Monthly Archives: maio 2013

A Transmutação Metalinguística na Poética de Edgard Braga, de Beatriz Helena Ramos Amaral

Reynaldo Damazio | Guia da Folha | 25.5.2013

A Transmutação Metalinguística na Poética de Edgard BragaA trajetória do poeta Edgard Braga (1897-1985) é curiosa. Iniciou na poesia como simbolista, sofreu influência do estilo parnasiano, passou pelo modernismo (era médico e fez o parto dos filhos de Oswald de Andrade) e acabou se relevando como autor inovador a partir do contato com o movimento concretista, no final dos anos 1950.

Ao fazer um balanço das ousadias poéticas e gráficas de Braga, Augusto de Campos destacou o espanto com “a liberdade total da criação, (…) livre das convenções livrescas”.

O livro de Beatriz Ramos Amaral, também poeta e musicista, analisa a obra de Braga sob a perspectiva da operação metalinguística, tentando captar os momentos de transição criativa, do verso tradicional à mistura de desenhos, grafismos, colagens e a reconfiguração do próprio suporte do livro. Acesse o livro na loja virtual da Ateliê

Os Cadernos Anatômicos de Leonardo da Vinci

Mario Bresighello | Guia da Folha | 27.4.2013

Os Cadernos Anatômicos de Leonardo da VinciA genialidade polivalente de Leonardo da Vinci (1452-1519) está sintetizada nas investigações anatômicas que realizou entre 1485 e 1515. São esboços e desenhos de membros e órgãos de corpos humanos que o próprio Leonardo dissecava, à noite e às escondidas, em hospitais de Florença, Milão e Roma.

Compilados após sua morte, os trabalhos, de forte impacto visual, são acompanhados dos comentários do artista na escrita “ao contrário” inventada por ele, nos quais interpreta os conhecimentos que adquiria com a atividade.

Se, num primeiro momento, pode-se pensar que ela servia para que aperfeiçoasse sua linguagem figurativa, fica evidente que, pouco a pouco, ganha precisão e método de pesquisa científica, sem deixar de ser uma experiência estética única.

Os “Cadernos Anatômicos” chegaram a Inglaterra no século 17 e pertencem à família real inglesa. Lá permanecem desde então, como parte do acervo da biblioteca do Castelo de Windsor. Foram publicados pela primeira vez na primeira década do século 20.

Autor: Leonardo da Vinci

Tradução: Pedro Carlos Piantino Lemos e Maria Cristina Vilhena Carnevale

Editora: Ateliê Editorial e Editora Unicamp

Avaliação: Ótimo

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Participe do lançamento de A Arte da Automutilação na Vila Mariana (SP)

A Arte da AutomutilaçãoA Arte da Automutilação

Felipe Lion

A Arte da Automutilação é um livro que absorve pela abordagem distinta de cada poema, alguns com toques de realismo mágico, outros com o perfume romântico de sonetos do século XIX…

Felipe Lion é assim, a um só tempo, imprevisível e comprometido: um verdadeiro cidadão-cultural.

A bem-vinda inquietude do autor nos propõe uma obra arrebatadora – leitura indispensável para alimentar a alma.” Laura Wie Saiba mais

 

Convite para o lançamento

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A Caça, um filme que aproxima dois continentes

A Caça

Mari Merlim | Fotografia e Cinematografia

Com muito orgulho, tenho o prazer de anunciar um projeto novo, inédito e que vai fazer História, além de contar uma.

A Caça será o primeiro curta-metragem a respeito do Congo, dirigido por um congolês e falado no dialeto “lingala”. Não se tem registro ainda de nenhum filme falado no dialeto local do país e sob esse contexto!

O sonho da realização e a iniciativa são do nosso querido amigo Refslim Mimpiya, que chegou ao Brasil há alguns anos para fazer Cinema e agora quer compartilhar com os brasileiros um pouco mais da cultura de sua nação, e relacioná-la ao Brasil.

O enredo da história trata de uma fábula que circula no Congo, a respeito de um caçador que, sem sucesso na caça da floresta e tendo de alimentar sua família, encontra um demônio e faz um pacto com ele. O gênero do filme é uma mistura de suspense, terror e fantasia.

Para fechar com um elenco perfeitamente adequado, o diretor Refslim Mimpiya e a produtora Giulia Milori buscam em São Paulo, homens e mulheres congoleses, que falem  “lingala” com fluidez. Os castings acontecem na cidade de São Paulo mesmo.

