Monthly Archives: dezembro 2010

Melhores do ano: livros

Melhores livros do ano, por Daniel Piza

Fonte: Estadão

por Daniel Piza

Mais uma vez os livros de ensaio, crítica e história dominam a lista dos melhores do ano, mostrando que os romances andam fracos e a poesia continua marginal. Outra tendência que se confirma é a das reedições, tanto de ficção como de não-ficção, e é um tal de ler nos poucos suplementos literários restantes uma enormidade de matérias sobre clássicos e efemérides. Talvez eu não devesse me queixar, pois há muito tempo leio menos romances do que outros gêneros e estou sempre a criticar a carência de grandes livros do passado nas prateleiras brasileiras. Mas sinto muita falta de ler ficção atual realmente boa, ainda mais num ano em que Ian McEwan (Solar) e outros admirados não satisfazem; e fico pensando o que seria de nós sem o indefectível Philip Roth, que em Nêmesis fez outra narrativa tão curta quanto brilhante. Não à toa só se badala tanto o chileno Roberto Bolaño, morto há dez anos, cujo romance 2666 atravessei com alguma dificuldade, pelas muitas passagens banais.

No Brasil, afora uns imitadores de Bukowski e alguns bons contistas, ano que não tem Milton Hatoum, Chico Buarque e Bernardo Carvalho repercute pouco. Pelo menos em poesia tivemos Em Alguma Parte Alguma, de Ferreira Gullar, 80 anos, além das obras completas de Manoel de Barros, 93 anos. De resto, vivemos de livros de história, como o de Jorge Caldeira, História do Brasil com Empreendedores, muito menos chato do que sugere o título, e de alguns estudos sobre Machado de Assis, como O Altar & o Trono, de Ivan Teixeira, e Machado e Rosa – Leituras Críticas, bem menos abrangente do que sugere o título. E vivemos de reedições dos livros de Lima Barreto, Joaquim Nabuco e de A Barca de Gleyre, de Monteiro Lobato, que atraiu bem menos atenção do que a polêmica sobre a censura aos termos em que se referia à tia Nastácia. De estrangeiros, discutimos Os Embaixadores, de Henry James, e muita gente descobriu só agora os contos de John Cheever e Rodolfo Walsh.

A trilha da cultura

Fonte: Rascunho

Resenha por Patricia Peterle

Pequeno Guia Histórico das Livrarias Brasileiras, de Ubiratan MachadoPensar numa historiografia das livrarias brasileiras é repercorrer também os passos trilhados pela cultura do país. Como se sabe, em 1900 o mercado editorial local não era bem desenvolvido. Um cenário que já começa a mudar na segunda década do século 20, com a vinda de filiais de editoras européias, como a Garnier, e com a iniciativa de alguns imigrantes que decidem apostar nesse ramo, como o alemão Eduardo Laemmert e o português Francisco Alves.

É na verdade essa dobra da história cultural que o livro de Ubiratan Machado procura dar conta, mesmo tendo consciência da complexidade do tema. É, talvez, por isso que o livro tenha como título Pequeno guia histórico das livrarias brasileiras.

Pequeno? Um desejo ambicioso de escrever e divulgar essa história, mas que se bate com a problemática da impossibilidade da sua totalidade, já que para atingir o objetivo seria preciso uma grande equipe de pesquisadores, sem contar com as lacunas nas informações que se perderam ao longo do tempo, como é o exemplo da Livraria do Povo, em São Paulo, cuja existência foi até a década de 1970, e, em alguns casos, o embate com algumas livrarias que não quiseram colaborar. “Quando as pesquisas recuam para os séculos 17, 18 e inícios do 19, surgem outros tipos de dificuldades. Não mais pessoas que se recusam a dar informações, mas a mudez das fontes escritas (…) Assim sabemos que no século 17 (e até mesmo no 16) já circulavam livros nas principais cidades, mas é quase certo a inexistência de pontos de venda. Tais obras vinham de Portugal trazidas pelos colonos, por encomenda de marinheiros de navios estrangeiros, como ainda era comum no início do século 19”, ele afirma.

Ficção Interrompida ganha o Prêmio APCA 2010 de Literatura

Livro Ficção Interrompida, de Diógenes Moura, ganhou o Prêmio APCA 2010 de literatura

Fonte: APCA

O livro Ficção Interrompida, de Diógenes Moura, ganhou o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) 2010 de Literatura, na categoria Contos/Crônicas. A eleição aconteceu no dia 13 de dezembro e a votação desta categoria foi feita por Dirce Lorimier Fernandes, Luiz Costa Pereira Jr., Sérgio Miguez e Ubiratan Brasil.

Diógenes Moura escreve a partir de fatos reais e fictícios e conduz seus personagens a uma narrativa repleta de questionamentos. São contos curtos, pequenos filmes, cenas inesperadas, epílogos dilacerados pela inquietação do autor em não ter encontrado respostas para o drama e o destino de cada um dos seus personagens, a grande maioria anônimos, identificados apenas pelas iniciais de seus nomes. Em alguns momentos do livro, um conto leva ao outro como num plano-sequência para em seguida a imagem se “desfazer” no universo inseguro que é a vida dos homens comuns.

Veja a lista completa dos melhores da APCA em 2010

.

A passagem do tempo inspira livro de poesias

Fonte: EPCampinas

Pétala de Lamparina, de Ricardo LimaO acordar e o fim da tarde que marcam a passagem do tempo são a base do novo livro de poesia do jornalista e poeta Ricardo Lima, que lança “Pétala de Lamparina” nesta terça-feira (14), em Campinas, no Empório Nono, a partir das 18h.

