade pertence ao mundo. E aqui tem lugar a já conhecida sutileza da cineasta, que não espetaculariza uma sociedade já tão espetacularizada. Assim, cenas reais de televisão aparecem poucas vezes, as indicações de que a história é em flashback são minimalistas e, principalmente, a realidade da profusão de imagens e informações é aquela onde o mais é menos e o caminho para se tornar celebridade é cínico: não é que apenas se roubem celebridades (pessoas), rouba-se sobretudo a celebridade (condição).

        “Se eu não fosse seu amigo, você me roubaria?”, pergunta o garoto para a líder do grupo, de algum modo já se colocando no lugar da celebridade que queriam (e iriam) se tornar. A pergunta é pertinente ao extremo e parece abarcar os elementos mais importantes da situação. Sofia Coppola deixa sutilmente o recado de que a reflexão deve partir da realidade, não do filme. E, nesse sentido, seu filme não é superficial. Superficial é este mundo. Somos nós.

Coluna-Resenhas-Renato-Tardivo

Renato Tardivo é mestre e doutorando em Psicologia Social da Arte pela USP e escritor. Atua na interface entre a estética, a fenomenologia e a psicanálise. É professor universitário e escreveu os livros de contos Do Avesso (Com-Arte) e Silente (7 Letras), e o ensaio Porvir que Vem Antes de Tudo – Literatura e Cinema em Lavoura Arcaica (Ateliê).