Monthly Archives: julho 2010

Arte pública digital invade Avenida Paulista

Até o dia 29 de agosto, quem passar pela Avenida Paulista poderá interagir com o projeto de arte pública digital do FILE (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica). As instalações, espalhadas ao longo da avenida, levam às pessoas experiências únicas com o mundo digital – e as lembram da intensa presença da tecnologia na vida urbana. Dentre as 12 estações de intervenções estão o SMSlingshot, que “atira” SMSs em paredes de prédios, e o SNIFF, um cão animado que segue quem passa por perto.

O SMSlingshot, criado pelo grupo VR/Urban, é um celular com o formato de estilingue. A mensagem de texto é digitada e atirada. Essa mensagem é então projetada numa fachada de prédio, no local onde a pessoa mirou. A ideia dos criadores é de incentivar os habitantes da cidade a terem uma postura ativa, de maneira que ocupem os espaços urbanos com suas próprias mensagens. O SMSlingshot pode ser encontrado próximo ao Metrô Brigadeiro.

Interior Via Satélite, de Marcos Siscar, debate o lugar da poesia

(Jair Ferreira dos Santos – Jornal do Brasil)

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Paira sobre a cena literária, há bom tempo, uma pergunta ainda sem resposta: qual é a poesia possível no mundo contemporâneo, que parece condenado à prosa? Pois formatada pelos objetos e saberes tecnocientíficos, assim como pela parolice comercial das mídias, nossa época descarta o poema, arcaísmo silenciado sob o império da informação em linguagem corrente. Há quem se escandalize com essa hegemonia, mas há também os que aderem a ela estrategicamente. É o que se propõe Marcos Siscar, poeta, tradutor e professor da Unesp em São José do Rio Preto e Campinas, em sua notável coletânea Interior via satélite, ao afirmar: “não importa onde a fisgada nas vísceras lhe corte o verso. ou que o curso da prosa o esconda sob água turva”. A opção não é nova, mas neste caso o tratamento recebido e seus frutos são incomparáveis.

Quatro blocos de poemas nos quais o verso dá lugar à frase, à estrofe, ao parágrafo, sem vírgulas ou capitulares, refazem sofisticadamente nossa percepção do que seja o cotidiano, as pequenas coisas, a ambiência tecnológica e a própria Terra, não sem flexibilidade suficiente para redescrever o amor doméstico ou produzir três tocantes narrativas sobre a Pietá.

Críticos e professores de literatura elegem as melhores editoras do Brasil

(Por Márcio Ferrari Valor Econômico)


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A pesquisa promovida pelo Valor não teve a intenção de medir a eficiência empresarial, mas indicar as editoras que mais se destacam culturalmente. A votação se encaminhou naturalmente para a ênfase nas áreas artístico-literária e das ciências humanas e muitos dos votantes mencionaram a capacidade de interferir na vida cultural e de formar leitores como critérios para medir a qualidade de uma editora. Aos 21 especiliastas consultados, foi pedido que fossem escolhidas as três melhores casas editoriais. Ficaram de fora as áreas mais especializadas, como as dos livros técnicos, os de autoajuda e os didáticos e paradidáticos, embora a grande movimentação nesses setores nos últimos anos, em que ocorreram grandes fusões e incorporações, certamente influi no quadro geral. [Leia a matéria completa]

Historiador discute relações entre Adoniran e sua grande musa, São Paulo

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O centenário de Adoniran Barbosa – que se comemora em 6 de agosto – é uma excelente ocasião para conhecer Adoniran Barbosa – O Poeta da Cidade, estudo inovador do historiador Francisco Rocha sobre as relações entre o compositor e radialista e sua grande musa, a capital paulista.

Nas palavras do crítico Antonio Candido, Adoniran “inventou um certo jeito de ser paulistano”. Afirmou-se como intérprete, expressão e extensão de uma metrópole no momento em que ela passava por radicais transformações que acentuaram a desigualdade social. Com uma visada crítica, Adoniran modelou a sua visão de São Paulo com uma poética da denúncia e da rebeldia, cheia de cômica ironia e peculiar dicção.

A Arte De Argumentar – Gerenciando Razão e Emoção

(Resenha por Isabel F. Furini – Jornal Indústria & Comércio)

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Trabalhar em equipe é complicado? Entender os outros e se fazer entender é uma arte? Ser capaz de argumentar corretamente, de persuadir, é um sonho difícil de concretizar?

