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Participe da Balada Literária 2012!

Balada Literária 2012
Amantes da literatura preparem-se, pois está próxima a chegada da Balada Literária 2012! O evento terá abertura dia 28 de novembro, quarta-feira, no Centro Cultural b_arco, e encerramento dia 2 de dezembro, no SESC Pinheiros. Com realização de Marcelino Freire e Livraria da Vila, a Balada chega ao seu sétimo ano e homenageia, desta vez, o escritor paulista Raduan Nassar, autor dos clássicos Lavoura Arcaica e Um Copo de Cólera.
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As atrações da Balada envolvem conversas descontraídas sobre literatura, apresentações musicais, projeções de filmes, entre outras. A abertura do evento contará com a apresentação de Marcelino Freire e participação especial de Renato Tardivo, que relançará seu livro Porvir que vem antes de tudo – literatura e cinema em Lavoura Arcaica. Todos os eventos da Balada têm entrada gratuita.
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Saiba mais sobre a Balada Literária e sua programação: http://baladaliteraria.zip.net/
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O Poeta Vingador

Em entrevista à H, Marcelino Freire revela que escreve para se vingar de si mesmo e de um mundo meloso e falso onde o amor é apenas uma ilusão

Marcelino Freire

Hélio Filho | H Magazine | 01/11/2012

O escritor pernambucano Marcelino Freire gostaria de ter o tempo de vida de uma mosca, apenas um dia, porque acredita que a vida é longa demais e a velhice é uma perda de tempo. O que poderia parecer melancolia é apenas indignação frente a um mundo onde, como diz o nome de seu mais novo livro, amar é crime – e principalmente significa correr atrás de um ideal que a própria Literatura criou, um romance ultrarromântico. Marcelino prefere o respeito e a praticidade em um relacionamento.

Em um bate papo recheado de sonoras gargalhadas no Espaço Haroldo de Campos, Casa das Rosas, antiga residência [sic] de um dos maiores poetas brasileiros e símbolo da poesia em São Paulo, Marcelino revela que escreve para se vingar de um mundo intolerante e artificial, onde o sentimento fica escondido atrás de convenções. Mais do que isso, ele é sincero o bastante para dizer que quer se vingar de si mesmo porque acha que poderia ser mais atuante, sair da redoma que protege os escritores e suas ficções.

A vida de Marcelino não é um romance, muito menos uma poesia. É uma prosa solta, clara, direta e sem meias-palavras que diz o que quer para quem precisar ouvir, e espera que esse dizer provoque algo além de uma emoção passageira, mais rápida do que um virar de páginas, mais leve do que o bater das asas de uma mosca.

Você me deu seu mais novo livro e eu fiquei curioso sobre o título Amar É Crime?

Amar continua sendo crime. Eu acho que quando a gente está amando uma pessoa, a gente tem que matar muita coisa dentro da gente pra começar uma relação. Amar é o recomeço de alguma coisa, então você mata algumas coisas dentro de si para se renovar e reviver essas coisas na outra pessoa. Amar é crime também porque às vezes você está vivendo uma grande paixão e esse amor que você está vivendo é crime para o olhar do outro, para a sociedade, aí entra a questão dos ataques homofóbicos e tudo. Para a sociedade aquele amor é crime, aquele amor é errado. Amar é crime também porque em nome do amor muitas pessoas cometem assassinatos e não são julgadas por isso. Eu acho, por exemplo, que a Igreja prega muito o amor, mas ela matou muito em nome dessa pregação do amor. A televisão também. O comércio do amor, o Padre Marcelo (Rossi) com seus discos, com seus livros, com seus DVDs.

Você acha que o amor hoje está diferente? Ele está mudando com o mundo?

Não, o amor é o mesmo. O amor é uma coisa que a gente não consegue explicar, não consegue entender, a gente sente, a gente se aperreia por causa do amor, não é? Esse sentimento aí já vem atravessando o homem há muito tempo, mas o que eu digo é que com esse livro eu quis fazer um testemunho, ou um testamento, dessas relações. Eu percebi que os meus contos falavam de começos de relacionamentos, finais de relacionamentos. Percebi que tinha a questão do preconceito, a questão dos ataques homofóbicos. Aí eu disse, me parece que o amor é crime, me parece que cada vez mais uma pessoa estar vivendo um amor muito intenso, esse amor é crime para o olhar do outro, da sociedade, para o julgamento das pessoas. E também no sentido positivo. O amor é crime também porque ele nos renova, ele mata algumas coisas, alguns vícios, alguns preconceitos que a gente tem e ele nos renova. Então todas essas questões estão nesse livro.

O título é bem forte. Por quê?

Eu sou um escritor muito passional, muito aperreado, aí nos meus títulos eu já quero dizer que, sabe, amar é crime. Eu escrevo para me vingar, aí eu quero me vingar do Padre Marcelo, aí eu digo que amar é crime. Eu acho que de alguma forma eu estou me vingando dele, sabe?

Mas é só o amor que te serve de combustível? Pelo jeito a vingança também.

