Monthly Archives: setembro 2013

O fotógrafo Boris Kossoy é indicado ao Prêmio Brasil Fotografia Especial

Fotografia de Boris Kossoy, da série New York VA edição 2013 do Prêmio Brasil Fotografia indicou o fotógrafo Boris Kossoy para o prêmio especial pelo conjunto da obra e sua importante reflexão sobre a fotografia.

A comissão de Premiação foi composta por Cildo Oliveira, Eder Chiodetto Diógenes Moura, Maria Hirszman e Ronaldo Entler.

Natural de São Paulo, Boris Kossoy interessou-se desde jovem pela fotografia, uma paixão que perduraria ao longo de sua vida. Sua obra fotográfica se desenvolveu em quatro grandes áreas: profissional, acadêmica, institucional e artística. Em cada uma delas sua atuação tem deixado marcas e seguidores.

Assim como grande parte dos fotógrafos brasileiros de sua geração, Boris foi um autodidata; sua carreira profissional teve início em 1965 através do Estúdio Ampliart, atuando nas áreas de jornalismo, documentação e publicidade. Prestou serviços para jornais, revistas e veículos como Jornal da Tarde, Última Hora, Quatro Rodas, Manchete, TV Record, paralelamente a uma obra autoral que segue até o presente.

Arquiteto pela Universidade Mackenzie (1965); mestre e doutor pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1977-1979). Iniciou-se no magistério em 1973, instalando o primeiro curso de fotografia da Faculdade de Comunicação Social Anhembi (SP), foi professor também do Curso de Especialização em Museologia, e da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da UNESP (Campus de Bauru). Seu percurso na Universidade de São Paulo teve início em 1987; em 2000 prestou concurso para livre-docência e, em 2002, para o cargo de professor titular de Escola de Comunicação e Artes. Nessa instituição é pesquisador e professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação. Entre outras atividades é coordenador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares de Imagem e Memória (NEIIM/LEER-USP).

Ao longo de sua carreira acadêmica a fotografia foi o centro das investigações em diferentes direções: teoria, história e poética. Enquanto historiador, teórico e pesquisador têm sua obra mais conhecida voltada à investigação da história da fotografia no Brasil e América Latina, aos estudos teóricos da expressão fotográfica e à aplicação da iconografia como fonte de investigação nas Ciências Humanas. Dentre seus trabalhos mais recentes como curador, é de se mencionar: “Círculo Fechado: os japoneses sob olhar do DEOPS” (Memorial da Resistência de São Paulo/Estadão Pinacoteca, 2009); “Horizontes, fotografias de Bruno Cals” (1500 Gallery, NY, 2012) e “Um olhar sobre o Brasil: a fotografia na construção da imagem da nação” (Instituto Tomie Ohtake/Ministério da Cultura/Fundação Mapfre, SP, 2012-2013 e circuito nacional).

Sua carreira autoral como fotógrafo esteve centrada principalmente no realismo fantástico e na busca de elementos de mistério que permeiam as cenas do cotidiano urbano e da natureza, percepção essa que chamou de “mundos paralelos”. Mostras individuais de sua obra fotográfica foram montadas no Museu de Arte de São Paulo, Universidade de Nova York, Centro de La Imagem (México), Museu de Arte da Bahia, Pinacoteca do Estado de São Paulo, além de ter participado de um número expressivo de exposições coletivas. Fotografias de sua criação encontram-se representadas, entre outras instituições, nas coleções permanentes do Museu de Arte Moderna (NY), Centro da Imagem (México, D.F), Instituto Smithsonian (Washington D.C.), Eastman House/Museu Internacional de Fotografia (Rochester, NY), Museu de Arte Moderna de São Paulo, Pinacoteca do Estado de São Paulo, além de coleções particulares.

É ampla a bibliografia sobre sua obra, publicada tanto no Brasil como internacionalmente. Kossoy é autor de 13 livros, entre eles, os clássicos: Viagem pelo Fantástico; Hercules Florence, a descoberta isolada da Fotografia no Brasil; São Paulo, 1900; Fotografia e História; Realidades e Ficções na Trama Fotográfica; Os tempos da fotografia, o efêmero e o perpetuo; Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro; Boris Kossoy Fotógrafo e Um olhar sobre o Brasil; a fotografia na construção da Imagem da nação (coord.).

Em 1984, recebeu do Ministério da Cultura e da Comunicação da França, a condecoração: Chevalier de L’Ordre des Arts ET des Lettres pelo conjunto de sua obra.