Estamos em um mundo onde os relacionamentos não são fáceis e o trabalho em equipe pode revelar e até aumentar alguns problemas interpessoais.

A arte de comunicar as ideias sem ferir os outros, de argumentar de maneira adequada adquire um valor especial quando se fazem trabalhos em equipe. Talvez por isso o livro de Antônio Suárez Abreu A Arte de Argumentar – Gerenciando Razão e Emoção ( Ateliê Editorial, 2009, 136 páginas) já está na 12º edição. O livro é um guia dirigido a todos aqueles que pretendem melhorar os relacionamentos por meio da criatividade e do trabalho em equipe.

Antônio Suárez Abreu tem pós-doutorado pela Unicamp e defendeu livre-docência pela USP. Atualmente, é professor titular da Unesp, campus Araraquara, onde orienta trabalhos de mestrado e doutorado. Seus escritos, frutos de sua experiência como docente e pesquisador, são plenamente acessíveis ao público em geral.

Tatit e Lopes analisam canções de quatro compositores da MPB

(por Alexandre Marcelo Bueno – Revista do GEL)

A teoria semiótica de linha francesa, criada por Algirdas Julien Greimas, em meados da década de 1960, tem a significação como seu objeto de estudo. Durante boa parte de seu desenvolvimento inicial, a semiótica prescindiu, de modo consciente, da análise do plano da expressão para focalizar o modo como o plano do conteúdo se organizava. Para isso, Greimas e colaboradores elaboraram um arcabouço conceitual que correspondeu, por um lado, a uma afamada economia conceitual, e, por outro, a algumas limitações que não se referiam apenas à organização do plano da expressão.

Sendo uma das poucas herdeiras declaradas do patrimônio conceitual saussuriano e, principalmente, de seu refinamento, promovido por Louis Hjelmslev, a semiótica esbarrou nos limites impostos pelo edifício teórico que ela própria erigiu. Na década de 1980, alguns semioticistas já procuravam ampliar o escopo da teoria, retomando questões centrais anteriormente deixadas de lado, como os estados passionais dos sujeitos narrativos e o próprio plano de expressão. Não por acaso, após a morte de seu fundador, a semiótica passou a conviver com diversas propostas conceituais e analíticas, cuja co-existência nem sempre é pacífica. Dentre essas propostas, a semiótica tensiva, que tem em Claude Zilberberg seu mais destacado proponente, surgiu como o intuito de integrar a dimensão sensível, colocando assim o plano de expressão no centro dos interesses da teoria. Dessa feita, atualmente, diversos semioticistas buscam investigar a organização do plano da expressão, enquanto instância produtora de significação; buscam, também, compreender como se define sua relação com o plano do conteúdo.

O livro Elos de Melodia e Letra – Análise semiótica de seis canções, lançado em 2008, é o resultado do trabalho dos semioticistas brasileiros Luiz Tatit e Ivã Carlos Lopes, que apresentam recursos teóricos para se compreender melhor a relação entre os planos do conteúdo e da expressão a partir de um objeto privilegiado para isso: a canção. Na introdução do livro, os autores apresentam seus objetivos iniciais: não apenas examinar a letra e os elementos melódicos e rítmicos da música como componentes dotados de significação, mas compreender o elo que une esses dois planos constitutivos de seu objeto de análise.

Interior Via Satélite

apollinaire viu paris de avião

memorfoseado em cristo cavalo alado da transcendência moderna.

apollo 13 reconheceu a muralha da china

fotografou o mundo inseriu cicatrizes com tinta forte.

hobsbawn do espaço vê nos pontos de luz as trevas da riqueza global.

vim vê-lo interior por inteiro.

a discordância de luzes refletida nos olhos

sozinha não explica nossa intimidade

nossas esperanças

nossas hipóteses de confins.

a cruel necessidade desta outra sombra

onde nada se vê.

a discordância são meus olhos.

Novo livro de Fernando Paixão extrai e injeta poesia nas frestas do dia-a-dia

(Por Marcos Pasche – Jornal Rascunho)


Era um convicto catador de poemas. Entregava-se aos acasos para poder colecionar detalhes ou cenas quaisquer, donde se depreendesse o sinal possível, espiralado, que permitia o estirar de uma frase natural. Ele, sempre atento na ponta dos olhos, recusava-se a emendar palavra com palavra em meio à limpeza higiênica das mesas poéticas; não queria a poesia remediada, de tato virtual, nem a fria plumagem da língua.