Não, eu escrevo para me vingar. Posso dizer que escrevo para me vingar de um amor que foi embora, para me vingar de uma paixão que não deu certo, para me vingar de um governo que não caminha, não vai bem. Eu escrevo para me vingar das injustiças sociais, das coisas que me afetam. Esse livro mesmo, quando eu estava fazendo esse livro, fechando para ser publicado, e eu já sabia que ele se chamava “Amar É Crime”, eu já sabia que esses contos falavam de amor, desse preconceito, do julgamento etc., quando começaram a pipocar aqueles ataques homofóbicos em São Paulo. Claro que esses ataques todos já acontecem há muito tempo, mas aí aquele episódio que um garoto tascou uma lâmpada na cara do outro e etc. etc., aí quando eu estava com o livro pronto eu disse que tinha que fazer alguma coisa para que esse livro também abarque ou seja um instrumento da minha indignação. Aí eu lembro de um poeminha que eu fiz faz tempo, um poeminha de amor concreto, que é o que abre o livro, ele é exatamente contra isso, dizendo do meu choque com esse tipo de atitude. Esse poeminha já foi publicado na revista Junior uma vez, eu não digo que é a minha contribuição, mas eu escrevo justamente, volto a dizer, para me vingar, e eu escrevo porque eu quero que meu livro também seja um instrumento dessa minha não-conformação com essa série de coisas.

E tem mais gente que você queira se vingar?

Ah, bastante gente (risos).

Então teremos muitos mais livros de Marcelino Freire?

É muita coisa pra se vingar. É uma vingança também contra mim, eu sou um bundão, eu me sinto um bundão. Eu me sinto impotente diante de tanta coisa, que a gente poderia fazer para mudar alguma coisa, eu me sinto impotente. Digo: porra, eu sou um escritor, escrevo os meus livros, mas eu não posso ser só isso, esse escritor na redoma, esse escritor que escreve e acha que já deu sua contribuição para a sociedade.

Mas você se vê em uma redoma? Não acha que fazendo esse tipo de prosa, mais engajada, provocativa, sai dessa redoma? Quem lê o seu livro é tocado, alguma coisa vai mudar na pessoa.

Eu acho, mas a minha vontade é… eu tenho uma inveja imensa daquelas pessoas que tocam fogo nas vestes e saem correndo, sabe? Aquilo é uma coragem da porra! Coragem extrema, coloca ali aquele querosene e sai correndo. A minha vontade às vezes é fazer isso, mas eu sou um bundão, eu sou covarde demais. Aí eu escrevo e tento ver se a minha escrita de alguma forma se vinga de mim, no sentido de que ela me fale “oh, bundão”. Porque eu sou pacato, a minha escrita é uma escrita que dá vexame, é uma escrita que toca fogo no próprio corpo. Claro que a Balada Literária (www.baladaliteraria.zip.net), que eu organizo em São Paulo há sete anos, é também um instrumento de vingança, um instrumento de atitude diante de tanta coisa que acontece. Eu faço um evento para não ser só esse escritor que escreve, eu tenho que fazer alguma coisa também. Aí eu faço esse evento há sete anos sem dinheiro nenhum porque eu quero que a Literatura esteja presente e viva na vida das pessoas, que ela seja legal, seja algo pulsante. Esse meu desejo, também fora da escrita, é de movimentar uma cena literária.

Bom, você já se vingou de um monte de gente, como você disse, tem mais gente que você ainda vai se vingar, mas e amor? Você amou muita gente?

Eu amei muito pouco, o problema do amor é que é muito caro (risos). Eu vou até dar meu telefone aqui na revista, vai que me ligam. Eu estou solteiro já há um tempo, mas eu na verdade sou muito desligado para essas coisas assim, eu não sei, eu me dediquei tanto à Literatura durante um tempo, com tanta vontade de fazer os meus livros, de fazer esses movimentos que eu faço, não sou desses também de dizer que está em um segundo plano isso aí, não, mas eu também não tenho muito tempo, não acredito muito no amor. Eu acho que é tudo mentira. Mentira da gente. A gente inventa alguma coisa do que gostar. A gente inventa uma possibilidade de gostar, de viver junto, de criar uma vida. O que une um casal é o respeito, o amor a gente inventa. Eu acho que o amor que eu acredito é aquele que tem absoluto respeito pelo outro, a vontade de se unir com outra pessoa para você conseguir as coisas que você quer. É ir junto, tentar modificar a vida da gente, tentar ser um melhor cidadão, pai, filho, irmão. Vamos tentar mudar um pouquinho aqui o nosso quarto, a nossa rua, começar por aqui mesmo. Eu acho que esse é um exercício de amor muito possível na prática, eu acredito na prática desse amor. Já passei essa fase tuberculosa, essa fase daqueles escritores muito românticos. Abandonemos esse romantismo tuberculoso.

É, você não tem livros melosos de mocinhas que sofrem pelo amor e no fim do livro encontram o amor e por aí vai.

Não, não tenho. Uma das pessoas mais importantes da minha vida, que me deram muito exemplo desse exercício, foi a minha mãe. Eu olho para tudo que ela realizou e digo que é aquilo ali que era a personificação de um sentimento bonito, de vontade de crescer, de vontade de exercer a honestidade, o respeito, criar os filhos. Aquilo era uma entrega muito plena. Eu faço isso naquilo que eu escrevo, naquilo que eu organizo com os amigos.

Mas com uma visão assim não fica complicado encontrar alguém para amar? Porque a maioria das pessoas tem a visão melosa do amor.

Aí fudeu, quando fica muito essa coisa de nhem nhem nhem pra cá e pra lá fudeu. Aí meu Jesus, não, pelo amor de Deus! Não, vai-te pra lá! Muito nhem nhem nhem eu não gosto não. Sou mais prático. Vai que é porque não me pegaram de jeito até agora! Vai saber. Não sou meloso.

Têm muitos textos seus no Teatro. Você gosta de Teatro, escreve para Teatro?