O Ministério da Cultura e Porto Seguro Cia de Seguros Gerais convidam para a abertura da exposição dos trabalhos premiados, no dia 22 e outubro, às 19h, Espaço Cultural Porto Seguro, na Avenida Rio Branco, 1489.

Conheça os livros de Boris Kossoy publicados pela Ateliê Editorial

Uma sinfonia da linguagem

Renato Pompeu | Carta Capital

Coisas do Diabo Contra, de Eromar Bomfim

A chamada crise de criatividade da literatura nestes tempos pós-modernos parece na verdade um fenômeno da mídia que só dá divulgação a obras feitas segundo o padrão mercadológico consagrados pelos best sellers mundiais. Pois o fato é que a literatura brasileira deste século XXI produziu até o momento pelo menos três obras primas, os romances Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, O Rastro do Jaguar, de Murilo de Carvalho, e este Coisas do Diabo Contra, do baiano radicado em São Paulo Eromar Bomfim, obra que pode ser definida como “pós-pós-moderna” ou como “ultramoderna”.

Trata-se de uma sinfonia complexa em linguagem totalmente elaborada, quase clássica, como a de Os Lusíadas, de Camões, em que o tema central, o assassínio como aspiração ao sublime, transforma-se em seu contrário, a demonstração de que o mundo contemporâneo, em especial a elite da cidade de São Paulo, sempre se apoiara, ao longo dos séculos, na horrenda matança em massa, seja nas guerras, seja nas bandeiras, ou no trabalho como exploração do ser humano pelo ser humano. A paulistanidade entendida como metáfora do mundo, esvai-se em vivências entre realistas e oníricas de paisagens urbanas fantasmagóricas, doentias e sublimes.

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Leia a resenha escrita por Renato Tardivo

Medeia, de Eurípedes

Medeia, de Eurípides

Ateliê Editoral | Assessoria de Imprensa

A Ateliê Editorial lança nova tradução de Medeia, primeiro texto de Eurípides, base da encenação teatral na Atenas de 431 a.C., que reelabora o mito de Jasão, grego que traiu um juramento, e da princesa cólquida, Medeia, bárbara que clama pelo valor da palavra empenhada. Traduzida pelo grupo Trupersa (trupe de tradução de teatro antigo), esta edição bilíngue vem preencher uma lacuna há muito existente entre as publicações nacionais de traduções de textos clássicos e antigos, apresentando uma “tradução brasileira coletiva funcional e cênica”. Excluindo as adaptações violentas que modificam, reescrevem e mutilam os textos antigos, as publicações de teatro grego no Brasil, em geral, são dedicadas a uma elite intelectual de acadêmicos e artistas selecionados. A tradução erudita e sofisticada que chega às mãos de atores, diretores e encenadores não se adéqua à encenação para o grande público.

A Trupersa é um grupo heterogêneo que uniu jovens de orientação acadêmica à gente de teatro, sob a coordenação de Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa, professora de língua e literatura gregas da Faculdade de Letras da UFMG. O grupo também contou com a colaboração da atriz e diretora Andréia Garavello, que cuidou dos aspectos propriamente cênicos do projeto e desempenha o papel de Medeia na montagem da peça. Foram três anos de convivência entre a Pós-Graduação em Estudos Literários da Faculdade de Letras da UFMG e a Pós-Graduação em Estudos da Tradução do Centro de Comunicação e Expressão UFSC, proporcionada pelo Programa Nacional de Cooperação Acadêmica da Capes. O grupo reuniu em torno de dez pessoas.

A Medeia da Trupersa substituiu a figura de um único tradutor por um colégio de tradutores que, por meio de múltiplas sensibilidades, explorou uma história bem conhecida, ampliou as possibilidades de recepção e interpretação e imprimiu ao novo texto os efeitos que ele deverá produzir em cena. E já vem produzindo, antes de se fixar no papel, já foi testado em parques e praças da periferia de Belo Horizonte, sempre com público heterogêneo e, segundo alguns, despreparado para textos eruditos. Também em faculdades e universidades, na UFMG e em outras, embrenhadas nos mais remotos lugares de Minas Gerais. Até agora, o texto agradou.

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Faça-nos uma visita na PUC-SP

A Ateliê Editorial estará presente no Espaço EDUC a partir de hoje, dia 16 de setembro, até o dia 21, sexta-feira, com uma seleção de diversos livros de seu catálogo e um desconto de 30% em todos eles. Venha conhecer nossos livros!

