Melancolias, Mercadorias – Dorival Caymmi, Chico Buarque, o Pregão de Rua e a Canção Popular-Comercial no Brasil, de Walter Garcia

Autor apresentou Melancolias, Mercadorias como tese de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Literatura Brasileira da USP, dando continuidade à pesquisa iniciada em Bim Bom: a contradição sem conflitos de João Gilberto (Paz e Terra, 1999)

Participe do lançamento: 10 de junho na Livraria da Vila – Fradique

Melancolias, Mercadorias: Dorival Caymmi, Chico Buarque, o Pregão de Rua e a Canção Popular-Comercial no Brasil“Iêê abaráá!”; “Ô acarajé ecô olalai ô Ô / Vem benzê-ê-êm / ’Ta quentinho.”, Assim se entoa na canção de Dorival Caymmi, A preta do acarajé, gravada pela primeira vez em 1939. “Gostosa / Quentinha / Tapioca.”, e assim, na canção de Chico Buarque, Carioca, gravada em 1998. Neste livro, o autor analisa essas duas canções, que são interpretadas como momentos de passagem de um sistema da música popular brasileira, percebido em sua formação, nas primeiras décadas do século XX, e em sua ruína, na virada para o século XXI.

A cena narrada na primeira se passa numa Salvador que ainda carrega modos coloniais, ao inicio do século XX, com mercadoras ambulantes apregoando às “dez horas da noite”. O narrador da segunda perambula e contempla o Rio de Janeiro ao final do mesmo século, já com o eixo do país situado na vida urbana, e a economia mundial, em fase de capital globalizado. No entanto, esse narrador também principia o seu relato com um pregão de comercio ambulante.

Este livro mostra a transição das formas populares de tradição oral, dentre as quais se destaca o pregão de rua, para o disco e o rádio. Já em meio à ruína do sistema, o jingle, ferramenta sonora da publicidade e do marketing, parece ter assumido o lugar do pregão. A fim de esclarecer essas duas passagens, que apontam para um amplo processo cultural e econômico, o autor examina A preta do acarajé e Carioca na complexidade de suas formas: letra, melodia, harmonia, acompanhamento rítmico e dimensão comercial. E também são analisadas outras obras, não só de Caymmi e de Chico como de diversos autores.

Este trabalho guarda, assim, algum parentesco com o ensaio, seja pela pretensão de estudar um processo social extenso, seja por voltar-se para uma série de conhecimentos na tentativa de fazer jus à complexidade dos objetos – teoria literária, linguagem musical, comunicação jornalística, técnica publicitária, historiografia. O método de interpretação inclui, até mesmo, a proposta de um novo instrumento de análise para o ritmo do canto. Mas o leitor perceberá que a abordagem multidisciplinar tem um objetivo bem claro: pensar a trajetória do Brasil por meio da crítica de sua música popular.

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Walter Garcia é professor da área temática de Música do Instituto de Estudos Brasileiros da USP. É autor de Bim Bom: a contradição sem conflitos de João Gilberto (Paz e Terra, 1999) e organizador de João Gilberto (Cosac Naify, 2012). Violonista e compositor, produziu o CD Canções de cena (Cooperativa Paulista de Teatro, 2004) para a Companhia do Latão.

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