Monthly Archives: setembro 2012

Morre o poeta Affonso Ávila (1928-2012)

A Ateliê lamenta profundamente a perda de um dos mais importantes poetas brasileiros, Affonso Ávila, que recentemente publicou pela Ateliê seu último livro de poesia, Égloga da Maçã. É uma honra para a Ateliê ter trabalhado com este grande poeta, ensaísta e pesquisador, que tanto contribuiu para a literatura no Brasil.
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Leia abaixo a notícia publicada no Jornal Hoje em Dia (BH)
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Affonso AvilaMorreu nesta quarta-feira (26) o pesquisador, ensaísta e poeta mineiro Affonso Ávila. Ele teve uma parada cardíaca em casa e, de acordo com informações dos familiares, estava tratando um enfisema pulmonar. Ávila destacou-se ao longo deste ano pela poesia voltada para a vida, após passar pelo sofrimento de perder a mulher Laís Correa de Araujo, em 2006, e construir uma linha amarga na escrita.
Detentor do Prêmio Jabuti de Literatura, o escritor nasceu em 1928. Influenciou movimentos literários, organizou a Semana de Poesia de Vanguarda e criou o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha).
Filho de Lindolfo de Ávila e Silva e Liberalina de Barros Ávila, Affonso foi auxiliar de gabinete do Juscelino Kubitshek enquanto ele era governador do Estado.
Além da escrita, sua carreira foi marcada pela dedicação ao patrimônio artístico e arquitetônico de Minas, principalmente por meio do Iepha, buscando levantar e conservar o material histórico.
O poeta também atuou como colunista no jornal “O Estado de São Paulo”, dirigiu por mais de 30 anos a revista “Barroco”, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Dentre as obras de Affonso Ávila, estão: “O Açude” (1953), “O lúdico” e “As projeções do Mundo Barroco” (1971), “O visto e o imaginado” (1990), “Poeta Poente” (2010), e “Égloga da maçã” (2012).
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Livros de Affonso Ávila publicados pela Ateliê:
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Matérias recentes sobre Affonso Ávila:
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Conheça nossos finalistas do Prêmio Jabuti 2012

4 livros da Ateliê estão entre os finalistas do Prêmio Jabuti 2012, nas categorias Projeto Gráfico, Poesia, Tradução e Turismo. Em outubro devem ser anunciados os 3 melhores livros de 2011 de cada uma das 29 categorias. Veja abaixo os livros da Ateliê que concorrem ao Prêmio:

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Jabuti de Projeto Gráfico

Divina Comédia, de Dante Alighieri

Divina Comédia, de Dante Alighieri
Esta é uma das obras-primas da literatura mundial. Além de trazer de volta a primorosa tradução do erudito italiano João Trentino Ziller – publicada originalmente em 1953, em Minas Gerais – a presente edição do poema, coeditada pela Ateliê Editorial e pela Editora da Unicamp, oferece algo inédito ao leitor brasileiro: as ilustrações de Sandro Botticelli, perdidas durante séculos e identificadas somente na década de 1980.
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Tradução e notas João Trentino Ziller
Apresentação João Adolfo Hansen
Notas à Comédia de Botticelli Henrique Xavier
Ilustrações Sandro Botticelli
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Jabuti de Poesia

laetitia, sp, de Gabriel Pedrosalaetitia, sp, de Gabriel Pedrosa
A cidade é a grande figura desta nova coletânea. A cidade abandonada, mesmo que, ironicamente, superpovoada – aquela “aglomerada solidão” que canta Tom Zé em “São Paulo, São Paulo”, e a gente que nela vive é muda, entristecida e indiferente […] é a cidade que, divorciada de seus habitantes, jorra conceitos, junto com lixo, de suas tripas, de suas tubulações – que, traduzidas num coágulo de conceitos, cruzam o corpo do livro. E é no esgoto e no lixo que se pode tatear alguma mínima clareira sobre esse organismo de pedra cercado de imundície por todos os lados, onde, por picardia, umas flores, vez em quando, nascem […] a cidade, neste livro, se transforma em reflexão sobre a poesia e as implicações que rondam o seu fazer em nosso tempo. Vivendo no coração do caos a dialética das alegrias e das dores, encantar flores no lodaçal, como protesto contra a hostilidade utilitarista do mundo.
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Ilustação João Yamamoto
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Jabuti de Tradução