Tem bastante sim. Eu vou bastante ao Teatro. No começo do ano que vem o Rodolfo Lima vai voltar a fazer o Bicha Oca, parece que já conseguiu o espaço. É um grande ator, ele fez muito bem o Bicha Oca. Eu adoro Teatro porque eu queria muito ser ator, mas descobri que tinha muito pudor para ser ator. Eu fiz Teatro dos 9 aos 19 anos de idade, mas aos 19 eu desisti porque eu fui ver uma peça uma vez e todos os atores estavam pelados. E era uma peça muito boa, não era uma nudez gratuita. Eu disse “meu Jesus, eu não vou ficar pelado nunca em cena!” Aí eu desisti porque eu seria um ator limitado. E eu também não precisava causar esse vexame à plateia, de ficar pelado, balançando o bilau para cima e pra baixo, então eu desisti.

Hoje em dia você ainda é tímido assim?

Eu tiro roupa, eu faço miséria… Escrevendo. Quando eu escrevo eu não tenho pudor nenhum, mas me colocar em cena assim para fazer um personagem não. Eu queria ser ator, achava muito bonito, quando eu descobri que tinha essa limitação, que eu não seria um ator que ia se entregar completamente, eu desisti. Hoje em dia eu faço um espetáculo, tem um que eu faço com a cantora Fabiana Cozza, de quando em quando a gente se apresenta, mas sou eu como escritor lá, interpretando alguns contos meus, uma espécie de leitura, nada decorado, uma leitura cênica disso. Mas é o autor que está ali, não é o ator. Faço isso também em outros eventos, quando eu vou e posso interpretar um conto meu, ler um conto meu, eu gosto muito. O Teatro me ajudou muito nisso, respeitar os silêncios, as pausas. Quando eu escrevo eu penso em Teatro, quando eu escrevo eu penso em um ator, em uma atriz fazendo, me interpretando. Porque eu escrevo em voz alta, escrevo falando. Aí termino de escrever e vou ler aquilo, ver como está se processando. Por isso que quando os atores vêm para os meus livros, eles reconhecem ali um monólogo pronto, algo que eles podem apresentar. Eu vou escrever agora, entre dezembro e janeiro, o próximo espetáculo do Coletivo Angu de Teatro, que é do Recife. Uma das atrizes é a Ermila Guedes. Adoro e respeito profundamente o grande ator, a grande atriz. Respeito essa entrega do corpo e da alma.

E sobre o que é esse espetáculo?

É sobre velhos. Estou escrevendo meu primeiro romance, vai sair no final do ano que vem pela Editora Record. E paralelo ao romance, estou escrevendo, pela primeira vez, pensando na costura desse espetáculo. Não tem título ainda, mas eu sei que a temática é de velhos, só velhos em cena. Eu tenho vários contos que têm personagens velhos, me fascinam por uma falência múltipla dos órgãos. Eu gosto das falências, do velho quando começa a falhar a memória, a fala, as lembranças, eu gosto dessa falência. Engraçado, eu não gosto de saúde, eu gosto dessa fragilidade, dessa humanidade.

Você se sente velho aos 45 anos?

Não, me sinto bem. Até me deram 10 anos a menos esta semana. Vai ver que é porque eu estava de costas (risos). Eu estou com 45 agora, pode não parecer, mas eu tenho muita preguiça de viver. Toda vez que eu acordo eu digo: de novo? É uma preguiça, mas vamos lá, vamos embora, não estamos aqui pra isso? Aí eu vou lá, faço as coisas. Acho que até para não me sentir tão desocupado, alheio, eu quero dar sentido àquilo que não tem sentido nenhum, sabe? Aí eu escrevo, acho que é exatamente para isso. Mas eu tenho uma preguiça imensa. As pessoas dizem que a vida é muito curta, não, a vida é muito longa. É muita coisa, Jesus. Eu queria ter o tempo de vida de uma mosca, que parece que é um dia. É uma beleza isso, você faria tudo em um dia. Não era não? Aí nascia de novo lá em outra mosca. Mas essas etapas todas, e cresce, e vai estudar, e casa, é um inferno. Eu não casei não, mas menino, pelo amor de Deus, eu vejo os meus sobrinhos casando com 18, 19 anos, aí já engravida não sei quem, vai fazer família, criança, leite, leva menino não sei onde, sogra no domingo.

Você nunca casou?

Não, nunca casei, nunca morei junto. Namorei já, mas não morei junto. Eu adoro fechar meu apartamento e só eu estar respirando ali naquele lugar, mais ninguém. Às vezes vem alguém que fica hospedado em casa durante um tempo, não tem problema nenhum, mas tem uma hora em que me perturba. É o lugar em que eu me isolo, porque eu acho que na verdade eu faço um monte de coisas: viajo, vou daqui, vou dali, então é o momento em que eu fecho ali e pronto. E as pessoas têm uma mania de achar que quem mora sozinho é triste. Tudo bem que eu falo que acho a vida longa demais, mas é porque eu sou trágico.Ou que porque moram sozinhas estão disponíveis sempre. Dizem: “vamos pra casa do Marcelino, estamos chegando aí nesse sábado”. Que conversa é essa? Não venham programar meu final de semana, eu detesto. Não, eu quero acordar primeiro antes de decidir. Eu sou livre demais e as pessoas tentam me prender, mas eu não deixo não.

Qual a palavra que você mais gosta?

Fôlego. É uma palavra bonita.

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Acesse aqui os livros do Marcelino Freire pela Ateliê

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Singular Filosofia

O veio transcendental da prosa de Juliano Garcia Pessanha, cuja obra merece ser descoberta

Juliano Pessanha

Alcir Pécora | Cult | 01/11/2012

O paulistano Juliano Garcia Pessanha (1962) tem produzido uma obra literária consistente, composta até agora de quatro títulos: Sabedoria do Nunca (1999), Ignorância do Sempre (2000), Certeza do Agora (2002) e Instabilidade Perpétua (2009), todos lançados pela Ateliê Editorial. São livros sérios, nascidos de questões que se dão a ver vigorosamente no corpo mesmo de sua forma; não tão isentos de defeitos, pois não buscam terreno batido ou aplainado.

