Monthly Archives: abril 2013

A Transmutação Metalinguística na Poética de Edgard Braga, por Beatriz Helena Ramos Amaral

A Transmutação Metalinguística na Poética de Edgard BragaLivro de Beatriz Amaral ilumina a trajetória e a linguagem de Edgard Braga

Maria Cecília de Salles | Revista Germina

Passados já quase 112 anos de seu nascimento (10 de outubro de 1897), Edgard Braga, um dos mais inovadores poetas e artistas gráficos do século XX, continua pouco lembrado entre nós, para não dizer quase desconhecido, nas antologias de literatura consultadas por alunos do ensino Fundamental e Médio. Em muitas, seu nome nem sequer aparece; em algumas, ele é só citado, junto com outros, contemporâneos seus, como José Lino Grunewald, Ronaldo Azeredo e Pedro Xisto. Quando se incluem exemplos, geralmente, só os poemas de autoria dos irmãos Campos e Décio Pignatari; encontrei em uma única coletânea o poema “Chuva”. Traduzido para vários idiomas, em diversas coletâneas dos anos sessenta, acabou se tornando mais conhecido fora do Brasil.

As razões de tal esquecimento? Várias, entre elas certamente está o vestibular, cujo foco distancia-se da poesia concreta. Sabe-se que a maioria das escolas estruturam seus currículos nos programas exigidos pelos grandes vestibulares. E os professores, premidos pelo cumprimento de tais metas, reservam pouquíssimo tempo ao concretismo e outras vertentes poéticas que surgiram depois dos anos 50, como a poesia marginal. Nos cursos de Letras e na Pós-Graduação, o poeta Edgard Braga ainda é pouco estudado e divulgado. Prova disso é que, nas bibliotecas da PUC-SP e da USP, para citar duas importantes universidades paulistas, não se encontra nenhuma dissertação ou tese sobre ele depois de 2005, quando no programa de Literatura e Critica Literária da PUC-SP, sob a orientação de Olga de Sá foi defendida a dissertação A Transmutação Metalinguística na Poética de Edgard Braga, de Beatriz Helena Ramos Amaral, cuja publicação ora se dá, pela Ateliê Editorial, em sua coleção de Estudos Literários.

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No cinema, dois papéis sob medida

O Estado de S. Paulo | 12.03.2013

“Não tem um papel pra mim?”, perguntou Gilberto Mendes, já nonagenário, num encontro com o casal Tragtenberg – Lívio, compositor, e Rita, cineasta -, quando soube que ela estava rodando o longa New Gaza. Não havia papel, mas Rita tratou de rapidamente arrumar-lhe uma ponta. Criou o papel do avô gói do personagem principal, um judeu ortodoxo falido, mas de fino faro comercial, que tira a sorte grande em pleno Bom Retiro ao abrir uma fabriqueta e contratar bolivianos clandestinos para fazer bandeiras dos EUA e exportá-las para o Oriente Médio, atendendo ao florescente mercado dos protestos árabes em que se queimam tantas bandeiras americanas.

O conto original, Processo de Paz, passa-se no Oriente Médio. Rita é que o transplantou para SP. E é de outro nonagenário ativíssimo, Jacó Guinsburg, de 92 anos, chefe da Editora Perspectiva. “Gravei duas cenas, uma aqui em casa, outra no ferryboat do Guarujá”, diz Gilberto, entusiasmado como um menino com sua estreia como ator aos 91 anos. O filme deve estrear ainda este ano na telona.

Entrementes, Gilberto já faz um “warm up” para voltar ao set de filmagem proximamente: “Serei um pianista de cabaré da área portuária de Santos. Vou tocar piano, imagine”. O longa, que inicia filmagens em 2013, tem a direção de seu filho Odorico Mendes, e é um policial. / J.M.C.

Outras Figuras na Canção de Chico Buarque

Figuras do Feminino na Canção de Chico BuarqueRenato Tardivo

Figuras do Feminino na Canção de Chico Buarque, ensaio de Adélia Bezerra de Meneses, mapeia o tema da mulher na obra do compositor. Com erudição e, ao mesmo tempo, linguagem acessível, o livro é todo ilustrado com reproduções de Di Cavalcanti, Ismael Neri, Volpi, entre outros, o que amplia as possibilidades de sentido contidas no título da obra – “figuras do feminino” –, e evidencia que as imagens não estão a serviço das ideias mas compõem, também elas, o movimento reflexivo proposto pelo livro.