Duplo Canto e Outros Poemas, de François ChengDuplo Canto e Outros Poemas, de François Cheng
Traduzir poesia é traduzir o intraduzível. São raros os que o fazem. E mais raros ainda os que o conseguem com proveito. Bruno Palma é um desses casos. Passou para o nosso português as páginas mais belas de Saint-John Perse. Recriou ritmos e ambientes quase intransponíveis. Criou novas palavras, e deu a outras novo lustro de vida, novas conotações de convivência. Agora, Palma traduz François Cheng. Poeta sino-francês, Cheng é um sintetizador dessas duas extraordinárias vertentes de civilização. Bruno se empenha sobretudo junto às figuras de linguagem, que em Cheng resultam de interação profunda com a natureza, e segue as linhas essenciais do ritmo chenguiano. A simbiose de Cheng enlaça a tradição de literatura e pensamento zen, na sua expressão ideográfica distinta, à nossa tradição radicalmente inovadora da perspectiva aberta por Mallarmé. Integrador de linguagens e culturas, Cheng muito nos enriquece a vivência literária: no caso dos leitores de língua portuguesa, graças ao pleno encontro de Bruno Palma com o mestre sino-francês, recriando-o admiravelmente em nossa língua. – Mauro Gama
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Tradução Bruno Palma
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Jabuti de Turismo

50 Livrarias de Buenos Aires, de Adriana Marcolini50 Livrarias de Buenos Aires, de Adriana Marcolini

Este guia contém informações básicas e histórias saborosas sobre as 50 livrarias portenhas selecionadas pela autora. Inclui desde as enormes, que lembram um supermercado, até as pequenas, superacolhedoras. Há ainda as librerías de saldo, que vendem obras esgotadas, as de viejo, equivalentes aos nossos sebos, e as antiquárias. Traz mapas de localização das livrarias e muitas dicas. A obra é inédita no Brasil e rende homenagem ao título de Capital Mundial do Livro (abril 2011/abril 2012), conferido a Buenos Aires pela Unesco – a cidade possui uma livraria para cada seis mil habitantes.

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Fotografias Alejandro Lipszyc

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Release

Entrevista com autora

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Veja a lista com todos os finalistas do Prêmio Jabuti

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A Voz e o Tempo – Reflexões para Jovens Terapeutas, de Roberto Gambini

Livro vencedor do Prêmio Jabuti de Psicologia e Psicanálise 2009

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A Voz e o Tempo – Reflexões para Jovens Terapeutas
Por detrás de cada biografia, há a dor de existir, o universo dos símbolos e o desejo de compreensão, marcas pungentes e arquetípicas do humano em busca de decifração e acolhimento. O ambiente psicoterapêutico é o palco por excelência desse teatro subjetivo que, encenado a dois, se propõe a descortinar o ser para além do saber – um processo de autoconhecimento árduo e sem garantias, que exige ampla entrega de seus protagonistas.
Do lado do terapeuta, como preparar-se para dar conta daquilo que é indizível, o inconsciente? Ou então, como manejar a teoria na clínica: a transferência, a interpretação dos sonhos, o tempo e as promessas da terapia? Em seu novo livro, A Voz e o Tempo – Reflexões para Jovens Terapeutas, o psicoterapeuta junguiano Roberto Gambini se apoia na sua larga experiência clínica para responder a essas questões. Situando-se na confluência entre ciências sociais e psicologia analítica, ora apoiando-se na oralidade, ora em referências literárias e fatos cotidianos, o autor passa longe dos manuais técnicos ou conselhos diretivos para compor um texto sensível e poético, que certamente interessará a um público mais amplo.
Para expressar as percepções ou realidades que muitas vezes não conseguimos nomear (o indizível da experiência), Gambini forja imagens bastante originais. O livro se divide basicamente em duas partes, que se complementam com um percurso detalhado da formação do autor e o modo como ele foi inspirado pelas ideias do fundador da psicologia analítica.
Na primeira, “Num Certo Tempo”, o autor recupera escritos do final dos anos 90, quando tinha dezenove anos de profissão. É aí que esmiúça aspectos importantes da obra junguiana, fornecendo ao leitor um panorama da psicologia analítica desde suas origens até os dias atuais, tendo como eixo a interdisciplinaridade. Em destaque, as contradições fundamentais entre as ideias de Jung e Freud (que levou ao rompimento da relação profissional e de amizade entre os dois); os trabalhos de vanguarda para o entendimento da esquizofrenia e de seu tratamento, com o apoio da arte para expressar imagens do inconsciente; as relações pouco exploradas entre Jung e a filosofia; os primeiros junguianos; entre outros temas.
Na segunda parte, que contempla seus 30 anos como analista junguiano, Gambini aprofunda suas inovações conceituais, em meio a um texto fluente e ancorado na oralidade. Como sintetiza Adélia Bezerra da Meneses, em seu prefácio, são três os aspectos inovadores. A transferência, que ganha dimensão arquetípica, tornando-se pulsão de compreensão pelo outro, uma necessidade vital do indivíduo de alcançar reconhecimento para poder ser. A interpretação dos sonhos, que é vista como um processo de diálise psíquica, metáfora orgânica para explicar de que modo “a matéria do sonho, como o sangue, precisa circular em outras veias, ser retransfundida no analista, passar pelo seu circuito psíquico e emocional, e daí retornar oxigenada, transformada”. E a dor, matéria-prima da clínica, passível de se transformar em força criativa ou letal. Nas palavras do autor, trata-se do “coração da agonia, porque lá, em seu mais íntimo, pulsa e vibra uma força de renascimento e restauração do que foi destruído e caiu nas trevas da sombra”.
Com A Voz e o Tempo Gambini mostra, de maneira original, como o ofício da escuta, muito mais que profissão, é destino, diante do qual não se deve recuar, mas circunscrever, ainda que tateante, os limites do possível. Compre com 25% de desconto
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Roberto Gambini é terapeuta junguiano, conferencista e ensaísta. Formado em Ciências Sociais pela USP e ex-professor de Ciência Política na Unicamp nos anos 70, partiu para a formação Psicologia Analítica no Instituto Carl Gustav Jung de Zurique. É membro da Sociedade Suíça e da Sociedade Internacional de Psicologia Analítica e autor de O Duplo Jogo de Getúlio Vargas, Outros 500, Uma Conversa sobre a Alma Brasileira (entrevistado por Lucy Dias), Espelho Índio – A Formação da Alma Brasileira, entre outros.