E a principal questão enfrentada por Juliano Garcia Pessanha é justamente a de como habitar de maneira íntegra um mundo dessencializado, tomado por entidades institucionais e figuras blindadas por “homens em serviço”, como ele diz, sem mais quase traço de humanidade. Diante da evidência da devastação contemporânea, ele se pergunta se ainda há possibilidade de fundar – ou melhor, já que se trata de um mundo sem fundamentos -, de “pendurar” um rosto de pessoa numa vida “em aberto”, sem graça e sem metafísica.

A resposta que Juliano oferece em seus livros é um valente e generoso “sim’. É verdade também que a força volitiva do “sim” se esgarça, por vezes, em certa nostalgia heideggeriana do Ser, manifesta, por exemplo, em lances de devaneio sentimental sobre a própria infância infeliz. No pior dos casos, isso acaba resultando num contraponto especular do “narcisismo trabalhista” acusado nos homens “de carreira”. Contudo, não esta aí, de nenhum modo, a versão mais justa de sua obra.

Tornemos ao ponto: na literatura de Juliano Garcia Pessanha, a ideia de “singularidade” do sujeito se inscreve no âmbito de uma noção de “natalidade” dolorosa, que perdura ao longo da vida, surgindo à consciência menos como um esclarecimento do que um abismar-se diante do que parece esquecido ou domado.

Esta é, paradoxalmente, a esperança de que a lucidez se mantém: apenas a dor persistente desse momento resistente à cura e à normalização do curso da vida pode fazer frente ao nada presentificado. A consciência nada tem de plena; como, por vezes, sequer alcança um fio de enredo familiar, mal se distingue de uma espécie de “aparição”, uma presença assombrada.

O paradoxo postula, portanto, que a dor pode se tornar aliada de uma pessoalidade adversa à neutralização da experiência. A busca de si equivale a uma travessia na qual o sujeito nada leva consigo, a não ser uma perigosa “confiança” – uma “esperança radical”, como diria Jonathan Lear – no ser destituído pelo presente, cujo caminho de destruição admite trilhar até o fim.

De maneira apropriada, a realização formal da obra de Juliano Garcia Pessanha se apresenta como um discurso inquieto, dramático e autopensante, análogo à expectativa difícil de encontrar uma vida própria, aberta afetivamente ao outro. O custo imediato a pagar é o enfrentamento das armadilhas e expedientes dos vocabulários à mão: narrativas deliberadamente esquemáticas – literatura prêt-à-porter -, as quais, por isso mesmo, estão impossibilitadas de tocar o abandono e a tragédia na qual existe uma experiência real.

Ainda em termos formais, dois aspectos ajudam a pensar o que ficou dito. O primeiro é a composição estruturada como um cuidadoso arranjo de diferentes gêneros. Alternam-se ensaios filosóficos (ajustadíssimos academicamente, sem que faltem notas, domínio profissional do assunto e bibliografia especializada), com contos, fragmentos de prosa, comentários eruditos, formas breves, como sentenças e aforismos, poemas, além de anotações de caráter manifestamente biográfico e até confessional. Tal variedade de registros logra um notável efeito de expansão de universo de referência da narrativa que se vai construindo residualmente – um fenômeno que, visto pelo lado inverso, também evidencia a potência teórica e analítica da ficção assim elaborada.

O segundo aspecto diz respeito à dinâmica de enredo, análise e afetividade implicada numa narrativa cujo andamento se faz usualmente sem concessões ao romanesco. Juliano a compõe de forma insólita e minuciosa, ora conduzida com sutileza e precisão cerebrais, ora favoravelmente disposta à deslocação de violenta massa de sentimento. Num terreno exíguo de ação, trabalham guindastes espirituais de grandes proporções.

Sincronizando ritmos tão diversos – sutil e analítico, brutalista e afetivo -, Juliano tateia o corpo do discurso em busca de uma espécie de veio transcendental. Aquele, raro, que permanece apto à inscrição de um rosto singular, que é também o de uma autoria.

Juliano Garcia Pessanha estudou direito e filosofia, e é mestre em Psicologia. É professor e dirige oficinas de escrita. Também é autor da trilogia: Sabedoria do Nunca (1999, com textos que ganharam o Prêmio Nascente, promovido pela Abril/USP), Ignorância do Sempre (2000) e Certeza do Agora (2002).