Nessa medida, se a escrita de Adélia é atravessada pela filosofia, sociologia e psicanálise, a comunicação entre música e artes visuais também permeia a reflexão, da capa à contracapa, em um texto cuja experiência estética fatalmente trará ao leitor as canções de Chico como mais um componente para a fruição do livro. O próprio Chico Buarque, talvez o mais importante artista em atividade do Brasil, trafega por diferentes linguagens – música, teatro, literatura. O ensaio acerta, pois, ao trazer diversas figuras em seu movimento de interpretação: é a obra mesma de Chico Buarque que solicita tal pluralidade.

Acompanhando as nuances das composições do músico, Adélia Bezerra de Meneses dá conta da leitura reflexiva de inúmeras canções, sem que, com isso, o ensaio resulte desamarrado ou, mesmo, sem cair no clichê “Chico é o maior entendedor da alma feminina etc.” Com efeito, a distribuição das análises em capítulos temáticos dá conta das especificidades sociológicas e afetivas, e, dentro destas, das diversas formas que as figuras do feminino se apresentam.

“Quem é essa mulher?”, canta o músico em “Angélica”. “A resposta a essa pergunta”, escreve a autora, “tão reiterada no corpo da canção, encontra-se fora dela […] Desgraçadamente, não há metáforas aqui: as coisas devem ser tomadas na sua literalidade”. Como se sabe, “essa mulher”, Angélica, é Zuzu Angel, estilista que morreu no Rio de Janeiro em um “acidente de carro esquisito e nunca explicado” ao lutar “para deslindar o caso do desaparecimento e morte do seu filho Stuart Edgard Angel Jones”, preso durante a ditadura militar.

Não menos desgraçadamente, há metáforas em “Mulheres de Atenas” ou “Com açúcar, com afeto”; canções que evidenciam marcas de uma sociedade machista. Contudo, “nem sempre a mulher é apresentada como a paladina dos valores da pessoa humana”. A autora, então, também explicita situações em que Chico Buarque opera “uma verdadeira desmitificação da mulher”, como em “Sob medida” e “Se eu fosse teu patrão”.

O ensaio começa com a célebre pergunta de Sigmund Freud – “O que quer a mulher?” –, “questão que remete ao desejo feminino”, mas não só; remete, como escreve a autora, “ao desejo humano”. É assim que, ao explorar as diversas nuances atribuídas ao feminino nas canções de Chico Buarque, Adélia Bezerra de Meneses conclui que a pergunta de Freud deve ser reformulada (e não revelarei a reformulação proposta pela autora, para não estragar a surpresa do leitor).

Mas, cabe dizer, se a ensaísta se autoriza a repensar a questão de Freud, é porque encontra na obra de Chico Buarque, que lê e reescreve com sensibilidade e rigor, motivos suficientes para considerar que muitas são as formas assumidas por essas figuras.

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Participe da mostra fotográfica de Flavio Meyer na Casa da Fazenda

Entrada livre
A natureza de Flavio Meyer

A Natureza de Flavio Meyer

Intérprete de universos poéticos, o fotógrafo Flavio Meyer traduz com sua sensibilidade a natureza, de maneira a exaltar seu espírito e colher emoções em cada imagem. Através do olhar do artista a natureza revela-se em momentos raros e lugares mágicos de onde extrai a essência da realidade para tecer em matizes vibrantes cenas lúdicas e florestas encantadas. As imagens dão voz a variadas espécies e nos inspiram a meditar sobre os delicados ciclos da vida, o frágil equilíbrio dos ecossistemas e sobre a natureza como expressão direta da força criadora do universo que deu sentido às nossas vidas.

