A História Verdadeira, de Luciano de Samósata

A História Verdadeira - Luciano de SamósataEdição da Ateliê Editorial; com concepção e tradução relativamente fiel de Gustavo Piqueira; e ilustrações de Alexandre Camanho, Carlos José Gama e Jaca; traz obra de humor mordaz escrita no século II, que influenciou autores como Swift, Voltaire, Verne, Morus e Rabelais, e é considerada uma das grandes precursoras da ficção científica.

Um dos livros mais irreverentes da História

A História Verdadeira é uma obra extremamente original e pouco difundida nos dias de hoje. Na sua introdução ela já apresenta um curioso alerta do autor: “Você não encontrará pela frente uma única palavra verdadeira. Nenhuma. Escrevo sobre fatos que nunca vi, nem vivi. De que nem sequer ouvi falar. Sobre o que não existe, nem jamais poderia existir.” E ainda deixa um aviso aos leitores: “Não acreditem em mim.” E defende sua falsidade, como sendo mais honesta, pois assume estar mentindo.

A história começa com a partida de um navio das colunas de Héracles, pelo Oceano Ocidental, com o desejo de descobrir onde acabava o mar e quem habitava esse lugar. Durante o percurso são descritos seres, paisagens e situações, realmente, inacreditáveis. Algumas são tão absurdas que o narrador chega a dizer, com evidente ironia, que tem “receio de descrever…”, “pois são tão impressionantes que talvez você não creia em mim.” A narrativa é dividida em duas partes, a primeira conta as viagens interplanetárias e a segunda mistura figuras ilustres que realmente existiram junto a outras que nunca saíram da ficção.

Para Gustavo Piqueira, A História Verdadeira é uma espécie de Odisseia sem Ulisses, Penélope ou Ítaca; uma Odisseia sem heroi ou heroísmo. E acrescenta: “Luciano tem uma ironia sem freios, ele ri de todos. Da imaginação de Homero: ‘O grande mentor de toda essa palhaçada foi Ulisses, de Homero, ao entreter a corte de Alcínoo com ventos aprisionados, cíclopes, canibais, criaturas de muitas cabeças e companheiros transformados em bestas por feitiçaria’. Da eloqüência de Sócrates, que ‘parecia apaixonado por Jacinto, de tanto que o refutava’. E do idealismo de Platão: ‘pelo que me contaram, ele vivia numa república construída por si próprio, sob leis que ele mesmo promulgara’. Ou seja: ninguém escapa – e ele não bate em cachorro morto. Pelo contrário, inclusive.”

O autor

Luciano nasceu em Samósata, província romana da Síria, perto do ano de 120, e morreu pouco depois de 181, provavelmente em Alexandria, no Egito. Pouca coisa se sabe a respeito da sua vida, mas o apogeu de sua atividade literária se deu entre 161 e 180, durante o reinado de Marco Aurélio. Escreveu em grego e se tornou conhecido por seus diálogos satíricos e suas críticas aos costumes e à sociedade da época. A História Verdadeira e o estilo de seu autor influenciaram escritores como Swift, Voltaire, Verne, Morus e Rabelais.

O tradutor

Gustavo Piqueira é autor de dez livros entre eles Marlon Brando – Vida e Obra (WMF Martins Fontes, 2008), Manual do Paulistano Moderno e Descolado (WMF Martins Fontes, 2007), Morte aos Papagaios (Ateliê Editorial, 2004), A Vida sem Graça de Charllynho Peruca (Biruta, 2009) e Eu e os Outros Pioneiros da Aviação (Escala Educacional, 2007), ambos selecionados para o PNBE 2010. Também ilustrou livros infantis, desenhou alfabetos e, à frente da Casa Rex, é um dos designers gráficos mais premiados do país, com mais de 100 prêmios internacionais de design, além de dois Jabutis.

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Ateliê e Casa Rex convidam para o lançamento do livro no Bar Balcão (SP), segunda-feira, dia 28 de maio. Saiba mais

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Algumas ilustrações do livro abaixo. Clique para ampliar:

Ilustração do livro Ilustração do livro

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