Poema do livro Memória Futura, de Paulo Franchetti

Memória Futura

Os dias são longos.

Como flores abertas,

Suportam a desatenção.

O sangue negro da madrugada

Empapa as paredes, desce

Sobre o rosto horizontal.

Barulho de asas.

Ave noturna sobre a presa.

Roçar das patas, aranhas,

Cães distantes, gatos, galos.

O corpo empurra

As mesmas palavras.

Elas vão e voltam,

Até que tudo afunde

No aquoso buraco vigilante das pupilas,

Na hora sombria

Da noite que termina.

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Paulo Franchetti

do livro Memória Futura

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