Livro, – Michel Melot

Livro, de Michel MelotLivro traz ensaio sobre esse objeto, o grande suporte da comunicação escrita na cultura ocidental, que remonta à lenta passagem do uso de rolos em papiro, para a descoberta do pergaminho, até a invenção do códice a partir da dobra do papel fixado em tábuas
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No último dia 7 de novembro, durante o Simpósio Internacional Livros e Universidades, promovido pela Edusp, o escritor francês Michel Melot lançou pela Ateliê Editorial seu novo livro, Livro, e ainda participou de um debate sobre o tema “A Escrita dos Livros”. Nesta obra, para compreender o poder fenomenal do objeto livro, o autor investigou sua topografia e sua arquitetura, desceu até sua anatomia profunda, percorreu suas dobras, suas costuras, suas fibras físicas e simbólicas. E ainda interrogou suas relações estranhas com as três religiões chamadas “do Livro”, o profano, o comércio e o político, e a liberdade de pensar, de sonhar e de desejar.
Como escreve Michel Melot sobre a relação autor e livro: “Desde que o texto transborda da capa para se expandir sob a forma de tomos, séries, tiragens, periódicos e bases de dados, vê-se bem que o autor se quebra, se dispersa, se desfaz e acaba por se evaporar. Seus direitos, adquiridos por sua residência nessa unidade que é o livro, são dilapidados nas contestações sem fim. O direito do autor não está ligado às suas ideias, mas à sua inscrição no espaço. O autor possui suas ideias na mesma condição de um proprietário fundiário” (pp. 115-116)
Qual seria o milagre desse objeto, nascido há mais de dois milênios, eminentemente moderno por sua forma cúbica, matemática, industrial muito antes de o ser, que triunfou do rolo até se tornar o “tijolo elementar” do pensamento ocidental? Contrariamente ao saber digital, o livro, nascido da dobra, fecha-se sobre si mesmo, solidário de sua mensagem. Seu espaço é concebido para produzir uma autoridade, ou mesmo uma transcendência. Confere ao conteúdo a forma de uma verdade e a credita ao autor. Acesse o livro na Loja Virtual
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Michel Melot nasceu em 1943 em Blois, na França. Foi diretor do Departamento de Estampas e Fotografias da Biblioteca Nacional da França, diretor da Biblioteca Pública de Informação do Centro Pompidou, e presidente do Conselho Superior das Bibliotecas. Ele também é autor de La Sagesse du Bibliothécaire entre outros.

A ponte bandeirante

Viaduto do Chá ampliou o horizonte do paulistano, pondo fim a um confinamento espacial de 350 anos

José de Souza Martins | O Estado de S. Paulo | 11.11.2012

Viaduto do Chá (1929)

Os 120 anos do Viaduto do Chá, completados no dia 6, merecem registro e análise pela importância que ele teve na transformação do povoado paulistano na cidade que São Paulo é. Por ele, São Paulo atravessou do passado em direção a um novo presente e ao futuro. Tanto no real quanto no imaginário. Ele foi a Lei Áurea da cidade, libertando-a do confinamento espacial a que esteve condenada por 350 anos. O Viaduto do Chá, inaugurado em 1892, demolido em 1938 e substituído pelo que hoje conhecemos, mudou a economia da cidade, mas principalmente alterou a mentalidade dos paulistanos.

Num painel de bronze do século XIX, no Cemitério da Consolação, no túmulo antigo dos operários da Fábrica de Chapéus de Adolfo Schritzmeyer, há em relevo uma vista panorâmica do vale do Ribeirão Anhangabaú. A fábrica aparece na roça, ladeada de canteiros de verduras espalhados por toda sua extensão, a poucos metros do centro da cidade. Anhangabaú tido como maldito, é bom que se diga: desde antes da fundação da vila de Piratininga, era crença dos índios, e continuou crença dos moradores, que aquele era o lugar de Anhangá, versão indígena do demoníaco, um ente dos limites e confins. No folclore paulistano, ficou a cantiga infantil que celebra a ponte antiga e rústica que precedeu o viaduto imponente, em outro ponto:

“Eu fui passar na ponte, a ponte estremeceu. A água tem veneno, morena, quem bebeu, morreu”.
Análises antigas da água do Anhangabaú revelaram que ela continha arsênico.
É só se afastar poucas centenas de metros do centro que o paulistano descobre as encostas do outeiro transformadas em ladeiras: a Ladeira de São João, a Ladeira Porto Geral, a Ladeira General Carneiro, o Beco do Pinto, que desce para a Rua Frederico Alvarenga, onde ficava o necrotério. Resquícios da encosta que, com o muro de taipa, teve funções de muralha protetiva contra os ataques dos índios, como o ataque maciço de 1562, com seus inúmeros mortos e moradoras e moradores capturados e levados. Várias gerações de paulistanos foram educadas na cultura do confinamento, refugiadas quase ao redor do Pátio do Colégio.
A poderosa cultura do confinamento dos moradores, que atingiu sobretudo as mulheres, atingiu também os homens por meio do disseminado costume endogâmico de casarem-se com as primas, sempre alguém “de dentro” da própria família, numa enorme resistência aos “de fora”. Desdobramento do lugar da casa de família nessa cultura como lugar de refúgio e verdadeiro esconderijo em relação a uma exterioridade tida como espaço do estranho e do inimigo. A antiga vila e, depois, cidade ajustou-se espacialmente aos requisitos e ameaças desses temores de origem e restringiu-se ao espaço do chamado Triângulo, nos confins do estreito terreno entre o Tamanduateí e o Anhangabaú. Não por acaso, os aldeamentos de confinamento dos índios descidos do sertão e reduzidos à condição servil foram localizados no exterior dos limites representados pelo Rio Tiete e pelo Pinheiros, limites de um cenário da guerra contra o gentio. As pessoas passam e os vindouros se esquecem, mas as determinações espaciais continuam ditando suas regras de convivência, de proximidades e distâncias muito depois de passado o tempo de suas razões de ser.
Os paulistanos urbanos atravessaram os séculos confinados no centro. Sobreviveu desse costume, até hoje, a expressão “vou à cidade”, “estive na cidade”, para os moradores se referirem ao verdadeiro centro, que é o antigo. O Viaduto do Chá estendeu esse centro até o outro lado do ribeirão. Abriu e modernizou um território novo para a expansão urbana. De fato, para ir do Largo da Sé até o Largo dos Curros, atual Praça da República, antes era necessário passar pelo Largo de São Francisco, descer a atual Rua Riachuelo em direção ao Vale do Anhangabaú, atravessar o ribeirão pela Ponte do Lorena, ladear o Chafariz do Piques e o obelisco que ainda existe pela Ladeira da Memória, usurpada pelas escadas rolantes do metrô, e entrar pela Rua da Palha ou Sete de Abril. O viaduto encurtou o caminho e até diminuiu cansaços, com o bonde puxado a burro. Isso para quem quisesse pagar os tostões do pedágio. Na entrada do viaduto havia cancela e guarita com cobrador. Passava quem pagava. Quem não quisesse, que fosse pelo brejo ou desse a volta imensa.
Pode-se falar no viaduto como marco de nossa revolução urbana justamente porque foi uma das mais poderosas obras de demolição da mentalidade de confinamento dos paulistanos e dos paulistas de então. Ao alargar a cidade, ao expulsar as grandes moradias do centro, os novos espaços expressavam uma nova divisão do trabalho e uma nova espacialização da cidade. O Viaduto do Chá contribuiu para difundir o que é próprio do urbano e da modernidade: a fragmentação do modo de vida, a moradia num lugar, o trabalho em outro, a religião em outro, a festa em outro, o transitar como nova e decisiva atividade do estar em lugar nenhum para poder estar, em seu devido tempo, nos diversos lugares do novo modo de viver.