À maneira de T. S. Eliot, para quem o fim engendrava o início, o fragmento acima – extraído de O farejador, último texto de Palavra e rosto, de Fernando Paixão – funciona perfeitamente como preâmbulo do livro, visto concentrar o que se verifica ao longo de suas páginas: o exercício do olhar, o qual, nivelado ao dos pintores impressionistas, colhe e lança seiva poética aos buracos das coisas em geral, sejam elas cotidianas, nas quais se topam corriqueiramente, sejam elas insólitas, as quais topam em nosso pensamento nos raros momentos em que a ele cedemos espaço.

Da mesma forma como ocorre em muitas exposições de pintura atuais – em que se exibem não necessariamente as obras acabadas, e sim os estudos que dão gênese a elas – Palavra e rosto é um livro-ensaio, pois os textos que o constituem são comentários a respeito de situações que geraram poemas, ou a respeito dos próprios poemas gerados, como se o autor estivesse inclinado a vasculhar, com todas as suas sensações, o misterioso sopro que gera a bolha de sabão e que a mantém suspensa no ar. No entanto, apesar da intenção registradora, a ação, por ser poética, é sempre criadora, como o autor esclarece em Álbum, nota explicativa que abre o volume:

As páginas aqui reunidas foram escritas ao sabor das ocasiões, sem plano de vôo. Inicialmente, o intuito era fixar impressões em torno de algumas situações vividas ou flagrantes percebidos. Mas logo a criação seguiu atalhos próprios, aproximando-se do tom poético e sucumbindo ao desejo de registrar momentos e comentários ligados ao campo da poesia.

Escritor Rosário Fusco ainda não é compreendido apesar de seu centenário

O centenário do nascimento de Rosário Fusco se aproxima e os brasileiros ainda não o assimilaram. O absurdo do mundo, caos, personagens extravagantes e desajustados, contradições, marginalidade e surrealismo são marcas deste grande ficcionista do Modernismo, camuflado pelo realismo de sua época. Em entrevista à Folha, seu filho François revela que Rosário Fusco já dizia que seria entendido apenas décadas depois de morrer.

Aos 17 anos Rosário Fusco iniciou um trabalho influenciado pelo movimento modernista de 22, a Revista Verde. A revista foi editada em Cataguases de 1927 a 1929 e teve colaboração de Mário de Andrade, Murilo Mendes e Carlos Drummond de Andrade. Nesta época, Fusco trabalhou ao lado de Ascânio Lopes, Camilo Soares, Christophoro Fonte-Boa, Francisco Inácio Peixoto, Guilhermino César, Martins Mendes, Oswaldo Abritta e Enrique de Resende.

Na década de 40, O Agressor, um de seus principais romances, foi publicado e teve mais tarde os direitos de filmagem adquiridos pelo cineasta Orson Welles, que os adquiriu após ler a obra traduzida no italiano. Apesar do cineasta ter cogitado levar o personagem paranoico de O Agressor às telas do cinema, a ideia nunca foi concretizada. O romance foi reeditado recentemente pelo selo Bluhm.

Em 2003 a Ateliê Editorial publicou uma obra inédita deixada por Rosário Fusco: a.s.a. ? associação dos solitários anônimos. O crítico Fábio Lucas a descreve como “uma narrativa de veloz andamento, polifacetada, palmilhada de contradições, a explorar um recanto especial do cenário brasileiro: a marginalidade acumulada ao longo do cais. Um poliedro de inspiração suprarreal”.

Fusco nasceu em São Geraldo, mas se mudou com sua família para Cataguases ainda bebê. Em 1932 ele se mudou para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como jornalista e permaneceu até os anos 60. Depois dos seus 50 anos de idade, retornou para Cataguases, onde viveu seus últimos anos, falecendo no dia 17 de agosto de 1977.

O crítico Sábato Magaldi considera Fusco como um dos maiores escritores do século vinte. O escritor Antonio Olindo o chama de “nosso Kafka” e lamenta que Fusco não tenha ganho ainda um reconhecimento entre os mestres da literatura brasileira.

Promoção Centenário de Rosário Fusco: 25% de desconto

Fotos do lançamento de Distopia no Bar Balcão

O evento de lançamento do livro Distopia, de Hélio Franchini Neto (à direita na primeira foto), aconteceu no Bar Balcão, em São Paulo-SP, no dia 19 de julho de 2010. Estavam presentes no evento o editor Plínio Martins (à direita na segunda foto) e os convidados do autor.

Fotos por Aline Sato