Conheça nossos livros premiados!

O Mistério do Leão Rampante, de Rodrigo LacerdaO Mistério do Leão Rampante

Rodrigo Lacerda

Para livrar-se de um feitiço que a impede de amar, uma jovem inglesa do século XVII recorre aos mais diversos tratamentos – até conhecer o poder curativo do teatro. Narrada com humor refinado, a história tem Shakespeare como um dos personagens. O Mistério do Leão Rampante foi o primeiro livro editado pela Ateliê Editorial. Estreia de Rodrigo Lacerda na ficção, recebeu os prêmios Jabuti (1996) e Caixa Econômica Federal/CBN de Autor Revelação (1995). Foi traduzido para o italiano e para o inglês.

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Romance, Literatura brasileira, Humor

Prêmio Jabuti 1996
Prêmio Caixa Econômica/CBN de Autor Revelação 1995
Textos João Ubaldo Ribeiro e João Antonio
Ilustrações Negreiros

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de R$ 62,00 | por R$ 46,5

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Joanot Martorell
Este romance épico, escrito por um rei valenciano em meados do século XV, é um clássico da literatura universal e influenciou Miguel de Cervantes. Narra as façanhas de um cavaleiro andante que se transforma em grande general. Dono de enorme força física, o protagonista é também um audaz e sentimental cortejador de sua dama. Cláudio Giordano traduziu o texto a partir da edição integral catalã, publicada em 1947 aos cuidados de Martí de Riquer. O volume conta com prólogo de Mario Vargas Llosa.
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Romance, Literatura medieval, Literatura estrangeira
Prêmio Jabuti de Tradução 1998
Tradução Cláudio Giordano
Prólogo Mario Vargas Llosa
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de R$ 91,00 | por R$ 68,25
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Ivan Teixeira
O livro traz minucioso levantamento dos discursos artísticos e culturais de que Machado de Assis se apropriou para escrever O Alienista. Ao mesmo tempo, analisa os processos retóricos em que se articulam as matérias. Lidando com questões polêmicas no Segundo Reinado, Ivan Teixeira preserva o máximo de imparcialidade no resgate do ambiente de produção e de circulação de O Alienista. O leitor encontrará neste livro hipóteses estimulantes para uma revisão conceitual de Machado de Assis. Pela primeira vez, o artista é examinado em intrínseca relação com os signos de sua época e em sua condição de homem de imprensa: associado a grupos de poder, afeito à dinâmica dos periódicos, atento à reciprocidade dos compromissos e integrado com projetos editoriais. Consciente do princípio de mobilidade cultural, O Altar & o Trono descobre e investiga, ainda, o empenho de Machado de Assis no projeto de incorporação da elite feminina aos núcleos letrados do Segundo Reinado.
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Literatura brasileira, Crítica literária
Prêmio José Ermírio de Morais da Academia Brasileira de Letras 2011
Coedição Editora Unicamp
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De R$ 79,00 | Por R$ 59,25
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Maria Luiza Tucci Carneiro, Boris Kossoy
Muitos jornais de militância política foram proibidos de circular pelo extinto Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo. Neste livro, estão reunidas as publicações confiscadas por esse órgão entre 1924 e 1954. Esses registros, agora públicos, mostram de que maneira cada governo do período vigiou e reprimiu a livre expressão de ideias. Os documentos revelam, assim, as estratégias de censura adotadas pelas autoridades políticas para construir sua própria versão da história.
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Memória, Jornalismo, História, Censura
Prêmio Jabuti de Ciências Humanas 2004
Coedição Imprensa Oficial