José de Souza Martins é sociólogo, professor emérito da Faculdade de Filosofia da USP e autor, entre outros, de Uma Arqueologia da Memória, da Ateliê Editorial.

Ler, escrever e contar não basta

“É preciso ler o mundo”

NíIson José Machado

Fonte: Revista Kalunga | Edição 254 | Outubro 2012

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Nílson José MachadoEntre a carreira de engenheiro, formado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), e a de professor de matemática, na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Nílson José Machado ficou com a segunda opção. Abandonou o ITA, após três anos, doutorou-se em Filosofia da Educação, também pela USP, e passou a lecionar na instituição em 1972. A princípio, formou estudantes no Instituto de Matemática e Estatística e na década seguinte migrou para a Faculdade de Educação. Machado tem diversos livros publicados, entre os quais, Ética e Educação, que traz 256 microensaios sobre os temas cidadania, pessoalidade, didática e epistemologia, recém-saído da gráfica, publicado pela Ateliê Editoral, e Educação, Competência e Qualidade, pela Editora Escrituras. Nesta entrevista, ele discorre sobre várias questões a respeito de um dos temas mais pertinentes a toda sociedade brasileira.

Qual a sua avaliação sobre a Educação no Brasil?

Temos um problema crônico que é não ter políticas de Estado para a Educação. O que se tem são políticas de governo, ou pior ainda, de governantes. Às vezes muda o governante, mesmo que seja do mesmo partido, mudam as políticas. Isso ocorre em todos os níveis, federal, estadual e municipal. Em São Paulo, tivemos governos sucessivos de um mesmo partido e as políticas mudaram com os secretários de Educação. Essa é a grande mazela, faltam pessoas pensando na Educação com visão e nível de Anísio Teixeira, que pensava grande, que pensava no País, instituição educacional e não coisas de curtíssimo prazo e de “imediatez” que são desapontadoras.

Dê sua opinião a respeito da doação de livros?

É uma ação muito pequena em termos de política. Ninguém vai resolver os problemas educacionais distribuindo livros aos montes. O governo faz isso há pelo menos 15, 20 anos. Essa é uma iniciativa que faz a alegria das grandes editoras. Falta política educacional com P maiúsculo, que é uma política de Estado.

O governo tem investido o suficiente na democratização do ensino?

No meu entender, não há que se ter investimento em democratização do ensino. Não é esse o foco. Dewey Uchn, filósofo e pedagogo norte-americano, no início do século 20, dizia que democracia sem educação é algo canhestro. A educação sem democracia também. Aliviar a população de uma dessas duas coisas é como aliviar um condenado à morte, com duas penas de morte, será aliviada apenas uma. Democracia e educação são par fundamental. O que se pretende é uma educação de qualidade, esse é o processo de democratização legítimo. É garantir uma educação básica de qualidade, completa, até o final do ensino médio.

É correta a política de cotas na Educação?

A meu ver essa é uma política equivocada e polêmica. A democratização que se precisa buscar é por meio da educação básica de qualidade, não é oferecendo vaga no ensino superior para quem não está preparado. Isso é pura demagogia. Nós (USP) temos dificuldades com alunos, mesmo sem a questão de cota. Recentemente foi feita uma pesquisa apontando que 38% dos universitários brasileiros são considerados analfabetos funcionais, ou seja, são capazes de ler e escrever, mas não conseguem interpretar e associar informações, isso independente de qualquer política de cota.

Que contribuição a Universidade pode dar para mudar essa realidade?

No sistema educacional brasileiro, a universidade vive uma realidade diferente da escola básica, não é uma maravilha das maravilhas, mas é uma situação mais confortável. Como prima rica, a universidade deveria se envolver mais no processo de melhoria da educação básica. Não é abrindo mais vagas, mas acolhendo os alunos da escola pública em um curso pós-médio, de formação. Após esse período, ele poderia se candidatar a uma vaga na universidade.

Como seria esse curso?

Estou falando de um mutirão em que grande parte das pesquisas teria de ser colocada de molho. Como isso não dá visibilidade imediata, ele só poderia ser avaliado quando a primeira turma estivesse saindo. É atividade para sete, dez anos. Não é dar um cursinho de dois anos para esses alunos. As atividades na universidade e na escola básica não precisam ser somente aulas. Deve haver tutoria, orientação, conversa pessoal.

Qual o papel do educador?