Espaço EDUC – Editora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Rua Ministro de Godoi, 969 (térreo, ao lado da lojinha da PUC)
Perdizes, São Paulo – SP
Aberto ao público durante os horários de aulas

Homem Polivalente – Incomparável e genial Da Vinci

Luiz Fernando Vieira | A Gazeta – Cuiabá | 31 de setembro de 2013

Os Cadernos Anatômicos de Leonardo da VinciComo o médico Roy Glover, professor de Anatomia e Biologia Celular da Universidade de Michigan, que revolucionou ao criar uma exposição de corpos humanos reais dissecados e preservados por um processo de “plastificação”, Leonardo da Vinci (1452-1519) elaborou um dos mais incríveis estudos sobre anatomia. A diferença é que o artista plástico e inventor italiano fez isso entre os séculos 15 e 16, criando um clássico tanto sob o ponto de vista científico como artístico. O estudo está no livro Os Cadernos Anatômicos de Leonardo da Vinci (Editoras Unicamp e Ateliê).

Na obra estão mais de 1200 desenhos anatômicos de Da Vinci, distribuídos em 215 gravuras feitas em preto e branco que mostram a diferença entre um gênio e um mero desenhista.

Os registros são conhecidos por sua extraordinária beleza e precisão. Tamanha que eles antecederiam, em muito, trabalhos análogos que viriam a aparecer até o século XVII. O problema de Da Vinci é que ele não chegou a terminar e publicar o trabalho. Se o fizesse poderia ter revolucionado a medicina décadas antes do belga Andreas Vesaluis, chamado de “Pai da Anatomia”, que publicou seu De Humani Corporis Fabrica em 1543.

O material é fruto de 15 anos (1498 a 1513) de trabalho do artista, que desenhou órgãos e elementos de vários sistemas do corpo humano. Antes de partir para o registro, Da Vinci leu muitas obras de autores da medicina pré-renascentista, como Galeno de Pérgano (129-200), Mondino dei Luzzi (1270-1326) e Avicena (980-1037). Para aprofundar os estudos, participou de muitas dissecações de corpos humanos e de animais. Ele não só se preocupou em ver os órgãos e sistemas, mas procurou entender sua dinâmica, a forma como funcionavam, o que enriqueceu ainda mais o estudo.

Da Vinci foi além do que costumavam fazer os chamados “artistas-anatomistas”. Os autores do livro Charles O’Malley (Universidade de Stanford) e L.B Saunders (Universidade da Califórnia) explicam que era comum eles se aproximarem dos médicos para aperfeiçoar seus traços. Mas no caso do pintor italiano criador da Mona Lisa a anatomia era algo mais do que um simples coadjuvante da arte. Por isso ele adquiriu conhecimentos que ultrapassaram e muito os necessários para desempenhar sua arte, explicam os escritores.

Os próprios Charles O’Malley e J.B Saunders não se conformaram em fazer o básico para registrar os estudos de Da Vinci. Passaram um bom tempo organizando e traduzindo as anotações do italiano para o inglês. Na edição, as figuras foram dispostas em ordem cronológica com o objetivo de apresentar, passo a passo, o aprimoramento do artista italiano como anatomista. Além disso, para facilitara apreensão dos conteúdos, as informações foram organizadas em nove grandes áreas de estudo: Sistema Esquelético, Sistema Muscular, Anatomia Comparada, Sistema Cardiovascular, Sistema Nervoso, Sistema Respiratório, Sistema Digestório, Sistema Urogenital e Embriologia. As anotações de Da Vinci que acompanham as imagens oscilam entre um tom descritivo e explicativo e outro um tanto quanto autobiográfico e anedótico.

O mesmo zelo se pode atribuir aos tradutores para o português. O trabalho foi realizado pelo cirurgião cardíaco Pedro Carlos Piantino Lemos, professor de Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a tradutora Maria Cristina Vilhena Carnevale, e levou dez anos.

São 520 páginas e informações que explicam detalhadamente o lado anatomista do gênio italiano. Como acréscimos, Lemos criou marcações que ajudam o leitor a ligar o desenho ao comentário a que se refere. Os tradutores também inseriam termos médicos atuais que ajudam na localização do que foi descrito por Leonardo, pois na época boa parte do organismo humano ainda não tinha nome.

