Resenha do Interior Via Satélite por Masé Lemos

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Entre subidas e decidas

(por Masé Lemos)

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Deslocamento, escala e deriva.

Marcos Siscar é um dos nomes mais importantes da poesia brasileira contemporânea. Sua singular forma poética é marcada pela perífrase, pela pontuação inusitada, que conduz o leitor à deriva, ao caminhar entre desvios e atalhos que acabam por perturbar o sentido. Esse tipo de escrita, que interessa também a uma certa filosofia, escava através de um trabalho irritado, nervoso e contrariado, a linguagem, visando sair da dialética. Mas se a dialética é o limite que se quer transgredido, porém nunca ultrapassável, a transgressão não é um triunfo, mas um trabalho incessante, como diz Foucault no célebre “Prefácio à transgressão” a propósito de Bataille. Ela surge como um relâmpago que “ilumina por dentro e de alto a baixo” dando a ver o obscuro, o dentro e o fora, aquilo que é interior ao exterior e vice-versa, num movimento contínuo de dobra e alisamento.

Em seu último livro, Interior Via Satélite (2010), é perceptível a continuidade deste trabalho com a escrita em constante deslocamento, espécie de propulsão que a faz crescer em redemoinho, em contorsões enervadas que instaura uma “crise de verso”, esse interior do qual não se quer, não se pode sair. O limite pode ser pensado aqui como a pele que nos envolve, que delimita o interior, enquanto que ferir a pele é o trabalho da escrita, o trabalho da transgressão. [Leia a resenha inteira]

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