As gravações acontecerão em agosto desse ano, em uma fazenda tradicional  da cidade de São Carlos, a Fazenda Santa Maria (conhece?),  um local histórico que dispõe de locações adequadas ao ambiente cinematográfico. Agora, nesta fase da produção, nossa equipe busca parcerias e patrocínios de diversos setores do mercado e todas as pessoas interessadas na ideia,  para fortalecermos a projeção do filme, estruturar sua realização e torná-lo um registro marcante da História. Saiba como ajudar o projeto

Assista o vídeo para entender mais sobre o projeto:

Crítico lança estudo de fôlego sobre Machado e Henry James

Marcelo Pen compara romances dos escritores, mestres da ambiguidade

Idelber Avelar  | Folha de S. Paulo | 11.5.2013

Realidade Possível: Dilemas da Ficção em Henry James e Machado de AssisNa eleição do objeto, já se revela o crítico e a escolha de Marcelo Pen Parreira. Realidade Possível: Dilemas da Ficção em Henry James e Machado de Assis traz uma análise comparativa sobre o escritor americano (1843-1916) e o brasileiro (1839-1908).

Mais que quaisquer outros de sua época, James e Machado têm em comum o trabalho minucioso com o ponto de vista e a voz do narrador. Ambos realizaram operações revolucionárias sobre a base do romance realista então dominante, distanciando-se dele.

Eis aí o fundamento de uma comparação pioneira, que ainda não havia recebido um estudo de fôlego. O livro é baseado na tese de doutorado do autor, defendida em 2007.

Marcelo Pen analisa Memorial de Aires (1908), último romance de Machado, e Os Embaixadores (1903), parte do trio de obras-primas da maturidade de James, que inclui também As Asas da Pomba (1902) e O Vaso Dourado (1904).

Pen identifica tanto em Machado como em James uma arte antiaristotélica, que mantém a tensão ao máximo, mas sem resolvê-la: uma arte da alusão, da elipse e da ambiguidade.

Em meio à leitura dos dois romances, Pen volta aos albores das carreiras de ambos e identifica, em Eugene Pickering (1874) e Ressurreição (1872), o início do trabalho com a voz narrativa que depois os caracterizaria.

Leitura Detalhada

Os leitores interessados na vida intelectual francesa do século 19 encontrarão um rico material no livro. Pen reconstrói os debates gerados pela revista Revue de Deux Mondes, na qual se articularam críticas incisivas ao detalhismo e ao foco na vida externa, próprios do realismo. Tanto James como Machado foram leitores assíduos da publicação.

Pen é o tradutor da bela edição de Os Embaixadores publicada em 2010 pela Cosac Naify. Os capítulos sobre Machado dialogam principalmente com a tradição uspiana.

A ambos os autores, Pen dedica leitura detalhada, cheia de atenção às filigranas do texto.

Por isso, o livro é de interesse limitado para não especialistas, mas sem dúvida é um acréscimo indispensável à bibliografia da literatura comparada no Brasil e à fortuna crítica de Henry James e Machado de Assis.

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Morre o poeta, crítico e professor da FFLCH, Antônio Medina Rodrigues

Fonte: USP

No dia 12 de maio foi sepultado o corpo do professor Antônio Medina Rodrigues no Cemitério Gethsemani.

O docente, autor de Utopias Gregas, lecionou no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas (DCLV) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), era doutor em Língua e Literatura Grega pela FFLCH, poeta, crítico e tradutor.

Medina trabalhou também na Casa do Saber e escreveu sobre literatura e cultura em jornais como O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. Além disso, teve seus cursos de literatura exibidos pela TV Cultura de São Paulo.

Pela Ateliê Editorial o professor escreveu o prefácio e notas de Memórias Póstumas de Brás Cubas, da Coleção Clássicos Ateliê.

Vergonha da Condição Humana

A Caça

Renato Tardivo

Há mais de um século, Sigmund Freud, fundador da psicanálise, propôs a existência da sexualidade infantil. Como era de se esperar, houve muita resistência a essas ideias – e, ainda hoje, há muita discordância. O célebre trabalho de Freud em que elas aparecem são os “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade Infantil”, publicado em sua primeira versão em 1905.