O educador tem sido tratado pelos órgãos públicos de governo como um técnico. Quando se fala em capacitar professores, sempre se pensa exclusivamente na capacitação técnica. A competência técnica é fundamental, mas não basta para caracterizar um bom profissional. São necessários comprometimento e envolvimento com o projeto, ou seja, com as tarefas educacionais. Isso não vem graciosamente, mas na medida em que os professores participam desse projeto. É comum a todas as profissões, por exemplo, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) não discute salário de advogado, mas a atuação deste profissional.

E a política de reciclagem de professores?

É preciso melhorar a condição de trabalho do professor da escola básica. Ela é muito ruim. Se ocorre essa melhora, o professor espontaneamente vai buscar voluntariamente aperfeiçoamento e capacitação. Quando eu digo que a condição de trabalho não é boa, não me refiro a salário. Isso está no pacote. Vou dar um exemplo: no Estado de São Paulo, um professor de Física tem duas aulas por turno no ensino médio. No regime de 40 horas, que é o mais frequente, ele tem de dar 32 horas na sala de aula. Para isso, tem que ter 16 turmas. Nenhuma escola no Estado tem 16 turmas de Física para oferecer a um professor. Ele terá que dar aulas em outras escolas para completar a carga.

No que se refere às competências, os professores estão preparados?

Esse discurso de competência é antigo e foi reavivado pelo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), a partir de 1998. Na escola, o professor precisa desenvolver as competências pessoais dos alunos. Esse é um dos discursos que os avós da gente tinham. Eles diziam “você vai para a escola, aprende um monte de matéria, mas no fundo o que você aprende é ler, escrever e contar”. Atualmente, saber apenas isso não dá mais conta. Antigamente, a pessoa podia ser só analfabeta, hoje, ela pode ser polianalfabeta. Analfabeta em ciências, em tecnologia e em muitas coisas.

O que o professor precisa desenvolver na sala de aula?

Eu acho que em vez de ler, escrever e contar, ele tem que desenvolver a capacidade de expressão e compreensão. Expressão de si e compreensão do outro. Expressão em diferentes linguagens. Antigamente, a ideia geral de leitura era ler e entender um texto, agora, é preciso ler o mundo.

Regras e juízos devem ser transmitidos pelos pais ou pelos educadores?

Ambos têm tarefas que devem ser partilhadas, não dá para os pais delegarem tudo à escola, nem a escola delegar tudo aos pais. Claro que há especificidades na atuação de um e de outro. Quem pensa em um projeto de vida para a criança é a família, depois ela escolhe uma escola adequada para aquele projeto. Por sua vez, quem pensa no caminho pedagógico para buscar esse projeto é a escola. Não cabe ao pai ir à escola dizer qual é o livro que deve ser adotado ou como o professor tem que dar a aula ou avaliar. De maneira geral, não há exemplo de escola bem-sucedida sem partilhar metas e objetivos com a família. A escola precisa ter participação dos pais ou ela não se sustenta.

Há trabalho para todos os jovens que saem dos cursos? Eles estão aptos para educar?

Existe campo de trabalho para todos. Agora, ninguém sai apto para educar. O curso é o pontapé inicial. Há três fases na vida do professor. A primeira, assim que se forma, ele começa a dar aula. Ensina o que não sabe. Ele está aprendendo a lidar com os alunos. A fase dois é aquela em que ele dá aula sobre o que sabe. Essa fase é um perigo, porque ele sabe algumas coisas e dá aula disso. O que ele não sabe, diz “estou fora, não dou aula”. Isso é terrível. Ele perde o interesse por certas áreas e não consegue mais entender a dificuldade dos alunos. A terceira, que é a mais madura, só vem trabalhando, após alguns anos dando aulas. É quando o professor não está mais preocupado com o que ele sabe ou não. Ele se preocupa com o que os alunos precisam.

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Ética e Educação

Nílson José Machado
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Ética e Educação, de Nílson José MachadoÉtica e Educação são temas candentes que se entrelaçam e se alimentam mutuamente. No cerne de ambos encontram-se as ideias de conhecimento e valor. Um mapeamento de questões relativas a tais temas é apresentado pelo autor, em busca de uma perspectiva crítica ao alcance de educadores e de cidadãos em geral.
Os focos que aglutinam os textos são os pares pessoalidade/cidadania e didática/epistemologia. Iguais como cidadãos, somos diferentes como pessoas, e não buscamos a escola para esquecer tais diferenças: metade dos microensaios reunidos examina tal fato. A outra metade trata de explicitar como o modo de pensar sobre o conhecimento influencia decididamente as ações educacionais, ou seja, como a epistemologia interfere diretamente na didática.
Numa época marcada pelo excesso de informações e análises, optou-se, aqui, por uma forma sintética de apresentação das reflexões. Os microensaios são como sementes: as discussões que vierem a alimentar são a razão primordial de trazê-los a lume.
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Educação e Pedagogia, Cidadania
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Michel Melot lança Livro, no Simpósio Internacional de Livros e Universidades

Participe do lançamento no Auditório da Biblioteca Mindlin, dia 7 de novembro, quarta-feira, a partir das 19:30.

