Monthly Archives: outubro 2010

Exposição de Fernando Pessoa apresenta um mundo poético-visual simples e profundo

Exposição de Fernando Pessoa no Museu da Língua Portuguesa

por Alex Sens

Até o dia 30 de janeiro de 2011, o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo apresenta a exposição “Fernando Pessoa – Plural como o Universo”, que tem projeto do cenógrafo Hélio Eichbauer e curadoria de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith. A mostra multimídia tem o papel de aproximar as pessoas do Fernando Pessoa por meio de vídeos, fotos, livros, projeções e espelhos.

Esta é a primeira vez que o museu dedica uma exposição a um escritor português, depois de comportar outras homenagens a escritores brasileiros como Clarice Lispector e Guimarães Rosa. Toda ela tem um caráter interativo e lúdico. O visitante pode passear por labirintos onde poemas e imagens de Fernando Pessoa retratam seus vários heterônimos e nuances literárias. Há também cabines com projeção de textos que são trocados por um sensor que capta os movimentos das pessoas. Com um simples toque em páginas virtuais os visitantes podem ampliar documentos fac-símiles, manuscritos e datilografados, movidos como um livro holográfico gigante.

A pluralidade de Fernando Pessoa se encontra não só em suas personas diversas e bem construídas, mas também no fato de atingir um público divergente que é tocado pelo simples, porém profundo, ou parafraseando o autor, que simplesmente sente com a imaginação, sem usar o coração. Suas obras são diferentes e fazem pensar. Com esta exposição o visitante pode entrar num mundo poético-visual e pensar junto, além de se envolver mais com a literatura portuguesa e com seus aspectos histórico-culturais.

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“Fernando Pessoa – Plural como o Universo”

De 24 de agosto de 2010 até 30 de janeiro

De terça a domingo, das 10h às 18h

Entrada: R$6,00 (inteira) / R$3,00 (meia)

Gratuita aos sábados e também para crianças de até 10 anos e idosos com mais de 60 em todos os dias.

http://www.visitefernandopessoa.org.br/

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Filme discute relação médico-paciente

Filme média-metragem, O Nome do Cuidado, discute relação médico paciente

por Luiz Zanin | Crítico de Cinema do jornal O Estado de São Paulo

O Nome do Cuidado, média-metragem de Paulo Rosenbaum e Leo Lama, tem proposta inteligente para falar de um tema especializado, a relação médico-paciente na prática médica. Transitando entre as linguagens do documentário e da ficção, ressalta a importância do diálogo na medicina atual, tão refém da especialização e de procedimentos tecnológicos. Hoje, o médico não “escuta” mais o paciente em sua queixa. O médico parece se conformar com o papel de mero orientador de exames clínicos a que o paciente deve se submeter. O Nome do Cuidado coloca-se na contracorrente dessa tendência desumanizadora e alienante da prática médica.

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No filme, dois atores, (Walderez de Barros e Oswaldo Mendes) encenam um texto médico, representando uma situação de crise: alguém que se sente mal ao embarcar no metrô e, em desespero, telefona ao seu médico. O filme não se pretende naturalista. Adota esse procedimento teatral de distanciamento com os atores (Walderez de Barros e Oswaldo Mendes) interpretando um texto médico-dramático e recriando, de maneira ficcional, uma situação de urgência. Esse procedimento dramatúrgico é escancarado ao espectador e nunca escondido. Em geral, o recurso antiilusionista costuma ser visto como um convite à reflexão, endereçado a quem vê o filme. Parece ser bem o caso de O Nome do Cuidado e sua proposta de diálogo tanto com médicos como com pacientes.

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O importante é a mensagem veiculada pelo filme, ao ressaltar a importância de algo esquecido em nossa sociedade contemporânea – o poder da palavra. Alguém, numa situação aflitiva ou mesmo terminal, precisa ser escutado em sua queixa. A própria escuta já é terapêutica. Ou é condição indispensável para o êxito de uma cura. Essa disponibilidade do médico para ouvir parece se tornar cada vez mais rara neste tempo de pressa e fé cega na tecnologia. O Nome do Cuidado parece assim ser um criativo convite à reflexão sobre a hoje tão desgastada relação médico-paciente.

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Livro-DVD do filme O Nome do CuidadoO Nome do Cuidado (Livro-DVD)

Paulo Hersch Rosenbaum, Leo Lama

R$29,00 | 56 pp.

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APSP organiza Varal Fotográfico em São Paulo

Varal Fotográfico da APSP

Os Fotógrafos Amadores e Profissionais de São Paulo (APSP) organizaram o Varal Fotográfico, que acontecerá no dia 16 de outubro. Nesta edição, mais de 140 imagens irão compor o mosaico de olhares sobre a fauna, flora e ações do homem no meio-ambiente, principal tema do evento.

Neste mesmo dia, o fotógrafo e professor Helio Hilarião fará, às 14hs, um workshop gratuito sobre a utilização dos recursos das câmeras digitais compactas.

Insecreva-se no workshop

Blog do APSP

Varal Fotográfico da APSP

Biografia de Euclides da Cunha ganha Prêmio Jabuti

Biografia de Euclides da Cunha ganha Prêmio Jabuti

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Euclides da Cunha: Uma Odisseia nos Trópicos, de Frederic Amory, venceu o Prêmio Jabuti de 2010, na categoria Biografia, anunciado pela CBL na última sexta-feira. A obra também ganhou em 2009 o Prêmio Euclides da Cunha, da Academia Brasileira de Letras (ABL). Segundo a ABL, o prêmio destinou-se a distinguir o melhor livro, inédito ou publicado depois de 1º de janeiro de 1999, sobre a vida ou a obra de Euclides.

Este livro abandona os mitos de alguns biógrafos e dá destaque ao gênio de Euclides da Cunha sem separá-lo de suas misérias. Frederic Amory dedicou-se como poucos a entender a personalidade e as ideias do autor de Os Sertões. Para isso ele confrontou, de modo rigoroso e objetivo, as problemáticas fontes de informação sobre o escritor. Esta biografia aprofunda e esclarece aspectos da vida e da obra de Euclides da Cunha até então pouco estudados.

Bienal de Arte de São Paulo abre renovada, polêmica e com enfoque político

Bienal de Arte de São Paulo

por Alex Sens

A Bienal dedicada às artes plásticas retorna em sua 29ª edição, mais focada, polêmica e com entrada gratuita. Esta nova edição explora a arte como maneira de pensar o mundo e a política, sendo arte e política inseparáveis atividades criadoras do pensamento e de ações sociais e culturais. Os 160 artistas participantes trazem 800 obras que expressam, representam e analisam o mundo e seus valores morais e conflituosos.

Gil Vicente se autoretratou ameaçando personalidades do poder políticoAlgumas obras se destacam por seu forte apelo visual e variabilidade de significados. Entre as mais discutidas estão a série “Inimigos” com desenhos do Gil Vicente (que ilustrou uma capa da Revista Entretanto), artista recifense que se autorretratou ameaçando personalidades do poder político, e a imponente “Bandeira Branca”, de Nuno Ramos, que ocupa o vão central do pavilhão com estruturas verticais pretas encimadas por três urubus. As duas obras sofreram repúdio: a primeira por parte da Ordem dos Advogados do Brasil que a considerou um estímulo à violência, e a segunda de ambientalistas que pediram a libertação das aves, tendo até uma de suas estruturas pichadas com o pedido.