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O AUTOR – Leonardo da Vinci foi pintor, escultor, músico, cientista, arquiteto, engenheiro, inventor. Talvez nenhuma outra figura personifique tanto o ideal humanista do Renascimento quanto ele. Um homem polivalente que não se contentava em dominar uma dada técnica artística ou em registrar os mecanismos de uma invenção. Guiado por uma curiosidade insaciável, ele procurava entender o porquê dos diferentes fenômenos. Seus escritos, interesses e reflexões permitem acessar os mais variados aspectos de sua mente incisiva, questionadora e investigativa que, não por acaso, mergulhou na aventura científica de estudar e representar os elementos constitutivos do corpo humano. (Com assessoria)

Livro, de Michel Melot

Revista ANL | Setembro de 2013

Livro, - Michel MelotLivro, traz ensaio sobre esse objeto, o grande suporte da comunicação escrita na cultura ocidental, que remonta à lenta passagem do uso de rolos em papiro, para a descoberta do pergaminho, até a invenção do códice a partir da dobra do papel fixado em tábuas. Qual seria o milagre desse objeto, nascido há mais de dois milênios, eminentemente moderno por sua forma cúbica, matemática, industrial muito antes de o ser, que triunfou do rolo até se tornar o “tijolo elementar” do pensamento ocidental?

Nesta obra, delicadamente diagramada, para compreender o poder fenomenal do objeto livro, o autor investigou sua topografia e sua arquitetura, desceu até sua anatomia profunda, percorreu suas dobras, suas costuras, suas fibras físicas e simbólicas. E ainda interrogou suas relações estranhas com as três religiões chamadas “do Livro”, o profano, o comércio e o político, e a liberdade de pensar, de sonhar e de desejar. Contrariamente ao saber digital, o livro, nascido da dobra, fecha-se sobre si mesmo, solidário de sua mensagem. Seu espaço é concebido para produzir uma autoridade, ou mesmo uma transcendência. Confere ao conteúdo a forma de uma verdade e a credita ao autor.

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Michel Melot nasceu em 1943 em Blois. Após ter sido diretor do Departamento de Estampas e Fotografias da Biblioteca Nacional, diretor da Biblioteca Pública de Informação do Centro Pompidou, Michel Melot foi presidente do Conselho Superior das Bibliotecas. Ele também é autor de La Sagesse du Bibliothécaire entre outros.

Contrafluxo de Consciência

Renato Tardivo

Coisas do Diabo Contra, de Eromar Bomfim

Dalton Trevisan, Sérgio Sant’anna, Raduan Nassar; mais recentemente, Luiz Ruffato, Marçal Aquino, Rinaldo de Fernandes, Marcelino Freire. Pode-se dizer que já há uma tradição em histórias cruéis na literatura brasileira; histórias em que diversas formas violentas de transgressão da lei ocupam papel central.

Coisas do Diabo Contra, romance de Eromar Bomfim, insere-se nessa temática. O livro se destaca inicialmente pelo projeto gráfico (ao fim, aliás, o leitor poderá relacionar aspectos materiais do livro com a trama narrada): antes do primeiro capítulo, uma série de fotografias de primeiros planos de uma metrópole alude a um cotidiano sombrio e feito de interrupções. E são justamente as interrupções que movimentam essa história: a morte que traz morte em uma cadeia interminável que transborda para a própria linguagem.

Matias Tavares de Aragão, após a morte da esposa, sente-se impelido a matar um homem. Leopoldo Tavares de Aragão, seu filho, presencia o gesto que trará desdobramentos para a sua vida e, por extensão, para a história (narrada por um empregado de Matias). O leitor talvez encontre aqui algo de Camus: as personagens erram contra si mesmas e, assim, constroem (ou destroem?) a sua trajetória (e a dos outros). Ao fluxo de consciência, contudo, equilibram-se descrições da geografia da cidade de São Paulo. Com efeito, um dos méritos do romance é este entrelaçamento entre mundo interno e mundo externo, consciência e mundo.

A banalização do mal, na trama, talvez seja alegórica das modalidades de vínculos que estabelecemos na contemporaneidade, mas com uma diferença fundamental. Enquanto no cotidiano (aquele das fotografias do início) o crime se presta à desimplicação dos sujeitos, em Coisas do Diabo Contra, o movimento é radicalmente oposto: ao escancarar que a história se movimenta pelo desligamento, o leitor certamente sairá deste livro mais implicado ao mundo em que vive e que constrói/destrói.

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Coluna Resenhas - Renato Tardivo

Renato Tardivo é mestre e doutorando em Psicologia Social da Arte pela USP e escritor. Atua na interface entre a estética, a fenomenologia e a psicanálise. Foi professor universitário e escreveu os livros de contos Do Avesso (Com-Arte) e Silente (7 Letras), e o ensaio Porvir que Vem Antes de Tudo – Literatura e Cinema em Lavoura Arcaica (Ateliê).