Obra estuda a influência da leitura na construção de uma sociedade

Sociologia da Leitura, de Chantal Horellou-Lafarge e Monique Segrépor @AlexSens

Fonte: OPS!

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“Reconhecer não é ler”, escreveu o educador francês Jean Hébrard. Ou seja, repetir o som e a sequência de letras empregadas em uma palavra, reconhecer seus fonemas e grafemas, não passa disso, uma observação da linguagem em sua ordenada apresentação. Ler é compreender: este se tornou o lema dos pedagogos a partir da segunda metade do século XX, época em que apenas a decifração do escrito se torna insuficiente, sendo necessário compreendê-lo.

Pouco estudada no Brasil, e possivelmente em todos os países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, a sociologia da leitura é um campo que analisa esta prática social que envolve também cultura, política, instrução, conhecimento e autoconhecimento. Este estudo feito pelas sociólogas francesas Chantal Horellou-Lafarge e Monique Segré, e transformado no livro Sociologia da Leitura (Ateliê Editorial, 160 páginas, tradução de Mauro Gama), enriquece a bibliografia sobre o assunto e ajuda a compreender melhor uma prática talvez usual, genérica, mas pouco discutida. Esta leitura sobre a leitura, uma conveniente metaleitura, aborda seu papel e sua importância na cultura tanto de uma sociedade leitora, ou não-leitora, quanto do ser individual, de sua influência na economia, do crescimento de um lugar e do próprio crescimento.

“Sociologia da Leitura” é um estudo profundo e completo não somente sobre a prática da leitura, mas sua influência na vida das pessoas, na vida de um todo que se constrói dia a dia como sociedade politizada, como ambiente de sobrevivência. Sem saber, lemos a todo instante, nos informamos, nos deixamos levar pelos símbolos que representam sons, que por sua vez representam pensamentos e informações, cuja importância é primordial. A leitura atenta e bem-feita, não superficial, faz o homem dono de si mesmo, da sua independência enquanto aprendiz de uma arte, de um ensinamento finito ou infinito. Ler é estar disponível para o conhecimento e o maior dispositivo dessa prática ainda é o livro, que como Yvonne Johannot explica na última página, “se abre como se abre a porta de uma casa – para uma intimidade destinada àquele que possui a chave”.

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