Crítica

“A fotografia de Flavio Meyer contêm a realidade acrescida de poesia, é um modo de reter o Devir instantâneo de um fluxo, ela não congela, ela desdobra o visível.” Flavio Viegas Amoreira – jornalista, escritor e crítico de arte
“Flavio Meyer projeta numa dimensão épica uma cenografia emblemática que a luminosidade e o cromatismo dinamizam” Emanuel Von Lauenstein – presidente do Instituto do Patrimônio Histórico
“É graças a artistas de qualidade incontestável como Flavio Meyer que a nossa gestão será lembrada no futuro” Mario Flavio Leme de Paes e Alcântara – presidente da Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto
Flavio Meyer

Release: A Transmutação Metalinguística na Poética de Edgard Braga, de Beatriz H. Ramos Amaral

A Transmutação Metalinguística na Poética de Edgard BragaAutora teve acesso a toda obra do poeta, inclusive textos raros, não publicados, e identificou um fio condutor de natureza metalinguística, que vai se transmutando com o passar dos anos.

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Participe do lançamento dia 10 de abril, na Livraria da Vila

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Para Augusto de Campos, “Beatriz Amaral soube mapear com acuidade o percurso especulativo de Edgard Braga, cuja obra, especialmente a mais radical, fulcrada no desenho e na caligrafia, veio a influenciar toda uma nova geração de poetas como Walter Silveira, Tadeu Jungle e Arnaldo Antunes.”

A Transmutação Metalinguística de Edgard Braga, de Beatriz H. Ramos Amaral, revisita todo o longo percurso literário do poeta brasileiro, constituindo um vasto painel de toda sua obra, desde os primeiros trabalhos, publicados nos anos trinta e pertencentes à fase verbal, até as obras editadas em meados dos anos oitenta, de natureza estritamente visual – poesia caligráfica – época em que o próprio Braga desenvolveu seus “taoemas”, poemas tatuados sobre o papel. Tendo tido acesso a toda obra de Edgard Braga, inclusive textos raros, não publicados, Beatriz Amaral identifica um fio condutor de natureza metalinguística, que vai se transmutando com o passar dos anos.

Investigando essas transformações, e analisando um conjunto de vinte poemas de Braga – representativo de suas várias fases – a autora propõe as categorias de “metalinguagem de construção” e “metalinguagem de expressão”, expressões que cunha e com as quais esclarece os procedimentos de transformação de sua poética. Analisa um conjunto de vinte poemas de E. Braga em que explicita sua proposta de estudo. Este livro resulta da dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Estudos Pós-graduados em Literatura e Crítica Literária da PUC-SP.

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Edgard Braga, chamado de “patriarca semiótico” por Haroldo de Campos, nasceu no final do século XIX – em 10 de outubro de 1897, em Maceió. Enviado pelos pais para o Rio de Janeiro, estudou no Colégio Alemão por um ano, até ingressar na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ainda estudante, era revisor do jornal “O País” e começou a escrever crônicas para a revista “A Caneta”. No grupo de seus amigos universitários, estava Cassiano Ricardo. Entre 1917 e 1918, em São Paulo, conheceu Di Cavalcanti, Paulo Setúbal, Menotti Del Picchia e Oswald de Andrade, que se tornou seu grande amigo. Em 1922, envolvido no trabalho de final de curso na Faculdade de Medicina, acabou não participando da Semana de 22. Teve a tese de formatura premiada, fez estudos de pós-graduação na Alemanha e, jamais tendo deixado de escrever, publica em 1933 seu livro inicial. Seguem-se vários livros até 1959, quando intensifica em seu trabalho a exploração da visualidade e dos espaços em branco. Nos anos sessenta, aproxima-se dos criadores da poesia concreta, Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari e com eles, participa da Revista Invenção. Os livros Soma (1963), Algo (1971 – com posfácio de Augusto de Campos), Tatuagens (1976), Murograma (1982) e Infância (1983), trazem as obras da fase mais inventiva e arrojada da poesia de Braga.