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de R$ 105,00 | por R$ 78,75
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Roberto Gambini
O que é a terapia, e quais são suas promessas? Como interpretar os sonhos? O que é a transferência? A Voz e o Tempo responde, de modo pouco convencional, às perguntas que todo terapeuta faz a si mesmo. O livro condensa trinta anos de experiência do autor como analista junguiano, mas não discute teorias nem constitui um manual prático de psicoterapia. Em vez disso, Gambini dá subsídios para que esses profissionais enfrentem sem medo a matéria-prima de sua atividade: a dor do outro.
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Psicanálise e Psicologia, Ilustrado
Prêmio Jabuti de Psicologia e Psicanálise 2009
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de R$ 56,00 | por R$ 42,00
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Adélia Bezerra de Meneses
Este ensaio tornou-se um clássico da bibliografia sobre Chico Buarque. A autora faz um original paralelo entre a obra do compositor e o período do regime militar. A chave de interpretação das canções não está no que o autor quis dizer ao descrever e criticar os acontecimentos sociais e políticos de seu tempo. Em vez disso, Adélia dá ênfase às fraturas e impasses de consciência que essa obra revela. Sob esse viés, são analisadas canções como Acorda Amor, Apesar de Você e Roda Viva, entre outras.
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Música, Poesia, Política
Prêmio Jabuti de Ensaio 1982
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de R$ 50,00 | por R$ 37,50
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O Maior Privilégio

Os Privilégios, de Stendhal

Renato Tardivo

Os Privilégios, de Stendhal, autor do célebre romance O Vermelho e o Negro, é um livro importante e curioso, uma vez que, como aponta a tradutora Jerusa Pires Ferreira no prefácio, “nos espantamos em razão das singularidades encontradas”. Mas de que se trata?

O escritor realista adquire, em Os Privilégios, um sopro romântico. Os textos foram escritos dois anos antes de sua morte – e publicados vinte anos depois. Estaria Stendhal reivindicando o privilégio da vida? Talvez.

O livro, cuidadosamente editado, divide-se em 23 artigos; fragmentos narrados em terceira pessoa, tendo “o privilegiado” como personagem principal. Tome-se um exemplo (Artigo 10):

“Na caça, oito vezes por ano, uma pequena bandeira indicará ao privilegiado, com uma légua de distância, a caça que vai existir e sua posição exata.

Um segundo antes que a caça parta, a pequena bandeira se iluminará; bem entendido que essa bandeira será invisível a toda outra pessoa que não seja o privilegiado.”

Conforme se nota, o privilegiado (e só ele) é contemplado com uma série de concessões (praticamente) impossíveis. É esta a tônica dos demais fragmentos, como o 14º, de teor metalinguístico:

“Se o privilegiado quisesse contar ou revelasse um dos artigos de seu privilégio, sua boca não poderia formar nenhum som e ele teria dor de dentes durante vinte e quatro horas.”

Com efeito, há que se ter o cuidado, sempre, para não tomar a obra de arte pela vida do autor e vice-versa. Pensemos, pois, em outros livros de Stendhal – além do já mencionado O Vermelho e o Negro, A Cartuxa de Parma, também referidos no prefácio da presente edição. Se o tom desses Privilégios destoa do realismo dos romances mais conhecidos, talvez, por outro lado, as concessões-limite presentes nos artigos tragam pelo avesso – por meio da ironia, do invisível ou mesmo do impensado – o lado realista desse escritor genial.

Por fim, em tempos de mensagens curtas e dos mais variados registros instantâneos, a leitura de Os Privilégios (livro do século XIX) torna-se ainda mais relevante, à medida que acrescenta à reflexão acerca dos rumos que estamos dando ao nosso maior privilégio – a linguagem.