Convite Eletrônico

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Livro,

Livro, de Michel MelotMichel Melot

Qual seria, pois, o milagre desse objeto, nascido há mais de dois milênios, eminentemente moderno por sua forma cúbica, matemática, industrial muito antes de o ser, que triunfou do rolo até se tornar o “tijolo elementar” do pensamento ocidental?
Contrariamente ao saber digital, o livro, nascido da dobra, fecha-se sobre si mesmo, solidário de sua mensagem. Seu espaço é concebido para produzir uma autoridade, ou mesmo uma transcendência. Confere ao conteúdo a forma de uma verdade e a credita ao autor.
Para compreender o poder fenomenal dessa construção, Michel Melot investigou sua topografia, sua arquitetura. Desceu até sua anatomia profunda, percorreu suas dobras e suas costuras, suas fibras físicas e simbólicas. Interrogou suas relações estranhas com as três religiões chamadas “do Livro”, com o profano, com o comércio, com o político, com a liberdade de pensar, de sonhar, de desejar.
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Fotografia Nicolas Taffin
Prefácio à edição brasileira Marisa Midori Deaecto
Prefácio à edição francesa Régis Debray
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Mês de aniversário da Ateliê!

Promoção de Aniversário

Finnegans Wake

Finnegans Wake, de James JoyceJames Joyce
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Trata-se da primeira tradução completa de Finnegans Wake para o português, o mais experimental e intrigante romance de James Joyce. A obra, escrita ao longo de 16 anos, levou árduos quatro anos de trabalho para ser traduzido por Donaldo Schüler. Acompanham o texto ainda belas imagens produzidas por Lena Bergstein e Hélio Vinci produzidas especialmente para a edição.
Todos os volumes são bilíngues, sempre acompanhados de notas explicativas do pesquisador e tradutor Donaldo Schüler. Este pacote reúne os 5 volumes em uma condição especial, com 35% de desconto.
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Prêmio Jabuti de Tradução 2004
Prêmio APCA de Tradução 2003
“Fato Literário” da Feira do Livro de Porto Alegre 2003
Tradução Donaldo Schüler
Ilustrações Lena Bergstein
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de R$ 392,00 | por R$ 254,92
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Livro, (lançamento)

Livro,Michel Melot
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Qual seria, pois, o milagre desse objeto, nascido há mais de dois milênios, eminentemente moderno por sua forma cúbica, matemática, industrial muito antes de o ser, que triunfou do rolo até se tornar o “tijolo elementar” do pensamento ocidental?
Contrariamente ao saber digital, o livro, nascido da dobra, fecha-se sobre si mesmo, solidário de sua mensagem. Seu espaço é concebido para produzir uma autoridade, ou mesmo uma transcendência. Confere ao conteúdo a forma de uma verdade e a credita ao autor.
Para compreender o poder fenomenal dessa construção, Michel Melot investigou sua topografia, sua arquitetura. Desceu até sua anatomia profunda, percorreu suas dobras e suas costuras, suas fibras físicas e simbólicas. Interrogou suas relações estranhas com as três religiões chamadas “do Livro”, com o profano, com o comércio, com o político, com a liberdade de pensar, de sonhar, de desejar.
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Fotografia Nicolas Taffin
Prefácio à edição brasileira Marisa Midori Deaecto
Prefácio à edição francesa Régis Debray
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de R$ 82,00 | por R$ 57,40
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Livros para Fuvest e Unicamp

Livros para Fuvest e UnicampColeção Clássicos Ateliê
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Este pacote reúne 5 livros da Coleção Clássicos Ateliê que cairão nos próximos vestibulares da Fuvest e Unicamp.
Os títulos da Coleção destinam-se a todos os interessados em ler ou reler as grandes obras das literaturas brasileira e portuguesa. Os textos foram estabelecidos a partir de edições originais ou altamente recomendadas. Contam com estudo introdutório e notas explicativas, elaborados por especialistas de importantes universidades. Os volumes possuem rico material iconográfico, recolhido de documentos históricos e/ou produzido especialmente para estas edições.
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A Cidade e as SerrasEça de Queirós
O CortiçoAluísio Azevedo
Memórias de um Sargento de MilíciasManuel Antônio de Almeida
Memórias Póstumas de Brás CubasMachado de Assis
Til – Romance BrasileiroJosé de Alencar
Viagens na Minha TerraAlmeida Garrett
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de R$ 160,10 | por R$ 104,11
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Divina Comédia

Divina Comédia, de Dante AlighieriDante Alighieri
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Divina Comédia, de Dante Alighieri (1265-1321), é uma das obras-primas da literatura mundial. Além de trazer de volta a primorosa tradução do erudito italiano João Trentino Ziller – publicada originalmente em 1953, em Minas Gerais – a presente edição do poema, coeditada pela Ateliê Editorial e pela Editora da Unicamp, oferece algo inédito ao leitor brasileiro: as ilustrações de Sandro Botticelli, perdidas durante séculos e identificadas somente na década de 1980.
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Tradução e notas João Trentino Ziller
Apresentação João Adolfo Hansen
Notas à Comédia de Botticelli Henrique Xavier
Coedição Editora Unicamp
Ilustrações Sandro Botticelli
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Poesia, Literatura clássica, Bilíngue, Arte
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de R$ 280,00 | por R$196,00
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Aziz Ab’Sáber

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Aziz Ab'SáberEsta seleção traz 4 obras fundamentais de Aziz Ab’Sáber, que traçam um panorama minucioso do território brasileiro.
O pacote apresenta ainda o segundo volume do projeto de Ab’Sáber: Leituras Indispensáveis. Preocupado com o nível cultural dos jovens universitários, o autor propõe uma série de textos essenciais para a formação de futuros profissionais, não se restringindo a nenhuma área específica.
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Os Domínios de Natureza no Brasil – Potencialidades Paisagísticas
Brasil: Paisagens de Exceção – O Litoral e o Pantanal Mato-grossense: Patrimônios Básicos
Leituras Indispensáveis 1
Leituras Indispensáveis 2
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de R$ 116,00 | por R$ 75,43
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