Beatriz H. Ramos Amaral é poeta, ensaísta e musicista. Autora de dez livros, entre os quais Encadeamentos (1988) Poema sine praevia lege (finalista do Prêmio Jabuti de 1994), Luas de Júpiter (2007). Gravou o CD Ressonâncias em parceria com o músico Alberto Marsicano. Recebeu o Premio Internazionale Francesco de Michele, de Caserta, Itália. Tem participado de diversas coletâneas no Brasil e exterior e publicado resenhas e artigos em jornais e revistas literárias. Formada em Direito pela USP e em Música pela FASM, é Mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP. Sua dissertação de mestrado, sobre a obra de Edgard Braga, que deu origem ao presente livro, foi finalista do Premio ANPOLL 2008, por indicação da PUC-SP.

A Amazônia de Ermanno Stradelli: Rio, povos e lendas sob o olhar de um explorador italiano

Memorial da America Latina, São Paulo

11 de abril – 20  de maio de 2013
Inauguração: 10 de abril às 18h00, aberta ao público
A Amazônia de Ermanno Stradelli

Entre os numerosos viajantes italianos na América Latina, Ermanno Stradelli (Borgotaro, Piacenza, 1852 – Manaus, 1926) é o que mais amou, respeitou e estudou as civilizações indígenas. Dedicou-se com paixão e muito rigor ao estudo do nheengatu e de outros dialetos falados pelos indios, e tambem à coleta, resgate e divulgação da literatura oral amerindia.

O  Istituto Italiano di Cultura de São Paulo, em colaboração com a Sociedade Geográfica Italiana e a Fundação Memorial, realizou o projeto de uma exposição sobre este extraordinário viajante, que muito contribuiu com a etnografia da Amazônia e que pode ser considerado um verdadeiro mediador cultural entre as civilizações indígenas e o mundo dos “civilizados”.

A exposição  A Amazônia de Ermanno Stradelli. Rio, povos e lendas sob o olhar de um explorador italiano”, apresenta ao público uma ampla seleção de fotografias que o conde Stradelli realizou na Amazônia brasileira durante as suas viagens de exploração (1879-1900). A mostra inclui também documentos originais  – mapas geográficos, cartas, relatos de viagem manuscritos, monografias e revistas da Sociedade Geográfica Italiana – que ilustram a sua trajetória, oferecendo ao mesmo tempo uma ilustração do contexto histórico dos exploradores italianos no século XIX.

Em ocasião da inauguração da mostra (dia 10 de abril às 18h00) será apresentado pela primeira vez o filme Ermanno Stradelli. O filho da cobra grande”, do italiano Andrea Palladino, que narra e documenta as principais etapas da biografia de Ermanno Stradelli, intrinsecamente ligadas à região amazônica. A projeção acontecerá na Sala Video do Pavilhão às 20h00; o diretor Palladino estará presente e responderá as perguntas do público.

No dia seguinte (11 de abril) haverá, ainda, no Anexo dos Congressistas, uma jornada de estudos sobre a personalidade e a obra do explorador, que contará com a presença do Cônsul Geral da Itália, do Presidente da Società Geografica Italiana e de  pesquisadores brasileiros e italianos que, sob diferentes perspectivas, se interessaram ao personagem de Stradelli. O encontro, aberto a todos os interessados, acontecerá das 10h00 às 18h00,no Auditório do Anexo dos Congressistas.

Organizada por Istituto Italiano de Cultura de São Paulo

Em colaboração com Governo do Estado de São Paulo, Fundação Memorial, Centro Brasileiros de Estudos da America Latina, Sociedade Geográfica Italiana, Universidade Federal do Amazonas – Nucleo de Antropologia Visual, Instituto Geográfico Histórico do Amazonas, UERJ, Università di Tor Vergata.
Idealizada e curada por Livia Raponi, Vice Diretora do Istituto Italiano de Cultura de São Paulo.
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Maiores informações:
Istituto Italiano de Cultura de São Paulo
Av. Higienópolis, 436 – São Paulo
e-mail : iicsanpaolo@esteri.it; addetto2.iicsanpaolo@esteri.it; tel. (11) 3660 8888

Um ensaio sobre este objeto

O suporte da comunicação escrita — do uso de rolos em papiro à descoberta do pergaminho e a invenção do códice — a partir da dobra do papel fixado em tábuas