O livro é dividido em duas partes: Caro Acordar eTarde Noite, que surgiram da ideia, um tanto quanto obsessiva como conta Lima, de escrever a partir da palavra ‘acordar’. “A partir daí, eu escrevi uns trinta poemas. Depois de vê-los, eu percebi que precisava ‘terminar’ o dia, e produzi outros a partir do tema de entardecer e anoitecer”, explica o poeta. Os poemas buscam ainda uma reflexão sobre a efemeridade das coisas.

Como coordenador da Editora da Unicamp, Lima fala do gênero literário que escolheu. “A poesia ainda é o patinho feio do mercado editorial, diferente dos livros de auto-ajuda, mas ela ainda tem seu espaço na mente das pessoas. Ainda que não leiam com frequência, em algum momento os leitores buscam a poesia”.

O autor, que já está em seu quinto livro, relata sua inspiração para escrever. “Para mim inspiração não é aquela luz que vem na sua cabeça, mas é viver de olhos abertos e deixar a sensibilidade aflorar para perceber o mundo ao redor. A partir daí, tudo pode virar poesia”.

Serviço
O quê:
Lançamento do livro “Pétala de Lamparina”, do poeta Ricardo Lima
Quando: Terça-feira (14), às 18h
Onde: Empório do Nono (Av. Albino J. B. de Oliveira, 1128, Barão Geraldo, Campinas)
Quanto: Entrada franca
Informações: (19) 3289-0041

Qual a estética que tá no gosto de todo mundo? (Parte 1)

por Camila de Ávila (@caavila) e Jacques Ortiz

Parece impossível saber o que guia as nossas escolhas e sensações. Sabemos que há determinados objetos que chamam muito nossa atenção. Muitas vezes a razão está na nossa emoção que se conecta a esse objeto. A publicidade se apropria da emoção para vender. A arte para passar uma mensagem. Mas como saber o que as pessoas querem e gostam de ver? É o assunto que trataremos nesta série de posts: apreciação estética aplicada a leiautes de propaganda.

Para ir a fundo no tema, foram elaborados 3 cartazes com proposta estéticas diferentes para divulgar o Cineclube do Centro Universitário Franciscano – Santa Maria/RS. Os cartazes ficaram expostos um de cada vez, por 7 dias cada. Após uma semana de divulgação, foi proposto uma pesquisa para saber como é o consumo cultural dos entrevistados (universitários de uma instituição de ensino superior de todos os cursos). Após esta primeira parte, expomos 3 quadros de escolas artísticas diferentes, mas de configurações gráficas similares aos cartazes para que escolhessem quais gostavam mais. Ao definirem quais quadros escolheram, pudemos traçar um perfil do consumo cultural médio de cada curso. Assim, identificamos os alunos que fizeram uma pontuação parecida para passar à segunda parte da pesquisa.

Na segunda parte da pesquisa perguntamos se eles lembravam dos cartazes (que foram mostrados) e quais eles haviam gostado. Tendo em mãos as respostas, averiguamos se o gosto dos cartazes batia com os quadros que haviam escolhido.

Finalmente, as respostas foram analisadas e tabuladas para compor o trabalho e chegar a uma conclusão. Os desdobramentos da pesquisa e a influência do nosso apreço estético no consumo são os temas que serão abordados nos próximos posts.

Matéria baseada na pesquisa feita por Camila de Ávila, Camila Forgiarini, Jacques Ortiz, Lucas Guillande.

Lançamento com palestra do tradutor de As Mil e Uma Noites

Lançamento de Na Senda das Noites, de Christiane Damien

CHRISTIANE DAMIEN é mestre em Língua, Literatura e Cultura Árabe pela USP e membro do Grupo de Tradução e Pesquisa de Filosofia Árabe e História do Pensamento da mesma universidade.

Neste trabalho a autora se debruça sobre a importância do trabalho de Jean-Antoine Galland, orientalista francês tido como introdutor do Livro das Mil e Uma Noites na cultura ocidental, para a obra do escritor francês Charles Nodier. Centrando-se num dos contos desse autor, “Os Quatro Talismãs”, ela esmiúça os elementos que apresentam analogia com o Livro das Mil e Uma Noites e vai muito além da simples comparação entre as obras, desenhando todo um conjunto de relações interiores e exteriores a ambos os textos.

Os impasses da atual poesia brasileira

Por Alcir Pécora

Fonte: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2010/12/04/os-impasses-da-atual-poesia-brasileira-por-alcir-pecora-346484.asp

As obras Palavra e Rosto, de Fernando Paixão; Interior Via Satélite, de Marcos Siscar e A Estrela Fria, de José Almino são três lançamentos não triviais de poesia e de pensamento sobre a poesia. Cada um deles, além de se produzir como objeto de interesse por si mesmo, ajuda a entender certos impasses atuais do gênero no Brasil, a mapear a dificuldade do novo —, isto que é exigência e risco inerentes ao legado cultural que baliza toda criação.

Livro: Palavra e Rosto, de Fernando PaixãoE é justamente tendo o incômodo como horizonte que Paixão opta por tomar a poesia de fora. Cria breves quadros descritivos em prosa afetiva e evocativa, que emula o poético, sem a exigência de ser poesia. A ideia é “fixar impressões” de “situações vividas”, capturar a “realidade corpórea” que “se agrega às palavras”, ou, de outro modo, surpreender a imaginação poética ainda antes de as palavras se fixarem no “estado de texto”. Trata-se, portanto, de agir como se fosse possível obter um flagrante da poesia antes da poesia, como se só restasse à poesia existir antes da sua hora, mais como potência do que como ato.