Há mais de meio século, psicanalistas da primeira geração de pós-freudianos, talvez Melanie Klein mais notadamente, aprofundaram o conceito de pulsão de morte, inaugurado por Freud, ao afirmarem a presença de sentimentos como o ódio desde a mais tenra infância. O clássico Inveja e Gratidão, no qual Klein propõe que bebês vivenciam o ódio e a inveja, foi publicado em 1946. Polêmicas à parte, a assunção de que crianças podem ser más foi reconhecida pela humanidade ainda mais tardiamente e, ao que tudo indica, tem encontrado forte resistência até hoje.

Essas questões são o mote do perturbador A Caça, mais recente filme do dinarmaquês Thomas Vinterberg; cineasta pertencente ao movimento Dogma 95, do qual também faz parte Lars von Trier, diretor dos clássicos Dançando no Escuro e Dogville. Vinterberg consagrou-se em 1998 ao dirigir um dos filmes mais importantes do cinema contemporâneo: Festa de Família.

Em A Caça, que rendeu o prêmio de melhor ator na última edição do Festival de Cannes para Mads Mikkelsen, uma mentira propagada por uma menina, acusando um professor de creche (melhor amigo do pai dela) de abuso sexual, atinge proporções bárbaras.

O enredo de A Caça dialoga com outros filmes do movimento Dogma: a maldade extrema pautada pela injustiça (Dançando no Escuro), o caráter excludente de grupos (Dogville), a complexidade dos vínculos familiares (Festa de Família e Melancolia). Mas, nesse filme de Vinterberg, há a inclusão de um novo elemento: a infância.

A Caça não é um filme sobre sexualidade ou abuso sexual; é de agressividade que se trata. As dificuldades que a humanidade encontra para se abrir ao diferente e as tendências agressivas para manutenção da (suposta) ordem, isto é, a falta de compaixão pelo outro complexifica-se aqui ao se expor que nem as crianças estão imunes a tais feridas. Mas o filme não culpabiliza a infância. Em vez disso, A Caça é um tapa na cara de uma coletividade que, ao não elaborar questões primitivas, permanece infantilizada – e deixa esse legado para as gerações mais novas.

A questão no Brasil, vale dizer, é atualíssima, em tempos de debate sobre a pertinência da redução da maioridade penal. Adultos infantilizados resolverão o problema culpabilizando as crianças? No filme A Caça, desfeitos os mal-entendidos, a suposta reconciliação entre o professor e aqueles que o retaliaram é apenas mais uma forma de expressão da hipocrisia sobre a qual se pauta a sociedade. Nesse caso, não poderíamos pensar como uma saída analogamente hipócrita a caça a menores infratores? Seja como for, o filme de Vinterberg é uma daquelas (necessárias) obras que envergonham o espectador de sua condição humana.

Os Cadernos Anatômicos de Leonardo da Vinci

Angélica Barros | Revista de História da Biblioteca Nacional

Artista, engenheiro, matemático, cartógrafo, músico, inventor, geólogo. Além desses predicados, Leonardo da Vinci (1452-1519) era um exímio anatomista. Com seus desenhos, ele compôs um estudo extraordinário de referência para o conhecimento do corpo humano. Estes cadernos trazem o que pretendia ser um pioneiro tratado de anatomia, que nunca foi terminado, reunindo desenhos e esboços resultantes de uma pesquisa de 15 anos (1498-1513), e a dissecação de dois corpos humanos. Traduzido inicialmente do italiano para o inglês, a obra surpreende pela minúcia de cada uma das 250 gravuras e mais de 1200 desenhos.

O trabalho foi organizado cronologicamente para facilitar a leitura, o entendimento e a evolução nas descrições do artista. Inclui ainda textos de referência detalhada das anotações do autor e um pequeno mapa de indicações para que o leitor possa apreciar cada um dos desenhos em sua plenitude. Saiba mais sobre o livro

Revista de Historia

TV Cultura entrevista Beatriz Amaral e Augusto de Campos

Beatriz Amaral lançou recentemente A Transmutação Metalinguística na Poética de Edgard Braga

Para Augusto de Campos, “Beatriz Amaral soube mapear com acuidade o percurso especulativo de Edgard Braga, cuja obra, especialmente a mais radical, fulcrada no desenho e na caligrafia, veio a influenciar toda uma nova geração de poetas como Walter Silveira, Tadeu Jungle e Arnaldo Antunes.” Leia o release

Assista abaixo a entrevista do programa Metrópolis. Se o vídeo não carregar, clique aqui.