Lincoln Secco | Brasileiros | 01.01.2013

Livro, de Michel MelotO que é um livro? Uma reunião de significados dentro de um conjunto de folhas dobradas. Esta e outras centenas de definições seriam suficientes para conhecê-lo. Em seu belo Livro, Michel Melot procura compreender o livro como objeto. Foi esse conjunto de folhas dobradas, afinal, que venceu outros suportes do texto escrito por volta do século 4 (embora existisse muito antes) e chegou até nós perante nova ameaça: os meios digitais de composição e reprodução de textos. Ora, como o autor nos faz lembrar, livro, texto e escrita são coisas distintas. Na ficção científica de Ray Bradbury (Farenheit 451) há um mundo que persegue o livro para queimá-lo e só uma comunidade de memorizadores perpetua o texto sem a escrita.

O áudio-livro contém um texto e não signos impressos, por exemplo. A própria escrita sobreviveu em outros meios, que relutamos em chamar de livros: tabuinhas, pergaminhos, rolos e, agora, o e-book. Poderíamos chamá-los de livros simplesmente porque carregam textos? Haveria controvérsias, afinal o rolo (volumen) foi o “livro” durante séculos antes do códice (codex). Jesus apenas pregou e o única vez em que o vemos escrever, conta-nos Melot, ele o fez no solo. O que decerto nos faz lembrar o gesto de José de Anchieta no século 16.

Esse objeto que ainda hoje nos encanta venceu, é quase tudo o que sabemos. O Cristianismo entregou seu conteúdo a esse continente. E isso mudou profundamente a noção de livro porque a maneira de ler e a organização do texto em diversos rolos não levavam às mesmas potencialidades do códice. Neste, surgiram as anotações à margem, a pontuação, a separação entre as palavras, o distanciamento da escrita e da fala, a leitura silenciosa em bibliotecas, a leitura perigosa que esconde os pensamentos do leitor, a leitura extensiva com vários livros ao mesmo tempo sobre a mesa em vez da leitura ruminada, em voz alta, de uma vez só…

Michel Melot nos conduz assim a uma questão atual: seria o livro destinado a um fim? Temos diante de nós novas formas de leitura em tempo real. E, de fato, este não é o tempo do livro. Sem querer, o autor nos dá uma bela definição de seu objeto: “O livro tem lugar no espaço, mas ele instala sua leitura na duração”.

O livro, dizem seus amadores, não depende de novas tecnologias. Ele sequer precisa da leitura em certos casos. Como objeto, ele pode ser simplesmente venerado, folheado, colecionado, presenteado, roubado, enfim, amado.

Uma possível “história sexual do livro” o confirmaria. Embora o objeto livro seja uma palavra masculina em muitas línguas (ou neutra, como no alemão), Melot nota que para muitos leitores há uma relação sensual com a leitura que funde o corpo feminino com a materialidade do livro. Ao abri-lo, é como se desfolhássemos o corpo da mulher. Mas se o livro se torna necessariamente um corpo, por que não podemos imaginar o contrário?

J. C. Carrière conta a história de um tipógrafo que descobriu a infidelidade de sua mulher através da carta de um amante. Vingativo, o marido compôs os tipos da carta em sua prensa, atraiu a mulher, despiu-a, amarrou-a e imprimiu nela as palavras do seu amante. O corpo nu e branco tornou-se papel e ela se transformou em um livro para sempre. Afinal, eu poderia me perguntar: se eu escrevesse um texto no corpo da mulher amada, ela se tornaria um livro meu para sempre?

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Michel Melot nasceu em 1943 em Blois. Após ter sido diretor do Departamento de Estampas e Fotografias da Biblioteca Nacional, diretor da Biblioteca Pública de Informação do Centro Pompidou, Michel Melot foi presidente do Conselho Superior das Bibliotecas. Ele também é autor de La Sagesse du Bibliothécaire entre outros.

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Obra de Edgard Braga influenciou Walter Silveira, Tadeu Jungle e Arnaldo Antunes

No próximo dia 10 de abril, quarta-feira, das 18h30 às 21h30, na Livraria da Vila da Lorena (alameda Lorena, 1731 – Jardins – São Paulo – SP), Beatriz H. Ramos Amaral lança o seu livro A Transmutação Metalinguística na Poética de Edgard Braga. Durante o evento, Augusto de Campos, Cid Campos, Alberto Marsicano e a autora farão leituras de poemas de Edgard Braga.