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Coluna Resenhas - Renato Tardivo

Renato Tardivo é mestre e doutorando em Psicologia Social da Arte pela USP e escritor. Atua na interface entre a estética, a fenomenologia e a psicanálise. Foi professor universitário e é autor dos livros de contos Do Avesso (Com-Arte) e Silente (7 Letras).

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Ética e Educação, de Nílson José Machado

Livro traz coletânea de 256 microensaios sobre os temas e apresenta um elenco de ideias relevantes para reflexão e debate

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Nílson José MachadoDuas razões motivaram Nílson José Machado a escrever Ética e Educação. Em primeiro lugar, esses temas estão no centro das atenções, em todos os países que buscam um desenvolvimento consciente, tendo as pessoas como valor final de todos os valores. Em segundo, vivemos uma abundância de informações e análises a respeito de qualquer fato, mas carecemos de sínteses norteadoras, sem as quais as ideias mais bem recebidas podem permanecer inócuas. Cada um dos microensaios reunidos neste livro representa um esforço de síntese na construção do significado das ações humanas, que é o fim último da Educação. A leitura pode iniciar-se em qualquer um deles; apesar disso, foram formados quatro blocos de 64 textos que dialogam mais diretamente entre si. Dois deles tratam das ideias de pessoalidade e cidadania e os outros dois de didática e epistemologia.
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Ética e Educação são temas candentes que se entrelaçam e se alimentam mutuamente. No cerne de ambos encontram-se as ideias de conhecimento e valor. Um mapeamento de questões relativas a tais temas é apresentado pelo autor, em busca de uma perspectiva crítica ao alcance de educadores e de cidadãos em geral. Iguais como cidadãos, somos diferentes como pessoas, e não buscamos a escola para esquecer tais diferenças: metade dos microensaios reunidos examina tal fato. A outra metade trata de explicitar como o modo de pensar sobre o conhecimento influencia decididamente as ações educacionais, ou seja, como a epistemologia interfere diretamente na didática. Numa época marcada pelo excesso de informações e análises, optou-se, aqui, por uma forma sintética de apresentação das reflexões. Acesse o livro na Loja Virtual

Nílson José Machado é Professor Titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Leciona na USP desde 1972, inicialmente no Instituto de Matemática e Estatística. No biênio 1993-1994, foi Professor Visitante do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, no Programa Educação para a Cidadania. Foi Chefe do Departamento de Metodologia do Ensino e Educação Comparada da FEUSP ao longo de quatro mandatos.
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Deste Lugar, de Paulo Franchetti

Novo livro de Paulo Franchetti busca o lirismo e se dirige ao leitor comum, fugindo de artifícios eruditos
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Deste Lugar, de Paulo Franchetti
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Num texto recentemente publicado, Paulo Franchetti escreveu: “O lirismo contemporâneo brasileiro, no quadro herdado da tradição cabralina, é um lirismo culpado e regrado por tabus. Em poucos poetas e poucos poemas o eu se oferece, frágil, como algo que se julga no direito de existir e buscar a palavra. De poucos poetas nos perguntamos: quem é a pessoa que escreveu isto, que vê o mundo assim? Por que ele prefere falar desta maneira? E em quantos poetas encontramos algo frente a que pensamos: isso precisava ser dito – e precisava ser dito assim, em poesia? / Travado pela vergonha, pelo medo de se dirigir ao leitor comum e pela necessidade de trazer à vista os andaimes da construção – isto é, as marcas do ‘trabalho duro’ e da especialidade – o exercício da lírica tende a desaparecer ou a ser combatido como inimigo do contemporâneo. Embora pertença a um texto referido aqui e ali, não parece ter calado muito fundo esta formulação de Adorno: ‘o autoesquecimento do sujeito, que se abandona à linguagem como algo objetivo, e a imediatez e involuntariedade da sua expressão são o mesmo’.”
Agora, com a publicação de Deste Lugar, essas mesmas questões retornam, em outro registro: o da prática poética. Dirigido ao leitor comum, fugindo à exibição de erudição ou técnica, bem como à ostensiva recusa ao lírico, este livro constitui um momento singular na poesia contemporânea brasileira. Acesse o livro na Loja Virtual
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Paulo Franchetti é professor titular de literatura da Unicamp. Publicou, entre outros, pela Ateliê, Estudos de Literatura Brasileira e Portuguesa, a novela O Sangue dos Dias Transparentes e os livros de poemas Escarnho, Memória Futura, e Oeste, que representa uma das mais admiráveis experiências na recente poesia brasileira. Já organizou diversos títulos para a Coleção Clássicos Ateliê. Conheça os livros de Paulo Franchetti
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