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E Fizerom Taes Maravilhas… Histórias de Cavaleiros e Cavalarias

E Fizerom Taes Maravilhas... – Histórias de Cavaleiros e Cavalarias

Organização de Lênia Márcia Mongelli

Ateliê Editorial | Assessoria de Imprensa

O livro traz 33 artigos sobre matéria cavaleiresca e, entre outras questões, mostra que as aventuras de D. Quixote, de Miguel de Cervantes, não foi o golpe de misericórdia desferido sobre os romances de cavalarias medievais e renascentistas, pois a ideia de Cavalaria continua vivíssima, presente nos imaginários modernos

Em maio de 2011, pela primeira vez no Brasil, foi realizado um encontro internacional sobre matéria cavaleiresca. Esse evento teve organização conjunta da área de Literatura Portuguesa da Universidade de São Paulo (USP – Brasil), do Centro de Estudos Cervantinos e da Universidade de Alcalá de Henares (Madri – Espanha) e da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Portugal). O Congresso Internacional sobre Matéria Cavaleiresca girou à volta do tema “Histórias de cavalarias por terras de Espanha, Portugal e Brasil” – amplo o suficiente para estimular um debate especializado que resultasse na sensibilização para o teor nem sempre bem conhecido dos romances de cavalaria, tanto os medievais, quanto os quinhentistas.

Esse Congresso teve a participação de 91 pessoas: trinta professores estrangeiros, vindos de Espanha, Portugal, França, Itália, Rússia, México, Colômbia, e Argentina; 31 professores brasileiros, dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Pará, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e 30 alunos de pós-graduação, 4 estrangeiros e 26 brasileiros. A seleção dos artigos publicados neste livro tiveram dois requisitos básicos: pertinência temática – estudos sobre a matéria cavaleiresca em prosa ou verso situada, mais ou menos, entre os séculos XII e XVII; e diversificação geográfica, de modo a representar, da melhor maneira possível a universalidade das pesquisas e dos pesquisadores. Os 33 textos reunidos neste livro dão bem a medida desse rico intercâmbio de experiências e informações.

De onde vem o gosto pelos romances ou novelas ou livros de cavalarias? Antes de tudo, de sua natureza fantasiosa – permeada de monstros, gigantes, fadas, castelos, animais estranhos, acontecimentos miraculosos, e de sua apologia do heroísmo guerreiro – com um exército de cavaleiros que, além de vassalos fiéis e imbatíveis, são em geral belos e perfeitos amantes. Mas esses ingredientes aliciantes, pura ficção, estão intrinsecamente plantados na História de seu tempo e são, por isso mesmo e como qualquer boa literatura, uma poderosa fonte de conhecimentos do Homem e da sociedade que o rodeia. Basta conferir a diversidade temática dos artigos reunidos neste livro.

Organizado por Lênia Márcia Mongelli, introdução de Hilário Franco Júnior, e artigos de: Ademir Aparecido de Moraes Arias, Adma Muhama, Adriana Azucena Rodrígues, Alla Markova, Albano Figueiredo, Antoni Rossel, António Manuel Ribeiro Rebelo, Aurelio Vargas Díaz-Toledo, Dominique Barthélemy, Elisa Borsari, Fernanda Olival, Isabel Almeida, Javier Roberto Gonzáles, Jerusa Pires Ferreira, José Carlos Ribeiro Miranda, Isabel Correia, Ana Sofia Laranjinha, José Manuel Lucía Megías, Lidia Amor, Manuel Ferreiro, Maria Ana Ramos, María Carmen Marín Pina, María del Rosario Aguilar Perdomo, Maria do Amparo Tavares Maleval, Mónica Nasif, Nanci Romero, Paulo Roberto Sodré, Piero Ceccucci, Raúl Cesar Gouveia Fernandes, Sílvio de Almeida Toledo Neto, Teresa Amado, Xosé Bieito Arias Freixedo, Yara Frateschi Vieira e Zulmira C. Santos.

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